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sábado, 5 de outubro de 2024

sábado, 1 de abril de 2023

Os dias do engano

Parecendo que não, hoje é Dia dos Enganos, como antigamente se chamava em Fafe ao Dia das Mentiras. Mas é assim: com isto da política e da guerra, da TAP e do Alojamento Local, das redes sociais, dos jornais e das televisões sensacionalistas, que são todos e todas, a mentira foi sorrateiramente metida a cotio, normalizada, e agora todos os dias são dia das mentiras, embora se chamem fake news para não darem muito nas vistas. Resultado: com tanta mentira e tanto mentiroso, quase passa despercebida a velhinha efeméride residente do primeiro de Abril. Mas querem saber?
Fafe daquele tempo celebrava entusiasticamente datas assim importantes, como o Dia dos Enganos. Datas patrióticas e etnográficas, civilizacionais. Havia respeito pela História e pela tradição. Brincavam-se brincadeiras educativas, nacionalistas e saudáveis, muito bem aprendidas, éramos a mocidade que passa...
Pregavam-se partidas tão engraçadas! No Dia dos Enganos saíamos para a rua, ali no nosso Santo Velho, estrategicamente colocados entre os tascos do Paredes e do Zé Manco, e dizíamos a quem passava: - Ó senhor, olhe o que lhe caiu!...
E o senhor, que podia muito bem ser uma senhora, mas geralmente era um moço ou uma rapariga mais ou menos da nossa idade, o senhor respondia, rimando: - Foi um peido que me fugiu...
Quer-se dizer: olhe o que lhe caiu - foi um peido que me fugiu. Estão a ver a piada? Estão a ver a categoria? Aquilo é que era, antigamente! Era assim todos os anos, à esquina, que bem que passávamos o Dia dos Enganos! Era de rir. Ríamo-nos muito com divertimentos assim de peidos, biológicos ou sintéticos, ali no nosso cantinho, para que é que precisávamos de brinquedos e de mundo?
Para além disso, tínhamos a velha nota de vinte escudos largada no passeio como que perdida e presa por uma invisível sediela que, escondidos, puxávamos repentinamente e às prestações mal algum transeunte ensaiava o gesto para apanhá-la, em frente à porta envidraçada do novíssimo Café Chinês. Ele a baixar-se e a nota a fugir-lhe à frente dos pés, parava, a baixar-se outra vez e ela a fugir-lhe outra vez, aos saltinhos, como se fosse viva, e outra vez, e outra vez, como num filme do Charlot ou do Pamplinas mas ao vivo e a cores. Ai, era realmente de rir! Claro que também era um risco: os vinte paus deviam ser devolvidos a casa, de onde alguém os desencaminhara como quem não quer a coisa, e às vezes nunca se sabe. Vinte escudos era a nota mais pequena e significavam muito dinheiro para quem não tinha nada. Vintes escudos desaparecidos eram como hoje um desfalque de milhões, davam para muito pão, havia fome e a pobreza morava com a gente.
Era de rir, sim senhor. Bons tempos, coisas bonitas. E ainda há quem diga mal do fascismo...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Engana-me, que eu gosto

Sou fácil de contentar. Por exemplo:
Fiquei satisfeito com as explicações que Maria Luís Albuquerque foi dar ontem ao Parlamento, por causa das swaps. Para mim, está tudo resolvido. Claro que a senhora nunca mentiu. A senhora não mente.
E também se me acabaram as dúvidas acerca do negócio Roberto. Os esclarecimentos prestados pelo Benfica à CMVM colocaram uma pedra sobre o assunto, pelo menos para mim. Tudo limpo, tudo nos conformes. As coisas são claras como águia.
Sou português. Sou fácil de contentar.

sábado, 19 de maio de 2012

Ó pra mim todo admirado! 2

Escreve a Direcção Editorial do Público: "Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, [o ministro] Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias."
Parece impossível! O nosso Miguel Relvas? Quem havia de dizer? Estou varado. Nem sei se deva acreditar. O ministro Miguel Relvas entalado e a fazer ameaças? Não, acho que não. Há aqui uma confusão qualquer.