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quinta-feira, 28 de maio de 2026

No meu tempo havia respeito

À mesa
Isto devia ser ensinado desde os bancos da escola: o telemóvel não faz parte do talher. O talher é composto por faca, garfo, colher e comando de televisão. Mais nada.

As crianças hoje em dia só aprendem porcarias. É a televisão, é o computador, é o telemóvel, são os jogos, as redes sociais, tudo e mais alguma coisa. Mas só aprendem tolérias, poucas-vergonhas. Não há educação, não há respeito, não há tabuada, não há catequese nem Mocidade Portuguesa. No meu tempo, em Fafe, era outra louça, vinho de outra pipa: jogávamos à macaca, ao moche, ao espeto e ao mamã-dá-licença, brincávamos ao esconde-esconde e aos médicos, íamos às uvas, matávamos pardais, afogávamos gatos, corríamos à coiada os cães e os moços das outras ruas, íamos para a porta do hospital ver chegar a ambulância, levávamos umas reguadas, rezávamos padre-nossos, cantávamos os reis de porta em porta, os mais velhos ensinavam-nos coisas bonitas, apresentáveis, lengalengas e versinhos didácticos, alguns até com música, para ficarem no ouvido, e ficaram. Lembro-me, por exemplo:

- Preta, mulata, nariz de batata, rouba galinhas e mete prà saca.
- Ruço de mau pêlo, quer casar, não tem cabelo.
- Viva quem tem pêlos na barriga, e quem os abaixo tem que viva também.
- Enganei-te, enganei-te, com uma pinga de leite, à porta da missa, a comer uma chouriça.
- Três vezes nove, vinte e sete, quem morreu foi o valete, enterrado na retrete.
- Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu, encontrei um burro morto a cagar e a mijar prò primeiro que falar.
- Pipa nova, pipa velha, foi ao mar, não afogou, com licença, meus senhores, aqui está quem se cagou.
- O Manel e a Maria foram ambos passear, o Manel deu um peido e a Maria foi ao ar.
- Vinho na pipa, couves na horta, se não nos der nada, cagamos na porta.
- Cagarim, cagarou-se, há dois modos de cagar, se o cagalhoto foi grosso, fica o cu a fumegar.
- Ó Mila, o teu pai tem pila; se não fosse a pila, não havia a Mila.
- Sanica o cu, sanica a gaita; sanica o cu e a serigaita.
- Afina a guitarra, a viola toca, afina a guitarra e também a piroca.
- Quem te fosse ao cu e não te pagasse.
- Sexta-feira, sexta-feira, tararam tararam, sexta-feira da paixão, tararam tararam, foram dar com os padres todos, tararam tararam, a ir ao cu ao sacristão. Tararam tararam. Eram sete matulões, tararam tararam, com bigodes no colhões. Tararam tararam. Pontapés e bofetadas, tararam tararam, nas parrecas das criadas. Tararam tararam.
- A puta da minha amiga não tinha que pôr na mesa, cortou as beiças da cona, fez cozido à portuguesa.

Isto, sim, é cultura. É tradição. Antigamente é que era. Era tudo muito bonito. Pérolas como as supracitadas, e há mais de onde estas vieram, deviam ser aprendidas pelos novos fafenses desde pequeninos, para que não se percam. Deviam ser reunidas em opúsculo editado pelo Município e distribuído gratuitamente no Posto de Turismo, na Casa da Cultura, na Biblioteca Municipal, nos cafés e tascos e em todos os outros balcões da especialidade, mas quê, a Câmara não quer saber...
Ai que saudades, rapaziada! No meu tempo havia respeito, instrução. Brincavam-se brincadeiras educativas, respeitosas e saudáveis. Quer-se dizer: brincava-se A Bem da Nação e conforme manda a Santa Madre Igreja.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional do Brincar.)

terça-feira, 17 de março de 2026

O dia em que envelheci

Já não vamos para velhos
A verdade é esta: biblicamente falando, Moisés viveu até aos 120 anos, Jacob até aos 147, Abraão até aos 175, Adão até aos 930, Noé até aos 950, e Matusalém, filho de Enoque, pai de Lameque e avô de Noé, faleceu de repente aos 969 anos. Antigamente era assim. E agora? Agora andamos à rasca para chegarmos aos 60 e damos graças a Deus se alcançarmos os 70, embora a esperança média de vida na Europa ronde os 82. Regra geral, metemos os papéis para a reforma e morremos logo a seguir. O que estará por trás desta alteração tão radical? Glaciares, asteróides, falta de médicos de família ou tão-só falta de fé, não tenho a certeza, mas creio que a segurança social também já não aguentava tanto profeta...

