| Foto Hernâni Von Doellinger |
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quinta-feira, 11 de julho de 2024
terça-feira, 21 de maio de 2024
segunda-feira, 20 de maio de 2024
O mar começa em Fafe
Os oceanos são cinco, tirando o Oceano do Sporting, que não conta para o totobola, e a Barragem de Queimadela, omissa no rol por manifesta velhacaria. Portanto, são exactamente cinco os oceanos: Atlântico, Pacífico, Índico, Glacial Árctico e Glacial Antárctico ou Austral. São cinco e abriram um restaurante logo ao virar da esquina e com garagem "Reservada a clientes", ao lado da minha porta, em Matosinhos. O restaurante chama-se muito apropriadamente Restaurante 5 Oceanos e, não sendo grande coisa, é mais ou menos famoso. Que se segue: hoje é Dia Europeu do Mar e, em Portugal, é também Dia da Marinha, que este ano ancorou as celebrações oficiais outra vez cá em cima como quem diz, em Aveiro mais propriamente. Eu, se mandasse, marcava já para Fafe o Dia da Marinha do próximo ano, encaixado entre as Feiras Francas e a Senhora de Antime e aproveitando a embalagem do rali. E era justo. Porque, para quem não sabe, o mar começa em Fafe, pelo menos um bocadinho...
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domingo, 19 de maio de 2024
sexta-feira, 17 de maio de 2024
quarta-feira, 15 de maio de 2024
terça-feira, 14 de maio de 2024
quarta-feira, 8 de maio de 2024
sábado, 21 de maio de 2022
No tempo dos ralis
Havia o Carpinteiro Albino. E havia o Albino Carpinteiro. Carpinteiro Albino era de Elvas, corria em automóveis e ganhou o primeiro Rali de Portugal, em 1967. Albino Carpinteiro era nosso, de Fafe e do Fafe, artista de mão cheia e faz-tudo municipal.
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sábado, 19 de maio de 2018
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Rali é em Fafe (saiba como, onde e quando)
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| Foto CÂMARA DE FAFE |
O Rally de Portugal salta hoje para a estrada, em Paredes, mas o grande dia está guardado para Fafe, no próximo domingo. Espectáculo e emoção para (vi)ver na catedral, na meca, na praça de são pedro dos ralis. Exactamente no último dia da prova, o dia de todas as decisões, o dia inteiro. Locais, horários, recomendações de segurança, condicionamentos de trânsito e mais informação, aqui.
sábado, 26 de agosto de 2017
Bolinhos de bacalhau no Tarrenego! 7
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Fredinho Bastos
Eu ia ver o Rali com o Fredinho Bastos. O Rali assim com merecida maiúscula inicial era um acontecimento emocionante pelo qual esperávamos ansiosamente durante um ano inteiro e que se dividia em três partes, como jogo e meio de futebol: a viagem até à Lagoa, sempre em modo de rali a partir de Medelo, a passagem do rali propriamente dito, que para nós os dois acabava logo após o sétimo ou oitavo carro, e a merenda que se seguia, nem que chovessem canivetes, pelo menos se os canivetes chovessem fechados. Eu, por mim, ficava ali a ver o resto dos concorrentes até ao fim, mas o Fredinho fazia questão de me ensinar a relatividade das coisas e a prioridade de umas sobre outras. "O rali já acabou, isto agora não é nada. Vamos mas é comer", dizia todos os anos, sem querer saber sequer a minha opinião. E lá íamos atacar o farnel, preparado com todo o carinho pela sua mulher - uma Senhora a quem devo muito mais do que apenas bolinhos de bacalhau e panados, aliás de categoria.
Eram outros tempos. Fazíamos o caminho de regresso até ao carro pela estrada do troço de competição, encostando à berma quando se aproximava o roncar de mais um motor, mas (o Fredinho tinha razão) aquilo era só bazófia, muito roncar e pouco motor. Dava tempo para tudo. Até para cumprimentar pilotos e penduras da segunda metade da tabela, que estavam no largo do famoso Santuário de Nossa Senhora das Neves ainda à espera da ordem de saída. O Fredinho conhecia aquela malta toda. Ele, Alfredo Bastos, também tinha sido corredor de ralis.
