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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Um beijo, é o que te estimo

Dizem-me que as palavras já não valem nada. Mentira. As palavras são cada vez mais poderosas, as palavras dominam as nossas vidas. As palavras até tomaram o lugar dos factos, dos afectos, dos carinhos. Reparai. Antigamente davam-se beijos, davam-se abraços. Agora dizem-se beijos, dizem-se abraços. O gesto ancestral e puro, carnal, verdadeiro, foi substituído pela retórica etiquetada, o contacto físico acabou vergado ao esboço da intenção - ao simulacro, à simulação. À dissimulação?
Dizemos "Beijinhos", dizemos "Abraço", dizemos olá de boca, e assim ficamos. Pelas palavras. Beijos e abraços são só vocábulos, paleio. Mantemos uma distância alegadamente higiénica entre nós, os alegados amigos uns dos outros. Amigos por computador. Dizemos. Enviamos. Remetemos. Aproveitamos a oportunidade para. Ao telefone, por escrito, ao vivo na pressa da rua, cara a cara, na patetice dos emojis. Dar a sério (à séria, se lido em Lisboa) é que não. Ninguém dá nada a ninguém - nem sequer beijos, nem sequer abraços. Fazemos votos de. "O que lhe estimo é um magnífico beijo", "Desejo-lhe um excelentíssimo abraço". E nisto estamos.
É. Olhai bem à vossa volta: as palavras estão em alta, navegam de vento em popa. As palavras. O falatório. Nunca tanto se palavrou. Nunca se falou tanto, nunca se mentiu tanto. Isso. Fala-se demais. O que verdadeiramente está em crise, por abuso, é a palavra, a palavra singular e definitiva, essa vaga memória de uma honra démodée que se arrasta pelas ruas da amargura - abandonada, pobre, cega e nua. Mas isto, claro, sou eu a dizer, e são apenas... palavras, palavras, palavras.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Beijo.

domingo, 13 de abril de 2025

Dava-te um beijo, mas não tenho...

Dizem-me que as palavras já não valem nada. Mentira. As palavras são cada vez mais poderosas, as palavras dominam as nossas vidas. As palavras até tomaram o lugar dos afectos, dos carinhos. Reparem. Antigamente davam-se beijos, davam-se abraços. Agora dizem-se beijos, dizem-se abraços. O gesto ancestral e puro foi substituído pela retórica etiquetada, o contacto físico acabou vergado ao esboço da intenção - à simulação. À dissimulação?
Dizemos "Beijinhos", dizemos "Abraço", dizemos olá de boca, e assim ficamos. Pelas palavras. Beijos e abraços são só vocábulos, paleio. Mantemos uma distância alegadamente higiénica entre nós, os alegados amigos uns dos outros. Amigos por computador. Dizemos. Enviamos. Remetemos. Aproveitamos a oportunidade para. Ao telefone, por escrito, ao vivo na pressa da rua, na patetice dos emojis. Dar a sério (à séria, se lido em Lisboa) é que não. Ninguém dá nada a ninguém - nem sequer beijos, nem sequer abraços. Fazemos votos de. "O que lhe estimo é um magnífico beijo", "Desejo-lhe um excelentíssimo abraço". E nisto estamos.
É. Olhem bem à volta: as palavras estão em alta, navegam de vento em popa. As palavras. O falatório. Nunca tanto se palavrou. Nunca se falou tanto, nunca se mentiu tanto. Isso. O que verdadeiramente está em crise é a palavra, a palavra singular e definitiva, essa vaga memória de uma honra démodée que se arrasta pelas ruas da amargura - abandonada, pobre, cega e nua. Mas isto, claro, sou eu a dizer e são apenas... palavras, palavras, palavras.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Beijo.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

quarta-feira, 13 de abril de 2022

O auto-suficiente

Beijo-me e desejo-me - dizia. 

P.S. - Hoje, 13 de Abril, é Dia Internacional do Beijo. E também será no próximo 6 de Julho. Dizem.

