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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Manuel Bandeira 9

"Carnaval", Manuel Bandeira 

(Manuel Bandeira nasceu no dia 19 de Abril de 1886. Morreu em 1968.)

domingo, 19 de abril de 2020

Manuel Bandeira 8

Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...


- O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

"Libertinagem", Manuel Bandeira

(Manuel Bandeira nasceu no dia 19 de Abril de 1886. Morreu em 1968.)

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Manuel Bandeira 7

O último poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.


"Libertinagem", Manuel Bandeira

(Manuel Bandeira nasceu no dia 19 de Abril de 1886. Morreu em 1968.)

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Manuel Bandeira 6

O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

(Manuel Bandeira nasceu no dia 19 de Abril de 1886. Morreu em 1968.)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Manuel Bandeira 5

A cópula

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
não pôde ele conter-se e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou, porém. Antes, mais rijo, alteou-se
e fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: "Eu morro! Ai não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz, que, aceso como um diabo,
Arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra)
lhe enfia cona a dentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira 

(Manuel Bandeira nasceu no dia 19 de Abril de 1886. Morreu em 1968.)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mozart no céu, segundo Manuel Bandeira

Mozart no céu

No dia 5 de dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus Mozart entrou no céu, como um artista de circo,
fazendo piruetas extraordinárias sobre um mirabolante cavalo branco.

Os anjinhos atônitos diziam: Que foi? Que não foi?
Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas suplementares superiores da pauta.

Um momento se suspendeu a contemplação inefável.
A Virgem beijou-o na testa
E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais moço dos anjos
.

Manuel Bandeira, "Lira dos Cinquent'anos"