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segunda-feira, 14 de abril de 2025

Corre, Caixinha, corre!

Foto Hernâni Von Doellinger

"O português Pedro Caixinha é treinador do Santos, no Brasil, desde alturas do Natal. Neymar, a estrela cadente, vai voltar ao Santos, está prevista a apresentação para amanhã, e Caixinha diz que sabe muito bem "onde Neymar vai jogar e como vai chegar". Eu prevejo que os dois não vão ficar muito tempo juntos. E um por causa do outro. Escreve-se que Neymar só assinou ou vai assinar para 24 jogos, mas, ainda assim, parece-me que será o treinador o primeiro a sair."

Escrevi e publiquei o textinho acima no passado dia 30 de Janeiro. Pedro Caixinha foi despedido hoje.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Um gajo para o escrete

Tomai nota, que esta é de graça. No dia 24 de Novembro de 2012, escrevi aqui no Tarrenego!, sob o título "O escrete precisa de um treinador português":

"O treinador Mano Menezes foi despedido da selecção brasileira. O substituto deverá ser anunciado no início de Janeiro e entre os principais candidatos ao lugar parece que estão Muricy Ramalho (técnico do Santos), Tite (do Corinthians) e Luiz Felipe Scolari (sem clube, depois de ter mandado o Palmeiras para a segunda divisão).
Mas do que é que o Brasil está à espera para contratar um treinador português? Não percebo a hesitação. Os brasileiros são os melhores jogadores do mundo? Também os portugueses são os melhores treinadores do mundo, como Jorge Jesus ainda ontem voltou a dizer.
É certo que, quando assim fala, o míster do Benfica é para o espelho que olha, e nem é bem ele a falar, é apenas o umbigo, are you talking to me?, you talking to me? Mas o umbigo de Jesus não deixa de ter razão. E o Brasil só ganhava se se deixasse descobrir de novo."

Vistes? Exactamente, Novembro de 2012, ó santa clarividência! Sete anos depois, em Junho de 2019, Jorge Jesus foi contratado pelo Flamengo e teve o sucesso que se sabe. Foi Jorge Jesus, Abel Ferreira e agora são uns atrás dos outros, qualquer dia não há treinadores portugueses a treinar em Portugal, foram todos para o Brasil.
E finalmente, Abril de 2025, outra vez sem seleccionador, após o despedimento de Dorival Júnior, o Brasil pensa num treinador português para os comandos do escrete. Fala-se em Jesus, fala-se em Abel e até se fala em Mourinho. Eu avisei - e foi há treze anos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Corre, Caixinha, corre!

Foto Hernâni Von Doellinger

O português Pedro Caixinha é treinador do Santos, no Brasil, desde alturas do Natal. Neymar, a estrela cadente, vai voltar ao Santos, está prevista a apresentação para amanhã, e Caixinha diz que sabe muito bem "onde Neymar vai jogar e como vai chegar". Eu prevejo que os dois não vão ficar muito tempo juntos. E um por causa do outro. Escreve-se que Neymar só assinou ou vai assinar para 24 jogos, mas, ainda assim, parece-me que será o treinador o primeiro a sair.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Treinadores portugueses no Brasil

Tomai nota, que esta é de graça. No dia 24 de Novembro de 2012, escrevi aqui no Tarrenego!, sob o título "O escrete precisa de um treinador português":

"O treinador Mano Menezes foi despedido da selecção brasileira. O substituto deverá ser anunciado no início de Janeiro e entre os principais candidatos ao lugar parece que estão Muricy Ramalho (técnico do Santos), Tite (do Corinthians) e Luiz Felipe Scolari (sem clube, depois de ter mandado o Palmeiras para a segunda divisão).
Mas do que é que o Brasil está à espera para contratar um treinador português? Não percebo a hesitação. Os brasileiros são os melhores jogadores do mundo? Também os portugueses são os melhores treinadores do mundo, como Jorge Jesus ainda ontem voltou a dizer.
É certo que, quando assim fala, o míster do Benfica é para o espelho que olha, e nem é bem ele a falar, é apenas o umbigo, are you talking to me?, you talking to me? Mas o umbigo de Jesus não deixa de ter razão. E o Brasil só ganhava se se deixasse descobrir de novo."