(Fafe, já aqui contei, era uma terra de partidos, de rivalidades tolas, de antagonismos pascácios. Era uma mania, como uma doença, uns por uns e outros por outros. Havia que ateimar por alguma coisa. Tínhamos os dois grupos de futebol - o Sporting Clube de Fafe e o Futebol Clube de Fafe -, que já não são do meu tempo, tínhamos e temos as duas bandas de música - Revelhe e Golães - e respectivos bandos de apaixonantes, tínhamos a Escola Industrial contra o Colégio, tínhamos o PS de Fafe pim e o PS de Fafe pam e o PS de Fafe pum, tínhamos a Rua de Baixo e a Ponte de Ranha, que de vez em quando também faziam faísca e, noblesse oblige, andavam à coiada, até tínhamos o Foto Victor e o Foto Jóia e as suas clientelas rivais, portanto a coisa mais natural do mundo era que a população fafense também se dividisse entre os dois fângios locais, o Fredinho e o Tangerina, embora só o Fredinho tenha feito carreira oficial, primeiro com o NSU creio que TTS e depois com o famoso Vauxhall Viva GT, marcando habitualmente presença em ralis, rampas e não me lembro se na velocidade de Vila do Conde. Para além disso, dava também uma mão como motorista dos Bombeiros, e aí, meus amigos, de sirene ligada, então é que era sempre a abrir. Desse tempo e dessas lides, do que eu mais gostava era do rali chamado Rali à Lampreia, pronto, já disse, achava e acho um piadão ao nome.)
Portanto o Fredinho sabia que, depois de Jean-Luc Thérier, Rafaello Pinto, Markku Alen, Hannu Mikkola (navegado por Jean Todt, o ex-chefe da Ferrari na F1 e ex-presidente da FIA), Ove Andersson, Sandro Munari, Bjorn Waldegaard, Jean Pierre Nicolas, Walter Röhrl ou Michèlle Mouton, pouco mais havia que realmente interessasse ver. As bombas já tinham passado: os Alpine Renault, os Fiat 124 Abarth, os belíssimos Lancia Stratos, os Fiat 131 Abarth, os Audi Quattro e até o Opel Ascona, que em Portugal, antes do 25 de Abril, se chamava Opel 1904 SR por causa da moral e dos bons costumes. Isto que não saia daqui, mas os que vinham a seguir a estes andavam menos em quatro rodas do que nós os dois, o Fredinho e eu, com uma perna às costas...
Nós íamos no Vauxhall verde e cinza que o Fredinho levara à Rampa da Penha, e eu fui lá a pé para ver, uns anos antes, no reinado do estupendo Chevrolet Camaro de Ernesto Neves. O icónico Vauxhall, preparado pelo próprio Fredinho e pelo avinhadíssimo Valdemar Mecânico, ou "Paredes", ainda mantinha as barras de protecção e os assentos e volante de competição. Era de uma incomodidade dolorosa, porque andávamos sempre nas horas, e de lado, mas extremamente seguro. Diziam ao Fredinho que ele conduzia muito bem. Ele respondia: "Toda a gente conduz bem até bater. Eu também."
O Rali em Fafe era a Lagoa e era um mundo. Só anos depois é que foram inventadas as outras classificativas, as que agora chamam milhares e dão nas televisões com saltos e tudo, ideia e obra original de Parcídio Summavielle, o pai, presidente da Câmara entre 1979 e 1997, uma sorte que nos aconteceu felizmente no tempo certo, e muito para além das corridas de automóveis.
P.S. - Publicado originalmente no dia 18 de Novembro de 2011.
Redenho e honestidade
Uma vez não são vezes: debrucemo-nos então sobre a problemática do redenho. O redenho que - há que admiti-lo sem tibiezas - não é ingrediente indispensável na confecção de uns rojões honestos e com outros matadores, mas no entanto, se marcar presença, confere ao prato um não sei quê que por acaso sei e que tem a ver com o seu aspecto inusitado, com o sabor rústico mas colaborante (dando-se-lhe as voltas certas) e sobretudo com o crocante da textura.
