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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Época de incêndios, como manda a lei

No sítio errado à hora errada
Chegam os incêndios, e os bombeiros vão logo para as televisões, comentar.

De que se queixa este povo? Estamos em plena "Época de incêndios", e atenção que não fui eu quem lhe pôs o nome e a agendou para esta altura do ano - foi o Governo, foi Portugal! Portanto, estamos na "Época de incêndios", legítima, de papel passado, dentro do prazo, no tempo certo, como se fosse obrigatória, ai dela se não viesse depois do dinheiro que foi gasto, e queriam o quê? Inundações?...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial de Prevenção de Incêndios Florestais.)

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Ide pela sombra!, disse o Senhor

Hoje é o quarto dia da Jornada Mundial da Juventude. E é também Dia Internacional da Cerveja. As autoridades colocaram Lisboa sob aviso queima das fitas.

sábado, 1 de julho de 2023

Aviso: a praia não é obrigatória!

Foto Hernâni Von Doellinger

A praia, é preciso que se note, não é obrigatória. Podem ser férias e não se ir à praia. Pode ser Verão e não se ir à praia. Pode ser sol e não se ir à praia. Pode ser calor e não se ir à praia. Pelo contrário: se for sol, se for calor, muito calor, o mais sensato será até ficar em casa ou procurar uma fresquinha no quintal mais próximo. Acreditem no que eu digo, há quarenta anos que moro à beira-praia e sei muito bem do que falo. E palavra de honra: não ir à praia não parece mal, não é crime e nem sequer falta de educação.

Digo isto porque hoje é 1 de Julho. E é sábado. Não percebo. O areal ali em baixo enche-se com milhares de pessoas que não têm dinheiro para alugar meia hora numa máquina de assar frangos, e portanto vêm para a praia. Atenção: eu gosto de praia, nem sequer me imagino agora a viver sem ter o mar debaixo de olho, e à praia passeio-a todas as manhãs, só eu e ela, de braço dado, as ondas a desmaiarem-me aos pés, o silêncio (aquela espécie de silêncio) a lavar-me a alma. Isto é - eu namoro a praia, mas não a "faço".
Os que "fazem praia" é que me espantam. Na fornada das duas da tarde, espreito da minha varanda e não há maneira de conseguir compreender o que vejo. O que está ali a fazer aquela multidão praticamente nua? Quem caralho teve a ideia de trazer crianças e velhos? Se ao menos houvesse a sombra de uma árvore, a frescura da erva verde, um regato cristalino e gelado onde demolhar os pés e meia dúzia de garrafas de vinho, ainda vá que não vá. Mas não, é só areia. Areia a escaldar e a voar, um sol a pique e impiedoso, o ar parado. Sua-se em bica, sufoca-se, leva-se com boladas no nariz e nos tomates, quem os tem, a pele derrete e dói, a cabeça estala, a areia cega, pica, mete-se nos dentes, incomoda o rego do cu. E aquela gente parece que gosta, guincha aparentemente de prazer. Chega mais uma ambulância também aos gritos, e eu desisto. Fujo da varanda e vou estender-me na cama, e só espero acordar lá pela fresca do próximo Inverno.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

O tempo das cervejas

Uma vez, em pleno pino de Verão, de férias, passeei Lisboa durante um dia inteiro sem beber uma cerveja, e bem era o tempo delas. Bati as capelas todas. Entrava aqui, entrava ali, e pedia "Uma Super Bock, se faz favor!", ou perguntava "Por favor, a imperial é Super Bock?", que não há e que não é - era Sagres e Sagres, respondiam-me invariavelmente, como se estivessem todos ensaiados e me conhecessem de algum lado. Bebi água como a minha mulher, eu quase afogava, eu quase morria, e foi a maior e mais perigosa acção de protesto que levei a efeito em toda a minha vida. 

