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quinta-feira, 7 de maio de 2026

O Céu pode esperar

Para falar com Deus
Tomou horas, foi para a fila, tirou senha, esperou vez, chamaram-lhe o número, acostou finalmente ao balcão das informações e perguntou: - Para falar com Deus, falo com quem?...

Manhã cinzenta de Outono a ameaçar chuva. No chão de cimento do pequeno cemitério, bem varrido, jaz, abandonada e fria, uma senha de vez. Aos meus pés, o famigerado ticket, ou tiquê, como nos dá muito mais jeito dizer, e dá-nos sempre muito mais jeito dizer mal. Vergo-me e apanho. "Sua vez", avisa a senha número E29, como se soubesse alguma coisa da minha vida que eu não sei. Da minha vida ou da minha morte. E manda, "Puxe". Puxei, quero dizer, pensei: poderia dar-se o caso de ser esta a solução desenterrada por espertos sepultadores para organizar as dezenas ou centenas de defuntos que diariamente se acotovelam aos portões dos cemitérios sobrelotados, à espera de vez, à espera de vaga. (Os mortos portugueses têm geralmente medo de serem queimados vivos e, como resultado, num país com uns económicos 92 mil quilómetros quadrados, os nossos campos-santos rebentam pelas costuras, as campas não chegam para as encomendas.) Mas não: a coisa não é assim tão terrena, pensei melhor, isto vem, upa, upa, lá de cima. É assunto de almas e não de corpos. É. O Céu está equipado com pelo menos um dispensador de senhas de vez, tive a certeza e tinha a prova na palma da mão. Percebi tudo. Queres a salvação eterna? Tira o número e vai para a fila, essa é que é essa! "Mas que bizarra epifania, mas que desgosto tão grande, lá se me foram os fundamentos" - lamuriei-me, rangendo os dentes. - "Até Tu, meu Deus?! Que tristeza! Onde o negócio e a burocracia já chegaram"...
O meu número é o E29, calhou-me, não sei em que número vai, mas, palavra de honra, estou sem pressa. Dou a vez.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Senha.)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Apocalypse Now

Atenção, muita atenção! Emprestei o meu "Apocalypse Now" não sei quando nem a quem nem porquê. Não me lembro! Sei é que o estupor do DVD nunca mais me tornou a casa, e, aos anos que vai, já deve andar no liceu, senão na universidade. Ao sacrista que se está a aproveitar de mim e da minha franqueza, digo apenas o seguinte: não foi uma doação, pá, devolve-me essa merda, pá, devolve, e até pode ser sob anonimato, porque, se te descubro, se te adivinho sequer - não sei se estás a ver o filme...

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Doação de Livros.

domingo, 19 de janeiro de 2025

Crime imperfeito

Tirando as minhas caminhadas matinais à beira-mar, eu passava o dia inteiro enfiado em casa. Sozinho. Quer-se dizer: vivia sem testemunhas até que a minha mulher chegasse a casa depois do emprego. E isso começou a assustar-me, primeiro devagarinho e depois avassaladoramente. Meteu-se-me aquilo na cabeça, tinha medo de ser descoberto. Porque - bem vejo o que acontece nos policiais da televisão - é sempre preciso outra pessoa para se ter um álibi. Que se segue? Mandei a mulher reformar-se, e agora ninguém me apanha...

P.S. - O escritor americano Edgar Allan Poe, presumível criador do modelo moderno de romance policial, nasceu no dia 19 de Janeiro de 1809. No mesmo dia, mas no ano de 1921, nasceu a também americana Patricia Highsmith, outra da corda.

terça-feira, 18 de junho de 2024

O fim do mundo em cuecas

Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica e espectacular dos sobreviventes. Bombas atómicas, holocausto nuclear, invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, revolta dos macacos e outras claques, aquecimento global, acentuado arrefecimento nocturno, maternidades encerradas, urgências desaparecidas, caos no serviço nacional de saúde, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, destruições épicas, brutais, a estrada da morte, o teatro de operações, o dispositivo no terreno, os meios aéreos e os aéreos inteiros, a cinza, a lava, a escuridão, a luz, a asfixia, o nada, o silêncio, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.

Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes?

