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sábado, 26 de maio de 2012

Pst! Queres saber a última dos serviços secretos?

Telemóveis, escutas, sms, jantares, algarves, cafezinhos, envelopes, conspirações, constipações, poderes, foderes, oposições, indisposições, listas, jornalistas, ex-jornalistas, adjuntos, assessores, ascensores, manobradores, espiões, ex-espiões (espiões para toda a vida), ministros, futuros ex-ministros, mentirosos, escândalos, silêncios, sacudidores de capotes, capados, bodes expiatórios "a título pessoal", telefonemas, ameaças, pressões, depressões, chantagens, garagens, cobardias, mordomias, comissões, comichões, gravatas, carlos mínimos, maçonarias, mercearias, demissões (de conveniência), desculpas, culpas, negócios, bancos, hotéis, bordéis, restaurantes, cachorros. Mas isto que não saia daqui.

sábado, 28 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Afinal havia outro

Afinal são três e não dois os líderes parlamentares que pertencem à maçonaria. É o que conta hoje o DN, acrescentando Nuno Magalhães, do CDS, aos já sabidos Luís Montenegro, do PSD, e Carlos Zorrinho, do PS. Este trio controla, ao todo, 206 deputados. Isto é: quase 90 por cento do plenário da Assembleia da República. Dito de outra maneira, como se fosse o reclame a um sabonete: nove em cada dez deputados são dirigidos por mações.
Ainda de acordo com o DN, Nuno Magalhães integra, tal como Carlos Zorrinho, a maior obediência maçónica portuguesa, o Grande Oriente Lusitano, enquanto Luís Montenegro pertence à segunda maior, a Grande Loja Regular de Portugal, fazendo parte aqui da Loja Mozart, a mesma de personalidades como Jorge Silva Carvalho (ex-director das secretas e actual quadro da Ongoing) e Nuno Vasconcelos (o patrão da Ongoing).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não mexer, por favor!

O PSD apagou do relatório preliminar sobre as audições relativas aos serviços secretos, realizadas na 1.ª comissão parlamentar, as referências que indiciavam ligações de titulares de cargos de chefia e de direcção das "secretas" à Maçonaria. De acordo com o jornal Público, na primeira versão do relatório, assinada a 28 de Outubro de 2011 pela deputada Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada do PSD, pode ler-se que os "incidentes verificados nos últimos meses" (as notícias sobre as fugas de informações para a empresa Ongoing e o acesso ilícito aos registos telefónicos do jornalista Nuno Simas) "sugerem indícios e lançam suspeitas de ligações" de Jorge Silva Carvalho [que, até finais de 2010, dirigiu o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa] a "conluios de poder", "pretensamente com a ambição de ocupar cargos dirigentes, incluindo nos Serviços de Informações". Neste documento, a deputada escreveu ainda que as audições realizadas à porta fechada resultaram também em "indícios e suspeitas do envolvimento" de Silva Carvalho "com grupos de pressão pretensamente instalados na sociedade portuguesa, nomeadamente a ramos da Maçonaria".
Parece-me correcta a opção do PSD, que retirou a mão a tempo e voltou a sentar-se em cima da caixa de Pandora. Mexer com os ramos da Maçonaria é um perigo! Outra coisa seria se se tratasse do Ramos da mercearia.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O outro serviço secreto

O SIEV (Sistema de Identificação Electrónica de Veículos) é o segredo mais bem guardado do Estado português. Não se sabe para que serve, embora se suspeite que não serve para nada. Não se sabe o que faz, embora seja quase certo que não faz nada. Se faz alguma coisa, é de morto. Faz com que não se dê por ele. Faz que não existe. E foi assim, usando esta eficaz técnica de camuflagem, que o SIEV se safou da extinção que o Governo acaba de decretar para umas dezenas de organismos e institutos igualmente públicos e notoriamente inúteis.
O SIEV foi criado em 18 de Maio de 2009, no reinado de José Sócrates. O Ministério da Obras Públicas, Transportes e Comunicações atribuiu-lhe "o exclusivo de exploração e gestão do sistema de identificação de veículos" para pagamento de portagens. Mas isto é só fachada. Já em Junho de 2010, nas vésperas de começarmos a ser obrigados a pagar as auto-estradas gratuitas, o semanário Expresso se referia ao SIEV, em título, como "a empresa fantasma que gere as portagens". "A sociedade pública criada em Maio do ano passado pelo Governo para autorizar, gerir e fiscalizar todo o sistema de chips de matrículas e de portagens nas SCUT é uma pequena sala vazia no Paço do Lumiar", escrevia então o jornalista Micael Pereira.
E pouco deve ter mudado desde então. O site do SIEV, tal como naquela altura, continua "sem um número de telefone para onde se possa ligar" ou sem nomes de directores a quem nos possamos dirigir. É um serviço secreto. Há apenas uma "morada provisória" e um endereço de e-mail que, como se verá a seguir, também não serve para nada.

Há quase meio ano que me dirijo ao SIEV, por e-mail, solicitando uma simples informação. Tão simples, que a resposta até pode ser resumida a um sim ou a um não. Fiz o primeiro contacto no dia 5 de Abril de 2011 e procedi ao reenvio da minha missiva a 14 de Abril, 5 de Maio, 2 de Junho, 5 de Julho, 22 de Julho, 1 de Agosto, 7 de Agosto, 16 de Agosto, 22 de Agosto, 29 de Agosto, 5 de Setembro, 12 de Setembro e hoje. Sim, há dois meses que contacto o SIEV todas as segundas-feiras. Contacto, é uma forma de dizer, porque fico sempre a falar sozinho. O fantasma do SIEV não se digna sequer acusar a recepção dos meus e-mails ou mandar-me bater a outra porta.
Eu e o SIEV estamos, portanto, praticamente a festejar o nosso primeiro meio aniversário. Se vou desistir? Não! Se este é o texto da minha capitulação? Não! De hoje a oito há mais.