"Há uma cabra à solta em Fajães, no concelho de Fafe, que está a deixar os nervos em franja aos habitantes locais. Com pompa, Bento Rodrigues começava assim, ontem, uma notícia no Primeiro Jornal da SIC. E lá vinha a reportagem, numa recôndita aldeola do Portugal profundo, onde uma cabra tem surgido na calada da noite, junto ao cemitério local, a fazer das suas. Foi na SIC, mas podia ter sido na TVI. Para o caso tanto faz. É o que dá esticar noticiários para fazer contraprogramação."
É assim, com não menos pompa do que Bento Rodrigues, que o jornalista Nuno Azinheira começa, hoje, a sua Crónica de TV, no Diário de Notícias.
De televisão, de jornalismo, do que é realmente notícia e do que deve ser contado aos leitores e aos telespectadores percebe o Nuno Azinheira, crítico televisivo consagrado e último director do jornal 24horas, e portanto não vou discutir com ele. Tomo apenas a liberdade de, humildemente, explicar-lhe o seguinte: não é Fajães, Nuno, é Fareja! Fareja!! Fajães foi inventado por ti, que também de certeza não sabes indicar Fafe no mapa. E por isso dizes que Fareja (Fajães, na tua versão) é uma "recôndita aldeola do Portugal profundo". Mas não é, Nuno! Fareja (Fajães, na tua versão) não é recôndita nem é uma aldeola, já passou por lá Jesus Cristo e o comboio também, e profunda é mas é a tua... ignorância.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Mais um que não conhecia a lei
Manuel Gonçalves integrou em 2009 a lista da coligação PSD/CDS à Câmara do Porto. Gonçalves é do CDS e foi eleito para vereador de Rui Rio, apesar de estar em situação de falência e de a lei eleitoral estipular que são "inelegíveis para os órgãos das
autarquias locais" os "falidos ou insolventes, salvo se reabilitados". E Gonçalves não estava reabilitado. A
lei refere ainda que quem aceitar uma candidatura sem ter "capacidade
eleitoral passiva" é punido "com prisão até um ano ou pena de multa até
120 dias" e deve perder o mandato, explicou ao jornal Público Cândido de Oliveira, especialista em Direito das Autarquias Locais.
Depois de descoberto, Manuel Gonçalves, 48 anos, licenciado em Gestão, pediu a suspensão do mandato e disse que ia ali reabilitar-se e vinha já. Ora cá está mais um que, tal como o inocentíssimo José Lello, também não conhecia a lei...
Depois de descoberto, Manuel Gonçalves, 48 anos, licenciado em Gestão, pediu a suspensão do mandato e disse que ia ali reabilitar-se e vinha já. Ora cá está mais um que, tal como o inocentíssimo José Lello, também não conhecia a lei...
Estou farto. Não abro mais a porta!
Antigamente eram os ciganos que andavam de porta em porta a vender cobertores. Lembro-me muito bem. E dizia-se que não se devia abrir porque eles traziam um líquido embebido num lenço que punham no nariz e na boca das pessoas para as desmaiar. As pessoas eram mulheres. E depois de desmaiadas (nunca percebi como é que funcionava esta parte), as pessoas entregavam tudo aos falsos vendedores, dinheiro e honra, pela frente e por trás, era só eles quererem. A porta da nossa casa, no Santo Velho e depois no Assento, estava sempre aberta. Os ciganos eram bem-vindos. Os ciganos eram também nossas visitas e havia até uma família cigana, ainda mais pobre do que nós, com a qual às vezes partilhávamos a mesa e a comida. A minha mãe era assim. E ainda é, graças a Deus.
Agora são os da Vodafone, da Zon, da Optimus, da Cabovisão, do Meo, do teo e do raio que os parta. Batem-me à porta exactamente quando eu estou na mesa ou a ir para a mesa, e eu vou abrir porque não sei se eles estão com fome e não acredito que me queiram fazer mal. Mas depois arrependo-me. Porque eu abro por educação, por respeito por quem precisa. Abro e cumprimento, digo que "estou servido", que "tenho a comida a arrefecer", desejo-lhes "bom trabalho e boa sorte", mas vejo-me à rasca para conseguir voltar a fechar a porta. Porque eles fazem de conta, insistem, voltam ao princípio, exigem saber quanto pagamos e acham que nós temos obrigação de lhes dizer.