Vistes? Exactamente, Novembro de 2012, ó santa clarividência! Sete anos depois, em Junho de 2019, Jorge Jesus foi contratado pelo Flamengo e teve o sucesso que se sabe. Foi Jorge Jesus e agora são uns atrás dos outros, qualquer dia não há treinadores portugueses a treinar em Portugal, foram todos para o Brasil. Hoje soube-se de Petit, que vai para o Cuiabá, que Álvaro Pacheco e João Pedro Sousa não quiseram - pelo menos para já...

sábado, 27 de maio de 2023

E se Pernambuco fosse no Algarve?

Fui ao mapa do Brasil à procura de Pernambuco. Fiquei satisfeito com o que encontrei, e só me beio dar razão: o estado de Pernambuco, com Recife por capital, fica no nordeste brasileiro, isto é, simplificando, no norte. E só podia. Porque, aqui é que comecei a demanda, hoje é dia do município pernambucano de Tabira. Assim tal qual, não é engano, e está certo. Tabira, estão a ber? Fosse Pernanvuco no sul, como acontece infelizmente em Portugal, e já o nome do antigo Toco do Gonçalo seria doutra maneira. É ou não é?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

O verdadeiro drama brasileiro

O verdadeiro drama é este: Fevereiro já na segunda semana e milhões de brasileiros, sobretudo brasileiras, ainda não sabem de que se vão despir no Carnaval.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

O entendido

"Quem semeia ventos, colhe tempestades", dizia o engenheiro agrónomo. Ele sabia do que falava.

P.S. - Hoje, 12 de Outubro, é Dia Do Engenheiro Agrónomo. No Brasil. Portanto, Agrônomo...

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

De cavalo para burro

Passou de cavalo para burro e gostou, porque a verdade é só uma: com os pés rentes ao chão, sentia-se muito mais confortável e seguro...

A perna extra

"Fiambre da perna extra" faz lembrar a "quinta pata do cavalo". O que é desagradável.

Quadrúpedes

O cavalo é um quadrúpede. Meio polvo, também.

P.S. - O Brasil celebra hoje, 9 de Agosto, o Dia Nacional da Equoterapia.

domingo, 4 de julho de 2021

O verdadeiro drama brasileiro

O verdadeiro drama é este: o Carnaval batendo à porta e milhões de brasileiros, sobretudo brasileiras, sem saberem ainda que fantasia vão despir...

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Grandes, pequenas e remediadas superfícies

Faltava-lhe a cedilha
Já compraram bolinhos de bacalhau, assim chamados, numa, por assim dizer, grande superfície? Já, eu sei. Depois de fritos os alegados bolinhos de bacalhau, deitaram-nos fora, não foi? Evidentemente...

Aqui atrasado fui a um supermercado e comprei uma alheira. Como acontece tantas vezes a muito boa gente, trouxe para casa um dois-em-um: a alheira e um grandessíssimo barrete. E reclamei. Reclamei para o fabricante, reclamei para a cadeia de supermercados, reclamei até para o provedor do cliente do grupo económico dono da cadeia de supermercados. Todos me responderam, com mais ou menos demora e as tretas do costume.
O primeiro a bater com a mão no peito até foi o fabricante. Para além de um simpático pedido de desculpas, oferecia-se para me enviar uma nova alheira: imaginei que me mandaria pelo menos meia dúzia, todas elas de qualidade cinco estrelas, mas não aceitei. Eu só queria mesmo reclamar, porque reclamar é bom, desopila.
A quem puder interessar, para futuras demandas, ou, quem sabe, até para fazer jurisprudência, aqui deixo, humildemente, o teor da minha bem sucedida reclamação:

Exm.ºs Senhores,
Comprei ontem na loja do [...], em [...], uma alegada "Alheira de Caça" produzida por V. Ex.ªs e pomposamente apresentada como "produto seleccionado da Terra Fria Transmontana".
A etiqueta prometia uma alheira com, nomeadamente, 40% de carne de caça (pato, perdiz e coelho), 30% de carne de porco e 20% de pão trigo.
Cozinhada e aberta, verifiquei logo, sem precisar de ir ao microscópio, que fora enganado. Carne... de grilo! Assim a olho - e comprovado na boca! - , a alheira era afinal composta por 90% de pão e 10% de gorduras diversas.
Dito de outra forma: a alheira de caça de V. Ex.ªs não trazia cedilha.

