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domingo, 9 de fevereiro de 2025

Ray Charles morreu?

É a minha vida. Divido-me aqui entre o computador e o fogão. Ainda há pouco, bateu-me a lembrança e larguei de repente o teclado para ir a correr lá ao outro lado da casa ver o ponto de um caldo de nabos que por acaso tinha em andamento. O rádio da cozinha estava a dar, sem mais nem menos, a esta hora, Ray Charles. Era, como sempre, a rádio nacional, oficial, a Antena 1, Ray Charles cantava "Hit the road Jack" e eu pensei "ó carago, morreu o Ray Charles, coitadinho..."
Mas não morreu, foi impressão minha. Embora me pareça que Ray Charles (1930-2004) precise de morrer todos os dias para dar na rádio. Mesmo na rádio nacional, oficial, a da necrologia e das efemérides.

(Outro dia foi tal e qual. Cheguei à cozinha e o rádio, na velha Antena 1, para o que lhe havia de dar, falava de Maria Teresa Horta nas notícias da hora de almoço. Coisa estranhíssima. E eu pensei "já fostes"...
Felizmente, também não se confirma.)

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Realmente

viva o rei
dos leitões, do cachorro quente, dos queijos e dos beijos
da sardinha assada, do churrasco, do carvão, dos frangos, dos galos
de barcelos
das bolas de berlim, do vinho e da cerveja, dos presuntos, das bifanas
do caracol, das castanhas, das batatas, do pernil
do cabrito e dos cabrões
do bacalhau, da picanha, da laranja, das tripas, dos bitoques
das migas, das caldeiradas
do marisco, das carnes, do cozido, frito, assim e assado
do caldo verde, dos croissants, dos bolos e dos tolos

viva
viva o rei
dos fogões e dos balões, da louça, dos móveis, dos candeeiros
dos tapetes, das alcatifas, dos relógios, dos tecidos, das fardas
dos sapatos, das meias, das malhas, das samarras
dos guarda-chuvas, das luvas, dos chapéus e dos bonés
das gravatas, dos fatos e dos factos
dos sofás

do ioió, do sexo, dos gnomos, do crime, dos filmes
da noite, do jet-set
da pornografia
dos pássaros e das pássaras
das cópias, das fotocópias
dos livros e dos livres 

viva
viva o rei
dos óculos, das limas, das ferramentas, dos salvados, da sucata, do pneu
das tintas e dos tintos
da rádio
do fado, do gado, do rock'n'roll, do baião, do malato, do kuduro, do forró
das flores
do butão e do fecho-éclair

viva
viva o rei
de espadas
de ouros
sobre azuis
de copas
de copos
e de paus
mandados
reispectivamente

viva
viva o rei
dos cartões amarelos e de crédito
das bolas paradas e das assistências
das pole positions e dos afundanços

vivam
vivam
rei pelé, ray charles, ray liotta, rei zinho, rei naldo, rei nunido

vivam
vivam os reis
com o rei na barriga
rei morto, rei posto

viva o rei dos catalisadores

vivam os reis dos cartuchos
dos carimbos, dos caramelos
e dos carburadores

vivam os reis
sem rei nem roque
vivam o roque e a amiga
viva o rock em stock
viva, viva a rei nação
o rato roeu a rolha da garrafa do rei da rússia

vivam
vivam
o rei da selva, o rei-do-mar, o rei pescador
e o rei taxidermista, o rei da montanha
mais o rei dos ares
condicionados

vivam
vivam
o rei momo, o reigrilo
o armindo rei, o dos reis almeida
o rei tor manietador e o reisparta

vivam
vivam
o rei do universo
o cristo-rei
o rei dos reis
o bolo-rei

e os reis
belchior, baltasar e gaspar
magos

(fresquinho, no Peixoto, pela passagem de ano)

vivam o rei
maila sua ex-celsa com sorte
vivam

tchim
tchim

P.S. - Duarte Nuno de Bragança, pretendente ao trono português e pai do nosso actual Duarte Pio, nasceu no dia 23 de Setembro de 1907. No dia 23 de Setembro de 1930, curiosamente, nasceu um Ray a sério - Ray Charles.