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quarta-feira, 21 de setembro de 2022
Miss Universo
Miss Universo desejou paz mundial, amor e pão para todas as crianças. Franquelim desejou Miss Universo.
terça-feira, 5 de julho de 2022
A idade não tem idade
Quantos anos terá uma mulher que diz que tem cinquenta?
P.S. - Hoje é Dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza na mitologia céltica.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Miss Universo
Miss Universo desejou paz mundial, amor e pão para todas as crianças. Franquelim desejou Miss Universo.
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
Miss Universo
Miss Universo desejou paz mundial, amor e pão para todas as crianças. Franquelim desejou Miss Universo.
segunda-feira, 5 de julho de 2021
Ignorância, o verdadeiro elixir da juventude
Fui tratar da renovação do cartão do cidadão e, é preciso ter azar,
correu tudo bem. Despacharam-me em menos de um quarto de hora. Eu
contava passar a tarde inteira refastelado numa das cadeiras partidas
das instalações de Alferes Malheiro, embora tivesse marcado para as
catorze um encontro com o Lopes e com as bifanas da Conga,
mas ainda não era meio-dia e já me despejava no meio da rua sem saber o
que fazer com os seguintes cento e vinte e tal minutos da minha vida. É
isto, desabituei-me de ir à Baixa do Porto...
Ameaçava ameaçar chover. Vi uma daquelas livrarias de campanha montada mesmo à frente do meu nariz, no largo da estação de metro da Trindade, e entrei. Lá dentro, o refugo do costume ao habitual preço da uva mijona, nada de razoavelmente interessante, mas às vezes nunca se sabe...
Uma simpática funcionária, diria entre os trinta e muitos e os quarenta e poucos, abeirou-se-me e perguntou, de sorriso engatilhado:
- Posso ajudá-lo?
- Ando só a ver, muito obrigado. Mas, já agora, diga-me, por favor: tem alguma coisa do Montalbán?
- De quem?
- Do Vázquez Montalbán, histórias do Pepe Carvalho...
- Quem?
- Pepe Carvalho.
- Saiu este ano?
- Não. No geral, são livros já com uns anitos...
- E o género?
- Policial, talvez. Mas dizer policial é dizer muito pouco. Policial literário e gastronómico, se for possível, e de repente não sei dizer melhor...
- Pepe Carvalho? Esse autor acho que não temos.
- Desculpe. O autor é Manuel Vázquez Montalbán. O herói dos livros é que se chama Pepe Carvalho, detective privado de origem galega e estabelecido em Barcelona, uma espécie de Sherlock Holmes espanhol, mas mais verosímil e versão séculos vinte-vinte e um.
- Então é conhecido em Espanha...
- Quem? Eu?
- Não. Esse tal Pepe....
- Acredito que sim, e em Portugal também. E no resto do mundo, se calhar. Não é que seja abonatório por aí além, mas até já fizeram filmes de um ou dois livros do Montalbán, quer ver?
Resolvi ser eu a ajudar a solícita porém desinformada funcionária. Ando exactamente a reler a Série Pepe Carvalho que as Edições ASA em boa hora começaram e em má hora interromperam, após a eucaliptal intervenção da Leya. Fui à mochila e saquei o "Assassinato no Comité Central", que por acaso acabei ainda na espera desse princípio de tarde. Expliquei à senhora:
- Vê?
- Ah! Montalbán é que é o autor. Eu estava a perceber que Pepe Carvalho é que...
- Esta era uma belíssima colecção da ASA que infelizmente...
- Ah! Livros da ASA não tenho.
- Mas Montalbán já foi publicado em português por outras editoras, pelo menos pela falecida Regra do Jogo e pela Caminho, se não me engano, há até uns livrinhos de bolso, tenho um, "As Termas"...
- "Assassinato no Comité Central", esse aí...
