Impressionante!
É impressionante a quantidade de gente que se junta à porta do IPO-Porto para... fumar. À porta do IPO, Instituto Português de Oncologia. Para fumar. Impressionante...
Sou do tempo em que os médicos fumavam. Fumavam durante as consultas, quero dizer, ostensivamente, abundantemente, como chaminés, cigarro atrás de cigarro, cinzeiros cheios, dedos castanhos de nicotina, auscultavam, palpavam, mediam a tensão, espiavam as costas, espreitavam os olhos, os ouvidos e a garganta, martelavam os joelhos, desciam aos tornozelos, engasgavam-se no fumo, tossiam e lançavam cinza para cima do paciente, mas o Dr. Antunes não, o nosso bom Dr. Antunes fumava cachimbo, exibia aliás uma pequena colecção de bonitos cachimbos em cima da secretária de trabalho no consultório da Rua General Humberto Delgado, por baixo da residência, ao lado da loja do Nélson, que tinha uma voz mansa e vendia electrodomésticos. Com o Dr. Antunes, em Fafe, era realmente outro asseio, outra categoria.
E que se segue. Os médicos fumavam e isso, a mim, parecia-me bom sinal. Eu acreditava na imortalidade dos médicos e na santidade dos padres.
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