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sábado, 5 de abril de 2025

Quando Ben-Hur foi impedido de entrar no Presépio

Ben-Hur queria entrar no Presépio. Chamou o grupinho do costume - Spartacus, Maximus, Maciste, Hércules, Sansão, Demétrio, Ursus, Nuno Salvação Barreto, o Homem Mais Forte do Mundo e o Custódio Ardegão -, não fosse a coisa dar para o torto. E lá foram. O Pescador do Laguinho, que sabia kung fu e era segurança de discoteca em part-time, impediu-lhes terminantemente o acesso: - Noite temática, meus senhores, hoje é só anjos, pastores e reis magos. Ordens de cima. Apareçam pela Páscoa...

P.S. - O ator Charlton Heston, que se chamava John Charles Carter e ficou famoso em superproduções como "Ben-Hur" ou "Os Dez Mandamentos", morreu no dia 5 de Abril de 2008, aos 84 anos de idade.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

O Natal já era

Quando se apercebeu que faltavam apenas seis dias para o Natal e cinco para a Consoada, ele pensou, aflito: - Meu Deus, estamos quase no fim do ano! E escangalhou o pinheiro, e desfez o presépio, e deitou fora a água e o bacalhau, e tirou as luzinhas e as estrelinhas e os anjinhos e as anjinhas, e dependurou a bola de espelhos no meio do tecto e pôs Quim Barreiros na aparelhagem e lançou serpentinas e espalhou confetes e encheu balões e preparou a sala inteira, um brinquinho, para o réveillon...

sábado, 16 de novembro de 2024

Estamos no fim do ano, meus meninos!

O Natal começa cedo cá em casa. Este ano começou no dia 9 de Novembro, sábado passado, aproveitando que estivemos o fim-de-semana de plantão, portanto sem direito ao costumado laréu. A minha mulher tirou o dia, desencaixotou o Natal e espalhou-o pela casa inteira. O pinheiro, os presépios, a aldeia de Natal, bonequinhos de neve, arranjos de mesa, canecas de Natal, Pais Natais de todos os materiais, tamanhos e feitios, laços, lacinhos, azevinhos, estrelas-do-natal naturais e artificiais, soldadinhos de madeira a fazerem de soldadinhos de chumbo, peluches alusivos e musicais, Ferrero Rocher, Mon Chéri, calendários do Advento, bengalinhas, comboiinhos, renas e grinaldas e estrelinhas e anjinhos, velas, bolas e embrulhinhos por todo o lado, em todos os cantos e corredores, em todas as portas, em todas as divisões, incluindo casas de banho, despensa e quarto de arrumos. A iluminação foi inaugurada anteontem, quinta-feira, quando o Kiko e a Sara vieram jantar. A minha mulher gosta muito do Natal, o meu filho gosta muito do Natal. Eu gosto muito da minha mulher e do meu filho.

