| Foto Hernâni Von Doellinger |
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terça-feira, 3 de novembro de 2026
Com a casa às costas
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sexta-feira, 30 de outubro de 2026
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
sábado, 24 de outubro de 2026
O Emplastro, usa-se e deita-se fora
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| Foto Maria João Gala / Jornal de Notícias |
Aquela altura do ano
Uma vez em Agosto. "Cão deixado no lixo dentro de um saco gera onda de solidariedade em Vila Real", anunciava o jornal. Acrescentando: "Plataforma Proanimal alerta que nesta altura do ano há mais animais abandonados e menos pessoas disponíveis para os acolher." Verdade como punho, ontem como hoje. Embora não gere nenhuma "onda de solidariedade", está curiosamente a acontecer o mesmo com os velhos e com os recém-nascidos, por assim dizer, humanos - cada vez mais abandonados e com cada vez menos pessoas disponíveis para os acolher. É. Vivemos realmente uma "altura do ano" perigosíssima. Mas os cãezinhos, Senhor...
O cidadão Fernando Alves. O Animal, chamam-lhe, ou o Emplastro, que, segundo o semanário Expresso, foi contratado por agências turísticas para acompanhar os passeios pelo menos bêbados de mais de 15 mil finalistas universitários portugueses a Espanha, isto só em 2008. Quinze mil doutores, em dinheiro de hoje em dia, e devem estar todos agora a mandar no país. O extraordinário Emplastro que até foi ao Herman SIC e teve direito a dentes novos, dados por um desinteresseiro benemérito, ó que publicidade tão bem empregue.
Eu sei que há guerras por esse mundo fora, cá em casa Portugal arde, o país é assumidamente racista, já sem pedir desculpa, as crianças nascem na rua ou nas ambulâncias, bebés são deitados ao lixo e velhotes também, os ministros enrodilham-se em contas malfeitas e histórias mal contadas, os novos fascistas medram como cogumelos, as mulheres regressam à cozinha, até Deus anda metido com indivíduos da pior espécie, mas o campeonato de futebol começou e, portanto, o nosso Fernando apresentou-se ao serviço. A televisão sem ele é uma seca, e com ele também, mas o Fernando tem pinta. Tudo continua normal, normalíssimo, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas, como dizia Sérgio Godinho, o escritor de canções. O pior é mesmo o defeso futebolístico, que, felizmente, já lá vai. No defeso, como o próprio nome indica, ninguém quer saber se o Fernando é herdeiro do Pinto da Costa ou filho do Luís Filipe Vieira, ou pai do Frederico Varandas ou sócio do António Salvador, e então o que é que se passa? Isto: sem câmaras de televisão para preencher, o Emplastro monta base à porta de um restaurante de Matosinhos, não sei se convidado ou somente tolerado pela gerência, e abrilhanta, à saída, copos de brutos, hic!, quero dizer, fotos de grupos, gente bem. Nos intervalos das suas pertinentes intervenções (faz cara de Emplastro, só lhe pedem isso), o Fernando deita-se na soleira da porta ao lado e então faz papel de famélico de Calcutá, o que lhe fica um bocado mal, estando ele gordo como um chino. E pede, se vê uma máquina fotográfica, "Uma moedinha, é para comer, é para comer..." - o número do costume. Não sei quem é que actualmente lhe está a cuidar da imagem e da carreira, o superagente Jorge Mendes não é de certeza, mas há ali qualquer coisa que não bate certo. Eu sei, já disse, é no defeso, mas isso não explica tudo.
Eu sei que há guerras por esse mundo fora, cá em casa Portugal arde, o país é assumidamente racista, já sem pedir desculpa, as crianças nascem na rua ou nas ambulâncias, bebés são deitados ao lixo e velhotes também, os ministros enrodilham-se em contas malfeitas e histórias mal contadas, os novos fascistas medram como cogumelos, as mulheres regressam à cozinha, até Deus anda metido com indivíduos da pior espécie, mas o campeonato de futebol começou e, portanto, o nosso Fernando apresentou-se ao serviço. A televisão sem ele é uma seca, e com ele também, mas o Fernando tem pinta. Tudo continua normal, normalíssimo, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas, como dizia Sérgio Godinho, o escritor de canções. O pior é mesmo o defeso futebolístico, que, felizmente, já lá vai. No defeso, como o próprio nome indica, ninguém quer saber se o Fernando é herdeiro do Pinto da Costa ou filho do Luís Filipe Vieira, ou pai do Frederico Varandas ou sócio do António Salvador, e então o que é que se passa? Isto: sem câmaras de televisão para preencher, o Emplastro monta base à porta de um restaurante de Matosinhos, não sei se convidado ou somente tolerado pela gerência, e abrilhanta, à saída, copos de brutos, hic!, quero dizer, fotos de grupos, gente bem. Nos intervalos das suas pertinentes intervenções (faz cara de Emplastro, só lhe pedem isso), o Fernando deita-se na soleira da porta ao lado e então faz papel de famélico de Calcutá, o que lhe fica um bocado mal, estando ele gordo como um chino. E pede, se vê uma máquina fotográfica, "Uma moedinha, é para comer, é para comer..." - o número do costume. Não sei quem é que actualmente lhe está a cuidar da imagem e da carreira, o superagente Jorge Mendes não é de certeza, mas há ali qualquer coisa que não bate certo. Eu sei, já disse, é no defeso, mas isso não explica tudo.