As operadoras de telecomunicações estão a mandar-nos umas criaturas com orelhas mas sem ouvidos. Criaturas cada vez mais impreparadas e chatas, com "técnicas" de abordagem que são um verdadeiro insulto à inteligência. Não se trata de agressividade comercial, não, estamos já no campo da broeirice. A última vez foi este sábado, à hora de almoço. Era o homem da Vodafone, acompanhado por uma jovem à qual me pareceu que ele estaria a ensinar a arte. Provavelmente para impressionar a pupila, o vendedor passou por cima de todos os preliminares e entrou a matar.
- Boa tarde. Sou Fulano de Tal, da Vofadone. Que operadora tem para a televisão por cabo e telefone? -, atirou-me ele, cheio de uma autoridade que até me assustou. Olhei para o homem, medi-o de cima a baixo e respondi-lhe, mal me recompus:
- Boa tarde. Sou Hernâni Doellinger. E vai desculpar-me, mas eu não tenho que lhe dar essa informação. O senhor, para além de ser da Vodafone, também é da polícia?
A menina corou e ele disse que não. "Nesse caso, muito bom trabalho e dêem-me licença, que estou a almoçar", resolvi eu, enquanto o homem também se resolvia virando-me as costas com aquela cara de desprezo de quem pensa "palerma!", e se calhar sou, e estendendo o dedo para tocar na campainha do vizinho do lado.
Estou farto disto, senhoras e senhores vendedores de fibra da cobra. Já uma vez não abri a porta e é o que vou passar a fazer sempre. Mas se estiveram com fome, por favor digam, que aí o caso muda de figura.
Agora são os da Vodafone, da Zon, da Optimus, da Cabovisão, do Meo, do teo e do raio que os parta. Batem-me à porta exactamente quando eu estou na mesa ou a ir para a mesa, e eu vou abrir porque não sei se eles estão com fome e não acredito que me queiram fazer mal. Mas depois arrependo-me. Porque eu abro por educação, por respeito por quem precisa. Abro e cumprimento, digo que "estou servido", que "tenho a comida a arrefecer", desejo-lhes "bom trabalho e boa sorte", mas vejo-me à rasca para conseguir voltar a fechar a porta. Porque eles fazem de conta, insistem, voltam ao princípio, exigem saber quanto pagamos e acham que nós temos obrigação de lhes dizer.
As operadoras de telecomunicações estão a mandar-nos umas criaturas com orelhas mas sem ouvidos. Criaturas cada vez mais impreparadas e chatas, com "técnicas" de abordagem que são um verdadeiro insulto à inteligência. Não se trata de agressividade comercial, não, estamos já no campo da broeirice. A última vez foi este sábado, à hora de almoço. Era o homem da Vodafone, acompanhado por uma jovem à qual me pareceu que ele estaria a ensinar a arte. Provavelmente para impressionar a pupila, o vendedor passou por cima de todos os preliminares e entrou a matar.
- Boa tarde. Sou Fulano de Tal, da Vofadone. Que operadora tem para a televisão por cabo e telefone? -, atirou-me ele, cheio de uma autoridade que até me assustou. Olhei para o homem, medi-o de cima a baixo e respondi-lhe, mal me recompus:
- Boa tarde. Sou Hernâni Doellinger. E vai desculpar-me, mas eu não tenho que lhe dar essa informação. O senhor, para além de ser da Vodafone, também é da polícia?
A menina corou e ele disse que não. "Nesse caso, muito bom trabalho e dêem-me licença, que estou a almoçar", resolvi eu, enquanto o homem também se resolvia virando-me as costas com aquela cara de desprezo de quem pensa "palerma!", e se calhar sou, e estendendo o dedo para tocar na campainha do vizinho do lado.
Estou farto disto, senhoras e senhores vendedores de fibra da cobra. Já uma vez não abri a porta e é o que vou passar a fazer sempre. Mas se estiveram com fome, por favor digam, que aí o caso muda de figura.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Ó Lello, não me fodas
O deputado socialista José Lello escondeu ao Tribunal Constitucional, durante 14 anos, uma conta de 658 mil
euros. Depois de ter sido apanhado pelo jornal Correio da Manhã, Lello, que é um assumido piadista, defendeu-se dizendo que... não conhecia bem a lei e não sabia o que tinha de declarar.
