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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

E as gatas?

Hoje é Dia do Gato. Mas Dia do Gato é todos os dias, é quando o gato quiser. Parabéns, Pantufa! Parabéns, Félix! Parabéns, Tareco! Parabéns, Zé Albino! Quanto às gatas, aguardam uma vigorosa tomada de posição por parte do Bloco de Esquerda, do PAN e das Capazes.

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Gato ou Dia Internacional do Gato. Que também é na próxima quinta-feira, 20 de Fevereiro, no dia 8 de Agosto e no dia 29 de Outubro...

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Eu, crente, me confesso (revisto e aumentado)

Sou crente e não me sinto afrontado pelo cartaz do Bloco de Esquerda com a imagem de Cristo, do Sagrado Coração de Jesus, festejando a adopção por casais homossexuais. O padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, não me perguntou a minha opinião e, portanto, não está autorizado a falar por mim, que sou tão crente, pelo menos, quanto ele.
Sou crente e não gosto do Bloco de Esquerda (embora já tivesse gostado menos). Sou crente e sou pela adopção por casais homossexuais. Sou crente e o cartaz do Bloco - posto que ignorante, infantil e bacoco, Bacoco de Esquerda - nem me afronta nem me desafronta. Fosse o caso, e tomaria bicarbonato. Cuidava era que a Igreja tivesse mais que fazer...

(Foi ontem. Acrescento, às 14h32 de sábado, dia 27 de Fevereiro de 2016: tomei devida nota dos piedosos afrontamentos do ex-ministro Pedro Mota Soares, do CDS, e do pantomineiro Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD. Vê-se que são pessoas que vão todos os dias à missa e rezam o terço antes do deitar. São, agora, 14h33. Lá fora o céu desaba em saraiva e a borrasca passa tão depressa como apareceu. Será que Deus nos quer dizer alguma coisa?)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Eu, crente, me confesso

Sou crente e não me sinto afrontado pelo cartaz do Bloco de Esquerda com a imagem de Cristo, do Sagrado Coração de Jesus, festejando a adopção por casais homossexuais. O padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, não me perguntou a minha opinião e, portanto, não está autorizado a falar por mim, que sou tão crente, pelo menos, quanto ele.
Sou crente e não gosto do Bloco de Esquerda (embora já tivesse gostado menos). Sou crente e sou pela adopção por casais homossexuais. Sou crente e o cartaz do Bloco - posto que ignorante, infantil e bacoco, Bacoco de Esquerda - nem me afronta nem me desafronta. Fosse o caso, e tomaria bicarbonato. Cuidava era que a Igreja tivesse mais que fazer...

(Acrescento, às 14h32 de sábado, dia 27 de Fevereiro de 2016: tomei devida nota dos piedosos afrontamentos do ex-ministro Pedro Mota Soares, do CDS, e do pantomineiro Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD. Vê-se que são pessoas que vão todos os dias à missa e rezam o terço antes do deitar. São, agora, 14h33. Lá fora o céu desaba em saraiva e a borrasca passa tão depressa como apareceu. Será que Deus nos quer dizer alguma coisa?)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vou ter saudades do Público

O jornal Público, para além de ser o melhor jornal português de todos os tempos - e é por isso que não faz falta e vai acabar -, tem muita piada. Por exemplo: "O que farão os arquitectos quando já não puderem construir?", pergunta o futuro ex-periódico de Belmiro de Azevedo. Os arquitectos, a angústia dos arquitectos, que constroem. Há também os empreiteiros, os mestres-de-obras, os pedreiros, os carpinteiros, os trolhas, os electricistas, os canalizadores, os ó-moço-traz-uma-cerveja, que também dão uma mãozinha nas obras. Mas não sei se este pé-rapado é do Bloco de Esquerda e propenso a psicanálises. Portanto: sim, o que farão os arquitectos quando já não puderem construir? Já não vão poder ler o Público, isso parece certo.