- Olhe, foi um dos que deram filme. Neste, quem faz de Pepe Carvalho no cinema é, veja lá, o Patxi Andión...
- Quem?
- O Patxi Andión, o famoso cantor espanhol, o cantautor, o poeta, o escritor...
- Não estou a ver...
- Então, o Patxi Andión, ainda outro dia esteve aqui na Casa da Música...
- Não, não conheço. E até gosto de música espanhola, mas não da música pimba...
- Minha senhora, o Patxi Andión...
Ia gastar mais um pouco do meu atamancado latim para explicar à gentil funcionária quem é Patxi Andión, que vem a Portugal desde o tempo do Zip Zip, contar-lhe da amizade antiga com Ary dos Santos e com Zeca Afonso, mas desisti. Preferi ser agradável e mentir com quantos dentes tenho, e são todos menos os sisos inferiores. Disse:
- ... Pois, evidentemente a menina é nova demais para conhecer o Patxi, o Pepe e o Montalbán. A menina é de uma geração tipo mais... tipo.
- Ai não se deixe enganar pela aparência. Estou é muito bem conservada... - devolveu-me a amável funcionária, enfim sorrindo, e corando de satisfação e vaidade.
Cientificamente provado: a ignorância é óptima para a pele, muito melhor do que baba de caracol. A ignorância é o verdadeiro elixir da juventude. Por outro lado, as bifanas estavam di-vi-nais, como, em apenas três palavras, diria o meu irmão Nelo. E o Lopes, que me dá livros e parece que é bruxo, trouxe-me "O Seminarista", de Rubem Fonseca. "O Seminarista"! Só tenho quem me goze...
P.S. - Publicado originalmente no dia 10 de Abril de 2015. De acordo com a mitologia céltica, hoje, 5 de Julho, é Dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza.
Ameaçava ameaçar chover. Vi uma daquelas livrarias de campanha montada mesmo à frente do meu nariz, no largo da estação de metro da Trindade, e entrei. Lá dentro, o refugo do costume ao habitual preço da uva mijona, nada de razoavelmente interessante, mas às vezes nunca se sabe...
Uma simpática funcionária, diria entre os trinta e muitos e os quarenta e poucos, abeirou-se-me e perguntou, de sorriso engatilhado:
- Posso ajudá-lo?
- Ando só a ver, muito obrigado. Mas, já agora, diga-me, por favor: tem alguma coisa do Montalbán?
- De quem?
- Do Vázquez Montalbán, histórias do Pepe Carvalho...
- Quem?
- Pepe Carvalho.
- Saiu este ano?
- Não. No geral, são livros já com uns anitos...
- E o género?
- Policial, talvez. Mas dizer policial é dizer muito pouco. Policial literário e gastronómico, se for possível, e de repente não sei dizer melhor...
- Pepe Carvalho? Esse autor acho que não temos.
- Desculpe. O autor é Manuel Vázquez Montalbán. O herói dos livros é que se chama Pepe Carvalho, detective privado de origem galega e estabelecido em Barcelona, uma espécie de Sherlock Holmes espanhol, mas mais verosímil e versão séculos vinte-vinte e um.
- Então é conhecido em Espanha...
- Quem? Eu?
- Não. Esse tal Pepe....
- Acredito que sim, e em Portugal também. E no resto do mundo, se calhar. Não é que seja abonatório por aí além, mas até já fizeram filmes de um ou dois livros do Montalbán, quer ver?
Resolvi ser eu a ajudar a solícita porém desinformada funcionária. Ando exactamente a reler a Série Pepe Carvalho que as Edições ASA em boa hora começaram e em má hora interromperam, após a eucaliptal intervenção da Leya. Fui à mochila e saquei o "Assassinato no Comité Central", que por acaso acabei ainda na espera desse princípio de tarde. Expliquei à senhora:
- Vê?
- Ah! Montalbán é que é o autor. Eu estava a perceber que Pepe Carvalho é que...
