Vai por aí uma enorme alegria com a "derrota" dos três grandes nas eleições da Liga de Clubes. Evidentemente que sobretudo com a "derrota" do FC Porto. A "derrota" de Pinto da Costa. A "derrota" do "sistema". Lembram-se até que o presidente portista, durante o processo eleitoral, recomendou a competência de António Laranjo, o candidato vencido, e sobre Mário Figueiredo, o vencedor de ontem, disse apenas que sabia que ele é genro do presidente do Marítimo? Lembram-se, não lembram?
É. Mas Pinto da Costa sabia mais, não queria é que se soubesse o que ele sabia. Pinto da Costa sabia, por exemplo, que o portuense Mário Figueiredo, novo presidente da Liga, faz parte (vai sair agora) da sociedade de advogados de Gil Moreira dos Santos - o advogado que o defendeu, a ele, Pinto da Costa, no processo Apito Dourado - e que também integra Adelino Caldeira, administrador da SAD do FC Porto.
Pinto da Costa perdeu? Não creio. O velho sabe-a toda.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Lisboa, não tomes juízo!
Depois do chantagista-mor, a vez do chega-me-isso de serviço. Nas vésperas da mais que provável assinatura do programa de assistência financeira à Madeira, prevista para a próxima segunda-feira, um tal Gabriel Drumond, ex-deputado e dirigente do PSD regional, saiu a terreiro para ameaçar que ou Lisboa "toma juízo ou temos de ir para a independência". Drumond, que por acaso também é o presidente da FAMA, associação independentista de que Alberto João Jardim é sócio n.º 1, acusa o Governo da República de se ter tornado num "bando de malfeitores, a começar pelo primeiro-ministro e ministro das Finanças, que tem um padrinho que é o Presidente da República".
Pois faço votos para que Lisboa não tome juízo. E se Drumond e Jardim têm mesmo "de ir para a independência", que vão pela sombra.
Pois faço votos para que Lisboa não tome juízo. E se Drumond e Jardim têm mesmo "de ir para a independência", que vão pela sombra.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Jardim, o inexequível
De "calças na mão" e a necessitar de dinheiro fresco "como de pão para a boca", Alberto João Jardim ameaça não assinar o plano de assistência financeira da Madeira se, na sua douta opinião, ele for "inexequível". "O resultado disto, se não assinar agora, é uma crise política", explicou o chantagista do Funchal, advertindo que não vai "demitir-se para fazer a vontade aos senhores de Lisboa, porque já lá foi o tempo em que Lisboa escolhia o governador da Madeira".
Claro que isto é só paleio. É o agarrem-me-senão-parto-tudo do costume. A inexequibilidade, de resto, é um conceito muito relativo e dado às mais cómodas interpretações. Às vezes basta desencravar um pentelho, na catroguiana expressão, para que tudo se componha. O próprio Jardim também é democraticamente inexequível, como todos sabem e alguns têm vergonha de dizer, e no entanto está lá no poleiro desde o século passado. Quer-se dizer: é só paleio, mas tem rendido.
Havia de ter piada se desta vez, pelo menos uma vez em trinta e tal anos, os senhores de Lisboa o deixassem arriar completamente as calças e depois... agissem em conformidade.
Claro que isto é só paleio. É o agarrem-me-senão-parto-tudo do costume. A inexequibilidade, de resto, é um conceito muito relativo e dado às mais cómodas interpretações. Às vezes basta desencravar um pentelho, na catroguiana expressão, para que tudo se componha. O próprio Jardim também é democraticamente inexequível, como todos sabem e alguns têm vergonha de dizer, e no entanto está lá no poleiro desde o século passado. Quer-se dizer: é só paleio, mas tem rendido.
Havia de ter piada se desta vez, pelo menos uma vez em trinta e tal anos, os senhores de Lisboa o deixassem arriar completamente as calças e depois... agissem em conformidade.
