Eu parece-me grave que ninguém queira saber do que aconteceu aos coelhos do Parque da Cidade, que eram às centenas e desapareceram, como que por artes mágicas e negras, duma noite para o dia. Atafulhados em assuntos e iniciativas culturais até às orelhas, o presidente Rui Rio e a Câmara do Porto ignoram olimpicamente as minhas sucessivas e lancinantes denúncias, estimando porventura que este é um assunto de lana-caprina. Mas não é. Lã de cabra é uma coisa, pele de coelho é bem outra. As jotas dos partidos moinantes, sempre atesoadas para agarrarem com ambas as mãos as temáticas fracturantes, têm esta aqui tão jeitosa e dada por mim praticamente de graça, mas viram-me as costas e mandam-me foder. E até o Bloco de Esquerda, amiguinho dos animais como não há, só se preocupa com os coelhos se eles tiverem cornos e forem toureados no Campo Pequeno, em Lisboa. Coelhos grandes, os chamados coelhões!
Havia a hipótese Felícia Cabrita, famosa jornalista de investigação que podia fazer luz sobre o caso. Luz do Sol. Cheguei a pensar que a Cabrita, até por solidariedade onomática, quisesse saber dos coelhos. Mas nada. E o Pedro Passos, o de São Bento, devia também fazer alguma coisa, quanto mais não fosse por uma questão de preservação de linhagem, mas não mexeu nem um dedo. Coelho por coelho, um destes dias é ele quem desaparece e eu ainda me vou rir.
Para mim, houve coelhocídio no Parque, massacre em massa. Ou, o que é mais provável, em arrozada. E eu não descansarei enquanto não souber toda a verdade. O mistério dos coelhos desaparecidos tem que ser resolvido. Artur Santos Silva pode e deve ajudar a resolvê-lo. É esta a minha esperança desde ontem. O que a memória dos coelhos do Parque da Cidade do Porto merece, exige e estava a precisar era mesmo de um mecenas assim à medida do homem do BPI.
Faço aqui o apelo ao novo presidente da Gulbenkian: que vá aos, graças a Deus, fundos sem fundo da fundação e retire de lá uma qualquer-coisinha que dê e sobre para reunir e manter uma equipa multidisciplinar que investigue, estude a esclareça de uma vez por todas e pelo tempo que for preciso, quanto mais tempo melhor, a coelhal problemática. Ande lá, não lhe custa nada, reúna essa gente, senhor doutor! Eu estou de vago, posso ser o primeiro.