Em Portugal tal cerimónia seria impossível. Não por falta de virgens, evidentemente. Mas não temos rei.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Em Portugal seria impossível
Em Portugal tal cerimónia seria impossível. Não por falta de virgens, evidentemente. Mas não temos rei.
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Realmente
viva o rei
dos leitões, do cachorro quente, dos queijos e dos beijos
da sardinha assada, do churrasco, do carvão, dos frangos, dos galos
de barcelos
das bolas de berlim, do vinho e da cerveja, dos presuntos, das bifanas
do caracol, das castanhas, das batatas, do pernil
do cabrito e dos cabrões
do bacalhau, da picanha, da laranja, das tripas, dos bitoques
das migas, das caldeiradas
do marisco, das carnes, do cozido, frito, assim e assado
do caldo verde, dos croissants, dos bolos e dos tolos
viva
viva o rei
dos fogões e dos balões, da louça, dos móveis, dos candeeiros
dos tapetes, das alcatifas, dos relógios, dos tecidos, das fardas
dos sapatos, das meias, das malhas, das samarras
dos guarda-chuvas, das luvas, dos chapéus e dos bonés
das gravatas, dos fatos e dos factos
dos sofás
do ioió, do sexo, dos gnomos, do
crime, dos filmes
da noite, do jet-set
da pornografia
dos pássaros e das pássaras
das cópias, das fotocópias
dos livros e dos livres
viva
viva o rei
dos óculos, das limas, das ferramentas, dos salvados, da sucata, do pneu
das tintas e dos tintos
da rádio
do fado, do gado, do rock'n'roll, do baião, do malato, do kuduro, do forró
das flores
do butão e do fecho-éclair
viva
viva o rei
de espadas
de ouros
sobre azuis
de copas
de copos
e de paus
mandados
reispectivamente
viva
viva o rei
dos cartões amarelos e de crédito
das bolas paradas e das assistências
das pole positions e dos afundanços
vivam
vivam
rei pelé, ray charles, ray liotta, rei zinho, rei naldo, rei nunido
vivam
vivam os reis
com o rei na barriga
rei morto, rei posto
viva o rei dos catalisadores
vivam os reis
sem rei nem roque
vivam o roque e a amiga
viva o rock em stock
viva, viva a rei nação
o rato roeu a rolha da garrafa do rei da rússia
vivam
vivam
o rei da selva, o rei-do-mar, o rei pescador
e o rei taxidermista, o rei da montanha
mais o rei dos ares
condicionados
vivam
vivam
o rei momo, o reigrilo
o armindo rei, o dos reis almeida
o rei tor manietador e o reisparta
vivam
vivam
o rei do universo
o cristo-rei
o rei dos reis
o bolo-rei
e os reis
belchior, baltasar e gaspar
magos
(fresquinho, no Peixoto, pela passagem de ano)
vivam o rei
maila sua ex-celsa com sorte
vivam
tchim
tchim
P.S. - Duarte Nuno de Bragança, pretendente ao trono português e pai do nosso actual Duarte Pio, nasceu no dia 23 de Setembro de 1907. No dia 23 de Setembro de 1930, curiosamente, nasceu um Ray a sério - Ray Charles.
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Carlos III, o paradoxo
Sete anos após a idade de reforma, Carlos Filipe Artur Jorge, ex-príncipe de Gales, começa finalmente a trabalhar.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Em Portugal seria impossível
sábado, 14 de abril de 2012
Como é que os netos não hão-de dar tiros nos pés?
Na passada segunda-feira, o neto mais velho de Juan Carlos enfiou um balázio no próprio pé, "quando fazia prática de tiro", na casa de campo da família, em Sória. Felipe Juan Froilán Marichalar, de 13 anos (falta-lhe um para a idade legal do uso de armas no país vizinho), é o filho mais velho da infanta Elena e de Jaime de Marichalar. É o quinto na linha de sucessão do trono espanhol, depois da sua mãe, mas já demonstrou que está pronto para tomar o lugar do avô.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O último comunicador
O professor sabe compor os "factos" como ninguém, sabe pintar a "realidade", consegue fazer com que a sua História seja sempre melhor e mais bonita do que aquilo que de facto se passou. E é cativante a contar. Vende bem. Muitas vezes não é verdade o que ele diz, mas podia ter sido, e a sua versão é sempre muito mais interessante do que a verdade ela mesma. Quase que se poderia dizer que, inadvertidamente, José Hermano Saraiva foi o inventor do moderno jornalismo português.
Ministro da Educação de Salazar, José Hermano Saraiva esteve no centro do vulcão que foi a crise académica de 1969. Figura polémica, criticado nos meios intelectuais e políticos, o professor ganhou o coração de sucessivas gerações de portugueses através dos programas que faz para a RTP. Penso, porém, que o fantasma do seu passado fascista às vezes ainda o incomoda. Num episódio onde revisitava os retratos dos vários presidentes da República, no Palácio de Belém, o professor deixou cair um curioso comentário sobre Canto e Castro, creio, que era monárquico convicto e assumido, que foi mesmo deputado no tempo da monarquia (eu percebi "ministro"), mas que ocupou depois, ainda que por pouco tempo, o cargo de chefe de Estado no novo Portugal republicano. "Fez a transição com elegância...", concluiu José Hermano Saraiva, e foi óbvio para mim que ele estava era a falar de si próprio, aproveitando para meter a ficha, como quem não quer a coisa, em mais um pouco de Omo.
Comecei por dizer que gosto de ouvir o professor na RTP Memória. Ali, onde ele é ainda um jovem de 80 anos cheio de genica. Incomoda-me ver os seus novos episódios na RTP 2. Não consigo. Não lhe deviam fazer isto. Não o deviam deixar fazer isto.
José Hermano Saraiva tem 92 anos e continua na TV. É uma boa notícia em absoluto, apesar dos meus incómodos, que para o caso são irrelevantes. Hoje como ontem, novas gerações poderiam continuar a aprender com ele, se não História a sério, pelo menos a falar bom português e a respeitar e a amar o nosso património. Mas era preciso que se percebesse o que o homem diz naqueles monólogos inenarráveis.
Já não há Vitorino Nemésio, lembram-se? E acreditem no que eu digo: isto, sim, são comunicadores. O resto são habilidosos, meros entertainers. No dia em que José Hermano Saraiva, não o de agora, sair de vez dos ecrãs, acabou o que era bom. Destes já não há mais!