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segunda-feira, 20 de julho de 2026

As couves da Dona Maria Margarida

Se um elefante
Aproveite o Dia Mundial do Elefante, que é em Agosto. Pegue no seu, tire-o da sala, faça-o sair de casa, leve-o a apanhar ar, a dar um passeio, a ver as montras. O dia é dele, caramba! Deixe-o entrar numa loja de porcelanas. Os elefantes adoram.

Do outro lado da minha rua havia uma daquelas pequenas lojas tipo "regional gourmet". Azeitonas em frasco, cogumelos em frasco, meles em frasco, geleias em frasco, licores em frasco, frascos em frasco, dois presuntos em fraco, azeites e vinhos em caro, prateleiras de pele e osso. Num benévolo gesto de boas-vindas, mal abriu o estabelecimento fui lá cheirar e avisar que o conceito é uma treta e que gourmet a sério é em minha casa, mesmo em frente, porque aqui a comida é muito boa, sou eu que faço, e gourmet deveria ser isso, mas não estamos abertos ao público. O gourmet - a ver se eu me sei explicar - quer-se da boca para dentro e não da boca para fora.
Estas lojinhas abrem mas não vendem, não entra quem compre. Abrem por abrir. E sobretudo fecham. Fecham muito bem. São "regionais" porém franchising, very tipical e very vazias, de produtos e clientes. O toque de "qualidade" é dado em palavras "estrangeiras", o que só abona a favor do produto made in Portugal. A loja da minha rua tinha primeiro uma menina, que passava a vida na ombreira da porta a fumar, a fumar, a fumar. E de repente hibernou. A loja. Mês e meio depois reabriu, já sem a menina mas com um rapaz. Que passava a vida na ombreira da porta a fumar, a fumar, a fumar. Nas costas, os dois presuntos pendurados numa espécie de cabide tisicavam e agradeciam - e assim se produz o genuíno fumeiro nacional.
Andou-se uma semana e a lojinha encerrou de vez: veio uma carrinha limpar as escanzeladas prateleiras, três sacos de plástico bastaram e lá se foi mais um posto de trabalho, por assim dizer, que é o que a mim me importa e o que, a sério, lamento. Fico infeliz por ter razão: o conceito era realmente uma treta. Esta gente não sabe o que é massa com bacalhau e o prato a esbordar...

Entretanto. Antes e depois da sua lastimável fase "regional gourmet", a lojinha do outro lado da minha rua foi quase tudo, por breves períodos e com fracasso garantido, isto durante mais de vinte anos. Butique de média costura, sapataria fina, loja de animais, bijuteria e outras inutilidades, escritório, despensa, garrafeira e outros souvenirs, recepção de alojamento local e até agência de viagens que nunca abriu, mas a mim cheirou-me sempre ao mesmo: lavandaria de dinheiro.

Nem de propósito, a lojinha foi depois um posto de lavagem self-service para cães. E na porta ao lado abriu um estabelecimento para venda de "cannabis legal" e outros "produtos derivados de cânhamo", como, por exemplo, "creme de avelãs para barrar". Reconheci a mudança de paradigma: eram dois negócios com irreprimíveis potencialidades. Via-lhes futuro. Principalmente ao dos cães, porque nasceu no tempo e no país certos. Um tempo e um país em que os animais são de estimação, mas as pessoas não. Já quanto à canábis, vamos lá ver: não sei se o pessoal aqui da zona não andará de momento mais interessado em algo, como é que se diz, mais pesado e ilegal, mano.
Mas o posto de lavagem self-service para cães também fechou. O espaço voltou a estar uma longa temporada em pousio e é agora uma lojinha de artigos de decoração, bem bonitos, por acaso com muito bom gosto, e ainda não sei o que vai ser a seguir.
Estas coisas passam-se à minha volta, e eu dá-me para ter saudades de Fafe e daquele tempo em que as lojas eram para toda a vida, eternas pelo menos enquanto duravam. A Chapelaria Antunes, os Armazéns Cunha, o Rates, o João Carlos da Conceição, a Loja Nova, a Loja dos Retalhos, a Singer, as Lobas, o Martins da Avenida, o Américo das Bicicletas, o Mário da Louça, a Electra, o Rabeca, as Turicas, o Peludo, o Zé da Menina, estabelecimentos paleolíticos, tradicionais, fiéis às pessoas, ainda lá estão ao dispor, fantásticos e irredutíveis, só não os vê quem não quer.

