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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Desarmado em parvo

Era tão pacifista, tão pacifista, tão objector de consciência, tão objector de consciência, tão não-violento, tão não-violento, que havia quem dissesse que ele andava constantemente desarmado em parvo.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial pelo Desarmamento.)

domingo, 21 de setembro de 2025

A guerra dos dias

Hoje é Dia Internacional da Paz. O Dia Mundial da Paz foi no dia 1 de Janeiro. E não é pacífica a discussão sobre qual é, das duas, a data mais importante e vice-versa.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Paz.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

A guerra dos dias

Hoje é Dia Mundial da Paz. O Dia Internacional da Paz será a 21 de Setembro, se Deus quiser. E não é pacífica a discussão sobre qual é, das duas, a data mais importante e vice-versa.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

A invasão

Foto Hernâni Von Doellinger

Não sei se veio da Rússia ou da Ucrânia, do Irão ou de Isarel. Há muita desinformação nisto da guerra, das guerras. Na verdade, as superpotências, viagradas até ao sufoco, atacam-se mais com mentiras do que com mísseis, o que até é melhor para a nossa saúde. Dou-lhes, portanto, o devido desconto. Sei é que esta manhã pela fresca entrou-me um avião varanda adentro, estava eu muito descansado a ver navios. Abati-o, naturalmente. Jamais poderia tolerar tão flagrante violação do meu espaço aéreo e ainda por cima ia ficando cego de um olho. Não há, graças a Deus, outras vítimas a lamentar. Era um avião não tripulado, um drone, como agora se diz.

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Origami. E é também Dia do Armistício. Como dizia o outro, isto anda tudo ligado.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Fazer as pazes

"Esposende: Espancou ex-namorada por não aceitar separação e ameaçou-a com arma para se reconciliarem", proclama o título do jornal O Minho. Sim, reconciliação, paz, amor. É o Natal! É a força do Natal! Que bonito!...

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Nações Unidas, um dia qualquer

Hoje é Dia das Nações Unidas. Nações unidas, nos tempos que correm, com a matança que vai por aí? Só pode ser piada...

domingo, 9 de julho de 2023

Um dia de morrer a rir

Há dias que são mais de rir do que outros. Por exemplo, hoje é Dia Mundial pelo Desarmamento, e eu, espero que não me levem a mal, penso nas bombas de fragmentação que Joe Biden, presidente dos EUA, vai mandar para a Ucrânia, e estou aqui, com as mãos na barriga, a escangalhar-me às gargalhadas...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Contra os canhões

"Às armas, às armas! / Sobre a terra, sobre o mar, / Às armas, às armas! / Pela Pátria lutar! / Contra os canhões marchar, marchar!", aprende-se no Hino Nacional.

P.S. - Ando nisto há anos, mas só agora é que se lembraram e derivado ao Dino D'Santiago. Hoje é Dia Escolar da Não Violência e da Paz. Não sei é se há aulas...

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

domingo, 15 de maio de 2022

De afocinhanço em afocinhanço

Foto Hernâni Von Doellinger

Directo ao assunto: quando fiz 21 anos comi 21 gafanhotos. Vivos. Obrigaram-me. E não me estou a queixar, embora tenha sido uma canseira andar a persegui-los e a apanhá-los um a um no mato, eles aos saltinhos e eu de cócoras, um sol do caraças, a risota do maralhal, os insultos do tenente, o corpo moído, uma sede que eu sei lá, mas antes isso do que passar o dia inteiro a levar pancada. O dia e a noite. Por outro lado, apesar de ter comido 21 gafanhotos vivos no dia exacto e triste em que fiz 21 anos, passei aqueles dias todos a levar pancada. Aqueles dias e aquelas noites. As noites também. O que tinham de bom as noites é que só muito raramente propiciavam "golpes de calor", ou insolações, como se diz quando se quer que se perceba o que se diz.
Mas os gafanhotos. Os gafanhotos eram absolutamente essenciais, alimentavam heróis em construção, forjavam homens de aço, oleavam máquinas de guerra que haveríamos de ser. Eram, repito, absolutamente essenciais, naturalmente curriculares. Os gafanhotos e a pancada.