Sei muito bem o dia em que envelheci. Foi de repente. Sei o ano, sei o mês, sei o dia e até sei a hora, mas tanta exactidão não vem aqui ao caso. Sei o local e sei as circunstâncias. Foi de manhã. Foi no Hospital de Gaia, numa consulta de medicina do sono, creio que a coisa se chamava ou chama assim. A dado passo da bateria de exames e do minucioso inquérito, a médica perguntou-me, surpreendentemente: - Quando era novo, o Sr. Américo já sentia este cansaço?...
Eu ia caindo de cu. Primeiro. Esta mania de me tratarem pelo meu primeiro nome, Américo, nas consultas e, em geral, em todos os serviços públicos ou privados que exigem a competente apresentação de credenciais. Não sei, chamam-me Américo e eu, que estou tão habituado a chamar-me Hernâni, procuro sempre outro indivíduo ao meu lado, no meu próprio lugar. Sinto-me outra pessoa, um estranho de mim mesmo. Tratar-me por Américo é um privilégio que está reservado ao meus companheiros da escola primária, em Fafe, e, mesmo com esses poucos que ainda se lembram de mim, nunca sei se é comigo que estão a falar quando falam comigo. O Bergiguinha chama-me Américo com todo o direito, mas diz que chama Américo a todos os homens da minha família. Segundo. "Quando era novo", disse ela. Quando era novo?! Porra, eu ainda sou novo, tentei corrigir gentilmente a senhora doutora, atirando ao ar duas ou três larachas e apanhando-as, a todas, sem deixar cair, disparando-me da marquesa, acto contínuo, num acrobático salto encarpado, com duas piruetas à retaguarda.
Mas não adiantou. Pelo contrário. A doutora insistia, parecia-me agora que com algum prazer, com uma certa maldade, "quando era novo" para aqui, "quando era novo" para ali, "quando era novo" acima, "quando era novo" abaixo, e quem sou eu para contrariar o veredicto da medicina, a sábia decisão da ciência?
E foi assim. Nesse dia, naquele preciso momento, fiquei velho para toda a vida, por indicação médica e sem remédio. Eu acabara de fazer 41 anos.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Confiança Entre Médico e Paciente.)

sábado, 27 de setembro de 2025

Vós não sabendes nada!

Gaba-te cesta
Era um homem muito antigo. Falavam-lhe em gigas e ele imaginava cestas...

Uma rapariga da minha idade, isto é, uma "idosa", descendo a Arcada em direcção ao Mário da Louça se ainda houvesse, em passeio, de braço dado e discutindo alegremente com o neto, moço com ares de universitário repetente e bem disposto, os dois perdidos de riso. Quadro bonito. Flagrante exemplar da harmonia familiar e do eterno conflito de gerações, a sabedoria dos antigos contra a ignorância de hoje em dia. E diz ela, toda despachada e gramatical, aritmética, falando para o rapaz, sim, mas sobretudo para o redor, para quem a quisesse ou não ouvir, e suspeito que especialmente para mim, que lhe pareço de igualha e vou em sentido contrário, apontado à memória do Américo das Bicicletas: - O quê? Eu até sei as letras romanas, quanto mais! Vós agora é que não sabendes nada...
E realmente.

Agora, uma revelação. O Sr. Américo das Bicicletas, que eu conheci muito bem, era, se não me engano, padrinho do meu padrinho e tio Américo. O que quer dizer que o Sr. Américo das Bicicletas era praticamente meu padrinho-avô, e eu nunca tinha pensado nisso, o que é extraordinário. Pensei hoje, agora, sem mais nem menos, ou por causa dos números romanos, e fiquei muito feliz. Porque eu gostava muito da figura do Sr. Américo das Bicicletas.

(Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

terça-feira, 15 de julho de 2025

Profissão: jovem!

Juventude é, basicamente, o período que vai da infância à maturidade. É a puberdade, a adolescência. Um tempo de aprendizagem e de formação de carácter. É-se jovem, grosso modo, entre os 15 e os 24 anos. Este é o entendimento geral. As excepções são, curiosamente, as organizações "juvenis", nomeadamente as jotas partidárias, geralmente governadas por matulões e matulonas bem acima dos trinta anos e que fazem da mocidade um cómodo e lucrativo modo de vida.

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Competências dos Jovens.

domingo, 30 de abril de 2023

O associativismo jovem

Dizem-me que hoje é Dia do Associativismo Jovem. E vêm-me à ideia as claques de futebol, as queimas das fitas, os protestos com o olho do cu, os gangues, a tropa, os arrastões, as portas das discotecas, a catequese, os escuteiros, as jotas partidárias. E resolvo: hoje não saio de casa!

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Faziam-se homens e pronto

No meu tempo era mais fácil fazer homens. Levavam-se os rapazes às putas, mandavam-se os rapazes para a tropa, e estava o assunto resolvido. Hoje em dia a coisa exige outros mimos, ciência...

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Faziam-se homens e pronto

No meu tempo era mais fácil fazer homens. Levavam-se os rapazes às putas, mandavam-se os rapazes para a tropa, e estava o assunto resolvido. Hoje em dia a coisa exige outros mimos, ciência... 

terça-feira, 5 de julho de 2022

A idade não tem idade

Quantos anos terá uma mulher que diz que tem cinquenta?

P.S. - Hoje é Dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza na mitologia céltica.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Faziam-se homens e pronto

No meu tempo era mais fácil fazer homens. Levavam-se os rapazes às putas, mandavam-se os rapazes para a tropa, e estava o assunto resolvido. Hoje em dia a coisa exige outros mimos, ciência... 

sexta-feira, 3 de junho de 2022

A moda pode ser fatal

As bicicletas estão na moda. As bicicletas e as trotinetas. As cenas de pancadaria, facadas, tiros e mortes entre jovens bandidos, por nada ou por quase nada, também. É. A moda tem muito que se lhe diga...

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Juventude por medida

Juventude é, basicamente, o período que vai da infância à maturidade. É a mocidade, a adolescência. Um tempo de aprendizagem e de formação de carácter. É-se jovem, grosso modo, entre os 15 e os 24 anos. Este é o entendimento geral. As excepções são, curiosamente, as organizações "juvenis", nomeadamente as jotas partidárias, geralmente governadas por matulões e matulonas bem acima dos trinta anos.
Eu sei. "A juventude é apenas uma palavra", como dizia o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Ou é uma coisa muito relativa, como digo deu. Tão só palavra e relativa que até serve para manipular a opinião pública e os sentimentos das pessoas, umas vezes mais ou menos subliminarmente, outras vezes às escâncaras. Têm visto as notícias? "Homem de 18 anos deu duas facadas...", "Jovem de 27 anos vítima de...". Têm visto? 

P.S. - Hoje é Dia do Jovem. No Brasil.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

O topa-a-tudo

Viu um anúncio a pedir idiotas e lá foi ele. Tinha acabado a universidade e respondia a todos os anúncios.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Ai quem me dera...

"Ai quem me dera ter outra vez vinte anos", cantava com sentimento o jovem fadista, estrela que haveria de ser. Tinha apenas sete aninhos, coitadinho, mas parecia que tinha oitenta... 

P.S. - Hoje, 6 de Outubro, é Dia Nacional do Fado. Na Argentina.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

A juventude morreu de velha

Hoje, 15 de Julho, é Dia Mundial das Competências dos Jovens. Muitos parabéns a Alexandre Poço, 29 anos, líder da Juventude Social-Democrata! Viva! Muitos parabéns a Miguel Costa Matos, 27 anos, secretário-geral da Juventude Socialista! Viva! Muitos parabéns a Francisco Camacho, 27 anos, presidente da Juventude Popular! Viva! Muitos parabéns a Alexandre Meireles, 39 anos, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários! Viva! E um grande forever young para ambos os quatro!... 

