terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tabaco, pecado e crime

Foto Hernâni Von Doellinger

Um estudo coordenado pela Faculdade de Medicina de Lisboa e pago pela Direcção-Geral de Saúde determina o fim das excepções no combate ao consumo de tabaco, apontando para a proibição de fumar à porta de cafés, bares, discotecas e restaurantes.
Quem sou eu para pôr em causa os fundamentos científicos e a sensatez das conclusões da maior investigação realizada em Portugal sobre o impacto da chamada lei do tabaco no sector da restauração e similares? Afinal, eu sou aquele que, pelos nove-dez anos, ia fumar para trás do Jardim do Calvário, o sítio de Fafe onde se faziam as coisas feias, e não me queixava dessa segregação auto-imposta. Também não me queixava porque não era eu quem pagava o meio maço de Definitivos que ali queimávamos num instante, antes que alguém nos visse. Depois ia-me confessar. Porque Deus vê tudo e fumar era um pecado muito grande, um dos maiores logo a seguir à punheta.
Não fiquei com o vício. Do cigarro, quero dizer. E sei e sinto que os restaurantes estão muito melhores desde que proibiram a entrada ao fumo. Até a comida é mais saborosa. Mas incomoda-me solenemente todo o tipo de fundamentalismo. O fundamentalismo que nunca pára e que, neste caso, já leva o restaurante até ao outro lado da rua, onde se calhar há outro restaurante, o que lhe dá pé para criar na cidade enormes "zonas livres de tabaco". Por este andar, os fumadores, adultos e pais de família, acabarão por ser corridos para os sítios onde se fazem as coisas feias. Se se quiserem agarrar ao SG Ventil sem irem presos, lá terão que marcar encontro no Monsanto ou no Parque Eduardo VII, sendo da capital, ou nos arredores do Parque da Cidade ou da Câmara do Porto, se forem cá de cima. No resto do País, cada um que se amanhe na quelha mais próxima. Mas depois todos têm de se ir confessar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A família Oliveira

Em finais de 2010, António Oliveira anunciou que ia processar o filho, Vasco Oliveira, por declarações feitas pelo rapaz após a expulsão da Casa dos Segredos da TVI. Declarações "gravíssimas", que "ofendem" a "honra e a consideração" da família Oliveira, explicou então, em comunicado, o antigo seleccionador nacional.
Na resposta, obviamente que ao jornal Correio da Manhã, Vasco disse: "Se ele [o pai] pensa que é o rei do mundo, está enganado. Tudo o que ele fez, os podres, serão divulgados". E três meses depois avisou que estava a escrever o "livro do ano". "Vou contar o que ninguém sabe. Novos segredos que vão deixar todos de boca aberta. Os podres do meu pai virão ao de cima", voltou a ameaçar, mais uma vez através do CM.
Não sei se o processo foi em frente, não sei se o livro saiu.
Sábado à noite, António Oliveira foi à RTP-N e acusou o irmão e ex-sócio Joaquim Oliveira de controlar o futebol português através da Olivedesportos. "O presidente da Federação é colocado por um lóbi fortíssimo que existe em Portugal. O presidente da Liga é colocado na Liga por interesses do lóbi que domina o futebol em Portugal, que é a Olivedesportos, obviamente. Mas eu já o disse publicamente. Sem o ‘São Martinho’ de Penafiel [terra natal dos manos Oliveira], alguma vez o Fernando Gomes iria para presidente da Liga?", questionou o ex-treinador, admitindo também ter sido chamado para a selecção nacional por influência da Olivedesportos.
Não sei se estas declarações são "gravíssimas" e "ofendem" a "honra e a consideração" da família Oliveira. Não sei se Joaquim Oliveira vai processar o irmão e ex-sócio.
Decerto não. O profile de Joaquim é demasiado low. Ademais, ele e os filhos andam ocupadíssimos a dar cabo de jornais e da vida de centenas de trabalhadores.

