A selecção perdeu no reino da Dinamarca e eu comi um Feast Chocolate. Trinquei a língua mais uma vez ao jantar, e esta é uma desculpa como outra qualquer para um não praticante comer um gelado. Eu, sou sincero, prefiro o pequenino Magnum After Dinner - não dá tanto nas vistas, é menos doce, lembra-me o Clint Eastwood e, tal como o nome também indica, é recomendado para a merda que vou ter amanhã de manhã na boca: a afta propriamente dita -, mas já não havia no frigorífico.
Repararam: eu disse selecção nacional. Não disse Portugal. Portugal é outra coisa. Coisa séria. Portugal é o buraco da Madeira, é o buraco em que estamos todos metidos. Portugal é o desemprego e a
troika, o Sócrates e o Passos Coelho, o Cavaco e a Angela Merkel. Portugal é Saramago e Lobo Antunes, Camilo e os camelos. Portugal é Gentil Martins e Corino de Andrade, José Castelo Branco e pouca vergonha. Portugal é nojo e desesperança. É Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira e Vasco da Gama. Portugal é Eça de Queirós. É orgulho e ilusão. Portugal é o que fomos. Portugal é o que somos. Portugal é o futuro sem futuro.
Portugal são os 129 militares portugueses que estão no Afeganistão. Aí é Portugal. Os onze rapazes muito bem pagos e em calções que ontem jogaram no reino da Dinamarca são a equipa da Federação Portuguesa de Futebol ou, deixem-me ser bonzinho, a selecção nacional. Não por terem perdido, quero lá saber!, mas porque é o que são. Não mais do que isso. E não são Portugal.
Acerca do jogo de ontem, digo-vos o seguinte: não fiquei cliente do Feast Chocolate. Continuo a preferir o Magnum. Faz-me ganhar o dia.