- Esta era uma belíssima colecção da ASA que infelizmente...
- Ah! Livros da ASA não tenho.
- Mas Montalbán já foi publicado em português por outras editoras, pelo menos pela falecida Regra do Jogo e pela Caminho, se não me engano, há até uns livrinhos de bolso, tenho um, "As Termas"...
- "Assassinato no Comité Central", esse aí...
- Olhe, foi um dos que deram filme. Neste, quem faz de Pepe Carvalho no cinema é, veja lá, o Patxi Andión...
- Quem?
- O Patxi Andión, o famoso cantor espanhol, o cantautor, o poeta, o escritor...
- Não estou a ver...
- Então, o Patxi Andión, ainda outro dia esteve aqui na Casa da Música...
- Não, não conheço. E até gosto de música espanhola, mas não da música pimba...
- Minha senhora, o Patxi Andión...
Ia gastar mais um pouco do meu atamancado latim para explicar à gentil funcionária quem é Patxi Andión, que vem a Portugal desde o tempo do Zip Zip, contar-lhe da amizade antiga com Ary dos Santos e com Zeca Afonso, mas desisti. Preferi ser agradável e mentir com quantos dentes tenho, e são todos menos os sisos inferiores. Disse:
- ... Pois, evidentemente a menina é nova demais para conhecer o Patxi, o Pepe e o Montalbán. A menina é de uma geração tipo mais... tipo.
- Ai não se deixe enganar pela aparência. Estou é muito bem conservada... - devolveu-me a amável funcionária, enfim sorrindo, e corando de satisfação e vaidade.
Cientificamente provado: a ignorância é óptima para a pele, muito melhor do que baba de caracol. A ignorância é o verdadeiro elixir da juventude. Por outro lado, as bifanas estavam di-vi-nais, como, em apenas três palavras, diria o meu irmão Nelo. E o Lopes, que me dá livros e parece que é bruxo, trouxe-me "O Seminarista", de Rubem Fonseca. "O Seminarista"! Só tenho quem me goze...
P.S. - Publicado originalmente no dia 10 de Abril de 2015. De acordo com a mitologia céltica, hoje, 5 de Julho, é Dia de Angus Mac Og, deus da juventude e da beleza.
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domingo, 28 de janeiro de 2018
Berecil Garay 2
Beleza
A maçã mais bela
entre todas é escolhida
para ser comida.
Berecil Garay
(Berecil Garay nasceu no dia 28 de Janeiro de 1928. Morreu em 1996.)
A maçã mais bela
entre todas é escolhida
para ser comida.
Berecil Garay
(Berecil Garay nasceu no dia 28 de Janeiro de 1928. Morreu em 1996.)
segunda-feira, 20 de março de 2017
Menotti del Picchia 3
Beleza
A beleza das coisas te devasta
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contundo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.
E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega...
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção (sempre a primeira e nunca
repetida) que conduz
o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.
Menotti del Picchia
(Menotti del Picchia nasceu no dia 20 de Março de 1892. Morreu em 1988.)
A beleza das coisas te devasta
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contundo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.
E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega...
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção (sempre a primeira e nunca
repetida) que conduz
o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.
Menotti del Picchia
(Menotti del Picchia nasceu no dia 20 de Março de 1892. Morreu em 1988.)
sexta-feira, 15 de março de 2013
Odontologicamante falando, estamos conversados
Cheguei ao dentista muito tarde. Já passava dos quarenta. Evidentemente não sou exemplo para ninguém, também neste departamento, mas a verdade é que, apesar de tantos anos de aparente desmazelo odontológico, eu tinha uma cremalheira que era um mimo - foi o que o doutor me disse, muito admirado, quando lhe arreganhei a tacha pela primeira vez. Palavras para quê? Eu usava pasta Pasta Medicinal Couto. Os meus problemas com os dentes começaram, portanto, quando fui ao dentista.
