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segunda-feira, 20 de maio de 2024

O mar começa em Fafe

Os oceanos são cinco, tirando o Oceano do Sporting, que não conta para o totobola, e a Barragem de Queimadela, omissa no rol por manifesta velhacaria. Portanto, são exactamente cinco os oceanos: Atlântico, Pacífico, Índico, Glacial Árctico e Glacial Antárctico ou Austral. São cinco e abriram um restaurante logo ao virar da esquina e com garagem "Reservada a clientes", ao lado da minha porta, em Matosinhos. O restaurante chama-se muito apropriadamente Restaurante 5 Oceanos e, não sendo grande coisa, é mais ou menos famoso. Que se segue: hoje é Dia Europeu do Mar e, em Portugal, é também Dia da Marinha, que este ano ancorou as celebrações oficiais outra vez cá em cima como quem diz, em Aveiro mais propriamente. Eu, se mandasse, marcava já para Fafe o Dia da Marinha do próximo ano, encaixado entre as Feiras Francas e a Senhora de Antime e aproveitando a embalagem do rali. E era justo. Porque, para quem não sabe, o mar começa em Fafe, pelo menos um bocadinho...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Os tais canais

Pegou no telecomando e fez um périplo por todos os canais. Oh!, a bela Veneza, deslumbrante e líquida, sem dúvida a Aveiro italiana!...

P.S. - Robert Adler, inventor do telecomando, morreu no dia 15 de Fevereiro de 2007, aos 93 anos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ponto Norte, um novo semanário

Vem aí um novo semanário. Chama-se Ponto Norte e deverá estar nas bancas a partir do dia 21 de Março, com o preço de capa de um euro. O jornal - de acordo com o seu director, Alfredo Barbosa - "terá como base de divulgação o ensino superior, o meio empresarial, instituições públicas, público-privadas e autarquias dos concelhos do norte de Aveiro até ao Alto Minho e Trás-os-Montes". O objectivo é "ganhar novos leitores junto do meio académico".
Agrafado e a cores, o Ponto Norte terá 32 páginas e uma edição mínima prevista de 20 mil exemplares. A par da edição impressa, o semanário contará com uma edição online. O número zero do novo jornal será apresentado na próxima terça-feira, no Porto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quando os anjos caem de pé

Sejamos justos. O PSD não é só feito de malabaristas morais como o ministro Miguel Macedo e o secretário de Estado José Cesário. Tem também gente séria. É preciso cavar um bom bocado para a descobrir, é verdade, mas sempre há-de aparecer alguém. Estava a lembrar-me, por exemplo, de André Almeida. Não estão a ver quem é André Almeida? Aquele jovem deputado de Arouca que substituiu Luís Marques Mendes na Assembleia da República, entre 2007 e 2009. Não estão mesmo a ver, pois não? Pronto, o melhor é eu contar a história de André Almeida.
Cheio de ideias e boas intenções, André Almeida chegou ao Parlamento e ficou encantado com o que encontrou. O encantamento foi de tal ordem que, em Fevereiro de 2008, o promissor político arouquense surpreendeu tudo e todos ao declarar que os deputados da Nação ganhavam demais, anunciando, ainda por cima, que ia dar dez por cento do seu ordenado mensal a uma instituição de solidariedade social do seu círculo eleitoral, Aveiro. “As ajudas de custo chegam perfeitamente para o que um deputado faz, porque temos condições excelentes”, explicou André Almeida ao jornal 24horas.
Avisado pelo jornalista que o entrevistava para a perigosidade da matéria em que estava a mexer (matéria altamente inflamável e explosiva, e que ainda lhe poderia rebentar nas mãos), o jovem deputado limitou-se a encher o peito e a declarar-se "preparado para as críticas". Mas não estava. Dois dias depois, foi humilhado pelo seu próprio grupo parlamentar e obrigado a fazer um lamentável pedido de desculpas. Para a humilhação ser completa, o puxão de orelhas colectivo, que até foi privado, saiu imediatamente para os jornais.
Ficou a saber-se que o jovem André Almeida se defendeu dizendo que as suas declarações tinham sido "irreflectidas" e que pediu formalmente desculpas aos seus indignados colegas de bancada. Mas nem esta triste figura bastou ao inquisidor-mor Agostinho Branquinho, um dos falcões do velho PSD, que insistiu no enxovalho, argumentando que o pedido de desculpas não era suficiente para fazer desaparecer os danos entretanto causados. Nesse dia, André Almeida já não atendeu o telefone do 24horas.
Quanto aos "danos", foram sendo meticulosamente reparados. De oitavo na lista de candidatos do PSD por Aveiro às Legislativas de 2005, André Almeida desceu para décimo em 2009 e para décimo primeiro em 2011. Isto é: nunca mais sentou o cu na Assembleia. André virou-se então para a política local e foi líder da concelhia do PSD de Arouca até há pouco. No início do mês de Setembro anunciou que não se recandidatava ao lugar, "por razões profissionais, familiares e pessoais".

O André sabe que eu sei que as suas declarações ao 24horas, em Fevereiro de 2008, não foram "irreflectidas". Foram corajosas. E eu gostaria de pensar que, enquanto deputado, o ingénuo arouquense nunca se vergou ao sarro do PSD (que é igual ao sarro do PS), apesar da famosa sessão de pedido de desculpas em que os colegas de bancada fizeram dele gato-sapato. Gostaria de pensar que André Almeida nunca se deixou transformar no Calisto Elói que eles queriam e são.

P.S. - Mais sobre o mesmo assunto, aqui.