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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Rangel, o descompostor

Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, terá dado uma descompostura "semipública" a quatro deputados do PSD, chamando-lhes "terroristas anti-Hamas". O episódio é contado pela revista Sábado, que recorda outro momento em que o governante exprimiu "desagrado de forma enfática", em Outubro do ano passado, numa cena gaga com militares, incluindo altas patentes, na base de Figo Maduro.
O ministro dos Negócios Estrangeiros é, por antonomásia e dever de ofício, o chefe da diplomacia. E o diplomata é, por definição, um homem reservado e de fino trato, um indivíduo circunspecto, grave, cortês, cauteloso, prudente, ponderado, sensato, distinto, elegante, delicado, conciliador. "Ser diplomata é discordar sem ser discordante", sentenciou um dia Millôr Fernandes.
Posto isto, tenho de partilhar o seguinte, em defesa do ministro dos Negócios Estrangeiros: eu creio que Paulo Rangel não é descompostor por opção, malícia ou ódio, sequer por delírio de poder, agora que está no Governo. É-o por feitio, está-lhe no sangue. Em boa verdade, Rangel é um descompostor que vem de longe.
Algures pelos primeiros anos deste século, outro Paulo, Paulo Portas, veio ao Salão Árabe da Bolsa do Porto, convidado para fazer uma importante conferência sobre não sei quê. E fez. Uma conferência que objectivamente não ficou para a História, uma vez que, tirante a minha memória, não encontro na internet (desculpai-me o antiguismo) um único registo a esse respeito. Mas a coisa aconteceu, porque eu estive lá. Foi à noite. E Paulo Rangel fez questão de marcar presença e dar nas vistas.
Portas foi apresentado, lá disse o que achou que tinha a dizer, terminou, ouviram-se os aplausos da ordem, educados e bem medidos, não fosse haver malévolas interpretações, e Rangel, agasalhado entre os jornalistas, sentenciou, sem que alguém lhe tivesse perguntado: - Que fraquinho! Se fosse meu aluno, dava-lhe negativa, reprovava...
Se ficou por aí? Não! Paulo Rangel, levantou-se, pegou na imprensa e foi ter com o conferencista, dando-lhe conta do seu desconsolo e das suas mais veementes discordâncias, derivado ao que acabara de sair daquele púlpito. Paulo Portas ouviu-o distraidamente e respondeu-lhe "já estou atrasado", como quem ouve e responde a um molho de palha de aço, virou costas e foi-se embora. E é assim que eu me lembro.

sábado, 7 de outubro de 2017

Também estou fora da corrida à liderança do PSD

Luís Montenegro, Paulo Rangel e Pedro Duarte já avisaram: não são candidatos à liderança do PSD. Eu também não. E por duas razões fundamentais: não sou do PSD e não gosto do PSD. Para além disso, gosto de ciganos.

P.S., quer-se dizer, P.S.D. - Paulo Rangel é vaidoso e um bocado troca-tintas. Se lhe pedirem muito...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Santa ingenuidade

O PSD/Porto quer meter o eurodeputado Paulo Rangel na administração da Casa da Música. Consta que é uma jogada de Rui Rio para, a dois anos das eleições autárquicas, colocar Rangel na rampa de lançamento para a sua própria sucessão na Câmara Municipal, numa tentativa de esvaziamento da mais que provável candidatura do inimigo do lado de lá do rio, Luís Filipe Menezes.
Quanto ao tacho propriamente dito, o jornal i conta que o secretário de Estado Francisco José Viegas terá algumas reservas sobre a nomeação, devido à falta de ligação de Rangel à área da cultura. O Francisco é mesmo um puro! Então o que conta não é a ligação ao PSD?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Que emigrem!

1. Os jovens licenciados com menos de 25 anos são, em Portugal, os mais atingidos pela quebra das taxas de emprego registada na última década, enquanto na média europeia os mais lesados foram os que tinham qualificações mais baixas. Esta é uma das "especificidades" que Portugal apresenta no cenário actual de restrição das oportunidades de emprego, de acordo com o último relatório sobre o Estado da Educação.
Ora bem. Esta rapaziada é nova e o Governo já lhe disse onde era a porta de saída. Portanto, upa!, vamos lá levantar esses cus preguiçosos e emigrar para Angola, Moçambique ou Brasil, que é o que para já consta do catálogo. E não há que olhar para trás: a solução de Portugal está no estrangeiro.

2. Os reformados da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Portugal Telecom (PT), cujos fundos de pensões foram transferidos para o Estado em 2004 e 2010, respectivamente, ameaçam recorrer aos tribunais e ir até Bruxelas caso não recebam 14 meses de pensões, como está previsto para os reformados dos bancos privados.
"Os fundos de pensões da CGD foram enviados com 14 meses e agora só querem pagar 12. Já fizemos uma exposição ao ministro das Finanças em meados de Novembro com esta questão”, afirmou à agência Lusa João Lopes, presidente do Sindicado dos Trabalhadores do Grupo Caixa, acrescentando que ainda não obtiveram resposta. Em 2004, a transferência do fundo rendeu aos cofres do Estado 2,4 mil milhões de euros no imediato. Segundo o sindicalista, então todos os pensionistas e trabalhadores "receberam uma carta da Caixa Geral de Aposentações a assumir que receberiam integralmente os 14 meses".
Também os trabalhadores da PT, cuja transferência do fundo de pensões rendeu 2,8 mil milhões de euros para o Estado em 2010, não aceitam cortes para os reformados da ex-Marconi e da PT oriundos dos CTT e já pediram uma reunião com Vítor Gaspar. "Se o Estado não pagar, está a ficar com dinheiro que não é seu. Temos a convicção forte de que os tribunais darão razão aos trabalhadores, porque o valor transferido para o Estado incluía 14 prestações", disse Francisco Gonçalves, da Comissão de Trabalhadores da PT.
Ora bem. Antes que estes senhores passem pela vergonha de levarem com uma resposta do Governo, digo-lhes eu desde já: emigrem! Estão mal, mudem-se! Ou preferem ficar "em casa à fome e a viver da reforminha encurtada?", como certamente lhes perguntará o eurodeputado Paulo Rangel, também conhecido como o pequeno iluminado de Vila Nova de Gaia. Os reformados só dão despesa e não fazem falta a Portugal. Este país não é para velhos. Nem para novos. Nem para pessoas de meia ideia. De momento, é só para o pessoal do PSD.