Isto é tudo muito relativo

Juventude é, basicamente, o período que vai da infância à maturidade. É a mocidade, a adolescência. Um tempo de aprendizagem e de formação de carácter. É-se jovem, grosso modo, entre os 15 e os 24 anos. Este é o entendimento geral. As excepções são, curiosamente, as organizações "juvenis", nomeadamente as jotas partidárias.
Eu sei. "A juventude é apenas uma palavra", como dizia o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Ou é uma coisa muito relativa, como digo deu. Tão só palavra e relativa que até serve para manipular a opinião pública e os sentimentos das pessoas, umas vezes mais ou menos subliminarmente, outras vezes às escâncaras. Têm visto as notícias? "Homem de 18 anos deu duas facadas...", "Jovem de 27 anos vítima de...". Têm visto? 

O topa-a-tudo

Viu um anúncio a pedir idiotas e lá foi ele. Tinha acabado a universidade e respondia a todos os anúncios.

Profissionalismo

- Então o que é que faz?
- Desempregado.
- E o que é que fazia?
- Nada. 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Ignorância, o verdadeiro elixir da juventude

Fui tratar da renovação do cartão do cidadão e, é preciso ter azar, correu tudo bem. Despacharam-me em menos de um quarto de hora. Eu contava passar a tarde inteira refastelado numa das cadeiras partidas das instalações de Alferes Malheiro, embora tivesse marcado para as catorze um encontro com o Lopes e com as bifanas da Conga, mas ainda não era meio-dia e já me despejava no meio da rua sem saber o que fazer com os seguintes cento e vinte e tal minutos da minha vida. É isto, desabituei-me de ir à Baixa do Porto...
Ameaçava ameaçar chover. Vi uma daquelas livrarias de campanha montada mesmo à frente do meu nariz, no largo da estação de metro da Trindade, e entrei. Lá dentro, o refugo do costume ao habitual preço da uva mijona, nada de razoavelmente interessante, mas às vezes nunca se sabe...
Uma simpática funcionária, diria entre os trinta e muitos e os quarenta e poucos, abeirou-se-me e perguntou, de sorriso engatilhado:

- Posso ajudá-lo?
- Ando só a ver, muito obrigado. Mas, já agora, diga-me, por favor: tem alguma coisa do Montalbán?
- De quem?
- Do Vázquez Montalbán, histórias do Pepe Carvalho...
- Quem?
- Pepe Carvalho.
- Saiu este ano?
- Não. No geral, são livros já com uns anitos...
- E o género?
- Policial, talvez. Mas dizer policial é dizer muito pouco. Policial literário e gastronómico, se for possível, e de repente não sei dizer melhor...
- Pepe Carvalho? Esse autor acho que não temos.
- Desculpe. O autor é Manuel Vázquez Montalbán. O herói dos livros é que se chama Pepe Carvalho, detective privado de origem galega e estabelecido em Barcelona, uma espécie de Sherlock Holmes espanhol, mas mais verosímil e versão séculos vinte-vinte e um.
- Então é conhecido em Espanha...
- Quem? Eu?
- Não. Esse tal Pepe....
- Acredito que sim, e em Portugal também. E no resto do mundo, se calhar. Não é que seja abonatório por aí além, mas até já fizeram filmes de um ou dois livros do Montalbán, quer ver?