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Cerveja.

terça-feira, 12 de julho de 2022

A praia, crime e castigo

A praia, é preciso que se note, não é obrigatória. Podem ser férias e não ir à praia. Pode ser Verão e não ir à praia. Pode ser sol e não ir à praia. Pode ser calor e não ir à praia. Pelo contrário: se for sol, se for calor, muito calor, o mais sensato será até ficar em casa ou procurar uma fresquinha no quintal mais próximo. Acreditem-se no que eu digo, há quarenta anos que moro à beira-praia e sei muito bem do que falo. E palavra de honra: não ir à praia não parece mal, não é crime e tampouco falta de educação...

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Praiomasoquistas

Areia a escaldar e a voar, um sol a pique e impiedoso, o ar parado, pesado. Sua-se em bica, sufoca-se, leva-se com boladas no nariz e nos tomates, a pele derrete e dói, a cabeça estala, a areia cega, pica, mete-se nos dentes, incomoda o rego do cu. E aquela gente parece que gosta, guincha de prazer. Gente esquisita. O que a praia lhes faz...

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O que é que eles dão para hoje?...

O tempo é o melhor remédio
"Céu pouco nublado ou limpo, com nebulosidade no litoral a norte do Cabo Raso, até final da manhã, e possibilidade de chuva fraca ou chuvisco. Vento do quadrante norte, por vezes forte no litoral oeste e nas terras altas." - de acordo com a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para hoje. E pronto: é dinheiro que poupo na farmácia.
 
Amor é fogo que hard
Querem saber como é que acabou aquele casamento que parecia tão bem? - Acentuado arrefecimento nocturno...

Weather report
- Isto é que tem estado!...
- Realmente...
- E então hoje!...
- Lá isso...
- O que é que eles dão para amanhã?
- Eu...
- Pois. Então até logo, vizinho.
- Vá pela sombra, vizinha.
É, o elevador aproxima muito as pessoas. O elevador e o boletim meteorológico.

O tempo para o dia de hoje
Os especialistas do tempo prevêem para hoje um dia com 24 horas.

E para a semana?
- Para a semana eles dão chuva.
- E que se coma, nada?... 

O Neves foi ver a neve
O Neves pegou na família e foi à serra ver a neve. Não viu. A estrada estava cortada. Por causa da neve. 

Goze a quarentena que aí vem
Aproveite a bênção da quarentena, sobretudo se for realmente mais do que quinzena. Fique em casa, leia, escreva, pense, e todos os dias durma um sono, ou dois, consoante a disposição e a companhia. Dormir é uma forma de dizer. E ouça a chuva a bater à janela. Mas não abra se bater leve, levemente, que a chuva não bate assim: é de certeza o Neves, e o Neves é um chato do caralho.

Branca e radiante
Branca de Neve brincava às casinhas com a casa dos sete anões. Com os anões brincava aos médicos, há quem diga.


Esta janela não é de fiar
O meu telemóvel garante-me que lá fora, a esta hora, chove copiosamente. Olho agora mesmo pela janela e está um rico dia de sol. Quando apanhar um bocanho, vou mandar arranjar a janela.


Será do tempo?
Dias esquisitos estes: tanto chove como faz sol. Será do tempo?

A outra pergunta
O tempo de espera também dá no boletim meteorológico?

O meteorologista
- O que tu querias era sol na eira e chuva no nabal...
- E o que é que tu tens contra os microclimas?...  
 
O astrólogo
- E aqui chove sempre assim?
- Quer-se dizer, é de luas...  
 
O lavrador
- Quem semeia ventos, colhe tempestades...
- E o que é que tu percebes de agricultura?... 
 
O objector de consciência
- Chuva civil não molha militar!
- E bala militar não mata civil?...
  
O mal-agradecido
- Chove que Deus a dá!
- Escusava era de dar tanta...
 
O analfabeto
- Eu chovo, tu choves, ele chove...
 
O aferidor de pesos e medidas
- Esta noite choveu a cântaros!
- A almudes, se faz favor...  
 
O previdente
- Nem que chova canivetes?
- Exactamente.
- Abertos?
- Não há problema...
- E se forem picaretas?
- Fechadas?... 
 
O pragmático
- Ui, o que chove!...
- Mas é lá fora...  
 
O respondão
- Vai chover...
- Vai tu!
 