Se calhar sou mação

Este folhetim sobre a maçonaria anda a desassossegar-me a alma. Os dias das revelações estão a empurrar-me ao encontro dos meus segredos mais profundos. Eu não sabia, mas se calhar também sou mação. Eu cuidava que sim, mas o mundo profano decerto não é o meu mundo. Foi o que descobri. É o que me atormenta. Também eu, tal como os tais, reivindico, prego e não pratico valores morais de alto coturno como a virtude, o universalismo, a honestidade, a tolerância, a humanidade, o trabalho, a fraternidade e outros ou outras ades, âncias e ismos.
É certo que, ao contrário dos tais, me fico por aí: pela hipocrisia sem consequências. De resto, sou incapaz de vigarizar, mentir, trair, armadilhar, conspirar, destruir ou provocar e cavalgar a desgraça dos outros para atingir... a virtude, o universalismo, a honestidade, a tolerância, a humanidade, o trabalho, a fraternidade e outros ou outras ades, âncias e ismos. Por outro lado, uso avental pelo menos duas vezes por dia e só o tiro quando vamos para a mesa ou acabo de lavar a louça. É. Se calhar também sou mação.

domingo, 8 de janeiro de 2012

É preciso ter lata 2

A coligação PSD-CDS vai meter seis dos seus no tacho da EDP. Faz bem. Eu, se tivesse por onde, fazia o mesmo, dava o melhor aos meus amigos. Mas António José Seguro, o inseguro líder do PS, ficou escandalizado. E disse que se trata de uma demonstração da "apropriação por parte das clientelas dos partidos do Governo". Pois trata. É a vida!
Porém, Seguro não ousou criticar os nomes nem a competência dos nomeados. O que ele se limitou a dizer foi que isto "é um mau sinal" e que "é preciso pôr travão" a este tipo de situações. Pois é. Principalmente agora que são o PSD e o CDS a distribuir dinheiro pela família. Quando era o PS era sempre na prise.

O Relvas é um patarata

Quero pedir desculpa. Ao contrário do que eu pensava e aqui escrevi, afinal o primeiro-ministro Miguel Relvas não percebe nada da poda. Vir outra vez falar do processo de emigração em curso, quando estávamos agora todos entretidos com o folhetim da maçonaria e das secretas, é de um sentido de oportunidade apenas comparável ao do palhaço que se enganou no número da porta e actuou num funeral. Só se percebe se for para mudar de assunto. Será?

sábado, 7 de janeiro de 2012

Podiam ter-me perguntado

Um estudo avaliou três vezes as capacidades cognitivas de mais de sete mil funcionários públicos ingleses num período de dez anos, concluindo que, afinal, o declínio do cérebro não começa aos 60 anos, mas logo aos 45. Estudo redundante e desnecessário. Obliterando a especificidade do cérebro de funcionário público, podiam ter-me perguntado e ficavam logo a saber o mesmo, sem mais trabalho. Sou uma prova viva! De resto, o Governo e o patronato de Portugal já há muito que também têm conhecimento desta realidade científica, provavelmente através de estudos secretos, ou vocês pensavam que é por pura maldade que um e outro mandam para o caixote do lixo os trabalhadores portugueses acima dos 50?
Tinha mais duas ou três coisas para dizer sobre este assunto, mas, cá está, não me vêm à cabeça, não me lembro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Afinal havia outro

Afinal são três e não dois os líderes parlamentares que pertencem à maçonaria. É o que conta hoje o DN, acrescentando Nuno Magalhães, do CDS, aos já sabidos Luís Montenegro, do PSD, e Carlos Zorrinho, do PS. Este trio controla, ao todo, 206 deputados. Isto é: quase 90 por cento do plenário da Assembleia da República. Dito de outra maneira, como se fosse o reclame a um sabonete: nove em cada dez deputados são dirigidos por mações.
Ainda de acordo com o DN, Nuno Magalhães integra, tal como Carlos Zorrinho, a maior obediência maçónica portuguesa, o Grande Oriente Lusitano, enquanto Luís Montenegro pertence à segunda maior, a Grande Loja Regular de Portugal, fazendo parte aqui da Loja Mozart, a mesma de personalidades como Jorge Silva Carvalho (ex-director das secretas e actual quadro da Ongoing) e Nuno Vasconcelos (o patrão da Ongoing).