Quero ir para Bruxelas

A coisa é mesmo para ser levada a sério. Depois do secretário de Estado da Juventude, depois do primeiro-ministro e depois de Miguel Relvas (o homem que realmente manda no Governo, logo a seguir a Ângelo Correia), ontem foi a vez do eurodeputado Paulo Rangel sugerir a criação de uma agência nacional para ajudar os portugueses que queiram emigrar, considerando que essa pode ser uma "segunda solução" para quem não encontra trabalho em Portugal.
"Às tantas, nós até devemos pensar, se houver essas oportunidades, em, de alguma maneira, gerirmos esse processo. Talvez fosse uma forma de controlar os danos. Era ter, no fundo, uma agência nacional que pudesse eventualmente identificar necessidades e procurar ajustar as pessoas que tivessem vontade - não é forçar ninguém a emigrar, não se trata disso - e canalizar isso", afirmou o ex-candidato a líder do PSD, à entrada para a reunião do Conselho Nacional do partido.
Está bem pensado, sim senhor! E eu quero ser ser o primeiro a inscrever-me. Tenho vontade de ir para Bruxelas, quero ser deputado europeu. Há mama para mim?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mais André Almeida, a pedido

Anda por aí uma rapaziada que pensa que não há vida para além da política e que faz da política um jogo de capelinhas, interesses inconfessados, intriguismo, umbiguismo e ciumeira. Esses pobres de espírito nunca conseguirão distinguir uma opinião honesta e independente nem que ela lhes seja cagada por uma gaivota, com toda a força, em cima da cabeça. Julgarão sempre que estão a sangrar.
A propósito do meu texto sobre o ex-deputado André Almeida (que, na verdade, era sobre outra coisa...), um leitor do Tarrenego!, que assina Luís Silva e que sinceramente não creio que pertença ao grupo de que falo no parágrafo anterior, pergunta, muito correctamente, aliás, se aquilo não era uma "encomenda". Era. Mas é claro que era. E como o caderno de encargos previa a elaboração de dois textos, cá está o segundo.
Como já expliquei ao senhor Luís Silva, não tenho o prazer de conhecer pessoalmente o André Almeida e só falei com ele uma vez, pelo telefone, não por acaso em Fevereiro de 2008. Sei tanto da vida do PSD, ou da vida de outro partido qualquer, como o senhor Luís Silva sabe da minha. Isto é: nada. Fui a Arouca uma vez e gostei. A famosa vitela é que me pareceu uma coisa como outra qualquer. A vitela de Fafe é incomparavelmente melhor. Mas decerto errei no dia, fui pelas Festas das Colheitas, em 2005. Posta assim ao léu a minha declaração de desinteresses, devo acrescentar que admiro as pessoas bem intencionadas, ingénuas ou não, vaidosas ou não. Para cínico, basto eu.
André Almeida só não vingou como deputado porque fez tudo mal. Chegou a Lisboa e avisou que queria trabalhar, disse até qualquer coisa do género "Acho que posso ser útil no Parlamento". Ora, os deputados não estão lá para trabalhar, muito menos para serem úteis. Os mais velhos decerto que ensinam isso aos mais novos, mas o jovem arouquense deve ter faltado às aulas. Depois foi a desgraça que se viu. André Almeida teve a lata de admitir que ganhava demais e levou nas orelhas, mas, mesmo desterrado para os bancos da cozinha, lá aparecia de vez em quando, provavelmente quando não estava mais ninguém no hemiciclo, a puxar por Arouca e pela sua região. Ainda por cima, tinha a mania de "prestar contas" aos eleitores com permanente informação no seu site oficial. A verdade é esta: deputados assim não interessam, dão má fama à Assembleia da República.
Afirma o senhor Luís Silva que "era habitual" André Almeida fazer encomendas de textos "sempre que ia caindo no esquecimento". Aqui fica o registo. E faz notar também que, no meu texto, "faltou dizer" que o ex-deputado "não apoiou Passos Coelho na luta contra Rangel". Não faço a mínima ideia se o André Almeida apoiou ou não apoiou o Passos Coelho e nem sei o que é que isso interessa para o caso. Mas isto sou eu, que estou por fora das intrigalhadas partidárias. E já agora: o Passos Coelho lutou mesmo contra o Rangel? Gostava de ter visto. Embora eu ache, se me permitem a sugestão, que um combate entre Rangel e Marques Mendes era mais equilibrado.

Informo a estimada clientela que tenho a produção toda tomada até ao final do ano. Novas encomendas só serão consideradas a partir do dia 2 de Janeiro de 2012.