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Pânico.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Fafe já não tem piononos

"O Rapto", de Marco Bellocchio

No monte de São Jorge havia um pionono. E constava que havia outro no monte de Castelhão. Fui testemunha de ambos, embora o segundo possa jamais ter existido. O pionono, para mim, era uma espécie de meco que ajudava montes de pouca monta a porem-se em bicos de pés, a chegarem-se a uma certa altura, a uma altura certa, a um número redondo que desse jeito falar. Quero dizer: era uma espécie de sapato de salto alto para caga-tacos complexados, porém ao contrário, com o tacão virado para cima e usado na cabeça, bem na crucha da cabeça. Depois tomei conhecimento do Pio IX, mas nunca percebi a relação, e acho um insulto chamar-lhe marco geodésico. Ao papa. Ao sumo pontífice.
Assim com maiúscula, o Pionono era exactamente em São Jorge, é justo que se diga. Pionono era nome próprio, sítio, geografia. Era topónimo com alvará. "Vou ao Pionono". Ia-se ao Pionono. Ao Pionono ia-se aos pinheiros pelo Natal, ia-se esgaçar umas pernadas de carvalho para o trono da cascata do Santo António, ia-se aos fentos ou ao mato para o eido ou às giestas secas para espertar a lareira do chão da cozinha, ia-se brincar aos cobóis, ia-se cagar ao monte e ia-se dar umas trancadas, e o que eu gostava da palavra trancadas, mesmo sem ainda conseguir alcançar o que ela quereria dizer. Nem de propósito, São Jorge parece que também tinha mamoas, eu confesso que não sabia mas fiquei a saber no final do ano passado.
(As giestas, por falar nelas, davam umas vassouras de categoria e o Trancadas era um barbeiro mesmo ao lado do tasco do Neca do Hotel, proximidade que se revelava de uma comodidade extrema. Por falar nisso, lembro-me de descer um degrauzinho, mais cá para o centro da vila, ali entre a sombria loja da Rosindinha Catequista e a Cafelândia, mas esse era o Sr. António Grande, o segundo barbeiro do meu padrinho Américo. Eu ia lá com o meu padrinho mais o meu tio Zé da Bomba, aos sábados de manhã, que naquele tempo eram sempre de sol. Na espera lia-se "O Primeiro de Janeiro", mal eu sabia que ainda o haveria de fazer. O meu padrinho Américo e o meu tio Zé da Bomba eram irmãos do meu pai, o grande Lando Bomba, e depois foram meus pais, à falta do propriamente dito, por razão de força maior.)
Hoje os montes de São Jorge e de Castelhão são casas e é o progresso. Os montes foram capados, terraplenados, desarborizados, alcatroados, liquidados. Os montes morreram de morte matada e a culpa morreu solteira. Fafe já não tem piononos. Mas, dizem-me, tem ainda a "Garrafinha" e historiadores até dar com um pau. Um deles, quem dera que não chova, ainda há-de contar esta como deve ser.

E agora, só para que conste: pio-nono será a forma "correcta" de escrever, se nos referirmos ao meco. Mas pionono pode ser também nome de doce muito popular em Espanha, na América Latina e nas Filipinas. Por outro lado, Pio IX, que se chamava Giovanni Maria Mastai-Ferretti, teve o segundo maior pontificado da história da Igreja, logo a seguir a São Pedro. E foi o primeiro papa a ser fotografado. Foi também um sacana do piorio e o Vaticano fez dele santo. Pio IX, que tratava os judeus como "cães" e abaixo de cão, foi o responsável pelo rapto de Edgardo Mortara, um menino de seis anos baptizado em segredo e retirado à força da sua família judaica, história contada por Marco Bellocchio no filme "O Rapto", estreado no Festival de Cannes do ano passado e que chega hoje às salas de cinema.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Crime imperfeito

Tirando as minhas caminhadas matinais à beira-mar, passo o dia inteiro enfiado em casa. Sozinho. Quer-se dizer: vivo sem testemunhas. E isso começa a assustar-me. Tenho medo de ser apanhado. Porque - bem vejo o que acontece nos policiais da televisão - sozinho em casa não serve como álibi.

sábado, 5 de novembro de 2022

Fitas...

Não vá em fitas! Máscara de ferro é uma coisa, testa-de-ferro é outra.

A imodéstia de Deus

Num dos seus inusitados momentos de imodéstia, Jesus Cristo disse: - A minha vida dava um filme! E deu. Deu até vários filmes. Não creio que tenha adiantado...

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Cinema.

domingo, 26 de junho de 2022

Crime imperfeito

Tirando as minhas caminhadas matinais à beira-mar, passo o dia inteiro enfiado em casa. Sozinho. Quer-se dizer: vivo sem testemunhas. E isso começa a assustar-me. Tenho medo de ser apanhado. Porque - bem vejo o que acontece nos policiais da televisão - sozinho em casa não serve como álibi.

terça-feira, 19 de abril de 2022

O mundo e mais nada

O mundo divide-se em duas partes: polícias e ladrões, índios e cobóis. O resto é desculpa, distracção...