No ano passado metemos o galo no presépio. Todos os anos experimentamos um melhoramento natalício, há muito que andávamos com o galo debaixo de olho, e foi no ano passado. Agora lá está ele outra vez, pelo segundo ano consecutivo, já afeito aos seu novos quefazeres, altaneiro e bico calado, mas imaginamo-lo todo kikirikiki como o Jerónimo do reclame da Compal, a anunciar o nascimento do Menino Jesus exactamente às 7h30, conforme muito bem podia constar da Bíblia.
O nosso galo do presépio é um galo de Barcelos, mas, atenção, não é o Galo de Barcelos. Nada de parolices, valha-nos Deus! É um galo de capoeira, obra de mestre barcelense, isso sim, 6x4 centímetros, a obra, um euro e meio, o preço. É arte.
Só presépios temos oito, para além de mais meia dúzia de Meninos Jesus avulsos, e nem a varanda e o escritório escapam ao nosso Natal. Pusemos o galo novo no presépio principal, evidentemente. O nosso é um presépio inclusivo, ao contrário do presépio do falecido papa Bento XVI, que em 2012 resolveu expulsar a vaca e o burro, porque, sentenciou, no local do nascimento de Jesus "não havia animais". Portanto, concluí eu, também não havia ovelhinhas, o que quer dizer que também não houve pastorinhos do deserto. Sobravam, inequivocamente, os três reis magos. Gente fina, vinho de outra pipa. Reis. E magos (porque o champanhe ainda não tinha sido inventado). Esses, é certo, estiverem lá, em representação de toda a humanidade - segundo Ratzinger. Estiveram os reis magos e os anjos cantadores. Os anjos também estiveram.
Que se segue? Eu por acaso até era mais dado a acreditar no burro e na vaca do que na mirabolante história de Gaspar, Melchior e Baltasar, uma boa linha média para quem jogue em 4-3-3, mas que se há-de fazer? Na verdade, eu por acaso até sou capaz de acreditar mais no burro e na vaca do que nos anjos e no presépio completo, a começar pelo dogma da virgindade de Maria tal como está estabelecido. Mas quê? Mais de dois mil anos a aquecerem o Menino com os respectivos bafos, e foi este o pagamento que o burrinho e a vaquinha receberam.
Cá em casa não expulsamos ninguém, pelo contrário. No nosso presépio entram todos. Todos são bem-vindos, sem excepção. Pastores, trolhas, cabrinhas, escafandristas, empregados de mesa, com e sem-abrigo, prostitutas, levandiscas, lambe-botas, grilos, reis magos e outros artistas de circo, polícias municipais, cães e gatos, sapos e ciganos, evidentemente o burro e a vaca, que se lixe o Vaticano!, e desde ano passado o galo, este ano a minha mulher ainda não se decidiu pela novidade, se calhar para o ano um porco e depois uma avestruz, o Ben-Hur, se também quiser, o He-Man, o Super-Homem, o homem-estátua, a Justiça de Fafe, a Barbie, o Nenuco, a Popota, a Irmã Lúcia, os Power Rangers, o Padre Cruz, os Transformers e as Tartarugas Ninja, o Zé Povinho e o Fradinho das Caldas, o Tutankhamon, o Yoda, Marcelo Rebelo de Sousa e até Bento XVI se entretanto sair em boneco.
Deus é grande, e o nosso presépio será cada vez maior.

É. Chegamos ao Verão e a minha mulher começa logo a programar o Natal, a fazer compras de Natal, a falar do Natal, e realmente num lampo estamos lá, num lampo estamos cá. Agora, nesta idade, os dias fogem-nos com uma bolina que já não conseguimos controlar. "Estamos aqui, estamos no Natal!" E de repente estamos, mal acabamos de dizer. Como se estivéssemos sempre no Natal. Como se o Natal fosse um presente contínuo. E, olhem, do mal o menos.
Faz-me lembrar o padre Fraga, mestre e amigo na minha infância sacrista. Há muitos anos, no seminário, em Braga, o querido padre Fraga passava a vida a tentar chamar-nos à razão, a apelar ao redobrar do esforço no estudo, à recuperação de notas, ao brio escolar. O bom padre Fraga, Albano Teixeira Fraga, que é fafense de Travassós e que se desfazia em riso de cada vez que queria falar de mau, perorava com os braços cruzados no peito, gesticulando com uma mão de cada vez, "por um lado isto, por outro lado aquilo", coisa bonita de se ver. Ele tinha uma teoria, um argumento poderoso. Estávamos ainda em Janeiro, no início do 2.º período, e o padre Fraga agitava as juvenis (in)consciências, alertando, apocalíptico: "Porque, meus meninos, estamos no fim do ano!..."
Isso. A urgência da vida. Com o padre Fraga, desde o princípio do ano que estávamos no fim do ano, não havia tempo a perder. Cá em casa, a Mi é com o Natal. Os nossos Natais, verdade seja dita, são como os cigarros das férias grandes, fumados às escondidas atrás do Jardim do Calvário - acendem-se uns nos outros.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