O distraído
- Olhe que está a chover...
- Estou?
 
O praieiro
Agora só para o ano. Melhores dias Verão...
 
A prima vera
era boa como milho; casou-se e estragou-se. 
 
Perspicácia
Aquilo é que foi chover ontem. Será do tempo?
 
O calor dilata os corpos
Estava a fazer dieta. Andava sempre pela sombra.
  
O calor dilata os copos
Praticante de fino durante três quartos do ano, chegava ao Verão e dedicava-se à caneca. Dizia: - O calor dilata os copos...
 
P.S. - No Brasil, hoje, 14 de Outubro, é Dia do Meteorologista. E mais uma vez viva o nosso Anthímio!

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Briefing com ovo a cavalo

O Verão não havia maneira de aparecer, derivado às alterações climáticas, e era uma desgraça de bradar aos céus. De repente, inesperadamente a meio do mês de Julho, o Verão entrou em força, derivado às alterações climáticas, e é uma tragédia que Deus nos livre. Direcção-Geral da Saúde e Protecção Civil deverão sair a qualquer momento com um briefing extra. Para mim, mal passado, se faz favor.

sábado, 2 de julho de 2016

Morri, o caralho! Estou apenas deitado no chão...

Sempre gostei de me deitar no chão. Desde pequeninho. O Verão em Fafe era um forno, e a nossa mãe punha-nos a dormir a sesta no chão da casa, não no chão estreme mas por cima de um cobertor fininho e fofo, e dormíamos como anjos de barriguinha ao léu. Porque o ar rasteiro é mais fresquinho, está provado cientificamente, e a nossa mãe sabia também disso, embora nunca tivesse ouvido falar de correntes de convecções, fluidos, átomos ou moléculas.
Habituei-me. Sempre que pude na vida, dormi a minha soneca no chão do campo, do monte e até da praia, se pela fresca da manhã. Casei e fui morar para a Foz, no Porto: a casa dos meus sogros tinha um quintal-jardim que era um mimo, e era ali que eu me estendia, no cimento do caminho ou na relva do coradoiro, em tardes e noites de suar em bica. Depois bebia uma ou duas garrafas de espadal frigorificadas e já estava em condições de ir para a cama...
Agora. Agora custa-me a deitar, ainda por cima no chão, que é tão longe, e preciso de um guindaste para me levantar. Mas não resisto: de vez em quando dá-me para a toléria - é a idade - e, em quatro ou cinco movimentos muito complicados e perigosos, às vezes doze, consigo deitar-me no chão da sala, com a televisão ligada só para que o som me faça companhia. Às tantas a minha mulher entra, assusta-se e grita: - Ai, meu Deus, que ele morreu!...
E eu, de olhos fechados e mãos cruzadas sobre o peito: - Morri, o caralho! Estou apenas deitado no chão...

domingo, 30 de junho de 2013

Até domingo se Deus quiser

                                                                                    Foto Hernâni Von Doellinger

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eles gostam de sofrer

Espreito da minha varanda e não compreendo o que vejo. O que estão a fazer ali aqueles milhares de pessoas quase nuas? Foram obrigadas? É um castigo? Vieram de livre vontade? E porque trouxeram as crianças e os velhos? Palavra de honra, não percebo. Se ao menos houvesse a sombra de uma árvore, a frescura da erva verde, um regato cristalino e gelado onde demolhar os pés e meia dúzia de garrafas, ainda vá que não vá. Mas não, é só areia, areia e mais areia, areia de mais para a minha camioneta.
Areia a escaldar e a voar, um sol a pique e impiedoso, o ar parado, pesado.
Sua-se em bica, sufoca-se, leva-se com boladas no nariz e nos tomates, a pele derrete e dói, a cabeça estala, a areia cega, pica, mete-se nos dentes, incomoda o rego do cu. E aquela gente parece que gosta, guincha de prazer. Gente esquisita. O que a praia lhes faz... Desisto, não entendo, mas talvez Sacher-Masoch explique.

(Se estas minhas palavras tiverem algum eco, não é de admirar: estou a escrever de dentro do frigorífico.)