terça-feira, 3 de novembro de 2026
Foi comprar cigarros e não voltou
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Dona de Casa.)
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Quando os médicos fumavam
Impressionante!
É impressionante a quantidade de gente que se junta à porta do IPO-Porto para... fumar. À porta do IPO, Instituto Português de Oncologia. Para fumar. Impressionante...
terça-feira, 7 de julho de 2026
Ele e os cigarros
Algo de definitivo
Havia algo de definitivo no que ele dizia. Ele dizia: - Já não se fazem cigarros como antigamente...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Chocolate.)
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
Os que deixaram de fumar
O respeito
O respeito é muito bonito. Mas escusava de ser tão vaidoso.
Bonifácio Terrafunda era coveiro profissional há mais de quarenta anos. Funcionário exemplar, respeitado pela clientela, querido pai de famílias, duas. Um dia, para o que lhe havia de dar, resolveu dividir o campo-santo em dois talhões devidamente assinalados, um para "Fumadores" e outro para "Não fumadores", como nas viagens de avião antigamente. A coisa veio nos jornais, quer-se dizer, no Correio da Manhã, e deu durante uma semana na televisão, quer-se dizer, na CMTV. Anacleto Boavida, jovem presidente da junta, recandidato, passou-se dos carretos derivado às notícias, instaurou inquérito e competente processo disciplinar, meteu advogado e testemunhas, anexou imagens do YouTube, e o velho coveiro foi inapelavelmente remetido para o olho da rua, por indecente e má figura, isto é, despedido com justa causa, mesmo às portas da reforma. - Com os mortos não se brinca! - justificava o fulgurante autarca, alto e bom som, para quem o quisesse ouvir, que era o espelho da casa de banho. E rematava, em memória dos falecidos: - Se eles já lá estão, é porque deixaram de fumar, todos, não há cá separações, Deus os tenha...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Europeu do Ex-Fumador.)
domingo, 17 de novembro de 2024
A mulher, o bronco e as piriscas
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Era assim. Mas há uns meses que o vejo sozinho pelas esquinas, desamparado, perdido, praguejante. A franzina senhora desapareceu de cena. De tão sumária e submissa que me parecia, temo, sinceramente temo, que lhe tenha acontecido o pior: que tenha resolvido morrer devagarinho só para não incomodar. O bronco continua por aí, agora solitário e sempre bandalho, sem escrava nem saco de pancada pelo braço, enfim obrigado a vergar a mola se quer matar o vício. O Governo criminalizou as piriscas, a ciência inventou os cigarros electrónicos e a covid desbastou cafés e restaurantes, no chão da porta dos quais ele costumava abastecer-se e rir-se das imbecilidades do Governo e da ciência. Risinhos à parte, que o gajo é tolo, a vida corre-lhe de mal a pior. E é o que eu lhe estimo.
O filhodaputa continua, portanto, às piriscas, no outro dia sem mais nem menos malcriou com a minha mulher, que não lhe liga mas tem medo dele, mais cedo ou mais tarde vou ter de lhe foder o focinho, ao porco, e já não estou em idade para semelhantes flostrias. O indivíduo continua às piriscas, que fuma acto contínuo, mas, actualizado com os tempos da pandemia, que ainda estão quentinhos, anda de máscara. A máscara padece de evidentes sinais de que foi sacada ao lixo. Mas de máscara, o burgesso. É outra limpeza, outra segurança.
P.S. - Publicado originalmente, em versão curta, no dia 23 de Agosto de 2018. Hoje é Dia Mundial do Não Fumador.
domingo, 14 de agosto de 2022
Uma questão de respeito
- Porquê?
- Por uma questão de respeito.
- Mas o teu pai sabe que tu fumas?
- Sempre soube. Há que anos...
- E então?
- É uma questão de respeito.
- E o teu filho sabe que tu fumas?
- Claro que sabe.
- E tu fumas à frente do teu filho?
- Claro que fumo. Desde sempre...
- Porquê?
P.S. - Hoje é Dia dos Pais. No Brasil.
terça-feira, 31 de maio de 2022
Maus hálitos
Algo de definitivo
terça-feira, 8 de março de 2022
Foi comprar tabaco e não voltou
Era uma esposa exemplar, uma esposa à moda antiga. Em apenas duas palavras imediatamente seguidas de ponto de admiração: uma esposa! Ou em cinco palavras imediatamente seguidas de três pontos de admiração: uma mulher como deve ser!!! Todos os dias de manhã ela ia comprar tabaco para o marido. Um dia ela foi e não voltou.
domingo, 26 de setembro de 2021
Os que deixaram de fumar
O respeito
O respeito é muito bonito. Mas escusava de ser tão vaidoso.
Bonifácio Terrafunda era coveiro profissional há mais de quarenta anos. Funcionário exemplar, respeitado pela clientela, querido pai de famílias, duas. Um dia, para o que lhe havia de dar, resolveu dividir o campo-santo em dois talhões devidamente assinalados, um para "Fumadores" e outro para "Não fumadores", como nas viagens de avião antigamente. A coisa veio nos jornais, quer-se dizer, no Correio da Manhã, e deu durante uma semana na televisão, quer-se dizer, na CMTV. Anacleto Boavida, jovem presidente da junta, recandidato, passou-se dos carretos derivado às notícias, instaurou inquérito e competente processo disciplinar, meteu advogado e testemunhas, anexou imagens do YouTube, e o velho coveiro foi inapelavelmente remetido para o olho da rua, por indecente e má figura, isto é, despedido com justa causa, mesmo às portas da reforma. - Com os mortos não se brinca! - justificava o fulgurante autarca, alto e bom som, para quem o quisesse ouvir, que era o espelho da casa de banho. E rematava, em memória dos falecidos: - Se eles já lá estão, é porque deixaram de fumar, todos, não há cá separações, Deus os tenha...