José Manuel Lello Ribeiro de Almeida, 67 anos, engenheiro de formação, gestor de empresas nas horas vagas, é deputado da Nação, sem interrupções, desde 1983. Portanto, há 29 (vinte e nove) anos. Foi ou é, isso para o caso agora não interessa, ministro da Juventude e Desporto, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, vice-presidente da Assembleia do Atlântico Norte, vice-presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, secretário nacional do PS, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, membro das comissões Política e Nacional do PS, membro da Assembleia Municipal do Porto, administrador da Philips Portuguesa SA e da Cobetar SA, entre outras empresas, e presidente do Conselho Fiscal da Nacional Gás SA, mas não só.
Esta longeva, multifacetada e distinta carreira de homem de Estado e legislador (sim, legislador, não é anedota, é assim que eles lá na Assembleia se chamam uns aos outros, isso e "ó doutor") só podia redundar numa bem fornecida e justificada lista de condecorações e louvores, nacionais e internacionais, como passo a enumerar: Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (Portugal), Grã Cruz da Ordem de Honra (Grécia), Grã Cruz da Ordem do Rio Branco (Brasil), Grã Cruz do Cruzeiro do Sul (Brasil), Grã Cruz da Ordem de Leopoldo II (Bélgica), Grã Cruz da Ordem de Mérito (R.F.A.), Grã Cruz da Ordem do Mérito Civil (Espanha), Grande Colar da Ordem do Libertador (Venezuela), Aguilla Azteca - Grau Banda (México), Grande Colar da Ordem Wissan Alavita e Oficial da Ordem Wissan Alavita (Marrocos), Grande Oficial do Mérito (França), Grande Oficial da Ordem do Mérito (Luxemburgo). E tudo isto leva o nosso José Lello ao peito inchado, para além da carteira.
Só digo o seguinte: se um cavalheiro com esta folha de serviço e este reconhecimento a nível praticamente mundial tem a distinta lata de nos vir dizer que não declarou ao Tribunal Constitucional uma conta milionária porque não conhecia a lei, como é que alguém em Portugal pode ser condenado ou sequer criticado por se baldar ao Fisco?
E mais o seguinte: ó Lello, não me fodas.
José Manuel Lello Ribeiro de Almeida, 67 anos, engenheiro de formação, gestor de empresas nas horas vagas, é deputado da Nação, sem interrupções, desde 1983. Portanto, há 29 (vinte e nove) anos. Foi ou é, isso para o caso agora não interessa, ministro da Juventude e Desporto, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, vice-presidente da Assembleia do Atlântico Norte, vice-presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, secretário nacional do PS, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, membro das comissões Política e Nacional do PS, membro da Assembleia Municipal do Porto, administrador da Philips Portuguesa SA e da Cobetar SA, entre outras empresas, e presidente do Conselho Fiscal da Nacional Gás SA, mas não só.
Esta longeva, multifacetada e distinta carreira de homem de Estado e legislador (sim, legislador, não é anedota, é assim que eles lá na Assembleia se chamam uns aos outros, isso e "ó doutor") só podia redundar numa bem fornecida e justificada lista de condecorações e louvores, nacionais e internacionais, como passo a enumerar: Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (Portugal), Grã Cruz da Ordem de Honra (Grécia), Grã Cruz da Ordem do Rio Branco (Brasil), Grã Cruz do Cruzeiro do Sul (Brasil), Grã Cruz da Ordem de Leopoldo II (Bélgica), Grã Cruz da Ordem de Mérito (R.F.A.), Grã Cruz da Ordem do Mérito Civil (Espanha), Grande Colar da Ordem do Libertador (Venezuela), Aguilla Azteca - Grau Banda (México), Grande Colar da Ordem Wissan Alavita e Oficial da Ordem Wissan Alavita (Marrocos), Grande Oficial do Mérito (França), Grande Oficial da Ordem do Mérito (Luxemburgo). E tudo isto leva o nosso José Lello ao peito inchado, para além da carteira.
Só digo o seguinte: se um cavalheiro com esta folha de serviço e este reconhecimento a nível praticamente mundial tem a distinta lata de nos vir dizer que não declarou ao Tribunal Constitucional uma conta milionária porque não conhecia a lei, como é que alguém em Portugal pode ser condenado ou sequer criticado por se baldar ao Fisco?
E mais o seguinte: ó Lello, não me fodas.
domingo, 29 de janeiro de 2012
"Os cavaquistas"
Então ele ainda há cavaquistas? Os cavaquistas não se esgotaram quando, em 2006, Cavaco Silva foi eleito pela primeira vez para "Presidente de todos os portugueses"? Ou "os cavaquistas" são apenas um alter ego que serve a Cavaco para manobrar e mandar dizer aquilo em que, como chefe de Estado, não mexe e cala? Seja como for, "os cavaquistas" estão pelos cabelos com o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e parece que até já exigem a sua saída do Governo.