Que se segue, precisei de fazer uma rojoada para uma gente que andava aí com desejos e fui ao talho. Escolhi a carne, da febra e da barriga, o sangue e as tripas enfarinhadas. Quando pedi o fígado de porco, que na verdade até era para ajeitar uma entrada de iscas de cebolada, o talhante, sem que eu dissesse mais nada, avisa-me "Olhe que não temos redenho". E depois, olhando para um lado e para o outro, chegando-se à frente do balcão à procura do meu ouvido e da minha cumplicidade para revelar-me o quarto segredo de Fátima, diz-me, num sussurro: "Quer-se dizer, haver há, mas é congelado". E, congelado, realmente "Não é a mesma coisa", concordámos eu e ele em coro, como se estivéssemos ensaiados.
Repito: o redenho não é indispensável. Mas a gentileza e a honestidade sim. Sobretudo nestes tempos de desrespeito pelos valores e de aviltamento das pessoas, tempos portugueses de antagonismos sociais, de pobreza imposta e de azedume generalizado. Soube do redenho e senti a Terra tremer debaixo dos meus pés. Algo mexeu com o equilíbrio estabelecido do Globo. Continuo a acreditar que anda meio mundo a enganar o outro meio, mas naquele momento, à frente dos meus olhos, um homem passou para o lado bom, que eu bem vi.
As coisas não são tão simples assim, é o que estão a pensar? São, são. E Dalila...
P.S. - Publicado originalmente no dia 26 de Novembro de 2011.
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domingo, 21 de maio de 2017
Fafe e o Rali de Portugal, ou vice-versa
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| Foto TIAGO COSTA/DIREITA 3 |
(Escrevi e publiquei o que se segue no dia 8 de Abril de 2013, sob o título "Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo". Quatro anos depois, parece que é como eu dizia. O que me satisfaz sobremaneira porque, a verdade é esta, raramente tenho razão...)
Fala-se de que o Rali de Portugal vai regressar ao Norte do País, de onde nunca deveria ter saído. Fala-se. Já se falava no ano passado e nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu. Mas vamos supor que sim, que isto não é só tesão à pala do enorme êxito do WRC Fafe Rally Sprint de anteontem. Duas edições, dois sucessos retumbantes - é preciso que se note. Vamos então supor que é a sério (à séria, se lido em Lisboa).
Diz-se que pode ser já para o ano. O Rali de Portugal com centro de operações e sessão-espectáculo no Porto e disputado a doer nas míticas classificativas das zonas de Fafe e Arganil. E porquê este regresso às origens? Porque, resumindo, parece que a FIA descobriu que afinal ter espectadores também dá jeito. No ano passado, a antiga piloto Michèle Mouton esteve no show da Lameirinha, na qualidade de manager do Mundial de Ralis, e ficou varada com a moldura humana que encontrou. Este ano, o próprio Jean Todt, presidente do organismo que tutela o desporto automóvel, fez questão de vir a Fafe ver para crer. Foi recebido em apoteose pela multidão e ficou encantado e convencido - rezam as crónicas.
Visivelmente entusiasmado com a paixão do povo do Norte pelos ralis, Todt terá levado que contar - decerto umas caixas do melhor verde da região e a marmita cheia de bolinhos de bacalhau e vitela assada como não há, mas sobretudo levou esta ideia, que fez muito bem em deixar também por cá: "Fafe é um bom exemplo do que devem ser os ralis".
Pois é. Mas isso já se sabia, há que anos. E que o público dos ralis é cá em cima. De Fafe e de todo o Norte, litoral e interior, da irmã Galiza e doutros sítios da Espanha mais próxima. Então porque é que levaram o Rali de Portugal ao engano para o Algarve? E porque é que Pedro Almeida, director da prova, ainda no ano passado invocava "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para classificar como improvável o retorno ao passado que agora se anuncia? O que é que mudou? Quem é que mudou de opinião? No fundo, quem foi que tirou o rali ao povo: a FIA ou... o ACP?