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
Maus hálitos
Tinha muitos maus hálitos. O tabaco e o vinho, por exemplo. E também coçava os testículos...
domingo, 15 de agosto de 2021
Foi comprar tabaco e não voltou
segunda-feira, 31 de maio de 2021
Foi comprar tabaco e não voltou
Algo de definitivo
Os que deixaram de fumar
O respeito
O respeito é muito bonito. Mas escusava de ser tão vaidoso.
Bonifácio Terrafunda era coveiro profissional há mais de quarenta anos. Funcionário exemplar, respeitado pela clientela, querido pai de famílias, duas. Um dia, para o que lhe havia de dar, resolveu dividir o campo-santo em dois talhões devidamente assinalados, um para "Fumadores" e outro para "Não fumadores", como nas viagens de avião antigamente. A coisa veio nos jornais, quer-se dizer, no Correio da Manhã, e deu durante uma semana na televisão, quer-se dizer, na CMTV. Anacleto Boavida, jovem presidente da junta, recandidato, passou-se dos carretos derivado às notícias, instaurou inquérito e competente processo disciplinar, meteu advogado e testemunhas, anexou imagens do YouTube, e o velho coveiro foi inapelavelmente remetido para o olho da rua, por indecente e má figura, isto é, despedido com justa causa, mesmo às portas da reforma. - Com os mortos não se brinca! - justificava o fulgurante autarca, alto e bom som, para quem o quisesse ouvir, que era o espelho da casa de banho. E rematava, em memória dos falecidos: - Se eles já lá estão, é porque deixaram de fumar, todos, não há cá separações, Deus os tenha...
Maus hálitos
Uma questão de respeito
- Nunca fumei à frente do meu pai.
- Porquê?
- Por uma questão de respeito.
- Mas o teu pai sabe que tu fumas?
- Há que anos...
- E então?
- É uma questão de respeito.
- E o teu filho sabe que tu fumas?
- Claro que sabe.
- E tu fumas à frente do teu filho?
- Claro que fumo.
- Porquê?
segunda-feira, 8 de março de 2021
Foi comprar tabaco e não voltou
Era uma esposa exemplar, uma esposa à moda antiga. Em apenas duas palavras imediatamente seguidas de ponto de admiração: uma esposa! Todos os dias de manhã ela ia comprar tabaco para o marido. Um dia ela foi e não voltou.
P.S. - Hoje, 8 de Março, é Dia da Mulher.
A mulher, o bronco e as piriscas
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Seria um casal patusco, se não fosse trágico. Desengonçados ambos, cómicos no vestir, feiinhos graças a Deus, testo e panela emparelhados de encomenda. Cirandam pelas ruas de Matosinhos todos os dias, de manhãzinha à noite, de braço dado, num andar de procissão e olhos caídos, passando o chão a pente fino à cata de piriscas reutilizáveis. Ele, posto que zarolho, tem visão de longo alcance ou então algum radar que eu não sei. Vê a beata e faz um gesto com a cabeça. Ela, em obediência canina, dobra-se, apanha a prisca referenciada, entrega-lha e corre a enfiar-lhe novamente o braço, se ele deixar, até à próxima. Ele fuma e ela vai feliz. Os dois são um filme mudo. Isso, uma fita das antigas, num preto-e-branco fatela. Digo, seria um casal patusco, se não fosse trágico: quando lhe apetece, o filhodaputa bate na mulher.
Era assim. Mas há uns meses que o vejo sozinho pelas esquinas, desamparado, perdido, praguejante. A franzina senhora desapareceu de cena. De tão sumária e submissa que me parecia, temo, sinceramente temo, que lhe tenha acontecido o pior: que tenha resolvido morrer devagarinho só para não incomodar. O bronco continua por aí, agora solitário e sempre bandalho, sem escrava nem saco de pancada pelo braço, enfim obrigado a vergar a mola se quer matar o vício. O Governo criminalizou as piriscas, a ciência inventou os cigarros electrónicos e a covid encerrou cafés e restaurantes, no chão da porta dos quais ele costumava abastecer-se e rir-se das imbecilidades do Governo e da ciência. Risinhos à parte, que o gajo é tolo, a vida corre-lhe de mal a pior. E é o que eu lhe estimo.
O filhodaputa continua, portanto, às piriscas, no outro dia sem mais nem menos malcriou com a minha mulher, que não lhe liga mas tem medo dele, mais cedo ou mais tarde vou ter de lhe foder o focinho, ao porco. O indivíduo continua às piriscas, que fuma acto contínuo, mas, actualizado com os tempos da pandemia, anda de máscara. A máscara padece de evidentes sinais de que foi sacada ao lixo. Mas de máscara, o burgesso. É outra limpeza, outra segurança.
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Levando para tabaco
Não fiquei com o vício. Do cigarro, quero dizer.
- Porquê?
- Por uma questão de respeito.
- Mas o teu pai sabe que tu fumas?
- Sempre soube. Há que anos...
- E então?
- É uma questão de respeito.
- E o teu filho sabe que tu fumas?
- Claro que sabe.
- E tu fumas à frente do teu filho?
- Claro que fumo. Desde sempre...
- Porquê?