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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Relativamente a essa matéria

- Relativamente a essa matéria, senhor deputado, devo esclarecer que não tenho nada a acrescentar relativamente a essa matéria.
- E relativamente à outra matéria, senhor primeiro-ministro?
- Relativamente à outra matéria, senhor deputado, devo esclarecer que não tenho nada a acrescentar relativamente à outra matéria.
- Bem me parecia, senhor primeiro-ministro!
- Ainda bem que nos entendemos, senhor deputado!

Realmente. O que seria de nós, do País, da Nação, do nosso amado Portugal, sem os nossos senhores deputados, sem os nossos senhores primeiros-ministros, gente assim de categoria?...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Aníbal Passos Coelho

A ver se nos entendemos. Não há crise nenhuma entre Belém e São Bento por causa das medidas de austeridade. Nem há sequer "uma tempestade num copo de água" nas relações do Presidente da República com o primeiro-ministro, como ardilosamente sugere o professor Marcelo Rebelo de Sousa, que sabe disto mais do que o Papa. Não há nada, nem podia haver. Porque Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho são uma única e mesma pessoa em dois cargos diferentes: Aníbal Pedro António Manuel Cavaco Mamede Silva Passos Coelho, omnipresente e omnipotente, porém não omnisciente, nas chefias do Estado e do Governo. São uma espécie de Santíssima Trindade, mas em versão para dois, laica e republicana.
O falso diferendo entre ambos, que são um só, é um serviço combinado. É uma farsa para distrair o País. Ou uma fábula, com monstros e tudo. Embora denotando evidente falta de jeito, Passos Coelho e Cavaco Silva representam a cena do polícia mau e do polícia bom. Por caminhos tortuosamente diferentes - um oferecendo pancada, o outro oferecendo colo -, têm o mesmo objectivo: sacar tudo o que puderem aos suspeitos do costume. E os suspeitos do costume somos nós.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Submarinos 2

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, exigiu ontem ao chefe das secretas que o inquérito ao caso da alegada espionagem ao jornalista Nuno Simas seja levado a cabo com "celeridade" e "na maior profundidade". Estão a ver? Celeridade e profundidade?... Não lhes diz nada? Estadista de visão, Paulo Portas! Ele já sabia em 2004, foi o único a antecipar, que qualquer dia os submarinos ainda haviam de servir para alguma coisa...

domingo, 28 de agosto de 2011

Protecção de dados? Deixem-me rir...

O meu telefone sem fios Zon Slim perdeu o pio ao fim de apenas nove meses de trabalho. Peguei no telemóvel e liguei para a operadora do telefone sem fios. Menos de uma hora depois já tinha em casa um técnico. O homem da Zon detectou rapidamente a avaria (transformador pifado) e procedeu à substituição completa do material: transformador, base e telefone. Até aqui tudo bem.
Quando o técnico se preparava para guardar o meu telefone "antigo", perguntei-lhe, num misto de bons modos com queres-tu-ver-que-já-me-estão-a-foder:
- O senhor vai levar o telefone? Assim? Com os meus contactos? Não lhe passa pela cabeça que pode estar a violar a lei de protecção de dados?...
O homem corou. Parou. Pensou e disse:
- Olhe que nunca ninguém me pôs esse problema. Mas, agora que penso nisso, o senhor tem toda a razão. Deixe ver... Posso é fazer-lhe reset no aparelho antes de o levar, quer?
Eu quis. E ele fez.
É assim que as coisas são. E parece que ninguém quer saber.

