| Foto Hernâni Von Doellinger |
Os vândalos voltaram a atacar a Anémona da Olá, também conhecida por Anémona de Matosinhos. Não sei há quantos dias foi perpetrado mais este ignominioso atentado de lesa-património, certamente pela calada da noite, mas só na manhã de ontem é que eu dei por ele. Desta vez, roubaram a peça fundamental do conjunto escultural concebido pela norte-americana Janet Echelman. Exactamente: os selvagens levaram o imenso lençol de plástico com o reclame dos gelados Olá que cobria quase metade do relvado da rotunda da Praça da Cidade São Salvador, sob a gigantesca "rede de pesca". E, sem o reclame dos gelados Olá, a parte restante do monumento ficou completamente esvaziada de conteúdo. É imperdoável. É uma vergonha.
E agora como é que os turistas que diariamente se acotovelam no andar descapotável do Yellow Bus, lutando pelo melhor ângulo para fotografar o mundialmente famoso Olá's Monument, com as bocas cheias de wonderful! e fantastic!,
sabem que aquela é mesmo a Anémona da Olá? Como é que eles vão alcançar
os intrínsecos significados e subsignificados de uma obra de arte
manifestamente amputada do seu elemento basilar e essencial? E o que vão
pensar eles da incúria de uma terra que assim deixa profanar, sem
castigo e sem restauro, um dos seus mais sagrados ex-líbris? E digo ex-líbris com grande mágoa, mas a verdade é que, da forma que aquilo está, já não é líbris nenhum.
A
autarquia matosinhense tem de fazer alguma coisa. E, das duas, uma: ou
providencia e coloca imediatamente uma segunda-via do reclame dos gelados, se
possível ainda maior do que o anterior, e fica o assunto resolvido, ou
então o executivo camarário passa a reunir em permanência debaixo da
rede do monumento, certificando a autenticidade do mesmo e explicando
aos passantes, nacionais e estrangeiros, o porquê da Anémona da Olá.(Mais em Olá, cá está ele!)