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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Que é da antena?

Os trabalhos para a instalação de uma antena de telecomunicações num "jardim" em frente à marginal de Matosinhos estão parados há oito dias, fez ontem exactamente. "Na sequência de uma preocupação manifestada por alguns munícipes" e depois de um dramático apelo "à tranquilidade dos matosinhenses", a Câmara de Guilherme Pinto deixou o buraco aberto à espera de um parecer dos sábios Siza Vieira e Souto Moura. A questão já não é portanto de saúde e passou a ser só de estética.
A autarquia pôs aspas na antena. Eu ponho as aspas no "jardim". É um relvado geralmente mal tratado e reservado a cagalhotos de cão no dia-a-dia. Cães de marca, é preciso que se note. Lembram-se decerto que eu disse que a antena iria ser colocada "mesmo debaixo do nariz de gente de dinheiro e posição". Com efeito.
Não sei qual vai ser o futuro do buraco que Guilherme Pinto arranjou. Suspeito, no entanto, que não vai passar disso, de um buraco a tapar - independentemente da infalível opinião que há-de vir dos dois supra-sumos da arquitectura nacional, e que até nem me custa muito a adivinhar qual será. Antenas ali, não me cheira. Manda quem pode e obedece quem deve. E eu parece-me que já disse que aquele é um sítio de "gente de dinheiro e posição".

E também me falta saber para que bairro social é que o extraordinário melhoramento vai ser deslocalizado.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Avenida sem saída

Foto Hernâni Von Doellinger

Há uma avenida na cidade do Porto que não vai a lado nenhum. É uma avenida sem saída, um projecto de avenida que não sai do papel. Chama-se Avenida Nun'Álvares, tem tabuleta e tudo, e foi inventada por Rui Rio, em 2007, para fazer a ligação da Praça do Império, na Foz, à Avenida da Boavista, atravessando a muito bem frequentada freguesia de Nevogilde. Era para ser uma coisa em grande: uma mega-avenida com quilómetro e meio de comprimento, três-faixas-três em cada sentido, separador central, ciclovia, zonas de estacionamento e passeios de ambos os lados, o que dava a módica largura de 37 metros.
Caíram logo o Carmo e a Trindade. "Aqui-d'el-rei, que nos querem roubar o sossego!", gritou a indignada nobreza nevogildense, conjurando reuniões e abaixo-assinados e mandando à frente a Junta de Freguesia local. Figurões como Paulo Azevedo, Artur Santos Silva, Miguel Veiga, Pulido Valente, Rui Moreira ou Souto Moura deram a cara pela revolta da fina-flor, na retaguarda, mas enganaram-se no número da porta: Rui Rio corta sempre a direito e nunca cede a pressões. Nem dos amigos, que até nem serão assim tantos. Para além disso, se calhar a superavenida dava jeito ao presidente da Câmara do Porto para as suas corridas de carrinhos.
E a coisa tem avançado. Devagar, para não levantar mais ondas, mas a verdade é que a autarquia da Invicta tem dado, com segurança e determinação, os passos política e tecnicamente tidos e achados por necessários e essenciais para que estejam rápida e completamente prontos e aprovados os projectos dos projectos que enformarão os projectos do projecto preliminar da avenida.
Rui Rio vai-se embora para o ano. E assim já não sei outra vez se vai haver avenida ou não. Avenida a sério. O que lá está agora, à mão direita de quem sobe a eternamente maltratada Rua do Molhe, é um bocado de caminho com saída para o campo e a praia a dois passos. Bem bom. Uma avenidazinha privativa que muito deve agradar à exclusiva nata nevogildense.
E tenho de confessar: não os critico, aos notáveis de Nevogilde, gente de bem. Eu, se estivesse no lugar deles, também não queria uma avenida a passar à porta de uma das minhas casas. Sim. Porque, se eu estivesse no lugar deles, também tinha... várias casas. Ou o que é que pensam?

(Ler mais em Menos uma dor de cabeça para Menezes)