Tem razão o ministro Augusto Santos Silva. "Seria um absurdo uma interpretação literal da lei" no caso que envolve o secretário de Estado da Protecção Civil e os negócios que a empresa do filho celebrou com o Estado. A leis, quando se fazem, sobretudo no que diz respeito ao prazenteiro binómio corrupção-políticos, é para terem uma interpretação musical.
Por falar nisso: bate a uma da tarde de quinta-feira, dia 1 de Agosto de 2019. José Artur Neves, o secretário de Estado pai do filho do secretário de Estado, ainda não se demitiu nem foi demitido. Que se saiba.
Mostrar mensagens com a etiqueta Artur Santos Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artur Santos Silva. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Avenida sem saída
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Há uma avenida na cidade do Porto que não vai a lado nenhum. É uma avenida sem saída, um projecto de avenida que não sai do papel. Chama-se Avenida Nun'Álvares, tem tabuleta e tudo, e foi inventada por Rui Rio, em 2007, para fazer a ligação da Praça do Império, na Foz, à Avenida da Boavista, atravessando a muito bem frequentada freguesia de Nevogilde. Era para ser uma coisa em grande: uma mega-avenida com quilómetro e meio de comprimento, três-faixas-três em cada sentido, separador central, ciclovia, zonas de estacionamento e passeios de ambos os lados, o que dava a módica largura de 37 metros.
Caíram logo o Carmo e a Trindade. "Aqui-d'el-rei, que nos querem roubar o sossego!", gritou a indignada nobreza nevogildense, conjurando reuniões e abaixo-assinados e mandando à frente a Junta de Freguesia local. Figurões como Paulo Azevedo, Artur Santos Silva, Miguel Veiga, Pulido Valente, Rui Moreira ou Souto Moura deram a cara pela revolta da fina-flor, na retaguarda, mas enganaram-se no número da porta: Rui Rio corta sempre a direito e nunca cede a pressões. Nem dos amigos, que até nem serão assim tantos. Para além disso, se calhar a superavenida dava jeito ao presidente da Câmara do Porto para as suas corridas de carrinhos.
E a coisa tem avançado. Devagar, para não levantar mais ondas, mas a verdade é que a autarquia da Invicta tem dado, com segurança e determinação, os passos política e tecnicamente tidos e achados por necessários e essenciais para que estejam rápida e completamente prontos e aprovados os projectos dos projectos que enformarão os projectos do projecto preliminar da avenida.
Rui Rio vai-se embora para o ano. E assim já não sei outra vez se vai haver avenida ou não. Avenida a sério. O que lá está agora, à mão direita de quem sobe a eternamente maltratada Rua do Molhe, é um bocado de caminho com saída para o campo e a praia a dois passos. Bem bom. Uma avenidazinha privativa que muito deve agradar à exclusiva nata nevogildense.
E tenho de confessar: não os critico, aos notáveis de Nevogilde, gente de bem. Eu, se estivesse no lugar deles, também não queria uma avenida a passar à porta de uma das minhas casas. Sim. Porque, se eu estivesse no lugar deles, também tinha... várias casas. Ou o que é que pensam?
(Ler mais em Menos uma dor de cabeça para Menezes)
Etiquetas:
Artur Santos Silva,
Avenida da Boavista,
Avenida Nun'Álvares,
Câmara do Porto,
Circuito da Boavista,
Foz,
Miguel Veiga,
Nevogilde,
Paulo Azevedo,
Pulido Valente,
Rua do Molhe,
Rui Moreira,
Rui Rio,
Souto Moura
sexta-feira, 16 de março de 2012
Há um coelho no Parque
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Este é um documento histórico. Os coelhos estão de volta ao Parque da Cidade do Porto. Pelo menos um, e vou chamar-lhe Sebastião. D. Sebastião. Admito que o registo fotográfico até pode ser fatela e profissionalmente criticável, mas é preciso que se note que foi conseguido com risco da própria vida. Da minha, que me faz uma certa diferença e estou aqui que ainda tremo. Por outro lado, espero que seja devidamente valorizada a reserva deontológica com que apresento à ciência e ao mundo este inestimável instantâneo: D. Sebastião está de costas, não lhe mostro a cara; da maneira que as coisas andam, com a razia que por lá vai, expô-lo era assinar-lhe a certidão de óbito.
