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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

E as gatas?

Hoje é Dia do Gato. Mas Dia do Gato é todos os dias, é quando o gato quiser. Parabéns, Pantufa! Parabéns, Félix! Parabéns, Tareco! Parabéns, Zé Albino! Quanto às gatas, aguardam uma vigorosa tomada de posição por parte do Bloco de Esquerda, do PAN e das Capazes.

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Gato ou Dia Internacional do Gato. Que também é na próxima quinta-feira, 20 de Fevereiro, no dia 8 de Agosto e no dia 29 de Outubro...

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Et al.

Foto Hernâni Von Doellinger

Não me descartes, não me aristóteles, não me sócrates, não me parménides, não me pitágoras, não me diógenes, não me tales de mileto e assim sucessivamente...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Pantominices

Antenor Ferreira da Silva, utente n.º 257974590 e processo n.º 9374566/04, apresentou-se na urgência do hospital e disse - Estou há quinze anos à espera de uma operação a uma hérnia e, é preciso que se note, sou uma tartaruga. Foi operado imediatamente.

P.S. - O PAN, Partido pelos Animais e pela Natureza, foi inscrito no Tribunal Constitucional no dia 13 de Janeiro de 2011. Chama-se actualmente Pessoas - Animais - Natureza.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Pantominices

Antenor Ferreira da Silva, utente n.º 257974590 e processo n.º 9374566/04, apresentou-se na urgência do hospital e disse "Estou há quinze anos à espera de uma operação a uma hérnia e, é preciso que se note, sou uma tartaruga." Foi operado imediatamente. 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Antes que seja crime

Reuniram-se em segredo - disfarçados, desconfiados, culpados e urgentes. Uma candeia sigilosa e tremente alumiava o silêncio. Sentaram-se à volta de uma generosa vitela assada à moda de Fafe, clandestinos antes do tempo. Antes que seja crime.  

Matador

Todas as manhãs matava o bicho. Depois o PAN começou a mandar no Governo e ele passou a andar em jejum até ao meio-dia. E então matava o bicho. 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Para cãezinhos incontinentes

Foto Hernâni Von Doellinger

Vinte e três dias depois das eleições autárquicas, os partidos políticos e movimentos cívicos - cívicos, é preciso que se note! - começam finalmente a limpar a estrumeira que fizeram durante a campanha eleitoral. Só o PAN - e logo o PAN! - é que não mexe uma palha. Os restos do PAN continuam a rir-se um bocadinho de nós, de braços cruzados, nos mesmos sítios onde foram estrategicamente arriados. Mas só pode ser de propósito. Um destes dias vão fazer-lhes talvez uma portinha e fica ali um WC bem catita e recatado para cãezinhos incontinentes. É. O PAN não dá ponto sem nó.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Matança

Todas as manhãs matava o bicho. Depois o PAN começou a mandar no Governo e ele passou a andar em jejum até ao meio-dia. E então matava o bicho. 

sábado, 10 de julho de 2021

A matança

Todas as manhãs matava o bicho. Depois o PAN começou a mandar no Governo e ele passou a andar em jejum até ao meio-dia. E então matava o bicho.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Antes que seja crime

A vitela, na clandestinidade
Reuniram-se em segredo - disfarçados, desconfiados, culpados e urgentes. Uma candeia sigilosa e tremente alumiava o silêncio. Sentaram-se à volta de uma generosa vitela assada à moda de Fafe, clandestinos antes do tempo. Antes que seja crime.

P.S. - Texto publicado originalmente no dia 4 de Outubro de 2019.

Adeus, confrade, até outro dia
E agora, o que vai ser das nossas confrarias? Penso muito especialmente, com o coração pesado e não sem um amargo de boca, na Confraria Gastronómica da Região de Lafões, na Confraria da Carne Barrosã, na Confraria Gastronómica da Raça Arouquesa, na Confraria Gastronómica do Toiro Bravo ou, puxando a brasa à minha sardinha, na Confraria da Vitela Assada à Moda de Fafe, honradas confrarias que destaco ao acaso entre as cento e vinte e três mil novecentas e oitenta e sete confrarias gastronómicas de Portugal. E agora, o que vai ser daquelas fatiotas todas janotas? E dos pins? E das fitas? E dos chapéus tão pândegos? E dos sarrafos? E das tainadas quinzenais? E das viagenzinhas eventualmente de geminação, de preferência ao estrangeiro, sempre que possível ao Brasil, o que vai ser, agora?
Teremos sempre, graças a Deus, a Confraria de Nossa Senhora das Neves e a Confraria da Folha de Alface Repolhuda: mas terão estes dois oásis digamos confreiráticos condições para acolher pelo menos com o conforto devido a uma galinha pedrês os milhões de confrades e confreiras assim de repente despejados dos seus deveres e haveres por esse país fora, como se fossem bandidos, refugiados praticamente?
Estou bastante preocupado.

Ciúmes, é o que se supõe. O reitor da Universidade de Coimbra, que também veste as suas roupinhas de festa, posto que mais recatadas e austeras, num figurino da Corín Tellado desenhado algures entre o padre e a viúva e rematado na iluminada cabeça por uma borla com berloques, o reitor da Universidade de Coimbra, digo eu na minha, inveja a garridice carnavalesca das vestimentas das confrarias gastronómicas. E não esteve com coisas, fez-lhes a folha. Em A4. - Quereis carne? Só se for de plástico...
Já agora. A lengalenga dos antigos, em Fafe, dizia-se assim, fazendo o sinal da cruz, Deus nos perdoe: "Pelo sinal, bico real, comi toucinho no teu quintal, se mais me desses, mais eu comia, adeus, compadre, até outro dia."