Agora, isto é o que eu digo e repito, sob juramento: o Público foi o melhor jornal português de todos os tempos. Vai fazer falta a Portugal e é um crime que o liquidem. É um crime. Peço desculpa por não ter arranjado melhor homenagem do que esta.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Para que não haja confusões

"No Bloco de Esquerda os militantes não andam atrelados", sublinha João Semedo. E faz bem. Principalmente agora que se prepara para emparelhar com Catarina Martins na liderança do partido.

sábado, 25 de agosto de 2012

António Borges, o precursor

Se o coro dos surpreendidos pensa que consegue calar António Borges, bem pode tirar o cavalinho da chuva. O dom sebastião residente do PSD não falou de mais nem sequer antes do tempo quando foi à TVI anunciar o fim da RTP. Foi apenas competente. Borges é uma espécie de João Baptista deste Governo cobarde e incapaz. É pago e bem pago para preparar o caminho de Passos Coelho e Miguel Relvas. Ele diz mata, a gente habitua-se à ideia, e os outros dois esfolam. Porque tem que ser, foi o senhor doutor que mandou, desculpam-se.
PS, Bloco de Esquerda, PCP, trabalhadores da RTP, Nuno Santos e até o CDS dizem-se apanhados de surpresa por este "ovo de Colombo" posto por quem sabe. Eu não fiquei admirado. E também não estranharei se António Borges for hoje à SIC anunciar o aumento do preço do cartão canelado a granel e se amanhã, num acto de grande coragem, aparecer na RTP a baixar o preço da arroba de alpista. Manda quem pode.

sábado, 11 de agosto de 2012

Zita Seabra e os 777 anões

Não liguem ao atraso. Eu bem não queria mexer nisto, mas tem que ser. A espionagem do PCP via aparelhos de ar condicionado, estão a ver? Cheira mal? Paciência! Portanto, cá vai. Para princípio de conversa, tenho que lavrar a minha mais profunda crítica à alegada comunicação social portuguesa, que parece que não levou a sério a corajosa denúncia: tratar um escândalo desta dimensão como se fosse um fait divers da silly season é erro crasso, de palmatória. E peço desculpa por escrever erro crasso, de palmatória, mas a verdade é que desconheço as expressões equivalentes em estrangeiro e que calhavam aqui que nem ginjas.
Isto é assunto sério. A espionagem do PCP via aparelhos de ar condicionado durante a década de oitenta do século passado é um prática bem conhecido por todos os ex-comunistas e sobretudo pelos ex-comunistas que foram expulsos do partido e arranjaram bom emprego no PSD. Demonstrando grandeza intelectual e enorme sentido de responsabilidade, Zita Seabra só agora, mais de vinte anos depois, é que foi ao Mário Crespo pôr a boca no trombone. E se não tinha essa ideia de início, acabou por colocar-se a jeito.
O PCP nega o óbvio, como lhe está na natureza, mas já não engana ninguém. Meteu mesmo anões nos aparelhos de ar condicionado "em tudo o que era ministério, em sítios nevrálgicos e em órgãos de poder". Anões especialistas, ouvidores, descriptadores e onzeneiros, que porém saíam do serviço às 19h45, por imposição sindical. O PCP ainda hoje não sabe o que é que o Governo tramava ao serão.
Percebem agora de onde vem a expressão tão nossa e tão dos nossos medos de que "o ar condicionado tem ouvidos"?
Dir-me-ão as boas almas, os simples: mas ainda bem que o PCP pelo menos arranjou emprego a essa minoria da população portuguesa, uma vez que ainda não havia Bloco de Esquerda. Ora aí é que a porca torce o rabo: porque estes anões não eram anões desde o princípio. Eram todos matulões com mais de um metro e noventa que foram mingar durante quatro anos (o curso completo) num campo de treino da antiga União Soviética. Saíram de lá anões como manda a sapatilha, regressaram a Portugal e foram introduzidos nos aparelhos da FNAC. Até um deles, por causa de um peido - um peidinho, de anão -, ter sido descoberto pela senhora da limpeza do Governo, que foi logo meter no cu da Zita Seabra.
E lá se acabou o que era bom para os anões: o fresquinho no Verão e o quentinho no Inverno. Hoje trabalham nas máquinas do Multibanco. Sem ar condicionado.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Finalmente todos focados no essencial: os feriados

