quinta-feira, 16 de abril de 2026
A voz, a vós e avós
P.S. - Hoje é Dia Mundial da Voz.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
O selim e a mulher
quinta-feira, 30 de janeiro de 2025
Ai quem me dera...
P.S. - Hoje é Dia da Saudade. No Brasil.
sábado, 27 de novembro de 2021
E o manguito do Bordalo?
Por exemplo, as Janeiras, os Reis, as novenas, o terço e a bênção do Santíssimo. Porque não? As marchas de Lisboa e as rusgas do Porto e o Pai das Orelheiras e o carnaval de Ovar e as "Velhas" da Terceira e as adufeiras de Monsanto e a Justiça de Fafe e os zés-pereiras e os cabeçudos e os gigantones. Ou a cantiga no duche, ou a lengalenga do avô, ou a arenga de bêbado, ou o apita-o-comboio, ou o atirei-o-pau-ao-gato, ou o areias-era-um-camelo. Ou o canto pimba, ou o canto neiro. Porque não?
Por exemplo, os ranchos folclóricos, os conjuntos típicos, a Maria Albertina e o António Mafra, os grupos excursionistas, os motoclubes e as motosserras. Ou as bandas de música. Porque não? Ou os bandos de malfeitores. Ou os submarinos e os bancos, os salgados e os doces, da alheira de Mirandela ao pastel de Belém. Porque não?
Por exemplo, o manguito do Bordalo. Ou o caralho das Caldas. Porque não?
Por exemplo, o assobio. Porque não?
P.S. - Faz hoje anos. O fado foi elevado a Património Cultural Imaterial da Humanidade no dia 27 de Novembro de 2011. O cante alentejano no dia 27 de Novembro de 2014.
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
Ai quem me dera...
"Ai quem me dera ter outra vez vinte anos", cantava com sentimento o jovem fadista, estrela que haveria de ser. Tinha apenas sete aninhos, coitadinho, mas parecia que tinha oitenta...
P.S. - Hoje, 6 de Outubro, é Dia Nacional do Fado. Na Argentina.
terça-feira, 27 de abril de 2021
Os três três
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Um património sem mãos a medir
A moda é nova, mas, em Portugal, o fado, a dieta mediterrânica, o cante alentejano, os chocalhos e a olaria preta de Bisalhães já tinham sido elevados aos píncaros do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Seguiram-se a falcoaria, a louça de Estremoz e os Caretos de Podence, até ver. Fixemo-nos, porém, na falcoaria. A falcoaria, numa das suas definições mais acessíveis, é a arte de treinar e cuidar de falcões e outras aves de rapina para a caça. Os falcões e colaterais contrafacções caçam, matam e comem, em geral, outras aves e pequenos quadrúpedos que não têm lóbi na UNESCO. Está certo: a UNESCO é uma organização das Nações Unidas que visa contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações. Com a falcoaria ficámos irremediavelmente lançados. Eu, por mim, penso agora nos sapateiros, nas mulheres-a-dias, nos falsos licenciados, nos periquitos, nos tocadores de punhetas, nos perdigueiros e, andava com esta ferrada há que tempos, nos furões.
Por exemplo, as Janeiras, os Reis, as novenas, o terço e a bênção do Santíssimo. Porque não? As marchas de Lisboa e as rusgas do Porto e o Pai das Orelheiras e o carnaval de Ovar e as "Velhas" da Terceira e as adufeiras de Monsanto e a Justiça de Fafe. Ou a cantiga no duche, ou a lengalenga do avô, ou a arenga de bêbado, ou o apita-o-comboio, ou o atirei-o-pau-ao-gato, ou o areias-era-um-camelo. Ou o canto pimba, ou o canto neiro. Porque não?