O galo do presépio

Este ano metemos o galo no presépio. Todos os anos experimentamos um melhoramento natalício, há muito que andávamos com o galo debaixo de olho, e foi este ano. Agora lá está ele, altaneiro e bico calado, mas imaginamo-lo todo kikirikiki como o Jerónimo do reclame da Compal, a anunciar o nascimento do Menino Jesus exactamente às 7h30, conforme muito bem podia constar da Bíblia.
O nosso galo do presépio é um galo de Barcelos, mas, atenção, não é o Galo de Barcelos. Nada de parolices, valha-nos Deus! É um galo de capoeira, obra de mestre barcelense, isso sim, 6x4 centímetros, a obra, um euro e meio, o preço. É arte.
Só presépios temos oito, para além de mais meia dúzia de Meninos Jesus avulsos, e nem as casas de banho escapam ao nosso Natal. Pusemos o galo novo no presépio principal, evidentemente. O nosso é um presépio inclusivo, ao contrário do presépio do falecido papa Bento XVI, que em 2012 resolveu expulsar a vaca e o burro, porque, sentenciou, no local do nascimento de Jesus "não havia animais". Portanto, concluí eu, também não havia ovelhinhas, o que quer dizer que também não houve pastorinhos do deserto. Sobravam, inequivocamente, os três reis magos. Gente fina, vinho de outra pipa. Reis. E magos (porque o champanhe ainda não tinha sido inventado). Esses, é certo, estiverem lá, em representação de toda a humanidade - segundo Ratzinger. Estiveram os reis magos e os anjos cantadores. Os anjos também estiveram.
Que se segue? Eu por acaso até era mais dado a acreditar no burro e na vaca do que na mirabolante história de Gaspar, Melchior e Baltasar, uma boa linha média para quem jogue em 4-3-3, mas que se há-de fazer? Na verdade, eu por acaso até sou capaz de acreditar mais no burro e na vaca do que nos anjos e no presépio completo, a começar pelo dogma da virgindade de Maria tal como está estabelecido. Mas quê? Mais de dois mil anos a aquecerem o Menino com os respectivos bafos, e foi este o pagamento que o burrinho e a vaquinha receberam.
Cá em casa, não. No nosso presépio entram todos. Sem excepção. Pastores, trolhas, cabrinhas, escafandristas, empregados de mesa, com e sem-abrigo, prostitutas, levandiscas, lambe-botas, grilos, reis magos e outros artistas de circo, polícias municipais, cães e gatos, sapos e ciganos, evidentemente o burro e a vaca, que se lixe o Vaticano!, e agora o galo, se calhar para o ano um porco e depois uma avestruz, o Ben-Hur, se também quiser, o He-Man, o Super-Homem, o homem-estátua, a Justiça de Fafe, a Barbie, o Nenuco, a Popota, a Irmã Lúcia, o Padre Cruz, o Zé Povinho e o Fradinho das Caldas, o Tutankhamon, Marcelo Rebelo de Sousa e até Bento XVI se entretanto sair em boneco.
Deus é grande, e o nosso presépio está cada vez maior.

P.S. - Sobre este mesmo assunto, tenho um texto mais desenvolvido e actualizado no meu blogue Mistérios de Fafe.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O que fazer com este presépio?

Joseph Ratzinger tinha 85 anos quando, em 2012, resolveu escangalhar o presépio. Tirou a vaca e o burro, porque - dizia o então papa e actual contrapapa - no local do nascimento de Jesus "não havia animais". Portanto também não havia ovelhinhas, o que quer dizer que também não houve pastorinhos do deserto. Sobravam, isso sim, os três reis magos. Gente fina, vinho de outra pipa. Reis. E magos (porque o champanhe ainda não tinha sido inventado). Esses, é certo, estiverem lá, em representação de toda a humanidade - segundo Bento XVI. Estiveram os reis magos e os anjos cantadores.
Eu por acaso até era mais dado a acreditar no burro e na vaca do que na mirabolante história de Gaspar, Melchior e Baltasar, uma boa linha média para quem jogue em 4-3-3, mas que se há-de fazer? Mais de dois mil anos a aquecerem o Menino com os respectivos bafos e é este o pagamento que o burrinho e a vaquinha recebem.
Sempre atento às verdadeiras e mais urgentes necessidades do mundo e da cristandade, Ratzinger, o reaccionário e intriguista, resolveu escangalhar o presépio. Estaria no seu direito. Mas no meu não mexe! Tarrenego!

