Há quem diga que as claques de futebol têm um lado bom. Eu nunca o vi. Mas a verdade é esta: as claques chegaram e eu deixei de ir aos estádios como espectador. O que conheço é o lado mau - imbecil, arruaceiro e perigoso -, que passa a péssimo se for reconhecido e premiado pelos clubes. O Sporting resolveu exaltar o lado mais violento das suas claques, distinguindo-as com um corredor da fama repleto de imagens agressivas e intimidatórias. As imagem, conta o jornal Público, que as viu, foram estrategicamente colocadas, esta época, no acesso aos balneários da equipa visitante, no Estádio de Alvalade.
O caminho que os jogadores visitantes têm de percorrer para se equiparem e depois para irem e virem do relvado tem as paredes forradas com fotografias gigantes de adeptos das claques em poses hostis, desafiando os
seguranças. Outros de cara tapada e com tochas na mão. Outro numa pose
que sugere uma saudação fascista. Outro ainda com um tatuagem com a cruz
de ferro, um símbolo que, não sendo exclusivo do nazismo, está muito
associado a movimentos da extrema-direita.
O Sporting! O clube diferente. O clube dos viscondes e outros aristocratas. O clube dos doutores e engenheiros. O clube de um ex-polícia.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Ligações perigosas?
Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, e Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS, pertencem à Maçonaria. Juntos controlam 182 deputados, quase 80 por cento do plenário da Assembleia da República. Segundo o semanário Expresso, da loja de Luís Montenegro fazem também parte um dos seus números dois no Parlamento, o deputado Miguel Santos, o ex-espião Jorge Silva Carvalho, cinco administradores da Ongoing e ex-deputados sociais-democratas e socialistas. Um destes dias se saberá certamente quem são os figurões que pertencem à loja de Carlos Zorrinho.
Mas, com o que se sabe, já há quem pergunte se somos governados por partidos ou pela Maçonaria e se tanto faz votar no PS como no PSD. E, uma vez que a Maçonaria não vai a votos, já há também quem pergunte se Portugal tem mesmo uma democracia. E já há quem defenda que a alternância dita democrática não deve funcionar entre direita e esquerda, mas entre Maçonaria e Opus Dei.
Aposto que a hierarquia da Igreja portuguesa vai ter uma palavrinha a dizer sobre o assunto.
Mas, com o que se sabe, já há quem pergunte se somos governados por partidos ou pela Maçonaria e se tanto faz votar no PS como no PSD. E, uma vez que a Maçonaria não vai a votos, já há também quem pergunte se Portugal tem mesmo uma democracia. E já há quem defenda que a alternância dita democrática não deve funcionar entre direita e esquerda, mas entre Maçonaria e Opus Dei.
Aposto que a hierarquia da Igreja portuguesa vai ter uma palavrinha a dizer sobre o assunto.
Sempre contra os trabalhadores
João Almeida, porta-voz do CDS e vice-presidente da bancada do partido, sugeriu ontem no Parlamento que os consumidores portugueses deveriam boicotar o Pingo Doce, como castigo pela deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda. "Se é legítimo a um empresário fazer essa opção - ainda que possa ser criticável -, também os consumidores podem retirar consequências dessa opção e adaptar o seu comportamento. Qualquer consumidor, perante esta opção do empresário, pode adaptar o seu perfil de consumo", disse o deputado.
Dei-lhe até à abertura do horário de expediente de hoje para vir explicar que o que disse não era o que queria dizer, que as suas declarações tinham sido retiradas do contexto, etc. e tal. Mas nada! E tomem nota que, a mim, não me pareceu que João Almeida estivesse a atacar o patronato (como se isso fosse possível!). O que eu percebi foi o CDS a virar-se mais uma vez contra os trabalhadores.
Explico: descontado o facto de outros grupos nacionais já andarem lá por fora a fazerem pela vida com os seus supermercados, o que eu pergunto é:
- Ok, liquidamos o Pingo Doce cá em Portugal. E o que é que fazemos com os seus trabalhadores?
- Ok, deixamos de comprar no Pingo Doce. E vamos comprar onde, nas lojas gourmet?