Assim eram os Comandos, tropa dita de elite para onde não fui voluntário, é preciso que se note. "Mais logo afocinharemos!", ameaçava o tenente por tudo e por nada, só porque lhe apetecia. E afocinhávamos. Passávamos a vida a afocinhar. Havia um cuidado muito grande com a nossa alimentação. Por vontade de quem mandava, nós, os desprezíveis instruendos, estaríamos sempre a comer, às mãos desabridas de sargentos e cabos com idade para serem coronéis, com poderes de general, práticas de verdugos descontrolados e tremendas saudades ultramarinas. Consta que, mais de quarenta anos passados, os Comandos ainda são assim. E que às vezes "as coisas correm mal". Há mortes, mesmo sem guerra.
Em 1978 correu mal uma aula de morteiros. Um instrutor jactante e incompetente, como se exige que sejam os instrutores, apontou para o infinito, despoletou a granada e, sem querer, deixou-a escorregar tubo abaixo. Pum! O morteiro só parou em cheio num centro comercial da Amadora, por acaso com pessoas dentro. Sei disto porque estava lá, do lado do morteiro e do instrutor palerma. E, para evitar problemas com a população, não me deixaram vir a casa nesse fim-de-semana.
Quanto aos gafanhotos, fritos e de escabeche decerto marchavam melhor. Pelo menos parece ser esse o entendimento da nossa Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, que anunciou em Junho de 2021 a autorização para a produção, comercialização e utilização na alimentação em Portugal de sete espécies de insectos - duas de gafanhotos, duas de grilos, duas de larvas e um besouro.

Naquele tempo, no meu breve tempo de Comandos, eu já tinha visto na televisão a preto e branco a série Kung Fu, com David Carradine, mas ainda não conhecia a anedota "O Mestre e o Gafanhoto", que haveria de ouvir anos mais tarde contada numa cassete pelo menestrel brasileiro Juca Chaves e que, se bem me lembro, é mais ou menos assim:
Gafanhoto, aprendiz de Shaolin, era pequenininho e perguntou ao seu velho Mestre, que era cego e sabia tudo:
- Mestre, quando é que eu me tornarei um homem?
E o Mestre respondeu-lhe:
- Gafanhoto, quando um dia você passar a mão entre as pernas e sentir duas bolas, então você será um homem. Mas quando um dia você passar a mão entre as pernas e sentir quatro bolas, não pense que é super-homem. É que tem alguém lhe enrabando...

P.S. - Este texto é tão velho como o velho mestre de kung fu. O meu gastronómico encontro com os gafanhotos desenrolou-se durante a chamada "semana maluca" dos Comandos, em que o dia é noite e a noite é dia, com horários e afazeres trocados, incluindo as refeições e a instrução, ainda por cima abrilhantada pelas famosas prova da sede, prova de choque ou prova de sobrevivência. E relembro aqui essas lamentáveis peripécias porque hoje é Dia Internacional do Objector de Consciência. Eu não fui objector nem voluntário, a tropa aconteceu-me, mas lembro-me de, anos depois da minha malograda passagem pelos Comandos, já jornalista e com responsabilidades administrativas e editoriais, ter ido a tribunal militar defender um camarada de profissão que objectava. Defendi-o como defendo os ex-combatentes, voluntários ou involuntários, gente marcada pela guerra e de quem o Estado tem uma certa queda para se esquecer.

domingo, 6 de março de 2022

A eurovisão

A eurovisão é a forma europeia e gramatical de ver e entender a Europa, o mundo e as coisas. Uma certa forma. Como agora com a Rússia invadindo a Ucrânia, isto é, com a guerra. A Europa agasalha-se no sofá e vê pela televisão...

domingo, 27 de fevereiro de 2022

A outra face

Deu então a outra face e, a verdade é só uma, ficou sem cara para aparecer.

P.S. - O estatuto de objector de consciência foi publicado no dia 27 de Fevereiro de 1987.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Às armas! Às armas!

Mão ante mão, Portugal caminha para ser um país de pistoleiros. Há registos de mais de 210 mil licenças de porte de armas válidas, e só no ano de 2020 foram emitidas 13 mil novas autorizações. Portugal é um dos países da União Europeia com mais armas de fogo. As autoridades policiais estimam em mais de milhão e meio o número de armas legais, enquanto estatísticas citadas pela comunicação social contabilizam 21 armas por cada 100 habitantes. Agora imagine-se o que vai aí de revólveres, espingardas e carabinas sem bilhete de identidade! Os especialistas em segurança costumam dizer que a corrida ao armamento é um sintoma da crise. Pois deve ser. E temos então o faroeste à porta. Os políticos há muito que não nos são de confiança e a pobreza galopante com que eles nos castigam está a pôr-nos a desconfiar uns dos outros, cá em baixo, onde devíamos ser unidos mas os bagos de arroz pingam a conta-gotas, quando pingam, e não chegam para todos. Colegas de trabalho tramam-se uns aos outros em nome da sobrevivência, as passadeiras nas estradas são cada vez menos local de tréguas e até os irmãos já foram mais fraternos do que são. Se quem me lê ainda tem coragem para sair à rua, repare como as pessoas estão cada vez mais agressivas umas com as outras nas filas dos supermercados. E é para pagar! Um destes dias desata tudo aos tiros. E seremos as vítimas do nosso fogo cruzado.
Entre mortos e feridos, safam-se os de lá de cima. Como sempre.

P.S. - Samuel Colt obteve a patente dos Estados Unidos para o seu revólver Colt, o dos cobóis, no dia 25 de Fevereiro de 1836. A propósito, diz-se que se diz: "Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt tornou-os iguais." Isto é, digo eu: mortos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022