E estreei-me em grande, numa célebre extracção de um siso, que, não é para me gabar, foi uma tragédia. O dente estava muito apegado a mim, eram décadas de convívio e recusava-se a sair, coitado. Anestesia atrás de anestesia, o dentista escarafunchava e escarafunchava, puxava e puxava, pedia desculpa, nunca tinha acontecido, inventava alavancas que não alavancavam nada, fazia o pino, o quatro e o oito, tentou o flique-flaque à retaguarda e o mergulho empranchado de braços abertos, escarafunchava e puxava, o homem suava copiosamente, chovia-me, parava para se desfazer das cambras, ralhava com as assistentes, que pareciam baratas tontas e afogueadas, pedia desculpa, nunca tinha acontecido, e elas, quase em lágrimas e em coro, "Nunca tinha acontecido", mandou vir um escadote, a escada Magirus dos Sapadores, uma marreta da obra em frente e o Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, por esta exacta ordem, escarafunchava e escarafunchava, puxava e puxava, desculpe, nunca tinha acontecido, e nada. Que "Daqui não saio, daqui ninguém me tira", insistia o filho da puta do dente, agarrado à gengiva como uma lapa, e já me estava a meter nervos.
Eu esvaía-me numa poça de sangue. A minha boca era já duas, derivado ao escarrapacho forçado. Tinha a boca pior que o chapéu de um pobre - e foi ali que eu percebi na carne o significado da infeliz expressão. Se eu pudesse falar, diria "Chamem-me um carro!", mas eu não podia falar, porque não sentia a boca e isso era do mal o menos.
(Por outro lado, o dentista passa muito bem sem a nossa opinião. Já repararam que o dentista só faz perguntas depois de nos atafulhar a boca com metade dos móveis do consultório e a mangueira do jardim? Respondemos como? Só se for pelo nariz, mas isso é número arriscado e praticável apenas em caso de profunda constipação. E já deram fé que a gente vai lá queixar-se do dente de baixo e o dentista trata do dente de cima? E que geralmente faz bem?)
O dente cedeu, por implosão controlada, ao fim de uma manhã inteira de pancadaria. O dente era eu. Eu era um destroço de uma sangrenta batalha campal. Vi-me ao espelho: tinha os lábios esgaçados de orelha a orelha, parecia o Joker do Jack Nicholson. Para me confortar, o dentista disse-me que ainda ia ficar pior. E ficou. No dia seguinte: os cantos da boca em ferida, a cara feita num bolo, inchada e negra.
Por causa da dose cavalar de anestesia, andei semana e meia a babar-me e com um falar esquisito. Queriam internar-me. Safei-me por uma unha negra à consulta externa do Magalhães Lemos.
Mas isso passou. A sintomatologia física desapareceu. A memória da carnificina é que não. Padeço de stress pós-traumático. Ainda hoje é uma tortura ir ao... barbeiro. Entro em pânico. Estão a ver? A mesma espera, a mesma televisão ligada na Praça da Alegria, a mesma bata branca, a cadeira, a babete, os utensílios cromados, pontiagudos e cortantes, o zzzzzzzzz assobiado do secador que parece o zzzzzzzzz assobiado de uma broca, a televisão ligada na Fátima Lopes, estão a ver? Estão a ouvir? Estão a perceber a minha agonia?
Quer-se dizer: houve aqui uma transferência qualquer que eu não sei explicar. Porque com o meu dentista corre tudo muito bem. O sanguinolento episódio do dente do siso não passou disso e ganhei esta bonita história para contar. Para a semana vou lá outra vez (a terceira, já este ano) e é sempre uma festa ir ao dentista.