Já sabeis. Sou de Fafe e sou da terra. Mas moro em Matosinhos há muitos anos, junto ao mar, encostado à famosa zona dos restaurantes e marisqueiras, aos fogareiros de assar peixe que se acotovelam porta a porta. E pensava que não lembraria ao diabo o próprio diabo estabelecer-se aqui no meu território com uma dessas autoproclamadas hamburguerias gourmet, mas a alguém lembrou. Quando, ainda de vidros tapados, vi cá fora os letreiros, pensei: isto nem sequer vai abrir. Mas abriu, e tornei a pensar: daqui a quantos dias é que isto vai fechar? Porque a verdade é esta: não sei o que tenho, mas o gourmet não se dá à minha beira, e juro que a culpa não é minha. Evidentemente não o frequento, mas, tirando isso, mais nada.
Fui espreitando os desenvolvimentos. As única vezes que vi "clientela" lá dentro, os "clientes" eram o pessoal da casa, à mesa, comendo a sopinha. Até que um dia, talvez nem um mês decorrido, fatal como o destino e com ponto de exclamação e tudo, lá estava afixado o aviso na porta fechada: "Trespasse!"
E foi o fim.

Sinais dos tempos. E é geral. Tudo se perde, nada se transforma. A proximidade agora chama-se E.Leclerc, Intermarché, Continente, Auchan, Lidl, Aldi ou Pingo Doce, e o que mais há-de vir por aí, pelo menos enquanto couber, porque não somos menos que os outros - ou, como diz o povo, ninguém diga que está bem. Fafe, a terra da melhor vitela assada do mundo, do bolo com sardinhas fritas, da punheta de bacalhau e do anho pela Senhora de Antime, aderiu ao workshopping, ao showcasing, ao showcooking, à street fooding e evidentemente ao brunching, ao gourmeting e ao sunseting. Fafe até já tem o seu próprio McDonald's, ainda por cima num terreno que, no tempo da Dona Maria Margarida, dava umas couves que eram uma categoria. Quer-se dizer: é só prejuízo...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Como as cobras

Ele era mau como as cobras. E como as moscas tsé-tsé e como os cães e como os escorpiões e como os crocodilos e como os hipopótamos e como os elefantes e como os tigres e como os leões. Era realmente do piorio.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Cobra.)

domingo, 24 de maio de 2026

Piopardo ao saco!

Salvar, primeiro, para depois matar
Mandaram-nos proteger o garrano. E nós protegemos. Depois disseram-nos que era preciso abater o garrano. Mandaram-nos proteger o lobo. E nós protegemos. Agora dizem-nos que o lobo pode ser abatido. Mandaram-nos salvar o lince. E nós salvámos. Mas o lince, diz-se, anda a atacar galinhas. O lince que se ponha a pau...

