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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Os Dalton eram da claque


Domínio de bala
Apertado, o adversário disparou à queima-roupa e ele, cheio de classe, dominou a bala com o peito e rematou de bicicleta, deixando-se cair. Golo!, gritou o estádio de pé, em comovido delírio. Foi realmente um funeral muito bonito.

Os irmãos Dalton eram oito, quatro de cada vez. Começaram por ser Bob, Grat, Bill e Emmet, mas morreram, faz de conta, e foram substituídos pelos primos mais à mão, os impagáveis Joe, William, Jack e Averell. Estes quatro eram bastante filhos da mãe, da Mãe Dalton, vestiam-se às risquinhas amarelas e pretas como se fossem uma extravagante claque da AD Fafe, deslocavam-se em escadinha, sempre do mais pequeno para o maior ou vice-versa, e Lucky Luke fazia-lhes a vida negra.
Houve também o bando dos Dalton a sério (à séria, se lido em Lisboa). Eram especialistas em bancos e comboios, actuaram com assinalável sucesso no Velho Oeste americano entre 1890 e 1892 e chamavam-se Tim Evans, Bob Dalton, Grat Dalton e Dick Broadwell. Foram abatidos pela polícia durante o assalto a uma dependência bancária em Coffeyville, Kansas, e tiveram todos um lindo enterro.
Há ainda a registar os cosméticos Dalton, marinhos segundo dizem, Dalton Trumbo, tão excelente quanto controverso romancista e argumentista norte-americano, Timothy Dalton, aquele actor galês e fraquinho que fez por engano dois 007, o Dalton Ico e o Dalton Trevisan (1925-2024), famoso escritor brasileiro entendido em vampiros e ganhador dos prémios Camões e Machado de Assis, entre outros. O mais destacado membro da família terá sido, no entanto, o cientista inglês John Dalton (1766-1844), químico, meteorologista e físico, um dos primeiros a defender que a matéria é feita de pequenos nadas, os átomos, e inventor da "lei das proporções múltiplas", melhor chamada Lei de Dalton, evidentemente para não se confundir com a Lei de Ohm.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. A AD Fafe era de uma só cor: amarelo e preto. Agora, derivado talvez ao negócio, apresenta-se de azul. Parece-me estranho, mas eles é que sabem.)

domingo, 2 de agosto de 2026

Com cem mil coiotes!

Branca e radiante
Branca de Neve brincava às casinhas com a casa dos sete anões. Com os anões ela brincava aos médicos. Mas não sei se, hoje em dia, isto se pode dizer.

Conheci muito bem Walt Disney. Ele falava brasileiro e dava aos sábados ou domingos à tarde no televisor a preto e branco do café Peludo, em Fafe. O Sr. Walt Disney, que tinha um bigodinho à Peter Sellers com bigode, isto é, à inspector Clouseau, não só falava muito bem brasileiro como, para mim, era mesmo brasileiro, por isso é que se chamava Walt Disney, nome próprio de jogador de futebol, talvez centroavante, e podia muito bem ter vindo jogar para Portugal, mas parece que não veio. Uma coisa é certa: foi ele quem me apresentou a figuras extraordinárias e tão importantes para a minha vida como o Zé Carioca, o Professor Pardal e o Lampadinha, os Irmãos Metralha, o Tio Patinhas, o Pato Donald e os sobrinhos trigémeos Huguinho, Zezinho e Luisinho, todos também a falarem muito bem a língua portuguesa, quero dizer, o brasileiro, o que me enchia realmente de orgulho.
Tive bons mestres. O Sr. Walt Disney e o nosso Marreca, é esse o nome que trago na memória, esperto alfarrabista das mil e uma coboiadas estabelecido naquele "coté" encravado debaixo das escadas da Arcada, do lado do Club Fafense, minúsculo quiosque de um janelo só que era porta aberta para o mundo. "Mundo de Aventuras", "Condor Popular", "Ciclone", "O Falcão". Luís Euripo, Mandrake e Lotário, Tarzan, Kalar, Cisco Kid, Texas Kid, Kit Carson, Fantasma, Buck Jones, Major Alvega, Matt Dillon e Chester, velhos companheiros de jornada, heróis de trazer para casa. Os livrinhos, depois de lidos e relidos, levávamo-los de volta, para a troca, em perfeito estado de conservação, o que só os valorizava, num sistema que funcionava muito bem, entregávamos, por exemplo, seis e trazíamos, por exemplo, três, o negócio era feito a olho, mas mesmo assim valia a pena, principalmente para o quiosqueiro, isso também era fácil de ver.
Aprendi bastante. Foi por estas e por outras que eu fiquei a saber que forasteiros são pessoas que vêm de fora, no faroeste, e portanto deviam era ser faroesteiros, deve ter havido engano, fiz a proposta de alteração aos dicionários, em devido tempo, mas, como sempre, ninguém me ligou. Foi nestas leituras que eu me enriqueci com expressões tão magníficas e úteis ao nosso dia-a-dia como, para não irmos mais longe, "Por Manitu!", "Saca, cão!" ou "Com cem mil coiotes!", e está é a minha preferida. Nos livros aos quadradinhos, Walt Disney já era a cores e ensinou-me, por outro lado, palavras bem portuguesas e bonitas como cadê, sgrunf!, pilantra e sobretudo carona, de que eu gostava muito, quase tanto como gosto ainda hoje da palavra parreca, que eu já conhecia de ginjeira das nossas feiras e romarias, desde pequenino, parece impossível...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia do Livro de Colorir.)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Desenhos mais ou menos

Há os desenhos animados e há os desenhos mais mortiços. É como tudo.