Vertebrados e invertebrados
O vertebrado mais pequeno de sempre é uma pequena rã que não alcança os oito milímetros de comprimento e vive nas folhas caídas no chão da floresta na Nova Guiné. A novidade é dada hoje em Portugal pelo jornal Público, citando a revista Public Library of Science One. A rã, chamada Paedophryne amauensis, é mostrada em cima de uma moeda.
Já o maior invertebrado de sempre é uma espécie de político português que vive aos caídos de moedas na selva nacional. Tem o nome científico de Destesthiculadum amanuensis, mas é também conhecido como sabujo, sim-senhor, chega-me-isso, moina, lambe-botas, troca-tintas ou voz do dono. Animal ginasticado, esta espécie de político português, que pode ser encontrada também nos jornais e outras empresas, caracteriza-se por saltar facilmente de tacho em tacho, sempre para o maior.
Já o maior invertebrado de sempre é uma espécie de político português que vive aos caídos de moedas na selva nacional. Tem o nome científico de Destesthiculadum amanuensis, mas é também conhecido como sabujo, sim-senhor, chega-me-isso, moina, lambe-botas, troca-tintas ou voz do dono. Animal ginasticado, esta espécie de político português, que pode ser encontrada também nos jornais e outras empresas, caracteriza-se por saltar facilmente de tacho em tacho, sempre para o maior.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Lunáticos
Ora bem: eu não sei em que país é que esta gente vive, não sei onde é que esta gente tem a cabeça. Em Portugal é que não é, de certeza. Primeiro aparece-me o Soares dos Santos (SS) com a lengalenga de que andámos anos e anos a viver "acima das nossas possibilidades" e agora só estamos a pagar o patau. Mas de quem fala SS? Da sua família rica? Do seu círculo de amigos ricos? Ou dos pobres trabalhadores do Pingo Doce, aos quais impõe condições de escravos e salários de miséria? Quem é que pôs o País a viver "acima das suas possibilidades"? Fui eu? Foram os operários dos Estaleiros de Viana do Castelo? Mas é mesmo do Portugal onde eu vivo que SS fala?
Agora vem a Manuela Ferreira Leite, que, verdade seja dita, não costuma ter muita sorte cada vez que abre a boca. E voltou a entrar mosca. Portugal tem 800 mil desempregados e mais de dois milhões de pobres, abaixo e acima dos 70 anos. E até 2013 vão desaparecer mais de 116 mil empregos e o rendimento real das famílias vai cair mais de dez por cento. Este é o país real, que MFL desconhece de todo. Este é o país das pessoas, das ruas, dos autocarros e do metro, que MFL obviamente não frequenta. É o país da sopa dos pobres, dos sem-abrigo, dos sem-saúde, dos sem-futuro, que MFL comodamente ignora.
De uma ex-conselheira de Estado, ex-ministra e ex-líder da oposição, eu esperava que ela tivesse rasgo e indicasse o caminho para que, apesar da situação do País e da Europa, Portugal - este Portugal desempregado, pobre e doente - pudesse continuar a ter, pelo menos, um serviço nacional de saúde universal e tendencialmente gratuito. Mas não. A sentença de Manuela Ferreira Leite está dada: hemodiálise para quem tem dinheiro, a morte para quem não tem.
Os felizes contemplados
Eu já disse: acho bem. Tivesse eu por onde, estivesse eu na mama da Assunção Cristas (é uma força de expressão), e fazia o mesmo, dava o melhor aos meus amigos. De resto, este Governo só se enganou quando prometeu, antes de ser Governo e para ser Governo, que nunca iria fazer isto, dar tachos à sua rapaziada. Porque, desde que se fez Governo e começou a distribuir os envelopes pela família, tem sido de uma coerência inatacável. Só nos últimos dias, foram os da luz, agora os da água, e estou mortinho por ver quem é que eles vão meter nos esgotos.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Temos de ser uns para os outros
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