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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Menos uma dor de cabeça para Menezes

Luís Filipe Menezes recebeu ontem apoio total da concelhia do Porto do PSD para ser o candidato do partido à Câmara da Invicta. Um apoio unânime que não tinha outro remédio e que a Menezes fazia tanta falta como uma viola num enterro: o actual presidente da Câmara de Gaia já tinha avisado que atravessaria a ponte e concorreria à Ribeira do lado de cá, "em toda e qualquer circunstância". Era uma "decisão irrevogável", o PSD que se amanhasse. E amanhou.
Quanto a Rui Rio, engole o sapo e limpa a mesa e gavetas antes de sair. Honra lhe seja, o futuro ex-presidente da Câmara do Porto está a procurar arrumar a casa e resolver os dossiês mais bicudos da autarquia, para poder entregar ao seu sucessor uma herança leve como uma pena. Inimigos, inimigos, políticas à parte.
Por exemplo: lembram-se daquela mega-avenida inventada por Rui Rio em 2007 e que nunca mais saiu do papel nem vai a lado nenhum? A famigerada Avenida Nun'Álvares sobre a qual já aqui escrevi? Pois bem: pode ter passado despercebido à maioria dos portuenses, mas a verdade é que o assunto foi finalmente resolvido. A Avenida Nun'Álvares já não é um problema no Porto. Rui Rio mudou a placa. Agora chama-se Avenida D. Pedo IV.

                                                      Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Avenida sem saída

Foto Hernâni Von Doellinger

Há uma avenida na cidade do Porto que não vai a lado nenhum. É uma avenida sem saída, um projecto de avenida que não sai do papel. Chama-se Avenida Nun'Álvares, tem tabuleta e tudo, e foi inventada por Rui Rio, em 2007, para fazer a ligação da Praça do Império, na Foz, à Avenida da Boavista, atravessando a muito bem frequentada freguesia de Nevogilde. Era para ser uma coisa em grande: uma mega-avenida com quilómetro e meio de comprimento, três-faixas-três em cada sentido, separador central, ciclovia, zonas de estacionamento e passeios de ambos os lados, o que dava a módica largura de 37 metros.
Caíram logo o Carmo e a Trindade. "Aqui-d'el-rei, que nos querem roubar o sossego!", gritou a indignada nobreza nevogildense, conjurando reuniões e abaixo-assinados e mandando à frente a Junta de Freguesia local. Figurões como Paulo Azevedo, Artur Santos Silva, Miguel Veiga, Pulido Valente, Rui Moreira ou Souto Moura deram a cara pela revolta da fina-flor, na retaguarda, mas enganaram-se no número da porta: Rui Rio corta sempre a direito e nunca cede a pressões. Nem dos amigos, que até nem serão assim tantos. Para além disso, se calhar a superavenida dava jeito ao presidente da Câmara do Porto para as suas corridas de carrinhos.
E a coisa tem avançado. Devagar, para não levantar mais ondas, mas a verdade é que a autarquia da Invicta tem dado, com segurança e determinação, os passos política e tecnicamente tidos e achados por necessários e essenciais para que estejam rápida e completamente prontos e aprovados os projectos dos projectos que enformarão os projectos do projecto preliminar da avenida.
Rui Rio vai-se embora para o ano. E assim já não sei outra vez se vai haver avenida ou não. Avenida a sério. O que lá está agora, à mão direita de quem sobe a eternamente maltratada Rua do Molhe, é um bocado de caminho com saída para o campo e a praia a dois passos. Bem bom. Uma avenidazinha privativa que muito deve agradar à exclusiva nata nevogildense.
E tenho de confessar: não os critico, aos notáveis de Nevogilde, gente de bem. Eu, se estivesse no lugar deles, também não queria uma avenida a passar à porta de uma das minhas casas. Sim. Porque, se eu estivesse no lugar deles, também tinha... várias casas. Ou o que é que pensam?

(Ler mais em Menos uma dor de cabeça para Menezes)