E de repente fez-se luz. Ontem, como se estivessem combinados mas isso era o que faltava, Igreja, Bloco de Esquerda, PS, PCP e Ribeiro e Castro atiraram-se todos ao mesmo assunto, àquele do qual verdadeiramente depende a salvação dos portugueses: a problemática da eliminação dos feriados. A Hierarquia católica diz que não há pressa, os socialistas, os comunistas e os bloquistas querem que tudo fique como está, que está muito bem, e o desalinhado deputado do CDS apresentou três-propostas-alternativas-três para manter o 1.º de Dezembro, o qual, na ideia dele, é mais feriado do que os outros.
Cá no rés-do-chão, a nossa preocupação era mesmo os feriados. Agora estamos todos muito melhor, obrigado. A crise, assim, já não é mais do que uma embirrenta corrente de ar. Por falar nisso, e se não for pedir de mais à Igreja, ao Bloco de Esquerda, ao PS, ao PCP e ao Ribeiro e Castro do 1.º de Dezembro: o último a sair que feche a porta. E apague a luz.

terça-feira, 27 de março de 2012

Querem é sexo

Sou muito procurado por causa de sexo. É verdade: centenas de visitantes do Tarrenego! entram aqui pela primeira vez porque pesquisam na Net palavras-chave tão atesoadas e cheias de segundas intenções como "belas e perigosas", "foder no parque", "mamas", "amantes", "portuguesas malucas", "portuguesas perigosas", "comendo a tia safadinha" (palavra de honra!), "putas", "prostitutas" ou "padres de Viana do Castelo". Depois levam com um balde de água fria no focinho, vão-se abaixo e se calhar nunca mais voltam. Compreendo-os.
Há outros leitores, igualmente solitários e amantes dos trabalhos manuais, porém de hábitos um pouco mais arejados e produtivos (a jardinagem ou a culinária, por exemplo), que contactam comigo através de senhas como "Alberto João", "o seringador", "arroz de polvo carolino ou agulha", "esquerda caviar", "onde comer sardinhas", "Anthony Bourdain", "ah faneca!" e "moelas de coelho". Sobretudo "moelas de coelho". Percebo também que fiquem desconsolados com o que tenho para lhes dar e não posso levar a mal o raspanete que achem por bem (no caso dos fiscais de serviço do Bloco de Esquerda), embora lamente que me virem as costas de vez. Já agora: para o polvo, arroz carolino. E é claro que os coelhos não têm moelas, mas o meu amigo Peixoto, em Fafe, cozinha-as muito bem.
Quase que só sobram então os americanos, os russos e os alemães, que são sempre os primeiros a chegar e, honra lhes seja!, não me largam. E é muito fácil mantê-los interessados. Basta-me meter um texto qualquer com uma ou mais destas inocentes palavras: "terrorismo", "EUA", "Putin", "Bush", "Obama", "Saddam Hussein", "Al-Qaeda", "Merkel", "Papa", "armas" ou "bomba", e meia dúzia de segundos depois já cá estão eles a bater-me à porta. É automático.
O que eles querem sei eu. No fundo, anda tudo ao mesmo: querem sexo, como os das "mamas" e das "prostitutas". Querem ver se me fodem, com licença da palavra. Mas também vêm ao engano.

(E depois há os casos que podem ser sérios. Como ontem, quando alguém caiu no Tarrenego! com a conjugação de palavras-chave "quero denunciar o meu pai que me maltrata". Peço desculpa pela pista falsa e espero sinceramente que quem estava aflito, se assim era, tenha encontrado a ajuda de que precisava.)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O mito da esquerda caviar