Não sei se Rui Rio leu a minha carta aberta ou se a Gulbenkian despachou o meu pedido. Não sei se o Sebastião é o último sobrevivente do coelhocídio perpetrado no Parque ou se é o primeiro de um repovoamento que se impunha. Fundamental é arranjar-lhe o mais rapidamente possível uma coelha. Como é do conhecimento geral, os coelhos são lixados para o truca-truca, levam tudo à frente. E, à falta de uma fêmea da mesma espécie, temo que o nosso Desejado, em dia de acrisolado tesão, acabe por acoplar-se, por exemplo, a uma cisna, que as há no Parque oferecidas e mais que as mães, e sabe-se lá que bicho sai dali depois.
A minha demanda está por ora terminada. Não procuro prémios (de todo merecidos, aliás), basta-me o consolo do dever cumprido. E agradeço que me chamem para a próxima arrozada.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Um mecenas para os coelhos
Eu parece-me grave que ninguém queira saber do que aconteceu aos coelhos do Parque da Cidade, que eram às centenas e desapareceram, como que por artes mágicas e negras, duma noite para o dia. Atafulhados em assuntos e iniciativas culturais até às orelhas, o presidente Rui Rio e a Câmara do Porto ignoram olimpicamente as minhas sucessivas e lancinantes denúncias, estimando porventura que este é um assunto de lana-caprina. Mas não é. Lã de cabra é uma coisa, pele de coelho é bem outra. As jotas dos partidos moinantes, sempre atesoadas para agarrarem com ambas as mãos as temáticas fracturantes, têm esta aqui tão jeitosa e dada por mim praticamente de graça, mas viram-me as costas e mandam-me foder. E até o Bloco de Esquerda, amiguinho dos animais como não há, só se preocupa com os coelhos se eles tiverem cornos e forem toureados no Campo Pequeno, em Lisboa. Coelhos grandes, os chamados coelhões!
Havia a hipótese Felícia Cabrita, famosa jornalista de investigação que podia fazer luz sobre o caso. Luz do Sol. Cheguei a pensar que a Cabrita, até por solidariedade onomática, quisesse saber dos coelhos. Mas nada. E o Pedro Passos, o de São Bento, devia também fazer alguma coisa, quanto mais não fosse por uma questão de preservação de linhagem, mas não mexeu nem um dedo. Coelho por coelho, um destes dias é ele quem desaparece e eu ainda me vou rir.
Para mim, houve coelhocídio no Parque, massacre em massa. Ou, o que é mais provável, em arrozada. E eu não descansarei enquanto não souber toda a verdade. O mistério dos coelhos desaparecidos tem que ser resolvido. Artur Santos Silva pode e deve ajudar a resolvê-lo. É esta a minha esperança desde ontem. O que a memória dos coelhos do Parque da Cidade do Porto merece, exige e estava a precisar era mesmo de um mecenas assim à medida do homem do BPI.
Faço aqui o apelo ao novo presidente da Gulbenkian: que vá aos, graças a Deus, fundos sem fundo da fundação e retire de lá uma qualquer-coisinha que dê e sobre para reunir e manter uma equipa multidisciplinar que investigue, estude a esclareça de uma vez por todas e pelo tempo que for preciso, quanto mais tempo melhor, a coelhal problemática. Ande lá, não lhe custa nada, reúna essa gente, senhor doutor! Eu estou de vago, posso ser o primeiro.
Etiquetas:
Artur Santos Silva,
BE,
BPI,
coelhos,
Felícia Cabrita,
Gulbenkian,
moinas,
Parque da Cidade,
Passos Coelho,
política,
Porto,
série What's up doc?
Subscrever:
Mensagens (Atom)