Melhores cumprimentos,
h.

A geração do hambúrguer
Um dos maiores problemas dos nossos supermercados é que põem a cortar bacalhau uma malta muito gira e muito porreira que nunca na vida comeu bacalhau e nem sabe de que árvore é que aquilo vem. Resultado: trazemos para casa postas de bacalhau com as dimensões de um selo dos correios...

Comédia em um acto
Matosinhos. No supermercado. O casal, a rondar os 65 anos, estuda a prateleira dos vinhos. Ele, de cabelo preto obviamente pintado, escolhe uma garrafa e lê e explica à mulher o contra-rótulo, com o ar mais entendido do mundo. É aquela. Levam. Chegam à caixa e o homem assusta-se quando percebe que a garrafa custa 2,99 euros. "Mais um euro do que o preço antigo, não pode ser". Mas felizmente tinha percebido mal: são "apenas" 2,10 euros, explica-lhe a funcionária, "só subiu 11 cêntimos".
"Dá-me para seis refeições", diz o homem para a fila que tinha atrás, tentando justificar a fortuna que ali larga. Um cliente ainda mais velho aproveita a deixa. Tem para aí 70 anos e diz:
- Se me permite um conselho, e já que bebe tão pouco, então nunca compre garrafas de menos de três euros. Abaixo disso, é vinho feito a martelo...
- Pois se calhar. Mas cada um é que sabe da sua bolsa... - responde-lhe o do cabelo pintado.

Leve cinco e pague seis
Era comprador compulsivo e fanático por promoções, adorador de sextas-feiras negras. Um relâmpago que entrava, escolhia, pagava e saía das grandes, pequenas e remediadas superfícies num abrir e fechar de olhos das câmaras de vigilância, que realmente nunca o viram. Acreditava que 13,99 são treze e não catorze euros. Se lhe aparecesse à frente "Leve cinco e pague seis!!!", letreiro jeitoso em vermelho e amarelo rematado por veementes pontos de exclamação, ele aproveitava logo...  

Olho por olho
Hortaliça comprada nas farmácias é 25 por cento mais barata do que nos hipermercados. Latas de salsichas de seis unidades com 50 por cento de desconto e uma embalagem grátis de supositórios para a tosse.

P.S. - Hoje, 12 de Novembro, festeja-se o Dia dos Supermercados. No Brasil. O Brasil tem dias para tudo. Até tem o Dia da Liberdade ou Dia Nacional da Liberdade, que por acaso também é hoje. E tem Jair Bolsonaro. Tem, não tem? Hoje ainda tem...

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Mais que a letra, é o espírito que no livro procuro

O livro
Chegou à última página com o coração dilacerado entre a euforia e o desalento. Que mundo extraordinário, o livro. Quinhentas e sessenta e três páginas cheias de mistério, de sonho, de imaginação, de fantasia, certamente romance, amores e desamores, aventuras e desventuras, acção, suspense, final inesperado. Por outro lado, pensou, acariciando-lhe vagarosamente a lombada, num gemido mal disfarçado de suspiro: - Ah, se eu soubesse ler!...

Os livros
Gosto de afagar os livros que leio. Cheiro-os. Protejo-os. Guardo-os com mil cuidados. E deixei de emprestá-los!

É dos livros
Isto só lá vai à lombada. É dos livros.  