Dei-lhe até à abertura do horário de expediente de hoje para vir explicar que o que disse não era o que queria dizer, que as suas declarações tinham sido retiradas do contexto, etc. e tal. Mas nada! E tomem nota que, a mim, não me pareceu que João Almeida estivesse a atacar o patronato (como se isso fosse possível!). O que eu percebi foi o CDS a virar-se mais uma vez contra os trabalhadores.
Explico: descontado o facto de outros grupos nacionais já andarem lá por fora a fazerem pela vida com os seus supermercados, o que eu pergunto é:
- Ok, liquidamos o Pingo Doce cá em Portugal. E o que é que fazemos com os seus trabalhadores?
- Ok, deixamos de comprar no Pingo Doce. E vamos comprar onde, nas lojas gourmet?
Eugénio de Andrade não merecia
Fala-se de despejos, de intrigas, de mentiras e conveniências mais ou menos declaradas, atiram-se culpas de ida e volta, há conferências de imprensa e ameaças com tribunal. Recuso-me a nomear esta gente, não me interessa quem é quem em cada lado da barricada ou barricadas - autarquia, ex-directores da fundação ou herdeiros de Eugénio de Andrade. Pergunto: em nome de quê ou de quem foram levantadas as barricadas que deram nisto, nesta barracada? Como pode esta gente, agindo de formas tão diferentes e contrárias, dizer toda que está a respeitar "a vontade do escritor"?
O espólio de Eugénio de Andrade pertence, por testamento, à cidade do Porto e está à guarda da Câmara Municipal. Os ex-directores defenderam ontem que o melhor destino a dar ao imóvel que durante 19 anos acolheu a fundação seria criar uma casa-museu dedicada ao poeta, uma Casa da Poesia.
Confesso que, de momento, o futuro do legado físico de Eugénio de Andrade é o que menos me inquieta. O espólio é certamente importante, vale dinheiro, e portanto alguém lhe há-de dar rumo e uso, mal nos desprecatemos. E a casa, palavra de honra que não acredito que a insensibilidade cultural de Rui Rio chegue ao cúmulo de ele não arranjar uma solução que a ligue de modo efectivo e digno ao grande poeta, logo que a poeira assente.
O que me incomoda, de momento, é o circo desnecessário e maldizente montado à volta e em nome do nome e da memória-memória de Eugénio de Andrade. Ele não merecia isto. E merecia mais de nós todos que não fizemos nada.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Leya faz as malas para o Brasil
O grupo editorial Leya está a despedir em Portugal para investir no Brasil. O editor da Teorema e a editora da Estrela Polar, assim como os dois gestores de marca, o da Dom Quixote e o da Asa, estão entre as mais de 30 pessoas de diversos sectores que o eucalíptico grupo de Miguel Paes do Amaral está a mandar embora desde terça-feira, no Porto e em Lisboa, alegando extinção de postos de trabalho. Depois de ter posto o mercado livreiro português a pão e água, a Leya deixa-o agora a soro. À espera do fim?
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Não mexer, por favor!
Parece-me correcta a opção do PSD, que retirou a mão a tempo e voltou a sentar-se em cima da caixa de Pandora. Mexer com os ramos da Maçonaria é um perigo! Outra coisa seria se se tratasse do Ramos da mercearia.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Santa ingenuidade
O PSD/Porto quer meter o eurodeputado Paulo Rangel na administração da Casa da Música. Consta que é uma jogada de Rui Rio para, a dois anos das eleições autárquicas, colocar Rangel na rampa de lançamento para a sua própria sucessão na Câmara Municipal, numa tentativa de esvaziamento da mais que provável candidatura do inimigo do lado de lá do rio, Luís Filipe Menezes.
Quanto ao tacho propriamente dito, o jornal i conta que o secretário de Estado Francisco José Viegas terá algumas reservas sobre a nomeação, devido à falta de ligação de Rangel à área da cultura. O Francisco é mesmo um puro! Então o que conta não é a ligação ao PSD?
Quanto ao tacho propriamente dito, o jornal i conta que o secretário de Estado Francisco José Viegas terá algumas reservas sobre a nomeação, devido à falta de ligação de Rangel à área da cultura. O Francisco é mesmo um puro! Então o que conta não é a ligação ao PSD?
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