A caça ao gambozino é uma satisfatória alternativa, por exemplo, à caça ao elefante ou, também estou em crer, à montaria ao javali. Mantém-se o lado lúdico e ecuménico, o são convívio entre caçadores e simpatizantes, o almocinho e a merenda, a sacramental troca de mentiras, mas poupa-se em matança, em perigo e em munições, dando-se uma mãozinha, por outro lado, à indústria nacional da serapilheira. Como se sabe, na caça ao gambozino os caçadores não usam armas de fogo, mas sacos e chibatas, e gritam: - Piopardo ao saco!...
É verdade, a caça ao gambozino, essa espécie amiúde cinegética também conhecida como piopardo ou vai-ver-se-estou-lá-fora. Eu sei bastante de caça ao gambozino porque sou de Fafe, e em Fafe, no meu tempo, nem se era fafense nem se era nada se não se caçasse o gambozino. Fui, aliás, um razoável caçador de gambozinos, não é para me gabar. Em Fafe, depois de se caçar muito o gambozino, assim com uma certa carreira feita, reconhecida, já se podia mandar caçar os outros. E foi o que eu fiz. E é o que eu faço.
É preciso que se note que o gambozino, ou piopardo, depois de caçado, medido, pesado, lavado, dentes incluídos, vacinado, fotografado, etiquetado e registado, era devolvido à liberdade, à natureza, com dinheiro para o táxi e direito a levar o respectivo saco de serapilheira cheio com um rico merendeiro, doces de Arões e Fornelos, vinho de Várzea Cova, galhardetes e outras lembranças municipais, até à próxima! Fafe era assim. Fafe é assim. Um povo compassivo e magnificente, mãos-largas.
Discotecas à parte, onde às vezes realmente há uns tiros, navalhadas, pancadaria de criar bicho e talvez uma morte ou outra, nada de mais natural, Fafe é uma terra pacata, livre de armas nucleares e muito amiguinha dos animais, coitadinhos. Tem concurso de beleza canina, tem chega de bois, tem corrida de cavalos a passo travado, tem largada de perdizes, tem batida à raposa, tem exposição de columbofilia, tem certamente grilos, com e sem gaiola, e até tem montaria ao javali, uma iniciativa magnificamente promovida e aparelhada pelo Município, "organização governamental", com estacionamento gratuito, almoço e tudo.
Como toda a gente sabe, javalis em Fafe são mato, tais como, para não irmos mais longe, ursos tintos e morsas desdentadas nos aprazíveis glaciares da Lameira, tubarões-berbequins nos mares da barragem de Queimadela, camarões-tigres na bacia do rio de Pardelhas e crocodilos insones no lago do Jardim do Calvário. Importante: determinado por edital camarário, todos os javalis devem apresentar-se à montaria obrigatoriamente vestindo colete reflector, não vá passarem desapercebidos aos caçadores de carregar pela boca. No caso das largadas de perdizes previamente tontas, só são admitidas à mortandade as perdizes que usem capacete e após teste do balão.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Europeu dos Parques Naturais.)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

A montanha pariu um rato

A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais... 

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Montanha.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Adopte um e leve dois

Ouça lá! Porque é que não adopta um elefante? Eles andam aí pelos cantos, coitadinhos, depois de terem sido despedidos do circo derivado ao politicamente correcto, modernidades. São desempregados, pobres, abandonados, sujos, aleijados, excluídos, maltratados, elefantes. E agora ninguém lhes pega, por causa da má publicidade: diz que incomodam muita gente. Homessa, Cavaco Silva também, e, mais, não falta quem ande com ele ao colo! Vá lá, hoje é o dia certo, adopte um elefante, ou, olhe, melhor ainda, adopte um casal de elefantes e sinta-se bem a respeito da sua excelente pessoa, é só uma questão de organizar o espaço em casa. E os elefantes ainda hão-se ser moda...

P.S. - Publicado originalmente a propósito do Dia Mundial do Elefante. Hoje é Black Friday e Dia de Não Comprar Nada.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Se um elefante...

- E tive assim tipo uma reacção pélvica, passei-me...
- Reacção quê?
- Pélvica. Tipo à flor da pele, tás a ver? Pélvica.
- Queres dizer epidérmica?
- Não, essa cena é dos elefantes. Pélvica. Diz-se pélvica. Dããããã!...

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Alergia.

domingo, 3 de março de 2024

A montanha pariu um rato

A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Gambozinos e outras aves raras

A caça ao gambozino é uma excelente e pacífica alternativa por exemplo à caça ao elefante ou à montaria ao javali. Mantém-se o lado lúdico e ecuménico, o são convívio, o almocinho e a merenda, a sacramental troca de mentirolas, mas poupa-se em perigo e em munições, dando-se uma mãozinha, por outro lado, à indústria nacional da serapilheira. Como se sabe, na caça ao gambozino os caçadores não usam armas de fogo, mas sacos e chibatas, e gritam: - Piopardo ao saco!...

É verdade, a caça ao gambozino, essa espécie amiúde cinegética também conhecida como piopardo ou vai ver se estou lá fora. Eu sei bastante de caça ao gambozino porque sou de Fafe e em Fafe, no meu tempo, nem se era fafense nem se era nada se não se caçasse o gambozino. Fui, aliás, um exímio caçador, não é para me gabar. Em Fafe, depois de se caçar muito o gambozino, assim com uma certa carreira feita, já se podia mandar caçar os outros. E foi o que eu fiz. E é o que eu faço.