Mas pronto, o bom filho a casa torna, faça-se a festa. Hoje não tenho a menor dúvida de que o Rali de Portugal regressa ao Norte por causa de Fafe. Fafe que persistiu e investiu. Cerca de 200 mil euros, só para a edição deste ano do Rally Sprint, de acordo com José Ribeiro, presidente da autarquia. Não percebo de dinheiro, não sei se é muito ou se é pouco, mas devo admitir que julgava que fosse mais. Fafe fez bem.
Consta, portanto, que o Rali de Portugal será devolvido ao povo e ao Norte já em 2014. Consta que irá ao Porto e andará por Arganil. Se for verdade, agradeçam a Fafe.
P.S.: O Fredinho há-de estar satisfeito...
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Rali é em Fafe (melhores locais e horários)
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| Foto SÍTIO DA CÂMARA DE FAFE |
O Rally de Portugal (18 a 21 de Maio) salta amanhã para a estrada, mas o grande dia está guardado para Fafe, no domingo. Espectáculo e emoção para (vi)ver na catedral, na meca, na praça de são pedro dos ralis. Exactamente no último dia da prova, o dia de todas as decisões. Locais, horários, recomendações de segurança e mais informação, aqui.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Em Fafe, obviamente!
Rally de Portugal, de 18 a 21 de Maio. Para (vi)ver na catedral, na meca, na praça de são pedro dos ralis: em Fafe, obviamente. No último dia, o dia de todas as decisões. Mais informação, aqui.
sábado, 14 de maio de 2016
segunda-feira, 25 de maio de 2015
O Rali visto pelo umbigo do município de Fafe
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| Foto MUNICÍPIO DE FAFE |
Diz que ontem estiveram "dezenas de milhares de pessoas" em Fafe para verem o Rali de Portugal. Diz que foi um espectáculo, uma emoção. Diz que foi uma coisa bonita de se ver, até na televisão. O Facebook da autarquia também lá esteve, e dá-nos agora a frio, em ponderadas fotografias, uma reportagem completa dos acontecimentos, colocando as coisas nos seus devidos lugares: meia dúzia de gatos pingados, uma bandeira da Finlândia, um carro que não sabe voar e, claro, o principal da festa, o que verdadeiramente interessa: o presidente e o vice-presidente da Câmara, Raul Cunha e Pompeu Martins, respectivamente e da esquerda para a direita, que têm uma descontracção natural para estas coisas que a mim, que sou um complexado irremediável, até me mete raiva. Parece-me, no entanto, que suas excelências ainda não começaram a dieta. Eu também não.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Quando é que Fafe aprende?
O Rali de Portugal regressa ao Norte em 2015, anunciou ontem oficialmente o ACP. Claro que, com Carlos Barbosa na presidência do ACP, o mais prudente é esperar por Junho de 2015 e pelo início da prova para se saber se é verdade. Em todo o caso, Matosinhos, que será apenas a garagem do rali mas não dorme em serviço, já tira partido da notícia e faz saber que prepara uma campanha de promoção internacional baseada na frase "Matosinhos - World´s Best Fish", quer-se dizer: Matosinhos, o Melhor Peixe do Mundo.
E Fafe, que verdadeiramente ganhou o rali para o Norte, Fafe que é o rali, o que é que faz? Compra feito, parece. Paga e senta-se à sombra, à espera dos carros. Talvez não queira que se saiba que vai ter rali. Ou então vai avisar somente uma semana antes, para ser surpresa.
Está tudo inventado acerca de comunicação, não há segredos. E por isso não percebo como é que o site da Câmara Municipal de Fafe consegue ser tão mau. Só se for de propósito, para nos envergonhar. Sim, eu fico envergonhado quando abro e tento ler o site da Câmara da minha terra. E a culpa é de quem manda, não de quem escreve, embora escreva mal.
Se os doutores da Câmara de Fafe tiverem um chilique de humildade e quiserem melhorar qualquer coisinha, sempre podem deitar os olhos ao site da Câmara de Matosinhos. É, por exemplo, assim que se deve fazer e faz. E repare-se que Matosinhos, à falta de melhores argumentos, até usa fotografias de Fafe para se promover. Pois é: dá Deus dentes a quem não tem nozes.
