Não há milagres
Abençoados os que não acreditam em milagres. Que sensação maravilhosa, que deslumbramento devem experimentar quando eles acontecem!
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
As beatas e os anões
domingo, 9 de novembro de 2025
Tramado pelos socos
Dores artroses
Ele padecia de "dores artroses". E também de evidente analfabetismo.
Porque faltou muito pouco para que o nosso José Nogueira se tivesse transformado numa espécie de atracção de feira a nível nacional, numa celebridade, e é preciso que se note que na altura não havia reality shows nem CMTV, nem TVI, nem Now, nem CNN Portugal, nem comentadores, nem paineleiros, nem YouTube, nem influencers. O "petiz" era mesmo o máximo por si próprio, era sucesso garantido. E Paulo Portas, não vamos mais longe, também foi pelas feiras que começou.
Segundo rezava o Almanaque, o ilustre fafense José Pinto Bastos "andou para levar" o nosso anão "ao grande Coliseu dos Recreios de Lisboa, pelo que teve entendimentos com o benemérito Empresário Ricardo Covões". A coisa, tomai nota, só não foi avante por causa de José Nogueira, tornando ao Almanaque, "ser analfabeto e estar afeito a usar socos e, lá, precisar de usar calçado de polimento, fraque e luvas."
domingo, 2 de janeiro de 2022
Zita Seabra e as correntes de ar no PCP
Percebem agora de onde vêm as expressões tão nossas e tão dos nossos medos de que "o ar condicionado tem ouvidos" e "cuidado com as correntes de ar"?
Dir-me-ão as boas almas, os simples: mas ainda bem que o PCP pelo menos arranjou emprego a essa minoria da população portuguesa, uma vez que ainda não havia Bloco de Esquerda. Ora aí é que a porca torce o rabo: porque estes anões não eram anões desde o princípio. Eram todos matulões com mais de um metro e noventa que foram mingar durante quatro anos (o curso completo) num campo de treino da antiga União Soviética. Saíram de lá anões como manda a sapatilha, regressaram a Portugal e foram introduzidos nos aparelhos da FNAC, que antigamente queria dizer outra coisa e patrocinou as camisolas do Sporting e do Benfica. Assim corria. Até um deles, anões, por causa de um peido - um peidinho anão -, ter sido descoberto pela senhora da limpeza do Governo, que foi logo meter no cu da editora Zita.
E lá se acabou o que era bom para os anões: o fresquinho no Verão e o quentinho no Inverno. Hoje trabalham nas máquinas multibanco. Sem ar condicionado.
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Gangster mais gangster não há
O Tatu está de volta. Perguntar-me-ão: mas qual Tatu?, e eu poderia dar
uma certa e determinada resposta, rimada e bem conhecida aí por uns
tantos, porém, pessoa educada que sou, digo simplesmente: o Tatu da
"Ilha da Fantasia", que a RTP Memória em boa hora, dezanove em ponto,
resolveu pôr a arejar. O Tatu (Tattoo) era o francês Hervé Villechaize,
um excelente anão mas fracativo actor. Ainda assim, gosto mais de o ver
trabalhar do que, por exemplo, ao ultrafamoso Tyrion Lannister (Peter
Dinklage) da "Guerra dos Tronos", essa tão aclamada série de culto que a
mim não me assiste. Exactamente. Se andavam à procura do gajo que, a
nível mundial, nunca viu um episódio da "Guerra dos Tronos", spoilers tampouco, podem mandar suspender as buscas - c'est moi.
Anões e o mundo do espectáculo - assunto menor? Não creio. Falo primeiro
por mim, que, perguntado ainda na escola primária acerca das minhas
perspectivas de futuro, respondi que quando fosse grande queria ser anão
para ir para o circo. E antes de mim já havia o Peter Pan e depois de
mim saiu da cartola aquela improvável linha média - Adelino Teixeira,
Alves, Vítor Martins e Octávio - com que mestre José Maria Pedroto calou
Wembley-o-Velho e empatou a arrogante Inglaterra, no nosso mítico ano
de 1974. Parece que ainda os estou a ouver, em Dolby 4-4-2, subindo em
passinhos curtos a estrada dos tijolos amarelos: The house began to pitch. The kitchen took a slitch. It landed on the Wicked Witch in the middle of a ditch, Which was not a healthy situation for the Wicked Witch.