O Fernando fez-se Emplastro a pulso, porque não é tolo nenhum - ao contrário do que muitas pessoas possam pensar -, mas também deu jeito a certas e determinadas televisões que ele fosse assim. E aos jornais. E às revistas. Pois se até o "entrevistavam" e lhe fizeram o "perfil"! Por outro lado, também já mete um bocado de nojo, não é verdade? Às tantas ainda o mandam para a Arábia Saudita.
Posso dar um palpite? Posso e é o seguinte: ninguém vai querer saber do Emplastro, quando o Fernando estiver deitado na soleira e for a sério (à séria, se lido em Lisboa). Nem os comensais arrotantes nem os estudantes terminais. Quem ousará sobressaltar-se quando o Animal for realmente abandonado?...
Posso dar um palpite? Posso e é o seguinte: ninguém vai querer saber do Emplastro, quando o Fernando estiver deitado na soleira e for a sério (à séria, se lido em Lisboa). Nem os comensais arrotantes nem os estudantes terminais. Quem ousará sobressaltar-se quando o Animal for realmente abandonado?...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Texto original publicado em Junho de 2015. Afinal, lá em cima, à direita, na excelentíssima foto de Maria João Gala, o nosso indispensável Emplasto, o verdadeiro falso sem-abrigo português, é que foi dar força à malta. Isto, sim, é altruísmo, e certamente também foi um belo momento de televisão. A fotografia, se não me enganaram, é da acampada-aconchada-arruada "pelo direito à habitação" desta tarde, na cidade do Porto.)
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quarta-feira, 21 de outubro de 2026
sábado, 10 de outubro de 2026
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quinta-feira, 8 de outubro de 2026
sábado, 3 de outubro de 2026
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
terça-feira, 29 de setembro de 2026
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Ah, se os cães soubessem ler...
| Foto Hernâni Von Doellinger |
A miúda era gira. Pelo menos vista por trás. Vestia um calçãozinho vermelho, resumido, e levava dois cães pela mão, cada cão por sua trela. Não sei de raças de canídeos, só distingo duas: a raça grande e a raça pequena. Estes dois eram dos grandes, dos que habitualmente gostam de meter-se comigo, dos que gostam de saber a que é que sabem as minhas pernas.
A miúda era gira, dizia eu, e preparava-se para entrar no Parque da Cidade do Porto. Via-se que andava a apalpar terreno, devia ser a sua primeira vez. E decerto foi por isso que fez o que eu nunca tinha visto alguém fazer: parou a ler o painel com as "Normas de Circulação de Cães". Pelo tempo que demorou, deu para perceber que leu toda a informação, de uma ponta a outra. Depois pareceu-me que verificou se estava tudo ok - olhando por si abaixo, para as trelas e para os cães -, e só então é que avançou. Apeteceu-me aplaudir! Bater palmas à atitude cuidadosa, ao respeito pelos outros, à lição de cidadania, ao calçãozinho vermelho. Resumido.
Eu próprio fiquei curioso e fui dar uma vista de olhos ao painel. Há um igual em cada entrada do Parque. O painel explica sumariamente o que são "cães potencialmente perigosos" e "cães perigosos", ajuda a identificar, com fotos e notas explicativas, as "raças potencialmente perigosas" e, no seu corpo central, alinha as quatro normas fundamentais a observar. Que são:
"1. É obrigatório para todos os cães o uso de coleira ou peitoral, no qual deve estar inscrito, de forma visível, o nome e morada ou telefone do seu detentor.
2. Os cães devem circular com trela e sempre acompanhados pelo seu detentor.
3. Os cães perigosos ou potencialmente perigosos devem circular no Parque da Cidade acompanhados pelo seu detentor, maior de 16 anos, e com uma trela curta até 1 metro, que deverá estar fixa à coleira ou peitoral e açaimo funcional.
4. Os detentores dos animais deverão, em qualquer deslocação, fazer-se acompanhar do boletim sanitário dos animais com os quais circulam."
Infelizmente os cães não sabem ler, e isso faz diferença a muitos donos.