P.S. - Texto publicado originalmente no dia 18 de Setembro de 2019.

Espanto gastrointestinal
Era vegetariano e cagava postas de pescada. A ciência nunca soube explicar o fenómeno.

P.S. - Texto publicado originalmente no dia 29 de Dezembro de 2018.

P.S., P.S., P.S., P.S. - Hoje celebra-se, não cá em casa, o Dia Mundial do Veganismo ou do Vegano. Também o Dia de Cailleach, na mitologia celta, o de São Cesário de Terracina e o de Todos os Santos. Os Mortos é só amanhã, mas os veganistas estão com pressa.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

O PAN, as beatas e os saralhotos

Amar é apanhar piriscas
Foto Hernâni Von Doellinger

Seria um casal patusco, se não fosse trágico. Desengonçados ambos, cómicos no vestir, feiinhos graças a Deus, testo e panela emparelhados de encomenda. Cirandam pelas ruas de Matosinhos todos os dias, de manhãzinha à noite, de braço dado, num andar de procissão e olhos caídos, passando o chão a pente fino à cata de piriscas reutilizáveis. Ele, posto que zarolho, tem visão de longo alcance ou então algum radar que eu não sei. Vê a beata e faz um gesto com a cabeça. Ela, em obediência canina, dobra-se, apanha a prisca referenciada, entrega-lha e corre a enfiar-lhe novamente o braço, se ele deixar, até à próxima. Ele fuma e ela vai feliz. Os dois são um filme mudo. Isso, uma fita das antigas, num preto-e-branco fatela. Digo, seria um casal patusco, se não fosse trágico: quando lhe apetece, o filhodaputa bate na mulher.

Era assim. Mas há uns meses que o vejo sozinho pelas esquinas, desamparado, perdido, dando-se ao trabalho de dobrar a espinha se quer matar o vício. E espera que ela apenas o tenha deixado, a ele. 

Matosinhos, sol e cães
Matosinhos à tarde. Sol que era um consolo. O casal descia a rua, a minha, em direcção ao mar, puxado pela trela do pequeno cocker. Eis senão quando, porventura desarranjado pelo strogonoff de vitela e leite-creme do almoço, o aflito canídeo arriou as calças e cagou ali mesmo em pleno passeio, com evidente alívio pessoal e grande satisfação dos babados papás. Acabada a obra, a madama, higiene e civismo acima de tudo, foi à carteira e retirou um lenço de papel de um branco imaculado, abriu-o, ao lenço casto, e voltou a dobrá-lo, liturgicamente, agora apenas em dois, baixou-se, quase que me pareceu que se benzia, e... limpou o cu ao cão. Depois amarrotou o papel e lançou-o para junto do saralhoto. No meio do passeio. Do meu. E lá seguiram os três para o mar e para o sol, dois deles puxados pela trela.
A autarquia agradece. Faz colecção. No brasão de Lisboa figuram corvos, no de Matosinhos deveriam desenhar saralhotos. A cidade de Matosinhos, para além das muitas outras coisas muito boas, é isto: não há passeios que cheguem para tanta merda de cão. E não é só Matosinhos, embora Matosinhos abuse. E a culpa não é do cão.

A minha sogra, eu, o canídeo e a porca
Todos os santos dias, não sei se por promessa, há um canídeo que, com vossa licença, caga ao portão da minha sogra. Todos os santos dias. Fica ali aquele montinho de merda, com vossa licença, às vezes dois ou três montinhos de merda, com vossa licença, ou quatro ou cinco, passeio adiante e organizados em filinha de pirilau, porque o referido canídeo deve ser animal para comer à tripa-forra e evacua, com vossa licença, como verdadeiro cagante andante.
A minha sogra pensava que era eu, para lhe fazer desfeita não sei de quê. E não foi fácil convencê-la de que, com vossa licença, aqueles saralhotos eram evidentemente, com vossa licença, saralhotos de canídeo. E eu sou balança.
Uma vez quase apanhei o infractor com as calças na mão: a merda, com vossa licença, ainda a fumegar, mas o canídeo já a descer o fim da rua com a dona pela trela, e dissesse eu o que dissesse estaria a falar para a central. Calei-me, portanto.
Portanto, calei-me, mas pus-me à tabela, agarrei-me ao Excel, recolhi e cruzei informações, fiz um horário e hoje apanhei-os em flagrante. À horinha, nem mais cedo nem mais tarde, abri de rompante o portão e lá estava a acontecer à minha frente: merda ao vivo, como eu previa e com vossa licença.
Fiz a cara de nojo que trago ensaiada há mais de um ano, e disse:
- Então és tu, minha porca?!...
- Não é uma cadela, é um cão... - empertigou-se-me a dona, histericamente professoral.
- Mas eu não estava a falar para o canídeo, minha senhora...

Farta de que lhe caguem à porta
Foto Hernâni Von Doellinger

Este aviso-apelo, mais lancinante do que parece à primeira vista, está afixado, curiosamente, na entrada ao lado do portão da minha sogra, onde também não faltava merda, como conto aí em cima. Portanto a coisa continua. Não sei se a cagona - e refiro-me evidentemente à dona do cão - é a mesma de então, mas o modus operandi confere...

P.S. - O PAN está muitíssimo preocupadíssimo com as beatas e eu acho muito bem, Deus me livre de dizer o contrário. Gostaria, no entanto, que o PAN se debruçasse igualmente sobre os saralhotos de cão. Exactamente. Os saralhotos de cão nos passeios, na rua, essa praga urbana, poluente vezes dois, nojenta, milenial, traiçoeira, e que ainda ontem me ia partindo uma perna.