No dia seguinte, o País acordou alvoroçado com o escândalo da "alegada" espionagem das secretas a um jornalista do Público denunciada pelo Expresso. Chamadas aos microfones, as costumeiras virgindades rasgaram as vestes de indignação, clamaram aos céus contra a gravidade da violação da lei, pediram inquéritos. Isso: seguindo a habitual cábula, sobretudo pediram inquéritos. Passos Coelho, primeiro-ministro, também pediu. E a Procuradoria-Geral da República vai investigar o caso.
Palavra de honra, não percebo as razões de semelhante escarcéu. Mas quê, esta gente toda acha mesmo que os serviços secretos fazem sempre o seu trabalho dentro da lei e que só desta vez é que mijaram fora do penico? Mas para que é que servem os serviços de espionagem? Não é para espiar? Estavam à espera de quê? E os jornalistas não podem ser espiados? Só podem espiar? Afinal o que é que tanto incomoda estes cavalheiros: o acto de espionagem em si ou o facto de se saber dele?
São ingénuos? Não. São hipócritas.

sábado, 23 de julho de 2011

O inqueritozinho

Hoje vou dormir mais descansado. Já andava com saudades de um inquérito, um inqueritozinho marca Omo como bom inquérito que se preze, mas o primeiro-ministro lembrou-se de mim e deu-me essa alegria. Pedro Passos Coelho quer "apurar e esclarecer quaisquer factos relacionados" com as alegadas fugas de informações nos nossos Serviços Secretos, cirurgicamente denunciadas pelo semanário Expresso, e mandou fazer um inquérito.
Estou mesmo a ver o resultado: não vai dar em nada. O que também me satisfaz, porque é sinal de que continua tudo na mesma em Portugal, e eu já não tenho coração para grandes sobressaltos.
Claro que não houve fuga nenhuma! Os nossos espiões, que ainda têm os dedos cruzados atrás das costas desde que explicaram ao ex-deputado socialista e capitão de Abril Marques Júnior, fiscal das Secretas, que não meteram o nariz na vida do ex-futuro secretário de Estado Bairrão e que não contaram nada ao Governo, vão continuar a negar tudo com quantos dentes tiverem, próteses incluídas.
Faz parte, não é? Afinal, eles são agentes secretos, não propriamente escuteiros.

Sou eu que vejo filmes a mais ou é o primeiro-ministro que acha que nós não vemos nada?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O homem falou

"O primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou [...] estranho que ainda não tenha sido criada uma agência de notação financeira europeia para fazer face ao que qualificou de "oligopólio" de agências norte-americanas", noticiou a agência Lusa. Ora até que enfim que o nosso chefe do Governo abordou a momentosa problemática do rating. E o País agradece-lhe a frontalidade e franqueza. Oliquê?...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Passos Coelho, o ausente

Dois dias depois de a Moody's ter deitado Portugal ao lixo, Pedro Passos Coelho ainda não apareceu em público para explicar aos portugueses, em português que se entenda, o significado prático do corte da agência de notação financeira para a vidinha das pessoas. Acotovelam-se doutores a falarem doutorês nas televisões, numa nojenta orgia masturbatória, mas o primeiro-ministro fecha-se em copas e em São Bento. Sabe-se apenas que largou um comentário "privado", queixando-se do chamado murro no estômago. E mais nada. É o chamado primeiro-ministro ausente.

domingo, 26 de junho de 2011

Passos Coelho acaba com o papel selado

Num gesto de inquestionável coragem política e amplo alcance social, Pedro Passos Coelho acaba de decretar o fim do papel selado, introduzindo também profundas alterações na folha azul de 25 linhas. Por ordem expressa do novo primeiro-ministro, a folha continuará a ser obviamente azul mas será reduzida a sete linhas e meia.

P. S.: Fui agora mesmo informado de que o papel selado foi abolido em Portugal em 1986. Vou avisar imediatamente o Governo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Passos Coelho leva farnel

Para dar exemplo de poupança, Pedro Passos Coelho viaja hoje para Bruxelas em classe económica e com uma comitiva reduzida ao mínimo: o chefe de gabinete, o assessor de imprensa e dois seguranças. Para além disso, o novo primeiro-ministro de Portugal leva merendeiro para todos, aproveitando as sobras do megapiquenique do Continente. Na capital da Europa, Passos e o seu pessoal deslocar-se-ão em carrinhos de rolamentos.