P.S. - Hoje, 29 de Outubro, é Dia do Livro. No Brasil. O Dia do Livro Português é por cá assinalado a 26 de Março. E depois venham-me falar de "acordo ortográfico"...

terça-feira, 20 de outubro de 2020

A carne, segundo Carlos Drummond de Andrade

A carne é triste depois da felação

A carne é triste depois da felação
Depois do sessenta-e-nove a carne é triste.
É areia, o prazer? Não há mais nada
Após esse tremor? Só esperar
Outra convulsão, outro prazer
tão fundo na aparência mas tão raso
na eletricidade do minuto?
Já dilui o orgasmo na lembrança
E gosma
escorre lentamente de tua vida.

Carlos Drummond de Andrade, "O Amor Natural"

(Hoje, 20 de Outubro, o Brasil celebra o Dia do Poeta)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

E servem para a nossa alimentação (como nas antigas redacções)

Da micose aos cogumelos
Uma pequena tabuleta em tabopan com seta a indicar caminho chamou-me a atenção numa das saídas de Paredes de Coura. Dizia: "Congresso Micológico". A minha primeira reacção foi de... comichão. "Raisparta, que malucos é que estarão por aí reunidos a discutir a problemática da micose?", pensei eu, esfregando-me o mais que podia no assento do carro. Micológico! A ver se me passava a coceira, pus-me a imaginar que, às tantas, era mas é um convívio internacional de saguis ou o encontro anual dos Pequenos e Médios Vigaristas do Norte e Centro de Portugal (PMVNCP). Passou. Mas não acertei. Quando cheguei a casa e fui aos livros é que aprendi que afinal a micologia diz respeito aos cogumelos. Uma coisa tão simples e que me teria evitado os vermelhões que se me estendem ainda hoje pelo corpo todo, se tivesse ligado logo a perguntar ao meu amigo Nestes, que sabe tudo destas coisas e que se calhar até estava lá.
Portanto, cogumelos! Foi de cogumelos que se falou nas III Jornadas Micológicas do Corno de Bico, em Novembro de 2011, na belíssima Paisagem Protegida do Corno de Bico. O evento, que reuniu especialistas, investigadores e produtores, visava, entre outros objectivos elencados pelos organizadores, "demonstrar o potencial dos cogumelos como vector de desenvolvimento das regiões e economias de montanha", nomeadamente "em termos gastronómicos". Quer-se dizer: ainda por cima, o assunto interessava-me.

Entre o "mediúcre" e o medíocre
Falava-se de cogumelos à porta do café. Os montes da zona são dados à fungaria, apanhada por quem quer e vendida por bom preço. Faz jeito o livre empreendedorismo: por falar em cogumelos, a rapaziada da terra fuma por ali umas coisas todas bem dispostas que também não devem ser nada baratas. Uma mão lava a outra, é a vida.
À porta do café, dizia, falava-se de cogumelos. Eram três entendidos. O dono de um daqueles extraordinários telemóveis que têm outro nome e são de esfregar como quem acende um fósforo sem cabeça, dá-me lume, faxavor?, mais dois compenetrados e doutos colegas. No ecrã do coiso passavam-se decerto pequeninas imagens e pertinentes informações micológicas, eles de cabeças juntas e um explicava este é "mediúcre", mas tens a certeza que é "mediúcre" perguntava o outro, é "mediúcre" de certeza absoluta diz aí em baixo "mediúcre" então não se vê logo que é "mediúcre", sentenciava o que estava para não entrar pessoalmente na história, mas resolvi dar-lhe uma oportunidade.
O meu telemóvel é um telefone e foi por causa disso que o comprei. Portanto só quando cheguei a casa é que pude vir aqui procurar os cogumelos de raça "mediúcre". Ou da espécie "mediúcre". Ou marca "Mediúcre", com 25 por cento de desconto em cartão. Não encontrei. Mas fiquei a saber que, tecnicamente falando, haverá cogumelos mortais e cogumelos tóxicos, cogumelos aptos para consumo ou cogumelos não aptos para consumo, cogumelos excelentes ou cogumelos... medíocres. Medíocres. Então era isso. Medíocre.

P.S. - Hoje, 15 de Outubro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Cogumelo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O que é que eles dão para hoje?...