Dos pequenos, sim, reza a História. Coloquemos pois os anões em cima da mesa, porque merecem. Se me pedissem uma shortlist dos mais famosos, sendo que a fama se mede em televisão e cinema, eu escolheria:
Talvez a Thumbelina (Debbie Lee Carrington), de "Desafio Total". Talvez o
Mini Me (Verne Troyer), de "Austin Powers: O Espião Irresistível".
Talvez o múltiplo Oompas
Loompas (Deep Roy)", em "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Talvez o
duende Marcus (Tony Cox), em "Um Pai Natal para Esquecer". Talvez o
professor Filius Flitwick (Warwick Davis), na saga "Harry Potter".
Talvez o Mickey Abbott (Danny Woodburn), na série "Seinfeld". Talvez o
"Arnold" Gary Coleman. Talvez o R2-D2 (Kenny Baker), da "Guerra das
Estrelas". Talvez o Wee-Man (Jason Acuña), do "Jackass" da MTV. Talvez o
munchkin Karl Slover, do "Feiticeiro de Oz".
Talvez James Cagney, Mickey Rooney, Edward G. Robinson ou o apalpador
Dustin Hoffman. Evidentemente poderia juntar à lista o Danny DeVito e o
Tom Cruise, mas estes, peço desculpa, dizem-me muito pouco. Talvez...
Ou talvez o fogoso Nelson Ned, que era de outras artes e me dava cabo da cabeça aos domingos à tarde,
nos castigadores altifalantes dos Comandos, da Amadora a Santa
Margarida. Ou talvez o anão do Multibanco. Ou talvez, porque não?, o Sr. José Nogueira,
de Fafe, que, em meados do século passado, esteve quase a ir para
Lisboa e ser famoso. Ou ainda talvez, puxando ao sentimento, as minhas
duas queridas avós, a Bó de Basto e a Bó da Bomba, pequerrichas também,
ou o senhor Flórido Engraxador ou o César da Recta ou o senhor Clemente
que fazia pipas e escadas para as vindimas e decilitrava aguardente como
um alambique. Talvez...
Mas que fique registado que o meu anão favorito é uma anã. Chama-se
Cadence Roth, Cady para os amigos, e chegou a ser a mulher mais pequena
do mundo, se tivesse de facto existido. Conheci-a num livro, "Talvez a
Lua", de Armistead Maupin. Procurem o livro. Descubram a Cady.
P.S. - Publicado originalmente no dia 4 de Dezembro de 2017, então sob o título "De volta ao Tatu". Edward G. Robinson, aliás Emmanuel Goldenberg, nascido Emanuel Goldenberg, morreu no dia 26 de Janeiro de 1973. Como actor, foi o primeiro grande gangster de Hollywood, notabilizando-se com sucesso em papéis de homens rudes, num registo de interpretação que depois seria seguido por James Cagney e Humphrey Bogart.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Falava mais rápido do que a própria sombra
Anões e o mundo do espectáculo - assunto menor? Não creio. Falo primeiro por mim, que, perguntado ainda na escola primária acerca das minhas perspectivas de futuro, respondi que quando fosse grande queria ser anão para ir para o circo. E antes de mim já havia o Peter Pan e depois de mim saiu da cartola aquela improvável linha média - Adelino Teixeira, Alves, Vítor Martins e Octávio - com que mestre José Maria Pedroto calou Wembley-o-Velho e empatou a arrogante Inglaterra, no nosso mítico ano de 1974. Parece que ainda os estou a ouver, em Dolby 4-4-2, subindo em passinhos curtos a estrada dos tijolos amarelos: The house began to pitch. The kitchen took a slitch. It landed on the Wicked Witch in the middle of a ditch, Which was not a healthy situation for the Wicked Witch.