P.S. - Publicado originalmente no dia 23 de Novembro de 2012. 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Quando Ratzinger escangalhou o presépio

Joseph Ratzinger tinha 85 anos quando, em 2012, resolveu escangalhar o presépio. Tirou a vaca e o burro, porque - dizia o então papa e actual contrapapa - no local do nascimento de Jesus "não havia animais". Portanto também não havia ovelhinhas, o que quer dizer que também não houve pastorinhos do deserto. Sobravam, isso sim, os três reis magos. Gente fina, vinho de outra pipa. Reis. E magos (porque o champanhe ainda não tinha sido inventado). Esses, é certo, estiverem lá, em representação de toda a humanidade - segundo Bento XVI. Estiveram os reis magos e os anjos cantadores.
Eu por acaso até era mais dado a acreditar no burro e na vaca do que na mirabolante história de Gaspar, Melchior e Baltasar, uma boa linha média para quem jogue em 4-3-3, mas que se há-de fazer? Mais de dois mil anos a aquecerem o Menino com os respectivos bafos e é este o pagamento que o burrinho e a vaquinha recebem.
Sempre atento às verdadeiras e mais urgentes necessidades do mundo e da cristandade, Ratzinger, o reaccionário e intriguista, resolveu escangalhar o presépio. Estaria no seu direito. Mas no meu não mexe! Tarrenego!

Interlúdio porcino

Foto Hernâni Von Doellinger

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O papa que me escangalhou o presépio

Joseph Ratzinger tinha 85 anos quando, em 2012, resolveu escangalhar o presépio. Tirou a vaca e o burro, porque - dizia o então papa e actual contrapapa - no local do nascimento de Jesus "não havia animais". Portanto também não havia ovelhinhas, o que quer dizer que também não houve pastorinhos do deserto. Sobravam, isso sim, os três reis magos. Gente fina, vinho de outra pipa. Reis. E magos (porque o champanhe ainda não tinha sido inventado). Esses, é certo, estiverem lá, em representação de toda a humanidade - segundo Bento XVI. Estiveram os reis magos e os anjos cantadores.
Eu por acaso até era mais dado a acreditar no burro e na vaca do que na mirabolante história de Gaspar, Melchior e Baltasar, uma boa linha média para quem jogue em 4-3-3, mas que se há-de fazer? Mais de dois mil anos a aquecerem o Menino com os respectivos bafos e é este o pagamento que o burrinho e a vaquinha recebem.
Sempre atento às verdadeiras e mais urgentes necessidades do mundo e da cristandade, Ratzinger, o reaccionário e intriguista, resolveu escangalhar o presépio. Estaria no seu direito. Mas no meu não mexe! Tarrenego!

P.S. - Publicado originalmente no dia 23 de Novembro de 2012. No dia 30 de Setembro de 1452 começou a ser impressa a chamada Bíblia de Gutenberg, considerada o primeiro livro do mundo. Hoje é Dia da Bíblia Católica, crê-se que em homenagem a São Jerónimo, doutor da Igreja e conhecido por ser o primeiro tradutor das Escrituras para o latim vulgar, popularizando assim o seu conteúdo. Já agora, e só para que conste: a minha Bíblia é protestante.

E o porquinho pode?...

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 26 de março de 2018

Quando Ben-Hur foi impedido de entrar no Presépio

Ben-Hur queria entrar no Presépio. Chamou o grupinho do costume - Spartacus, Maximus, Maciste, Hércules, Sansão, Demétrio, Ursus e Nuno Salvação Barreto -, não fosse a coisa dar para o torto. E lá foram. O Pescador do Laguinho, que sabia kung fu e era segurança em part-time, impediu-lhes terminantemente o acesso: - Noite temática, meus senhores, hoje é só anjos, pastores e reis magos. Ordens de cima. Apareçam na Páscoa...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Quando Ben-Hur foi impedido de entrar no Presépio

Ben-Hur queria entrar no Presépio. Chamou o grupinho do costume - Spartacus, Maximus, Maciste, Hércules, Sansão, Demétrio, Ursus e Nuno Salvação Barreto -, não fosse a coisa dar para o torto. E lá foram. O Pescador do Laguinho, que sabia kung fu e era segurança em part-time, impediu-lhes terminantemente o acesso: - Noite temática, meus senhores, hoje é só anjos, pastores e reis magos. Ordens de cima. Apareçam na Páscoa...