O tempo é o melhor remédio
"Céu pouco nublado ou limpo, com nebulosidade no litoral a norte do Cabo Raso, até final da manhã, e possibilidade de chuva fraca ou chuvisco. Vento do quadrante norte, por vezes forte no litoral oeste e nas terras altas." - de acordo com a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para hoje. E pronto: é dinheiro que poupo na farmácia.
 
Amor é fogo que hard
Querem saber como é que acabou aquele casamento que parecia tão bem? - Acentuado arrefecimento nocturno...

Weather report
- Isto é que tem estado!...
- Realmente...
- E então hoje!...
- Lá isso...
- O que é que eles dão para amanhã?
- Eu...
- Pois. Então até logo, vizinho.
- Vá pela sombra, vizinha.
É, o elevador aproxima muito as pessoas. O elevador e o boletim meteorológico.

O tempo para o dia de hoje
Os especialistas do tempo prevêem para hoje um dia com 24 horas.

E para a semana?
- Para a semana eles dão chuva.
- E que se coma, nada?... 

O Neves foi ver a neve
O Neves pegou na família e foi à serra ver a neve. Não viu. A estrada estava cortada. Por causa da neve. 

Goze a quarentena que aí vem
Aproveite a bênção da quarentena, sobretudo se for realmente mais do que quinzena. Fique em casa, leia, escreva, pense, e todos os dias durma um sono, ou dois, consoante a disposição e a companhia. Dormir é uma forma de dizer. E ouça a chuva a bater à janela. Mas não abra se bater leve, levemente, que a chuva não bate assim: é de certeza o Neves, e o Neves é um chato do caralho.

Branca e radiante
Branca de Neve brincava às casinhas com a casa dos sete anões. Com os anões brincava aos médicos, há quem diga.


Esta janela não é de fiar
O meu telemóvel garante-me que lá fora, a esta hora, chove copiosamente. Olho agora mesmo pela janela e está um rico dia de sol. Quando apanhar um bocanho, vou mandar arranjar a janela.


Será do tempo?
Dias esquisitos estes: tanto chove como faz sol. Será do tempo?

A outra pergunta
O tempo de espera também dá no boletim meteorológico?

O meteorologista
- O que tu querias era sol na eira e chuva no nabal...
- E o que é que tu tens contra os microclimas?...  
 
O astrólogo
- E aqui chove sempre assim?
- Quer-se dizer, é de luas...  
 
O lavrador
- Quem semeia ventos, colhe tempestades...
- E o que é que tu percebes de agricultura?... 
 
O objector de consciência
- Chuva civil não molha militar!
- E bala militar não mata civil?...
  
O mal-agradecido
- Chove que Deus a dá!
- Escusava era de dar tanta...
 
O analfabeto
- Eu chovo, tu choves, ele chove...
 
O aferidor de pesos e medidas
- Esta noite choveu a cântaros!
- A almudes, se faz favor...  
 
O previdente
- Nem que chova canivetes?
- Exactamente.
- Abertos?
- Não há problema...
- E se forem picaretas?
- Fechadas?... 
 
O pragmático
- Ui, o que chove!...
- Mas é lá fora...  
 
O respondão
- Vai chover...
- Vai tu!
 
O distraído
- Olhe que está a chover...
- Estou?
 
O praieiro
Agora só para o ano. Melhores dias Verão...
 
A prima vera
era boa como milho; casou-se e estragou-se. 
 
Perspicácia
Aquilo é que foi chover ontem. Será do tempo?
 
O calor dilata os corpos
Estava a fazer dieta. Andava sempre pela sombra.
  
O calor dilata os copos
Praticante de fino durante três quartos do ano, chegava ao Verão e dedicava-se à caneca. Dizia: - O calor dilata os copos...
 
P.S. - No Brasil, hoje, 14 de Outubro, é Dia do Meteorologista. E mais uma vez viva o nosso Anthímio!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Ela teve dois amores (pelo menos)

Sentada ao meu lado na sala de espera do hospital, a mulher exibia um potentíssimo braço de boxista peso-pesado, coisa de (me) meter medo. E no sítio do costume, como se tivesse ido à guerra, lá estava escrito e jurado, na tinta imorredoura da tatuagem: "Amor Maneca". E por cima do amado e levemente desbotado "Maneca", mesmo ao centro e aproveitando o "e", sobressaía uma segunda demão, arrependimento ou remedeio, num verde mais fresco e ostensivamente carregado, que dizia: "Zé". Pois, é a vida...