P.S. - Publicado originalmente no dia 29 de Março de 2012. No dia 6 de Julho de 1885, Louis Pasteur testou com sucesso a sua vacina antirrábica em Joseph Meister, um rapaz que fora mordido por um cão com raiva. Pasteur nasceu a 27 de Dezembro de 1822 e morreu a 28 de Setembro de 1895. Hoje é Dia Mundial da Raiva.
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domingo, 27 de setembro de 2026
sábado, 26 de setembro de 2026
Massacre no Parque
Meus amigos! Os coelhos do Parque da Cidade do Porto estão a desaparecer a olhos vistos. Alguém ou algo lhes está a acabar com a raça, e logo aos coelhos, que, como se sabe, procriam como coelhos. Há ali massacre em massa. Ou, talvez mais provável, em arrozada. Em todo o caso, creio estarmos inequivocamente perante a nefanda perpetração de um a todos os títulos condenável coelhocídio. Ora bem, para princípio de conversa: eu também sou frequentador, também tenho direito, aprecio o petisco, portanto muito gostaria de saber onde é que são as tainadas e agradeço que me chamem para a próxima.
Os coelhos do Parque da Cidade do Porto, que é deles, realmente? Eles eram às centenas, se calhar milhares, e agora nem um para amostra. Ainda uma destas manhãs passei por lá, chovia, portanto estava um rico dia para a prática, quando chove os coelhos vêm todos cá para fora, e nada. O que é que aconteceu ali? O que é que nos anda a ser escondido? Uma matança ordenada pela própria autarquia? Os coelhos fugiram todos para o Presépio, distraidamente convencidos de que já estamos na Páscoa? Cresceram e já não são coelhos, serão agora coelhões? O Passos Coelho anda por aí e eles, solidários, também não? Seriam do Benfica e têm vergonha de aparecer? Serão ciganos ou pretos, e ala que se faz tarde? De uma vez por todas, quem é que os anda a comer?
Procuro, e não encontro. Pergunto, e não me respondem. Bato a portas e janelas, e nada. Ou quase nada. Às vezes mandam-me um balde de água choca pela cabeça abaixo...
Eu parece-me grave que, tirante a minha própria pessoa, mais ninguém queira saber do que aconteceu realmente aos coelhos do Parque da Cidade, que se desvaneceram, como que por artes mágicas e negras, como se tivessem asas, duma noite para o dia. A Câmara do Porto não liga, a de Moimenta da Beira também não, mas justifica-se, as jotas dos partidos políticos, sempre tão atesoadas para se agarrarem a temáticas fracturantes, têm esta aqui tão jeitosa mas não estão para aí viradas. Ao Chega só lhe interessava se os coelhos fossem da Judiciária. E até o Bloco de Esquerda e o PAN, amiguinhos dos animais como não há, só se preocupam com os coelhos se eles tiverem cornos e forem toureados no Campo Pequeno, em Lisboa.
Ninguém me tira a ideia, para mim houve massacre no Parque. O massacre dos coelhos.
Os coelhos do Parque da Cidade do Porto, que é deles, realmente? Eles eram às centenas, se calhar milhares, e agora nem um para amostra. Ainda uma destas manhãs passei por lá, chovia, portanto estava um rico dia para a prática, quando chove os coelhos vêm todos cá para fora, e nada. O que é que aconteceu ali? O que é que nos anda a ser escondido? Uma matança ordenada pela própria autarquia? Os coelhos fugiram todos para o Presépio, distraidamente convencidos de que já estamos na Páscoa? Cresceram e já não são coelhos, serão agora coelhões? O Passos Coelho anda por aí e eles, solidários, também não? Seriam do Benfica e têm vergonha de aparecer? Serão ciganos ou pretos, e ala que se faz tarde? De uma vez por todas, quem é que os anda a comer?
Procuro, e não encontro. Pergunto, e não me respondem. Bato a portas e janelas, e nada. Ou quase nada. Às vezes mandam-me um balde de água choca pela cabeça abaixo...
Eu parece-me grave que, tirante a minha própria pessoa, mais ninguém queira saber do que aconteceu realmente aos coelhos do Parque da Cidade, que se desvaneceram, como que por artes mágicas e negras, como se tivessem asas, duma noite para o dia. A Câmara do Porto não liga, a de Moimenta da Beira também não, mas justifica-se, as jotas dos partidos políticos, sempre tão atesoadas para se agarrarem a temáticas fracturantes, têm esta aqui tão jeitosa mas não estão para aí viradas. Ao Chega só lhe interessava se os coelhos fossem da Judiciária. E até o Bloco de Esquerda e o PAN, amiguinhos dos animais como não há, só se preocupam com os coelhos se eles tiverem cornos e forem toureados no Campo Pequeno, em Lisboa.
Ninguém me tira a ideia, para mim houve massacre no Parque. O massacre dos coelhos.
P.S. - Hoje é Dia Internacional do Coelho.
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