Por exemplo, os ranchos folclóricos, os conjuntos típicos, a Maria Albertina e o António Mafra, os grupos excursionistas, os motoclubes e as motosserras. Ou as bandas de música. Porque não? Ou os bandos de malfeitores. Ou os submarinos e os bancos, os salgados e os doces, da alheira de Mirandela ao pastel de Belém. Porque não?
Por exemplo, o manguito do Bordalo. Ou o caralho das Caldas. Porque não?
Por exemplo, o assobio. Porque não?
Com assinalável pertinácia, Portugal mete os dedos à boca e vomita património e material da omaninade por todos os lados. Um destes dias, sem darmos fé, estamos todos condecorados. Da cabeça aos pés.
O que eu gosto mais na dieta mediterrânica, para além da comida propriamente dita, é o facto de se chamar dieta, o que me sossega sobremaneira a consciência, embora me alvoroce os intestinos. Uma dieta feita, paradigmaticamente, à base dos ossinhos da suã da Tasquinha da Alice, em Bobal, Mondim de Basto, como quem vai para as Fisgas de Ermelo, entalados, os ossinhos, entre salpicão caseiro e moiras encantadas e um naco de orelheira para desenfastiar e duas ou três costelinhas e meia dúzia de fatias de toucinho com o sal no ponto e batatas sabendo a terra e olhos de couves geadas pela madrugada e feijão vermelho da leira ao lado e por cima alho picado e azeite da fartura e do melhor mais um tintinho honesto e de malga para molhar a palavra. Produtos frescos, locais e produzidos em sintonia com os ciclos astrais e os ritmos da natureza, como muito bem preconiza a UNESCO. E eu, nestas coisas, respeito implacavelmente a UNESCO.
Depois gosto da denominação ela própria. Património Cultural Imaterial da Humanidade. Gosto da pomposidade das maiúsculas e gosto da palavra "Imaterial", porque, pensando bem, é uma palavra que, não sendo sólida nem líquida, resvala sorrateiramente para o domínio do "Gasoso" - o que, com vimos antes, confere...
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Ai quem me dera...
"Ai quem me dera ter outra vez vinte anos", cantava com sentimento o
jovem fadista, estrela que haveria de ser. Tinha apenas sete aninhos,
coitadinho, mas parecia que tinha oitenta...
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
Os três três
E vai há tão pouco tempo! Portugal era o país dos três efes: futebol, fado e Fátima. E dos três pês: pobres, pobres, pobres. E dos três esses: Salazar! Salazar! Salazar!...
P.S. - Hoje, 9 de Novembro, é Dia Internacional Contra o Fascismo e o Anti-Semitismo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Paco Souto 3
por comer do escuro canta luz
quixemos posuír
carne de auga eramos mar abaixo
voces de lúa
pegando aínda
no farol de proa
na gamela enchida de florestas
dedos eramos
polos precipicios da carne
aonde caer obsesivamente moribundos
acesos surtidores de balea
iniciaron nas ondas vixiantes
aquela sorte de naufraxio voluntario
como morremos entón Xonás
na boca enorme do pecado
"e Caín", Paco Souto
(Paco Souto nasceu no dia 12 de Outubro de 1962. Morreu em 2017.)
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Paco Souto 2
A percebeira é unha illa
A illa ten nome de peixe esquivo
E os homes van
A lanchiña que os leva é de pau de laranxo
A lúa é unha laranxa apodrecida
A lúa debuxa cadaleitos nas furnas
De entre os mortos nascen percebes
Os ollos vagos non ven
Son as mans acoiteladas as que cachean os tetos
A rapa áxil
E logo a lonxa
E a viaxe à Coruña ou Madrid
E o prato na mesa
E o sal na boca
Ese sabor a sal na boca
Como se a morte viñese cada nove ondas
"Fado", Paco Souto
(Paco Souto nasceu no dia 12 de Outubro de 1962. Morreu no passado dia 30 de Março.)
domingo, 27 de novembro de 2011
Fado do encabanço
Pronto. E agora silêncio, que se vai voltar ao país Portugal.