A esquerda caviar não existe. Em Portugal, não! Quando se fala do Bloco de Esquerda como uma rapaziada bem nascida que se meteu na merda da política mas que, paradoxalmente na esteira de um Cavaco Silva ou de um Fernando Nobre que ainda estava para ser inventado, consegue andar sobre ela, a merda, sem sequer borrar a sola dos sapatos, há aí um certo exagero. Os sapatos são de marca, o que até poderia explicar o milagre, mas não, não houve milagre nenhum! Porque esta malta é ateia, não acredita em milagres e o pólo também é de marca e está sempre cheio de caspa. Portanto...
Os bloquistas são apenas diletantes. Não se dão ao trabalho.
O Bloco, que só existe porque dá na televisão, de resto não suja as mãos em assuntos de governo a não ser para não ser nada, tem os dias contados. O caviar de supermercado é uma treta, a rapaziada do BE sabe disso melhor do que ninguém e não está para aturar esta pinderiquice por muito mais tempo. Até os croquetes são ultracongelados, o que também veio apressar o declínio da nossa esquerda gaiteira. Os cabeçudos da coisa começaram a comer-se uns aos outros e agora é cada um por si. O Bloco é de supermercado. O Bloco é uma treta. O último a sair é burro.

Fernando Rosas, um dos inventores do Bloco de Esquerda, antigo candidato à presidência da República, ex-deputado, historiador e gordo, invadiu ontem, ao almoço, um dos meus sítios. O meu sítio! Levaram-no lá, a ele e à mulher, ao santuário da velha e boa comida portuguesa que eu nem às paredes confesso. Não lhe deram caviar nem croquetes, que era o que ele merecia, mas apresentaram-lhe as melhores pataniscas de bacalhau do mundo e uma truta de conserva com broa frita que devia estar guardada só para mim. Foi o princípio da conversa. Depois passearam-no pelos mais emblemáticos pratos da casa, que eu me recuso a identificar por uma questão de segurança de Estado.
A invasão estava a meter-me nervos e por isso vim-me embora. O Rosas ficou na maior quando eu saí. O meu medo agora é que ele, com o desgosto do caviar, se converta à esquerda da patanisca e do verde branco. Sinceramente, não sei se deixo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O peneirento

Há que tempos que não me vinha à cabeça a palavra peneirento. Veio-me ontem, com acento na penúltima sílaba e tudo - "peneirénto" -, como se diz na minha terra. E devo o momento de tocante nostalgia ao Dr. Fernando Nobre e à sua mais que esperada renúncia ao cargo de deputado. Muito obrigado, senhor doutor.
Arrumado contra-vontade no baú das expressões populares, o adjectivo peneirento tem vindo a ser substituído por sinónimos tão modernos como vaidoso, presumido, pretensioso, presunçoso ou pedante. Também estão bem para o caso em apreço, mas não são a mesma coisa.
Fernando Nobre, o antipolítico que apoiou Durão Barroso na ressaca pós-guterrista e depois se arrependeu, que apoiou Mário Soares, que apoiou o Bloco de Esquerda, que apoiou António Capucho (PSD) à Câmara de Cascais, que se apoiou a si próprio à Presidência da República, contra todos os partidos, e que logo a seguir teve uma recaída social-democrata para ser "candidato" à presidência da Assembleia da República, não vai deixar saudades, mas mete pena.
Este percurso aos ziguezagues, que acabou da pior forma com o tremendo estampanço no Parlamento, é o triste retrato de um homem de 59 anos que parece que nunca soube o que quer ser quando for grande. A não ser, ser importante, ser mais que os outros, como o poeta de Florbela.
Ser deputado da Nação é ocupação menor para o fundador da AMI. Nobre, que sonhara ser a primeira figura do Estado e avisou logo que nunca aceitaria ser menos do que o segundo na hierarquia nacional, saiu do Parlamento pela porta pequena e já sem o seu halo de santidade, deixado para trás das costas em estilhaços.
Ironicamente, a Wikipédia regista Fernando Nobre como "médico, activista, professor universitário e político português". Político português! A vaidade, o desastre que foi a sua breve passagem pela arena política, não pode apagar nem prejudicar sobretudo o seu trabalho humanitário de anos e anos. Foi uma pena, de facto, tudo o que ele se fez passar para tentar chegar ao poleiro mais alto. Nobre não merecia isto de si próprio. Até porque é certamente uma pessoa estimável, um português excelentíssimo. Mas peneirento.

Já vais tarde

Anuncia a TVI24 que "Francisco Louçã admite saída do Bloco [de Esquerda] até 2015". Não haverá por aí uma alma caridosa que bata imediatamente a cláusula de rescisão?