E estreei-me em grande, numa célebre extracção de um siso, que, não é para me gabar, foi uma tragédia. O dente estava muito apegado a mim, eram décadas de convívio e recusava-se a sair, coitado. Anestesia atrás de anestesia, o dentista escarafunchava e escarafunchava, puxava e puxava, pedia desculpa, nunca tinha acontecido, inventava alavancas que não alavancavam nada, fazia o pino, o quatro e o oito, tentou o flique-flaque à retaguarda e o mergulho empranchado de braços abertos, escarafunchava e puxava, o homem suava copiosamente, chovia-me, parava para se desfazer das cambras, ralhava com as assistentes, que pareciam baratas tontas e afogueadas, pedia desculpa, nunca tinha acontecido, e elas, quase em lágrimas e em coro, "Nunca tinha acontecido", mandou vir um escadote, a escada Magirus dos Sapadores, uma marreta da obra em frente e o Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, por esta exacta ordem, escarafunchava e escarafunchava, puxava e puxava, desculpe, nunca tinha acontecido, e nada. Que "Daqui não saio, daqui ninguém me tira", insistia o filho da puta do dente, agarrado à gengiva como uma lapa, e já me estava a meter nervos.
Eu esvaía-me numa poça de sangue. A minha boca era já duas, derivado ao escarrapacho forçado. Tinha a boca pior que o chapéu de um pobre - e foi ali que eu percebi na carne o significado da infeliz expressão. Se eu pudesse falar, diria "Chamem-me um carro!", mas eu não podia falar, porque não sentia a boca e isso era do mal o menos.
(Por outro lado, o dentista passa muito bem sem a nossa opinião. Já repararam que o dentista só faz perguntas depois de nos atafulhar a boca com metade dos móveis do consultório e a mangueira do jardim? Respondemos como? Só se for pelo nariz, mas isso é número arriscado e praticável apenas em caso de profunda constipação. E já deram fé que a gente vai lá queixar-se do dente de baixo e o dentista trata do dente de cima? E que geralmente faz bem?)
O dente cedeu, por implosão controlada, ao fim de uma manhã inteira de pancadaria. O dente era eu. Eu era um destroço de uma sangrenta batalha campal. Vi-me ao espelho: tinha os lábios esgaçados de orelha a orelha, parecia o Joker do Jack Nicholson. Para me confortar, o dentista disse-me que ainda ia ficar pior. E ficou. No dia seguinte: os cantos da boca em ferida, a cara feita num bolo, inchada e negra.
Por causa da dose cavalar de anestesia, andei semana e meia a babar-me e com um falar esquisito. Queriam internar-me. Safei-me por uma unha negra à consulta externa do Magalhães Lemos.
Mas isso passou. A sintomatologia física desapareceu. A memória da carnificina é que não. Padeço de stress pós-traumático. Ainda hoje é uma tortura ir ao... barbeiro. Entro em pânico. Estão a ver? A mesma espera, a mesma televisão ligada na Praça da Alegria, a mesma bata branca, a cadeira, a babete, os utensílios cromados, pontiagudos e cortantes, o zzzzzzzzz assobiado do secador que parece o zzzzzzzzz assobiado de uma broca, a televisão ligada na Fátima Lopes, estão a ver? Estão a ouvir? Estão a perceber a minha agonia?
Quer-se dizer: houve aqui uma transferência qualquer que eu não sei explicar. Porque com o meu dentista corre tudo muito bem. O sanguinolento episódio do dente do siso não passou disso e ganhei esta bonita história para contar. Para a semana vou lá outra vez (a terceira, já este ano) e é sempre uma festa ir ao dentista.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Paredes de Coura, na paz do Senhor
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Sábado, dia do meio da chamada Feira Mostra de Produtos Regionais do Alto Minho, em Paredes de Coura. São três da tarde, mas podiam ser da madrugada. O certame encolhe de ano para ano e parece que é cada vez mais frequentado apenas pelos expositores. Adoro esta terra, assim mansa e deserta. Eu, que sou visita. Mas os courenses, que são o que importa, como é que aguentam que tudo lhes esteja a escorrer das mãos?
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