P.S. - Hoje é Dia do Índio. No continente americano.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Filmes...

Num dos seus inusitados momentos de imodéstia, Jesus Cristo disse: - A minha vida dava um filme! E deu. Deu até vários filmes. Não creio que tenha adiantado...

P.S. - Hoje é Dia do Cineclube.

domingo, 28 de novembro de 2021

Isto qualquer dia

Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica dos sobreviventes. Invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, a estrada da morte, a cinza, a escuridão, a asfixia, o nada, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda-Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.

Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes? 

P.S. - Publicado originalmente no dia 1 de Maio de 2014. Hoje, 28 de Novembro, é Dia do Planeta Vermelho.

sábado, 30 de outubro de 2021

O fim do mundo em cuecas

Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica dos sobreviventes. Invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, a estrada da morte, a cinza, a escuridão, a asfixia, o nada, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda-Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.

Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes? 

P.S. - No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles transmitiu a versão radiofónica da "Guerra dos Mundos", de H. G. Welles, simulando uma reportagem em directo sobre a invasão da Terra por marcianos. Os americanos acreditaram que era verdade. O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas de Nova Jersey, onde o programa era feito e onde tudo alegadamente acontecia.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

O fim do mundo, praticamente

Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica dos sobreviventes. Invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, a estrada da morte, a cinza, a escuridão, a asfixia, o nada, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda-Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.

Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes? 

P.S. - No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles transmitiu a versão radiofónica da "Guerra dos Mundos", de H. G. Welles, simulando uma reportagem em directo sobre a invasão da Terra por marcianos. Os americanos acreditaram que era verdade. O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas de Nova Jersey, onde o programa era feito e onde tudo alegadamente acontecia. Hoje, 18 de Junho, é Dia Internacional do Pânico.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

RTP Alzheimer

Estou preparadíssimo para o Natal. Venham daí esses velhos filmes: "Quo Vadis", "As Sandálias do Pescador", "A Bíblia", "Barrabás", "Ben-Hur", "Os Dez Mandamentos", "A Túnica", "A Última Tentação de Cristo", "Jesus de Nazaré", "Jesus Cristo Superstar", "A Paixão de Cristo", "Spartacus", "Demétrio, o Gladiador", "Sansão e Dalila", "O Sinal da Cruz", "O Evangelho Segundo São Mateus" - venham, que eu estou à espera. "Sozinho em Casa" um, dois, três, quatro, cinco, "Grinch" um, dois, três, "O Amor Acontece", "O Amor Não Tira Férias", "Regresso ao Futuro" um, dois, três quatro, cinco, "Tubarão" um, dois, três quatro, cinco e seis cabeças, "Parque Jurássico" um, dois, três, "Momento da Verdade", "O Último Tango em Paris", "Garganta Funda" ou "O Diabo na Carne de Miss Jones", eu aguento.
E, se quiserem, mandem também "Sete Noivas para Sete Irmãos", "E Tudo o Vento Levou", "Um Violino no Telhado", "Música no Coração", "O Feiticeiro de Oz", "Citizen Kane", "O Prisioneiro de Alcatraz", "Cinema Paraíso", "As Pontes de Madison County", "A Ponte do Rio Kwai", "O Expresso de Von Ryan", "Mamma Mia!", "Os Canhões de Navarone", "Rambo" um, dois, três, quatro, cinco, "Doze Indomáveis Patifes", "O Bom, o Mau e o Vilão" ou "A Vida de Brian". Nosso Senhor é como o Sol, quando nasce é para todos, e eu estou por tudo. Por quase tudo...
Por mim, a RTP Memória pode despejar o saco à vontade. Só peço, por amor de Deus, que não me batam mais na cabeça com "A Máscara do Ranger". Chega! Chega! Chega! Chega!
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
O que é que eu estava a dizer? Ah!, já sei. Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma! Só assim se explica que nos apliquem de quinze em quinze dias o "Crime no Expresso do Oriente", com Albert Finney, ou a "Morte ao Sol", com Peter Ustinov, numa confusão de Poirots também ela pouco adequada ao público-alvo do canal. Entre estes dois, já agora, eu por acaso prefiro um terceiro, David Suchet, mas isso não interessa para aqui.
O que aqui interessa é que ainda há pior do que esta perigosa overdose de Agatha Christie. Parece impossível, mas há. E o pior é levar com a xaropada da "Máscara do Ranger" pelo menos quatro vezes em menos de meio ano, e duas delas para aí num mês, como se tivesse sido receitada pelo médico. Por favor, alguém que pare com isto! Isto é crime, é violência psicológica contra idosos! 