Dos pequenos, sim, reza a História. Coloquemos pois os anões em cima da mesa, porque merecem. Se me pedissem uma shortlist dos mais famosos, sendo que a fama se mede em televisão e cinema, eu escolheria:
Talvez a Thumbelina (Debbie Lee Carrington), de "Desafio Total". Talvez o Mini Me (Verne Troyer), de "Austin Powers: O Espião Irresistível". Talvez o múltiplo Oompas Loompas (Deep Roy)", em "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Talvez o duende Marcus (Tony Cox), em "Um Pai Natal para Esquecer". Talvez o professor Filius Flitwick (Warwick Davis), na saga "Harry Potter". Talvez o Mickey Abbott (Danny Woodburn), na série "Seinfeld". Talvez o "Arnold" Gary Coleman. Talvez o R2-D2 (Kenny Baker), da "Guerra das Estrelas". Talvez o Wee-Man (Jason Acuña), do "Jackass" da MTV. Talvez o munchkin Karl Slover, do "Feiticeiro de Oz". Talvez James Cagney, Mickey Rooney, Edward G. Robinson ou o apalpador Dustin Hoffman. Evidentemente poderia juntar à lista o Danny DeVito e o Tom Cruise, mas estes, peço desculpa, dizem-me muito pouco. Talvez...
Ou talvez o fogoso Nelson Ned, que era de outras artes e me dava cabo da cabeça aos domingos à tarde, nos castigadores altifalantes dos Comandos, da Amadora a Santa Margarida. Ou talvez o anão do Multibanco. Ou talvez, porque não?, o Sr. José Nogueira, de Fafe, que, em meados do século passado, esteve quase a ir para Lisboa e ser famoso. Ou ainda talvez, puxando ao sentimento, as minhas duas queridas avós, a Bó de Basto e a Bó da Bomba, pequerrichas também, ou o senhor Flórido Engraxador ou o César da Recta ou o senhor Clemente que fazia pipas e escadas para as vindimas e decilitrava aguardente como um alambique. Talvez...
Mas que fique registado que o meu anão favorito é uma anã. Chama-se Cadence Roth, Cady para os amigos, e chegou a ser a mulher mais pequena do mundo, se tivesse de facto existido. Conheci-a num livro, "Talvez a Lua", de Armistead Maupin. Procurem o livro. Descubram a Cady.
(P.S. - Publicado originalmente no dia 4 de Dezembro de 2017, então sob o título "De volta ao Tatu". James Cagney, o durão bailarino de Hollywood que falava mais rápido do que a própria sombra, morreu no dia 30 de Março de 1986.)
sábado, 11 de agosto de 2012
Zita Seabra e os 777 anões
Isto é assunto sério. A espionagem do PCP via aparelhos de ar condicionado durante a década de oitenta do século passado é um prática bem conhecido por todos os ex-comunistas e sobretudo pelos ex-comunistas que foram expulsos do partido e arranjaram bom emprego no PSD. Demonstrando grandeza intelectual e enorme sentido de responsabilidade, Zita Seabra só agora, mais de vinte anos depois, é que foi ao Mário Crespo pôr a boca no trombone. E se não tinha essa ideia de início, acabou por colocar-se a jeito.
O PCP nega o óbvio, como lhe está na natureza, mas já não engana ninguém. Meteu mesmo anões nos aparelhos de ar condicionado "em tudo o que era ministério, em sítios nevrálgicos e em órgãos de poder". Anões especialistas, ouvidores, descriptadores e onzeneiros, que porém saíam do serviço às 19h45, por imposição sindical. O PCP ainda hoje não sabe o que é que o Governo tramava ao serão.
Percebem agora de onde vem a expressão tão nossa e tão dos nossos medos de que "o ar condicionado tem ouvidos"?
Dir-me-ão as boas almas, os simples: mas ainda bem que o PCP pelo menos arranjou emprego a essa minoria da população portuguesa, uma vez que ainda não havia Bloco de Esquerda. Ora aí é que a porca torce o rabo: porque estes anões não eram anões desde o princípio. Eram todos matulões com mais de um metro e noventa que foram mingar durante quatro anos (o curso completo) num campo de treino da antiga União Soviética. Saíram de lá anões como manda a sapatilha, regressaram a Portugal e foram introduzidos nos aparelhos da FNAC. Até um deles, por causa de um peido - um peidinho, de anão -, ter sido descoberto pela senhora da limpeza do Governo, que foi logo meter no cu da Zita Seabra.
E lá se acabou o que era bom para os anões: o fresquinho no Verão e o quentinho no Inverno. Hoje trabalham nas máquinas do Multibanco. Sem ar condicionado.