Resolvi ser eu a ajudar a solícita porém desinformada funcionária. Ando exactamente a reler a Série Pepe Carvalho que as Edições ASA em boa hora começaram e em má hora interromperam, após a eucaliptal intervenção da Leya. Fui à mochila e saquei o "Assassinato no Comité Central", que por acaso acabei ainda na espera desse princípio de tarde. Expliquei à senhora:

- Vê?
- Ah! Montalbán é que é o autor. Eu estava a perceber que Pepe Carvalho é que...
- Esta era uma belíssima colecção da ASA que infelizmente...
- Ah! Livros da ASA não tenho.
- Mas Montalbán já foi publicado em português por outras editoras, pelo menos pela falecida Regra do Jogo e pela Caminho, se não me engano, há até uns livrinhos de bolso, tenho um, "As Termas"...
- "Assassinato no Comité Central", esse aí... 
- Olhe, foi um dos que deram filme. Neste, quem faz de Pepe Carvalho no cinema é, veja lá, o Patxi Andión...
- Quem?
- O Patxi Andión, o famoso cantor espanhol, o cantautor, o poeta, o escritor...
- Não estou a ver...
- Então, o Patxi Andión, ainda outro dia esteve aqui na Casa da Música...
- Não, não conheço. E até gosto de música espanhola, mas não da música pimba...
- Minha senhora, o Patxi Andión...

Ia gastar mais um pouco do meu atamancado latim para explicar à gentil funcionária quem é Patxi Andión, que vem a Portugal desde o tempo do Zip Zip, contar-lhe da amizade antiga com Ary dos Santos e com Zeca Afonso, mas desisti. Preferi ser agradável e mentir com quantos dentes tenho, e são todos menos os sisos inferiores. Disse:
- ... Pois, evidentemente a menina é nova demais para conhecer o Patxi, o Pepe e o Montalbán. A menina é de uma geração tipo mais... tipo.
- Ai não se deixe enganar pela aparência. Estou é muito bem conservada... - devolveu-me a amável funcionária, enfim sorrindo, e corando de satisfação e vaidade.

Cientificamente provado: a ignorância é óptima para a pele, muito melhor do que baba de caracol. A ignorância é o verdadeiro elixir da juventude. Por outro lado, as bifanas estavam di-vi-nais, como, em apenas três palavras, diria o meu irmão Nelo. E o Lopes, que me dá livros e parece que é bruxo, trouxe-me "O Seminarista", de Rubem Fonseca. "O Seminarista"! Só tenho quem me goze...

P.S. - Publicado originalmente no dia 10 de Abril de 2015. De acordo com a mitologia céltica, hoje, 5 de Julho, é Dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

A juventude morreu de velha

Hoje, 12 de Agosto, é Dia Internacional da Juventude. Muitos parabéns a Alexandre Poço, 28 anos, líder da Juventude Social-Democrata! Viva! Muitos parabéns a Maria Begonha, 31 anos, secretária-geral da Juventude Socialista! Viva! Muitos parabéns a Francisco Mota, 31 anos, presidente interino da Juventude Centrista! Viva! Muitos parabéns a Alexandre Meireles, 39 anos, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários! Viva! E um grande forever young para ambos os quatro!...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A juventude é uma coisa muito relativa

Juventude é, basicamente, o período que vai da infância à maturidade. É a mocidade, a adolescência. Um tempo de aprendizagem e de formação de carácter. É-se jovem, grosso modo, entre os 15 e os 24 anos. Este é o entendimento geral. As excepções são as jotas partidárias.
Duarte Marques tem 31 anos e lidera a JSD. Pedro Delgado Alves tem 32 anos e é o secretário-geral da JS. Miguel Pires da Silva tem 29 anos e é o presidente da Juventude Popular. Terão algum atraso? Parece que não.
Apesar de tão "jovens", e por definição imaturos, Duarte, Pedro e Miguel são já políticos profissionais. Os dois primeiros são deputados na Assembleia da República e o do CDS é vereador na Câmara de Ponte de Lima. Assim, de cadeira, com ordenado jeitoso e certo, longe do povo e da vida (mais uns do que o outro), a aprenderem a ser primeiros-ministros. Depois dá no que deu.

Eu sei. "A juventude é apenas uma palavra", como dizia o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Ou é uma coisa muito relativa, como digo deu. Tão só palavra e relativa que até serve para manipular a opinião pública e os sentimentos das pessoas, umas vezes mais ou menos subliminarmente, outras vezes às escâncaras. Têm visto as notícias? "Homem de 18 anos deu duas facadas...", "Jovem de 27 anos vítima de...". Têm visto?