quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Atchim!

Um estudo citado pelo jornal Público revela que 28 por cento das mulheres portuguesas ainda acreditam que a sida se transmite pela saliva, suor e espirros. Santinhas!...

Isaltino forever

Isaltino Morais viu ontem ser-lhe recusado mais um requerimento. Não faz mal. Os seus advogados têm mais 13.987 recursos e requerimentos para apresentar.

Urgente sim, mas devagar

Fez ontem oito dias que o procurador-geral da República ordenou a abertura de um "inquérito urgente" para apurar responsabilidades na fuga de informação no caso das detenções de Duarte Lima e do filho, Pedro Lima. E já tinham passado cinco dias sobre a ocorrência dos factos. Alguém me sabe dizer em que pé é que está a "urgência" de Pinto Monteiro?

(Ler mais em Na passagem do primeiro meio aniversário)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Bruxedos à moda do Porto

Esta é a sério. Durante uma semana, um alguidar contendo um enorme galo sem cabeça e outras miudezas feiticeiras esteve em exposição no passeio junto ao portão de um dos cemitérios da cidade do Porto. O bruxedo apareceu ali da noite para o dia, toda a gente se queixou, toda a gente se desviou e ninguém teve coragem de mexer na coisa, de a mandar para o lixo. Nem o padre da igreja ao lado nem os coveiros. Trabalhar com almas e mortos está bem, desafiar maus-olhados é que não.
Passou-se um, passaram-se dois, três, quatro, cinco dias, e o galo ali, possivelmente já com o serviço feito e portanto sem mais poderes, mas nem assim alguém ousou tocar-lhe. O pessoal da Junta de Freguesia foi unânime, cada um passava a encomenda para o que vinha atrás, "Eu não, bruxedos não", até que a vizinhança viva reclamou (ciciando padres-nossos e ave-marias, de terço na mão e muitos sinais da cruz) que já não aguentava com o fedor.
Ora, o fedor, como toda a gente sabe, é problemática que sobe à alçada camarária. Em conformidade, foram requisitados os serviços de limpeza da cidade, que chegaram ao local e resolveram o assunto em três penadas. Isto é: "Eu também não, bruxedos não"...
Perante o impasse, alguém tirou a mola de roupa do nariz e alvitrou que se chamassem os Comandos, um pediu a presença da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP e outra ainda sugeriu que se mandasse vir o Bruxo de Fafe para fazer marcha-atrás à coisa, tornando seguro o seu manuseamento. Mas a Junta não dispunha de verba orçamentada para pagar a especialistas.
Foi quando um dos da Câmara se lembrou que o Canil Municipal tem um camião com um gancho, uma espécie de braço mandado que podia solucionar mecanicamente, com os homens de longe e sem risco de agoiros, aquele problema bicudo. E ao sexto dia o todo-poderoso veículo veio e levou a coisa, para sossego enfim de todos os moradores, vivos e mortos, amém.
Esta história antiga foi na semana passada.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

As tascas do Porto

A terceira edição do livro "As Tascas do Porto / Estórias e Memórias Servidas à Mesa da Cidade", com textos de Raul Simões Pinto e fotografias de Gabriela Felício, é lançada na próxima sexta-feira, dia 2 de Dezembro, pelas 18 horas, no restaurante Pedro dos Frangos, da Rua do Bonjardim, Porto. A obra, com chancela das Edições Afrontamento, será apresentada pelo jornalista Manuel Vitorino, que também assina o prefácio.

O mito da esquerda caviar

A esquerda caviar não existe. Em Portugal, não! Quando se fala do Bloco de Esquerda como uma rapaziada bem nascida que se meteu na merda da política mas que, paradoxalmente na esteira de um Cavaco Silva ou de um Fernando Nobre que ainda estava para ser inventado, consegue andar sobre ela, a merda, sem sequer borrar a sola dos sapatos, há aí um certo exagero. Os sapatos são de marca, o que até poderia explicar o milagre, mas não, não houve milagre nenhum! Porque esta malta é ateia, não acredita em milagres e o pólo também é de marca e está sempre cheio de caspa. Portanto...
Os bloquistas são apenas diletantes. Não se dão ao trabalho.
O Bloco, que só existe porque dá na televisão, de resto não suja as mãos em assuntos de governo a não ser para não ser nada, tem os dias contados. O caviar de supermercado é uma treta, a rapaziada do BE sabe disso melhor do que ninguém e não está para aturar esta pinderiquice por muito mais tempo. Até os croquetes são ultracongelados, o que também veio apressar o declínio da nossa esquerda gaiteira. Os cabeçudos da coisa começaram a comer-se uns aos outros e agora é cada um por si. O Bloco é de supermercado. O Bloco é uma treta. O último a sair é burro.

Fernando Rosas, um dos inventores do Bloco de Esquerda, antigo candidato à presidência da República, ex-deputado, historiador e gordo, invadiu ontem, ao almoço, um dos meus sítios. O meu sítio! Levaram-no lá, a ele e à mulher, ao santuário da velha e boa comida portuguesa que eu nem às paredes confesso. Não lhe deram caviar nem croquetes, que era o que ele merecia, mas apresentaram-lhe as melhores pataniscas de bacalhau do mundo e uma truta de conserva com broa frita que devia estar guardada só para mim. Foi o princípio da conversa. Depois passearam-no pelos mais emblemáticos pratos da casa, que eu me recuso a identificar por uma questão de segurança de Estado.
A invasão estava a meter-me nervos e por isso vim-me embora. O Rosas ficou na maior quando eu saí. O meu medo agora é que ele, com o desgosto do caviar, se converta à esquerda da patanisca e do verde branco. Sinceramente, não sei se deixo.

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado do encabanço

Com o galo que andamos, o país Lisboa é bem capaz de acordar esta manhã de papo cheio de património. Imaterial, porque infelizmente não há dinheiro para mais, mas património! E da humanidade, com diploma passado pela UNESCO e tudo. Parabéns portanto ao país Lisboa, parabéns ao fado e à senhora dona Amália, parabéns ao Benfica e viva Salazar! Está feito? Não é preciso mais nada? Já toda a gente bebeu? Estou todos satisfeitos?
Pronto. E agora silêncio, que se vai voltar ao país Portugal.