Para falar com Deus
Tomou horas, foi para a fila, tirou senha, esperou vez, chamaram-lhe o número, acostou finalmente ao balcão das informações e perguntou: - Para falar com Deus, falo com quem?...
quinta-feira, 7 de maio de 2026
O Céu pode esperar
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Apocalypse Now
Atenção, muita atenção! Emprestei o meu "Apocalypse Now" não sei quando nem a quem nem porquê. Não me lembro! Sei é que o estupor do DVD nunca mais me tornou a casa, e, aos anos que vai, já deve andar no liceu, senão na universidade. Ao sacrista que se está a aproveitar de mim e da minha franqueza, digo apenas o seguinte: não foi uma doação, pá, devolve-me essa merda, pá, devolve, e até pode ser sob anonimato, porque, se te descubro, se te adivinho sequer - não sei se estás a ver o filme...
P.S. - Hoje é Dia Internacional da Doação de Livros.
domingo, 19 de janeiro de 2025
Crime imperfeito
terça-feira, 18 de junho de 2024
O fim do mundo em cuecas
Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes?
P.S. - Hoje é Dia Internacional do Pânico.
quinta-feira, 18 de abril de 2024
Fafe já não tem piononos
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| "O Rapto", de Marco Bellocchio |
No monte de São Jorge havia um pionono. E constava que havia outro no monte de Castelhão. Fui testemunha de ambos, embora o segundo possa jamais ter existido. O pionono, para mim, era uma espécie de meco que ajudava montes de pouca monta a porem-se em bicos de pés, a chegarem-se a uma certa altura, a uma altura certa, a um número redondo que desse jeito falar. Quero dizer: era uma espécie de sapato de salto alto para caga-tacos complexados, porém ao contrário, com o tacão virado para cima e usado na cabeça, bem na crucha da cabeça. Depois tomei conhecimento do Pio IX, mas nunca percebi a relação, e acho um insulto chamar-lhe marco geodésico. Ao papa. Ao sumo pontífice.
Assim com maiúscula, o Pionono era exactamente em São Jorge, é justo que se diga. Pionono era nome próprio, sítio, geografia. Era topónimo com alvará. "Vou ao Pionono". Ia-se ao Pionono. Ao Pionono ia-se aos pinheiros pelo Natal, ia-se esgaçar umas pernadas de carvalho para o trono da cascata do Santo António, ia-se aos fentos ou ao mato para o eido ou às giestas secas para espertar a lareira do chão da cozinha, ia-se brincar aos cobóis, ia-se cagar ao monte e ia-se dar umas trancadas, e o que eu gostava da palavra trancadas, mesmo sem ainda conseguir alcançar o que ela quereria dizer. Nem de propósito, São Jorge parece que também tinha mamoas, eu confesso que não sabia mas fiquei a saber no final do ano passado.
(As giestas, por falar nelas, davam umas vassouras de categoria e o Trancadas era um barbeiro mesmo ao lado do tasco do Neca do Hotel, proximidade que se revelava de uma comodidade extrema. Por falar nisso, lembro-me de descer um degrauzinho, mais cá para o centro da vila, ali entre a sombria loja da Rosindinha Catequista e a Cafelândia, mas esse era o Sr. António Grande, o segundo barbeiro do meu padrinho Américo. Eu ia lá com o meu padrinho mais o meu tio Zé da Bomba, aos sábados de manhã, que naquele tempo eram sempre de sol. Na espera lia-se "O Primeiro de Janeiro", mal eu sabia que ainda o haveria de fazer. O meu padrinho Américo e o meu tio Zé da Bomba eram irmãos do meu pai, o grande Lando Bomba, e depois foram meus pais, à falta do propriamente dito, por razão de força maior.)
Hoje os montes de São Jorge e de Castelhão são casas e é o progresso. Os montes foram capados, terraplenados, desarborizados, alcatroados, liquidados. Os montes morreram de morte matada e a culpa morreu solteira. Fafe já não tem piononos. Mas, dizem-me, tem ainda a "Garrafinha" e historiadores até dar com um pau. Um deles, quem dera que não chova, ainda há-de contar esta como deve ser.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2022
Crime imperfeito
sábado, 5 de novembro de 2022
A imodéstia de Deus
domingo, 26 de junho de 2022
Crime imperfeito
Tirando as minhas caminhadas matinais à beira-mar, passo o dia inteiro enfiado em casa. Sozinho. Quer-se dizer: vivo sem testemunhas. E isso começa a assustar-me. Tenho medo de ser apanhado. Porque - bem vejo o que acontece nos policiais da televisão - sozinho em casa não serve como álibi.
terça-feira, 19 de abril de 2022
O mundo e mais nada
O mundo divide-se em duas partes: polícias e ladrões, índios e cobóis. O resto é desculpa, distracção...
P.S. - Hoje é Dia do Índio. No continente americano.
quinta-feira, 14 de abril de 2022
Filmes...
Num dos seus inusitados momentos de imodéstia, Jesus Cristo disse: - A minha vida dava um filme! E deu. Deu até vários filmes. Não creio que tenha adiantado...
P.S. - Hoje é Dia do Cineclube.
domingo, 28 de novembro de 2021
Isto qualquer dia
Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica dos sobreviventes. Invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, a estrada da morte, a cinza, a escuridão, a asfixia, o nada, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda-Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.
Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes?
P.S. - Publicado originalmente no dia 1 de Maio de 2014. Hoje, 28 de Novembro, é Dia do Planeta Vermelho.
sábado, 30 de outubro de 2021
O fim do mundo em cuecas
Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica dos sobreviventes. Invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, a estrada da morte, a cinza, a escuridão, a asfixia, o nada, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda-Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.
Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes?
P.S. - No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles transmitiu a versão radiofónica da "Guerra dos Mundos", de H. G. Welles, simulando uma reportagem em directo sobre a invasão da Terra por marcianos. Os americanos acreditaram que era verdade. O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas de Nova Jersey, onde o programa era feito e onde tudo alegadamente acontecia.
sexta-feira, 18 de junho de 2021
O fim do mundo, praticamente
Gosto destes filmes e destas séries da moda que contam o fim do mundo, os diversos modelos de fim do mundo, e a luta heróica dos sobreviventes. Invasões marcianas, asteróides desgovernados, pandemias assassinas, ataques de mortos-vivos, catástrofes de proporções bíblicas, apocalípticas, deuteronómicas, cenários dantescos, a estrada da morte, a cinza, a escuridão, a asfixia, o nada, o-drama-a-tragédia-o-horror. O planeta desaparece e, no seu regenerador desaparecimento, traz à tona os melhores dos melhores de todos nós, americanos por certo. O pai-herói, a mãe-coragem, o bebé-milagre, o Sepúlveda-Taberneiro, de quem ninguém sabia há mais de quarenta anos, desde que pôs os cornos à mulher no Sabugal e fugiu com a espanhola da casa de alterne. Para a América, Kansas City, Missouri. Dão bons títulos nos jornais.
Estes filmes fazem-me acreditar na redenção da humanidade. Os sobreviventes são a esperança num futuro melhor. Isto por um lado. Por outro: mas qual futuro e quais sobreviventes? Se o mundo acabou, como é que há sobreviventes?
P.S. - No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles transmitiu a versão radiofónica da "Guerra dos Mundos", de H. G. Welles, simulando uma reportagem em directo sobre a invasão da Terra por marcianos. Os americanos acreditaram que era verdade. O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas de Nova Jersey, onde o programa era feito e onde tudo alegadamente acontecia. Hoje, 18 de Junho, é Dia Internacional do Pânico.
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
RTP Alzheimer
E, se quiserem, mandem também "Sete Noivas para Sete Irmãos", "E Tudo o Vento Levou", "Um Violino no Telhado", "Música no Coração", "O Feiticeiro de Oz", "Citizen Kane", "O Prisioneiro de Alcatraz", "Cinema Paraíso", "As Pontes de Madison County", "A Ponte do Rio Kwai", "O Expresso de Von Ryan", "Mamma Mia!", "Os Canhões de Navarone", "Rambo" um, dois, três, quatro, cinco, "Doze Indomáveis Patifes", "O Bom, o Mau e o Vilão" ou "A Vida de Brian". Nosso Senhor é como o Sol, quando nasce é para todos, e eu estou por tudo. Por quase tudo...
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
O que é que eu estava a dizer? Ah!, já sei. Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma! Só assim se explica que nos apliquem de quinze em quinze dias o "Crime no Expresso do Oriente", com Albert Finney, ou a "Morte ao Sol", com Peter Ustinov, numa confusão de Poirots também ela pouco adequada ao público-alvo do canal. Entre estes dois, já agora, eu por acaso prefiro um terceiro, David Suchet, mas isso não interessa para aqui.
O que aqui interessa é que ainda há pior do que esta perigosa overdose de Agatha Christie. Parece impossível, mas há. E o pior é levar com a xaropada da "Máscara do Ranger" pelo menos quatro vezes em menos de meio ano, e duas delas para aí num mês, como se tivesse sido receitada pelo médico. Por favor, alguém que pare com isto! Isto é crime, é violência psicológica contra idosos!
quarta-feira, 4 de março de 2020
Momento de Justiça
terça-feira, 27 de março de 2018
Estou preparado para a Páscoa
E, se quiserem, mandem também "Sete Noivas para Sete Irmãos", "A Máscara do Ranger", "E Tudo o Vento Levou", "Um Violino no Telhado", "Música no Coração", "O Feiticeiro de Oz", "Citizen Kane", "O Prisioneiro de Alcatraz", "Cinema Paraíso", "As Pontes de Madison County", "A Ponte do Rio Kwai", "O Expresso de Von Ryan", "Mamma Mia!", "Os Canhões de Navarone", "Rambo", "Doze Indomáveis Patifes", "O Bom, o Mau e o Vilão" ou "A Vida de Brian". Nosso Senhor morreu e eu estou por tudo...
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
sábado, 23 de março de 2013
Com uma facada, era tiro e queda
Acho mal.
terça-feira, 3 de abril de 2012
RTP Alzheimer
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma!
O que é que eu estava a dizer? Ah!, já sei. Os programadores da RTP Memória acham que os seus provectos telespectadores sofrem todos de Alzheimer ou então são os próprios programadores que padecem deste mal. Das duas, uma! Só assim se explica que nos andem a dar, de quinze em quinze dias, o "Crime no Expresso do Oriente", com Albert Finney, ou a "Morte ao Sol", com Peter Ustinov, numa confusão de Poirots também ela pouco adequada ao público-alvo do canal. Entre estes dois, já agora, eu por acaso prefiro o David Suchet, mas isso não interessa para aqui.
O que aqui interessa é que ainda há pior do que esta perigosa overdose de Agatha Christie. Parece impossível, mas há! E o pior é levar com a xaropada da "Máscara do Ranger" pelo menos quatro vezes em menos de meio ano, e duas delas para aí num mês, como se tivesse sido receitada pelo médico. Por favor, alguém que pare com isto! Isto é crime, é violência psicológica contra idosos!