sábado, 15 de dezembro de 2012

O bispo que não gosta do nome da barragem

Há coisa de 20 anos, Fafe fez o milagre de construir uma barragem a partir de um rio que era tudo menos um rio. Só visto na altura: era um ribeiro. Mas nasceu a Barragem de Queimadela, com onze hectares de albufeira e espaço verde a fartar para quem gosta da natureza e do desporto que dá saúde.
A Barragem de Queimadela passou a ser um justificado motivo de orgulho fafense, um chamariz de visitantes, um ponto de encontro de famílias piqueniqueiras ou campistas, dos amantes das caminhadas, dos praticantes de actividades mais ou menos náuticas e não poluentes, tipo pesca, windsurf, slide, rappel ou parapente, segundo leio. Creio que não me engano se acrescentar que foi na Barragem de Queimadela que os bombeiros de Fafe se fizeram mergulhadores.
Que se segue: fiquei hoje a saber que o nome da Barragem de Queimadela é "um abuso", "uma confusão geográfica, histórica e administrativa". D. Joaquim Gonçalves, bispo emérito de Vila Real, garante que a Barragem de Queimadela está localizada em território da freguesia de Revelhe. E mais diz: que "nunca houve ali nenhum terreno ou povoação com o nome de «queimadela»" e que "manter as coisas como estão será prolongar uma fraude e uma violência que não honra ninguém, nomeadamente as autoridades". Uma fraude. Uma violência...
É preciso que se note: Queimadela é (até ver) outra freguesia de Fafe, confinante com Revelhe, e D. Joaquim será um revelhense dos sete costados, pelo menos agora que está reformado e tem vagar para isso.
Não sei em que circunstâncias ou a que propósito o prelado falou e disse (ou escreveu). Cinjo-me ao que acabo de ler na capa do jornal Notícias de Fafe, que anda com Revelhe debaixo de olho, e na sinopse adiantada online por Jesus Martinho.
E não sei mais isto: se a Barragem de Queimadela fica mesmo em Queimadela ou em Revelhe. Até hoje eu pensava que fosse em Queimadela, como o próprio nome indica, mas também acreditava que o Menino Jesus nasceu entre o burrinho e a vaquinha e afinal o Papa desfez-me o presépio no outro dia. Agora, estragar um cartaz turístico de vinte anos, passar a chamar Barragem de Revelhe à Barragem de Queimadela é que não lembraria ao diabo, com perdão do senhor bispo. Portanto
(antes que a Câmara Municipal tenha a brilhante ideia de colocar à discussão pública a localização ou deslocalização daquela água toda e arredores)
proponho o seguinte: para que D. Joaquim Gonçalves não se amofine com miudezas e, como bispo da Igreja Católica, possa enfim concentrar-se nas verdadeiras violências deste mundo, quando lá formos passamos a dizer:
- Vou a Revelhe. Queres vir?
- A Revelhe?
- Sim. À Barragem de Queimadela.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O que fazer com este presépio?

Joseph Ratzinger, 85 anos, escangalhou o presépio. Tirou a vaca e o burro, porque - diz o Papa - no local do nascimento de Jesus "não havia animais". Portanto também não havia ovelhinhas, o que quer dizer que também não houve pastorinhos do deserto. Sobram, isso sim, os três reis magos. Gente fina, vinho de outra pipa. Reis. E magos (porque o champanhe ainda não tinha sido inventado). Esses, é certo, estiverem lá, em representação de toda a humanidade - segundo Bento XVI. Estiveram os reis magos e os anjos cantadores.
Eu por acaso até era mais dado a acreditar no burro e na vaca do que na mirabolante história de Gaspar, Melchior e Baltasar, uma boa linha média para quem jogue em 4-3-3, mas que se há-de fazer? Mais de dois mil anos a aquecerem o Menino com os respectivos bafos e é este o pagamento que o burrinho e a vaquinha recebem.
Sempre atento às verdadeiras e mais urgentes necessidades do mundo e da cristandade, Ratzinger resolveu escangalhar o presépio. Está no seu direito. Mas no meu não mexe!