"Os cavaquistas" vêem Gaspar como "um ultraliberal" que está a "dar cabo" do modelo social e económico construído após o 25 de Abril e no qual, frisam, os três governos de Cavaco (1985-1995) tiveram um papel crucial. "Os cavaquistas" acham errado que as medidas de austeridade que são impostas pela crise da dívida pública sejam concretizadas com um enquadramento que vai conduzir, acreditam, à destruição da classe média e, consequentemente, do tecido económico português, que assenta em pequenas e médias empresas, que vivem do consumo.
Eu não sou cavaquista, tarrenego!, mas também já tinha dado fé. E denunciei-o aqui. Por isso, não posso estar mais de acordo, olho da rua para Vítor Gaspar! E olho da rua para "os cavaquistas", a ver se esta retrete começa a feder menos.
"Os cavaquistas" vêem Gaspar como "um ultraliberal" que está a "dar cabo" do modelo social e económico construído após o 25 de Abril e no qual, frisam, os três governos de Cavaco (1985-1995) tiveram um papel crucial. "Os cavaquistas" acham errado que as medidas de austeridade que são impostas pela crise da dívida pública sejam concretizadas com um enquadramento que vai conduzir, acreditam, à destruição da classe média e, consequentemente, do tecido económico português, que assenta em pequenas e médias empresas, que vivem do consumo.
Eu não sou cavaquista, tarrenego!, mas também já tinha dado fé. E denunciei-o aqui. Por isso, não posso estar mais de acordo, olho da rua para Vítor Gaspar! E olho da rua para "os cavaquistas", a ver se esta retrete começa a feder menos.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Secreta era a tua tia!
Os nossos serviços secretos são uma piada. Uma piada mal contada. São "secretos" mas sabe-se tudo. Quase tudo...
Umbiguíssimos
Bem encaminhado que está o lançamento planetário do tricô nacional, tenho mais uma para sugerir ao Álvaro da Economia e dos pastéis de nata. E esta é mesmo de génio, não desfazendo: cotonetes! Cotonetes made in Portugal, feitos com palitos usados mas muito bem lavados em duas ou três águas (como sempre, convém que uma delas seja das Pedras) e finalmente aconchegados nas respectivas extremidades com fiapos da lã sobrante dos camisolões, coturnos e cachecóis que vamos franchisar e internacionalizar (para Angola, sobretudo e em força).
Se os restos da lã não chegarem, e pode acontecer, tenho tudo previsto. Recorreremos, nesse caso, a uma matéria-prima alternativa, mas igualmente reciclada, sem custos acrescidos e à unha de semear - o cotão do umbigo. E só lhes digo: há por aí uns umbigos que são umas minas! Aquilo a que os especialistas chamam umbiguíssimos, tipo Cavaco Silva, José Sócrates, Eduardo Catroga, Jorge Jesus, Alberto João Jardim, Miguel Relvas, José Mourinho, Braga de Macedo, Fernando Nobre, Pedro Boucherie Mendes e outros tantos de que agora não me lembro, e que vão dar pano para mangas.
Quanto aos cotonetes propriamente ditos, eles serão, para além de factor de lucro imediato e directo para o País e Madeira, uma alavanca fundamental para uma outra indústria que lhe ficará a jusante e que é, naturalmente, o negócio das velas de cera.
Se os restos da lã não chegarem, e pode acontecer, tenho tudo previsto. Recorreremos, nesse caso, a uma matéria-prima alternativa, mas igualmente reciclada, sem custos acrescidos e à unha de semear - o cotão do umbigo. E só lhes digo: há por aí uns umbigos que são umas minas! Aquilo a que os especialistas chamam umbiguíssimos, tipo Cavaco Silva, José Sócrates, Eduardo Catroga, Jorge Jesus, Alberto João Jardim, Miguel Relvas, José Mourinho, Braga de Macedo, Fernando Nobre, Pedro Boucherie Mendes e outros tantos de que agora não me lembro, e que vão dar pano para mangas.
Quanto aos cotonetes propriamente ditos, eles serão, para além de factor de lucro imediato e directo para o País e Madeira, uma alavanca fundamental para uma outra indústria que lhe ficará a jusante e que é, naturalmente, o negócio das velas de cera.
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