Estimo-lhe um beijo!

Dizemos "Beijinhos", dizemos "Abraço", dizemos olá de boca, e assim ficamos. Pelas palavras. Beijos e abraços são só vocábulos. Mantemos uma distância alegadamente higiénica entre nós, os alegados amigos uns dos outros. Dizemos. Enviamos. Aproveitamos a oportunidade para. Ao telefone, por escrito, ao vivo na pressa da rua, na patetice dos emojis. Dar a sério (à séria, se lido em Lisboa) é que não. Ninguém dá nada a ninguém - nem sequer beijos, nem sequer abraços. Fazemos votos de. "O que lhe estimo é um magnífico beijo", "Desejo-lhe um excelentíssimo abraço". E assim estamos.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Sinal dos tempos

Dizemos "Beijinhos", dizemos "Abraço", dizemos olá de boca, e assim ficamos. Pelas palavras. Beijos e abraços são só vocábulos. Mantemos uma distância alegadamente higiénica entre nós, os alegados amigos uns dos outros. Dizemos. Enviamos. Aproveitamos a oportunidade para. Ao telefone, por escrito, ao vivo na pressa da rua, na patetice dos emojis. Dar a sério (à séria, se lido em Lisboa) é que não. Ninguém dá nada a ninguém - nem sequer beijos, nem sequer abraços. Fazemos votos de. "O que lhe estimo é um magnífico beijo", "Desejo-lhe um excelentíssimo abraço". E assim estamos.

P.S. - Hoje, 6 de Julho, é Dia Internacional do Beijo, que também foi no dia 13 de Abril. Tanta fartura, para depois desrecomendar. Que seca!...

Ela viu um sapo

Era uma vez ela viu um sapo e levou o sapo para casa. Beijou o sapo, beijou o sapo, beijou o sapo, mas o sapo continuou sapo. Ela deitou o sapo fora e comprou um grilo.

O impossível beijo de Judas

Se fosse hoje, Jesus Cristo não teria morrido. E nós íamos todos para o inferno.

O testamento

O notário vacilou. Mas leu. O defunto deixava beijos e abraços. Distribuídos pelos inúmeros herdeiros em fracções de zero a 145, consoante o julgado merecimento de cada qual. Dinheiro não havia. Tinha ido todo em copos. E em beijos e abraços.

O auto-suficiente

Beijo-me e desejo-me - dizia. 

Num beijo

Num beijo nada! - queixava-se. E realmente.

Insolvência

Dava-te um beijo. Mas não tenho...

Como se...

Era efectivamente um poeta. Segredava-lhes ao ouvido, de voz pisca e olhos tremelicantes: - Beijo-te como se te beijasse...

terça-feira, 13 de abril de 2021

Como se...

Era efectivamente um poeta. Segredava-lhes ao ouvido, de voz pisca e olhos tremelicantes: - Beijo-te como se te beijasse...

P.S. - Hoje, 13 de Abril, é Dia Internacional do Beijo. E também será a 6 de Julho. Tanta fartura, para depois desrecomendar. Que seca!...

Insolvência

Dava-te um beijo. Mas não tenho...

Num beijo

Num beijo nada! - queixava-se. E realmente.

O auto-suficiente

Beijo-me e desejo-me - dizia. 

Quando a moça lhe estendeu a boca

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Num beijo

Insolvência
Dava-te um beijo. Mas não tenho...

Num beijo
Num beijo nada! - queixava-se. E realmente.

O auto-suficiente
Beijo-me e desejo-me - dizia.

Como se...
Era efectivamente um poeta. Segredava-lhes ao ouvido, de voz pisca e olhos tremelicantes: - Beijo-te como se te beijasse...

P.S. - Hoje, 6 de Julho, é Dia Internacional do Beijo. E também foi a 13 de Abril. Tanta fartura, para depois desrecomendar. Que seca!...