(Mais sobre Fafe e o Rali de Portugal, em O desnorte do ACP e em Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo)
E Fafe, que verdadeiramente ganhou o rali para o Norte, Fafe que é o rali, o que é que faz? Compra feito, parece. Paga e senta-se à sombra, à espera dos carros. Talvez não queira que se saiba que vai ter rali. Ou então vai avisar somente uma semana antes, para ser surpresa.
Está tudo inventado acerca de comunicação, não há segredos. E por isso não percebo como é que o site da Câmara Municipal de Fafe consegue ser tão mau. Só se for de propósito, para nos envergonhar. Sim, eu fico envergonhado quando abro e tento ler o site da Câmara da minha terra. E a culpa é de quem manda, não de quem escreve, embora escreva mal.
Se os doutores da Câmara de Fafe tiverem um chilique de humildade e quiserem melhorar qualquer coisinha, sempre podem deitar os olhos ao site da Câmara de Matosinhos. É, por exemplo, assim que se deve fazer e faz. E repare-se que Matosinhos, à falta de melhores argumentos, até usa fotografias de Fafe para se promover. Pois é: dá Deus dentes a quem não tem nozes.
(Mais sobre Fafe e o Rali de Portugal, em O desnorte do ACP e em Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo)
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domingo, 7 de julho de 2013
O desnorte do ACP
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Quando, há três meses, o regresso do Rali de Portugal ao Norte do País surgiu hipótese de repente, eu escrevi aqui sobre o assunto. Entre outras considerações, avisei que podia ser só tesão do mijo, na ressaca do monumental sucesso do WRC Fafe Rally Sprint, e que ainda estávamos muito naquela zona nevoenta e arenosa do diz-se que, fala-se que, consta que. Os políticos gostam, mas é preciso ter cuidado com os supores. Pulga atrás da orelha até faz bem, nas cuecas é que não. Portanto, recomendei: "nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu". Ver para crer.
Ora bem. Agora que o nevoeiro se desfaz devagarinho e começa a ver-se alguma coisa, o rali não está cá. Desnorteou rumo aos Algarves outra vez. Ficou a areia nos olhos, e já não é mau como recordação. E ficam os moinhos de vento, para batalhas de enganar.
Na zona de comentários ao meu texto cheio de ses, um amigo perguntou-me se eu achava "mesmo" que o rali (o rali a sério) voltava para a minha terra, Fafe. Respondi-lhe e está lá: "O que eu acho mesmo? Acho que estamos em ano de eleições autárquicas. Acho que o presidente do ACP não é pessoa de confiança. Acho que o rali está em leilão. É o que eu acho."
Foi no dia 13 de Abril de 2013. Conclusão: às vezes, muitíssimo raramentissimamente, dá-me para isto: acerto.
(Ler mais em Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo)
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segunda-feira, 8 de abril de 2013
Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo
Fala-se de que o Rali de Portugal vai regressar ao Norte do País, de onde nunca deveria ter saído. Fala-se. Já se falava no ano passado e nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu. Mas vamos supor que sim, que isto não é só tesão à pala do enorme êxito do WRC Fafe Rally Sprint de anteontem. Duas edições, dois sucessos retumbantes - é preciso que se note. Vamos então supor que é a sério (à séria, se lido em Lisboa).
Diz-se que pode ser já para o ano. O Rali de Portugal com centro de operações e sessão-espectáculo no Porto e disputado a doer nas míticas classificativas das zonas de Fafe e Arganil. E porquê este regresso às origens? Porque, resumindo, parece que a FIA descobriu que afinal ter espectadores também dá jeito. No ano passado, a antiga piloto Michèle Mouton esteve no show da Lameirinha, na qualidade de manager do Mundial de Ralis, e ficou varada com a moldura humana que encontrou. Este ano, o próprio Jean Todt, presidente do organismo que tutela o desporto automóvel, fez questão de vir a Fafe ver para crer. Foi recebido em apoteose pela multidão e ficou encantado e convencido - rezam as crónicas.