P.S. - Hoje, 12 de Junho, é 14 de Fevereiro no Brasil. Quero dizer: é Dia dos Namorados.

sábado, 14 de setembro de 2019

Renato Castelo Branco 3

Brasil

Não te verei, Brasil,
a grande pátria dos trópicos.

Não te verei, remido,
igualares o sonho
dos teus artistas e dos teus poetas.

Não te verei
abençoado por teus filhos,
Canaã prometida,
terra que mana leite e mel.

Mas estarei presente à tua glória
no sangue dos meus filhos
e dos netos dos meus netos.

Renato Castelo Branco

(Renato Castelo Branco nasceu no dia 14 de Setembro de 1914. Morreu em 1995.)

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Em nome do Espírito Santo

Envolta na bruma das lendas, adornada pela magia das superstições e abonada por insondáveis espantos, impera há séculos no coração do povo das Ilhas a devoção ao Senhor Espírito Santo. Uma contínua, sempre renovada e abrangente procissão de beatos, fiéis, crentes, simpatizantes e até incréus vela por que não se extingam os sinais singulares desta tradição santa-profana que individualiza os Açorianos, na sua terra ou pelas lonjuras da diáspora.

Esta é uma crença muito antiga. As folias ao Espírito Santo, ainda que aparentem uma origem pagã no druidismo, ou na superstição grega, chegam a Portugal pelas mãos da Rainha Santa Isabel e são levadas para os Açores logo pelos primeiros povoadores. Convertidas na maior devoção e piedade, conservam-se até aos nossos dias: chamam-se, ali e agora, os impérios do Espírito Santo.
Os Açorianos são uma gente católica, extremamente crente e devota, e mesmo os mais fundamentalistas em matéria religiosa ou os ateus desobrigados fazem fé nos casos relacionados com o Divino Espírito Santo e temem as Suas "vinganças". É, como quem diz, uma questão de respeito.
Infinito é o rosário das salvações, grandes assombros ou modestos arranjos que o povo atribui à intervenção providencial do Divino - como gosta de chamar-Lhe, carinhoso, numa antiga e meiga confiança de nome próprio. Crises sísmicas e vulcões, pestes, o ror de maleitas e apertos do dia-a-dia, a vida difícil e o isolamento congregaram os ilhéus numa devoção que depressa se espalhou por todas as cidades, vilas e aldeias. E recorre-se-Lhe por tudo, coisa assim pataqueira ou missão a meio do impossível: simplesmente implorando saudinha em pró-forma de clínica geral ou prescrevendo cirúrgico tratamento de especialista; requerendo que o filho atine com os livros ou suspirando que calhe indulgência aos professores; convocando bênção para casamento novo ou clamando por intervenção de emergência em avaria conjugal; pedindo feliz termo para a viagem, que culturas e gado medrem, que as vinhas farturem, que o negócio corra, que o dinheirinho não falte. Tudo, edecétrea atrás de edecétera, até aos limites de encomendas de alto lá com elas. O Divino por tudo olha, tudo remedeia - que não é Pessoa, e isto é o povo a fazer constar, de desmanchar contratos.

P.S. - Sou apaixonado pelos Açores e mantenho uma relação muito especial com a ilha Terceira. Reencontrei este texto, que escrevi talvez em 1992 ou 1993, a propósito das famosas festas do Espírito Santo. Claramente datado, e generosamente adjectivado, republiquei-o aqui, numa mancheia de fascículos, em Julho de 2011, e repeti-o em Agosto de 2014, para matar saudades. O que está aí em cima é apenas o princípio. Se quiserem, procurem o resto. Mas ao que vem a repetição da repetição? Ora bem: hoje é exactamente Dia do Espírito Santo. Isto é, se todos morarmos no Brasil.