P.S. - Publicado originalmente no dia 3 de Abril de 2012. No dia 15 de Dezembro de 1955 foi constituída, por iniciativa do Governo, a RTP - Radiotelevisão Portuguesa, SARL, com o capital social de 60 mil contos.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Momento de Justiça

Eu não sabia que havia um filme chamado "Momento de Justiça". Soube ontem que há. E são quatro: "Momento de Justiça 1", "Momento de Justiça 2", "Momento de Justiça 3" e "Momento de Justiça 4" - todos lamentáveis.

terça-feira, 27 de março de 2018

Estou preparado para a Páscoa

Estou preparadíssimo para a Páscoa: "Quo Vadis", "As Sandálias do Pescador", "A Bíblia", "Barrabás", "Ben-Hur", "Os Dez Mandamentos", "A Túnica", "A Última Tentação de Cristo", "Jesus de Nazaré", "Jesus Cristo Superstar", "A Paixão de Cristo", "Spartacus", "Demétrio, o Gladiador", "Sansão e Dalila", "O Sinal da Cruz", "O Evangelho Segundo São Mateus" - venham, que eu estou à espera.
E, se quiserem, mandem também "Sete Noivas para Sete Irmãos", "A Máscara do Ranger", "E Tudo o Vento Levou", "Um Violino no Telhado", "Música no Coração", "O Feiticeiro de Oz", "Citizen Kane", "O Prisioneiro de Alcatraz", "Cinema Paraíso", "As Pontes de Madison County", "A Ponte do Rio Kwai", "O Expresso de Von Ryan", "Mamma Mia!", "Os Canhões de Navarone", "Rambo", "Doze Indomáveis Patifes", "O Bom, o Mau e o Vilão" ou "A Vida de Brian". Nosso Senhor morreu e eu estou por tudo...

sábado, 23 de março de 2013

Com uma facada, era tiro e queda

Sou dos filmes de cobóis desde pequenino e particular consumidor dos spaghetti de Sergio Leone. Tenho-os na despensa, a colecção completa. Gosto. Gosto e assobio. Vejo-os sempre que me apetece, e se dão na televisão, como deram esta semana, na RTP 2, não mando ninguém ver por mim. Porém, ao fim destes anos todos e após milhões de sessões, devo confessar o seguinte: continuo sem perceber a morte dos bandidos. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Quer-se dizer - os bandidos é como tordos, morrem uns atrás dos outros até ao chefe, e assim é que está bem, mas já repararam à custa e ao fim de quantos balázios? Já contaram quantas balas são precisas para matar um bandido, um só? Praí dezasseis e todas na muche, até que o estafermo do bandido, um só, repito, aceite esticar de vez o pernil. É muita despesa e má propaganda à inquestionável pontaria, por exemplo, de um atirador da marca de Clint Eastwood. Em contrapartida, quando é à facada, o mau da fita morre logo à primeira. Tiro e queda, já viram?
Acho mal.

terça-feira, 3 de abril de 2012

RTP Alzheimer

Estou pronto. Venham daí esses filmes de Páscoa! Aceito tudo: o "Quo Vadis" e o "Júlio César", que já deram este fim-de-semana, "A Túnica", "Ben Hur", "A Bíblia", "Os Dez Mandamentos", "Jesus de Nazaré", "Demétrio, o Gladiador", "Sansão e Dalila" e "Spartacus", que nem são filmes de Páscoa mas eu gosto, tudo! Por mim, a RTP Memória pode despejar o saco à vontade. Só peço, por amor de Deus, que não me batam mais na cabeça com "A Máscara do Ranger". Chega! Chega! Chega! Chega!
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
O que é que eu estava a dizer? Ah!, já sei. Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma! Só assim se explica que nos andem a dar, de quinze em quinze dias, o "Crime no Expresso do Oriente", com Albert Finney, ou a "Morte ao Sol", com Peter Ustinov, numa confusão de Poirots também ela pouco adequada ao público-alvo do canal. Entre estes dois, já agora, eu por acaso prefiro o David Suchet, mas isso não interessa para aqui.
O que aqui interessa é que ainda há pior do que esta perigosa overdose de Agatha Christie. Parece impossível, mas há! E o pior é levar com a xaropada da "Máscara do Ranger" pelo menos quatro vezes em menos de meio ano, e duas delas para aí num mês, como se tivesse sido receitada pelo médico. Por favor, alguém que pare com isto! Isto é crime, é violência psicológica contra idosos!