É preciso que se note que o gambozino, ou piopardo, depois de caçado, medido, pesado, lavado, dentes incluídos, vacinado, fotografado, etiquetado e registado, era devolvido à liberdade, com dinheiro para o táxi e direito a levar o respectivo saco de serapilheira cheio com um rico merendeiro até à próxima. Fafe era assim. Fafe é assim. Um povo compassivo e magnificente.
Discotecas à parte, onde às vezes realmente há uns tiros e coisa e tal, nada de mais natural, Fafe é uma terra livre de armas nucleares e muito amiguinha dos animais, coitadinhos. Tem concurso de beleza canina, tem chega de bois, tem corrida de cavalos a passo travado, tem largada de perdizes, tem batida à raposa, tem exposição de columbofilia, tem grilos em gaiolas, tem gaiolas propriamente ditas e impropriamente feitas, porque é pecado, e até tem montaria ao javali.
O programa da montaria é uma coisa muito bem organizada, com particular destaque para o estacionamento gratuito, olha o luxo, e para o pequeno-almoço servido na cantina da Câmara Municipal, às nove da manhã em ponto, por causa do fotógrafo, que tem um baptizado às dez menos um quarto, e o senhor presidente tem mais que fazer e mais retratos para tirar.
Como toda a gente sabe, javalis em Fafe são mato, tais como, para não irmos mais longe, ursos tintos e morsas desdentadas nos aprazíveis glaciares da Lameira, tubarões-berbequins nos mares da barragem de Queimadela, camarões-tigres na bacia do rio de Pardelhas e crocodilos insones no lago do Jardim do Calvário. Importante: determinado por edital camarário, todos os javalis devem apresentar-se à montaria obrigatoriamente vestindo colete reflector, não vá passarem desapercebidos aos caçadores de carregar pela boca. No caso das largadas de perdizes previamente tontas, só são admitidas à matança as perdizes que usem capacete e após teste do balão.

E quem cuidava que não, pois que se desengane: Fafe também foi aos touros. No Campo da Granja, em 1963, provavelmente por ocasião das Festas da Senhora de Antime, que é o mais certo, mas também poderá ter sido por alturas das Feiras Francas, lembro-me é que era um belo dia de sol e, agora que penso nisso com mais vagar, não faço a mínima ideia de como é possível lembrar-me. Uma tourada que terá sido a primeira realizada em terras de Fafe e que, se não me engano, foi igualmente a única, até hoje, com touros propriamente ditos. O redondel não era assim tão redondo como o nome poderia indicar à partida: digamos que foi construída, com robustos troncos de madeira, uma espécie de lua cheia fanada, cortada em linha recta na zona da bancada, que era para o excelentíssimo público poder estar em cima do acontecimento. As digníssimas autoridades locais e a nossa mais distinta burguesia, orgulhosamente alapadas na bancada de cimento com tecto de zinco, quero crer que com umas discretas almofadinhas aliviando os respectivos traseiros, e o povo a pé, no meio do campo da bola, encostado às tábuas, mas seria muito pouco, meio dúzia de gatos-pingados, se tanto, e eventualmente já razoavelmente decilitrados, porque os bilhetes, mesmo os bilhetes mais baratos, eram caros como o caralho. Foram certamente ao engano e, diga-se em sua defesa, o calor era realmente muito e a situação deveras incómoda e eventualmente perigosa. Se naquele tempo já havia praças de toiros desmontáveis e alugáveis, não foi daquela vez que uma delas chegou a Fafe.
A tourada, segundo me lembro, e confesso que continuo sem perceber como é que me lembro, foi uma merda. Compreendo portanto que a autarquia fafense vire as suas modernas prioridades para outras lides. Recapitulando. Para as chegas de bois, para as largadas de perdizes, para as montarias ao javali, para as exposições e concursos de beleza canina ou columbófila, para as corridas de cavalo a passo travado e de salto alto, para as batidas à raposa, que é o que nos faz falta. Um destes dias ainda tornaremos, se Deus quiser, à nossa ancestral porém nunca desmentida caça aos gambozinos, com organização camarária, estacionamento gratuito, pequeno-almoço, almoço, merenda, jantar e tudo. Tenho uma fé muito grande nos nossos conspícuos guiadores e guiadoras, quem dera que não chova, e olé!