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Desenhador. Ou Dia do Desenhista. E Dia Mundial da Arte.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

PS, o velho saco de gatos

António José Seguro desafiou Mário Centeno a explicar o salário de Hélder Rosalino no Banco de Portugal - 15 mil euros por mês, como consultor da administração. António José Seguro e Mário Centeno são socialistas e potenciais candidatos à Presidência da República. Hélder Rosalino, não, nem é socialista nem candidato à Presidência da República - que só paga, líquidos, menos de 6 mil euros por mês.
Quer-se dizer: Seguro, finalmente com pressa, para marcar posição, começa por atacar o seu camarada de partido, o que só lhe fica bem, no respeito pela longa tradição socialista. Sendo o PS o eterno saco de gatos que é, queimam-se todos uns aos outros, os melhores, e no fim atamancam um candidato da treta, pataqueiro, perdem naturalmente as eleições, e a culpa, já se sabe, é do povo, que é tolo e vai atrás dos outros.
Eu por acaso acho extraordinário que alguém, para além dele próprio, pense que, nos dias de hoje, António José Seguro é um bom candidato a eleições. Seguro, apesar do nome, e não lhe ponho em causa a honradez e o sentido de serviço, é realmente uma personalidade arrebatadora e empolgante, uma figura carismática e mobilizadora, entusiasmante - tanto que, juro e com o devido respeito, de cada vez que o vejo e ouço, faz-me sempre lembrar o Droopy, o cãozinho melancólico dos desenhos animados de Tex Avery, e ainda assim fica a perder.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O risco da animação

Há desenhos animados e há desenhos, digamos assim, um bocadinho mais macambúzios. É como tudo.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Animação.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Desenhos assim-assim

Há desenhos realmente animados e há desenhos, digamos assim, um pouco mais aborrecidos. É como tudo.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Animação.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Walt Disney era brasileiro e ensinava-me palavras

Desenhos assim-assim
Há os desenhos animados e há os desenhos mortiços. É como tudo.

Walt Disney, o da carona
Conheci muito bem Walt Disney. Ele falava brasileiro e dava aos sábados ou domingos à tarde no televisor a preto e branco do café. Nos livros aos quadradinhos é que já era a cores e ensinou-me palavras bem portuguesas como cadê, sgrunf!, pilantra e sobretudo carona, de que eu gostava muito, quase tanto como da palavra parreca, que eu já conhecia de ginjeira das nossas feiras e romarias.

Professor Pardal
Antes de ser o guia espiritual dos novecentos homens mais poderosos de Portugal, também chamados motoristas de matérias perigosas, Pardal era professor, vivia na fantasia dos livros aos quadradinhos da Walt Disney e falava brasileiro. O Professor Pardal era um garnizé em forma de homem, um supergénio, o maior inventor do mundo. Tinha um chapéu pensador e o Lampadinha, o seu melhor ajudante. O Professor Pardal era bom e amigo das pessoas, embora às vezes as suas invenções dessem, sem querer, para o torto. Quanto ao Pardal local, bateu asas e voou...

P.S. - Walter Elias Disney, mais conhecido como Walt Disney, nasceu no dia 5 de Dezembro de 1901. Se fosse vivo, o velho Walt faria hoje 119 anos, o que, convenhamos, constituiria façanha digna de registo. 

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Vasco "Koniec" Granja (a propósito de)

Desenhos assim-assim
Há os desenhos animados e há os desenhos mortiços. É como tudo.

Walt Disney, o da carona
Conheci muito bem Walt Disney. Falava brasileiro e dava aos sábados ou domingos à tarde no televisor a preto e branco do café. Nos livros aos quadradinhos é que já era a cores e ensinou-me a palavra carona, de que eu gostava muito, quase tanto como da palavra parreca, que eu já sabia das feiras e romarias. Se fosse vivo, o velho Walt teria hoje 118 anos, o que, convenhamos, constituiria façanha digna de registo.

Professor Pardal
Antes de ser o guia espiritual dos novecentos homens mais poderosos de Portugal, também chamados motoristas de matérias perigosas, Pardal era professor, vivia na fantasia dos livros aos quadradinhos da Walt Disney e falava brasileiro. O Professor Pardal era um garnizé em forma de homem, um supergénio, o maior inventor do mundo. Tinha um chapéu pensador e o Lampadinha, o seu melhor ajudante. O Professor Pardal era bom e amigo das pessoas, embora às vezes as suas invenções dessem, sem querer, para o torto. Quanto ao Pardal local, bateu asas e voou...

P.S. - Vasco Granja, lenda da velha RTP, cineclubista e extraordinário divulgador de cinema de animação e banda desenhada em Portugal, nasceu no dia 10 de Julho de 1925.