Visivelmente entusiasmado com a paixão do povo do Norte pelos ralis, Todt terá levado que contar - decerto umas caixas do melhor verde da região e a marmita cheia de bolinhos de bacalhau e vitela assada como não há, mas sobretudo levou esta ideia, que fez muito bem em deixar também por cá: "Fafe é um bom exemplo do que devem ser os ralis".
Pois é. Mas isso já se sabia, há que anos. E que o público dos ralis é cá em cima. De Fafe e de todo o Norte, litoral e interior, da irmã Galiza e doutros sítios da Espanha mais próxima. Então porque é que levaram o Rali de Portugal ao engano para o Algarve? E porque é que Pedro Almeida, director da prova, ainda no ano passado invocava "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para classificar como improvável o retorno ao passado que agora se anuncia? O que é que mudou? Quem é que mudou de opinião? No fundo, quem foi que tirou o rali ao povo: a FIA ou... o ACP?
Mas pronto, o bom filho a casa torna, faça-se a festa. Hoje não tenho a menor dúvida de que o Rali de Portugal regressa ao Norte por causa de Fafe. Fafe que persistiu e investiu. Cerca de 200 mil euros, só para a edição deste ano do Rally Sprint, de acordo com José Ribeiro, presidente da autarquia. Não percebo de dinheiro, não sei se é muito ou se é pouco, mas devo admitir que julgava que fosse mais. Fafe fez bem.
Consta, portanto, que o Rali de Portugal será devolvido ao povo e ao Norte já em 2014. Consta que irá ao Porto e andará por Arganil. Se for verdade, agradeçam a Fafe.
(Ler mais em O desnorte do ACP)
Diz-se que pode ser já para o ano. O Rali de Portugal com centro de operações e sessão-espectáculo no Porto e disputado a doer nas míticas classificativas das zonas de Fafe e Arganil. E porquê este regresso às origens? Porque, resumindo, parece que a FIA descobriu que afinal ter espectadores também dá jeito. No ano passado, a antiga piloto Michèle Mouton esteve no show da Lameirinha, na qualidade de manager do Mundial de Ralis, e ficou varada com a moldura humana que encontrou. Este ano, o próprio Jean Todt, presidente do organismo que tutela o desporto automóvel, fez questão de vir a Fafe ver para crer. Foi recebido em apoteose pela multidão e ficou encantado e convencido - rezam as crónicas.
Visivelmente entusiasmado com a paixão do povo do Norte pelos ralis, Todt terá levado que contar - decerto umas caixas do melhor verde da região e a marmita cheia de bolinhos de bacalhau e vitela assada como não há, mas sobretudo levou esta ideia, que fez muito bem em deixar também por cá: "Fafe é um bom exemplo do que devem ser os ralis".
Pois é. Mas isso já se sabia, há que anos. E que o público dos ralis é cá em cima. De Fafe e de todo o Norte, litoral e interior, da irmã Galiza e doutros sítios da Espanha mais próxima. Então porque é que levaram o Rali de Portugal ao engano para o Algarve? E porque é que Pedro Almeida, director da prova, ainda no ano passado invocava "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para classificar como improvável o retorno ao passado que agora se anuncia? O que é que mudou? Quem é que mudou de opinião? No fundo, quem foi que tirou o rali ao povo: a FIA ou... o ACP?
Mas pronto, o bom filho a casa torna, faça-se a festa. Hoje não tenho a menor dúvida de que o Rali de Portugal regressa ao Norte por causa de Fafe. Fafe que persistiu e investiu. Cerca de 200 mil euros, só para a edição deste ano do Rally Sprint, de acordo com José Ribeiro, presidente da autarquia. Não percebo de dinheiro, não sei se é muito ou se é pouco, mas devo admitir que julgava que fosse mais. Fafe fez bem.
Consta, portanto, que o Rali de Portugal será devolvido ao povo e ao Norte já em 2014. Consta que irá ao Porto e andará por Arganil. Se for verdade, agradeçam a Fafe.
(Ler mais em O desnorte do ACP)
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