Por outro lado. A malta mais nova se calhar não faz ideia da revolução que é ter espectáculos à borla, como acontece hoje em dia, nomeadamente nas Festas da Cidade, e só tenho a elogiar a autarquia por isso. Antigamente, e naquele tempo a pobreza era modo de vida, regra geral, em Fafe pagava-se por tudo e por nada. Só faltava andarem os fiscais da Câmara a passar bilhete, no Largo e em Cima da Arcada, a quem fosse apanhado a olhar para o fogo-preso do Jardim do Calvário...

P.S. - Desenterro mais uma vez este textinho, hoje em sentida homenagem à faraónica vacuidade política do homem a quem chamam Luís Montenegro, líder do PSD, rei do stand-up nacional e irrefutável especialista em gambozinos e pipis.

sábado, 12 de agosto de 2023

A cara com a careta

Ele tinha uma memória de elefante. E de tromba, verdade seja dita, também não estava mal servido.

Se um elefante

Celebra-se hoje o Dia Mundial do Elefante. Pegue no seu, tire-o da sala, faça-o sair de casa, leve-o a apanhar ar, a dar um passeio, a ver as montras. O dia é dele, caramba! Deixe-o entrar numa loja de porcelanas. Os elefantes adoram.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A montanha pariu um rato

Que miséria, realmente...
A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

O bom, o mau e o sermão
"Não oponhais resistência ao mau; se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra", ensinou Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5, 39). Ora isto de querer fazer de nós bonzinhos à força parece-me um perigoso incitamento à violência. À violência do outro, do mau. Que ainda por cima vai ser mais mau e por nossa culpa, nossa tão grande culpa.

O Oliveira
O Oliveira foi chamado de urgência à gerência. Ordens: mudança de secção e de funções. Quer-se dizer: mobilidade. Deram-lhe um martelo. - Um martelo!? - protestou -, mas toda a gente sabe que eu sou o Oliveira da serra...

Quando as árvores morriam de pé
"Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores", dizia a Senhora Dona Palmira Bastos, batendo altaneira com a bengala no tablado, na beleza insubstituível do preto e branco da televisão antiga. A queridíssima Senhora Dona Palmira Bastos tinha quase noventa anos e ainda não sabia das motosserras.

O senhor do monte
Era uma alma sensível e só. Comovia-se com a natureza. Gostava de subir ao monte para ver as vistas. E ouvir as audições. E cheirar os olfactos... 

O escalador
Corria na Volta a Portugal e os expertos diziam que estávamos na presença de um grande escalador. Mas a verdade é esta: passaram-lhe para as mãos um robalo e ele nada, entregaram-lhe um rodovalho e ele nicles, deram-lhe até um chicharro e ele sem saber que volta dar-lhe. A montanha parira um rato. Ele, disse ele, afinal era mais douradinhos da Iglo... 

P.S. - Hoje, 11 de Dezembro, é Dia Internacional das Montanhas.

terça-feira, 21 de abril de 2020

A montanha pariu um rato

A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

sábado, 14 de abril de 2012

Como é que os netos não hão-de dar tiros nos pés?

O rei Juan Carlos de Espanha, 74 anos, foi submetido a uma intervenção cirúrgica, na última madrugada, em Madrid, depois de ter fracturado a anca numa queda durante um safari no Botswana. Dizem as notícias que esta é a oitava cirurgia a que o monarca espanhol é submetido desde a década de 1980, "três das quais realizadas após acidentes sofridos durante actividades desportivas". Esta mais recente actividade desportiva incluía a caça ao elefante.
Na passada segunda-feira, o neto mais velho de Juan Carlos enfiou um balázio no próprio pé, "quando fazia prática de tiro", na casa de campo da família, em Sória. Felipe Juan Froilán Marichalar, de 13 anos (falta-lhe um para a idade legal do uso de armas no país vizinho), é o filho mais velho da infanta Elena e de Jaime de Marichalar. É o quinto na linha de sucessão do trono espanhol, depois da sua mãe, mas já demonstrou que está pronto para tomar o lugar do avô.