| Foto Hernâni Von Doellinger |
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Jogando ao pau com os ursos
Cada macaco no seu galho
"Em que ramo é que trabalhas?", perguntaram-lhe. E o macaco respondeu: "No de baixo, derivado às vertigens..."
E antes que me esqueça: por exemplo, o jogo do pau. O nosso indesmentível jogo do pau, que é tão nosso como dos outros. Porque não? Ou o berlinde, a carica, o pião, o espeto, a macaca, o moche, o tene, a cabra-cega, o arranca-cebolas, o mamã-dá-licença, o esconde-esconde. Ou o jogo da malha. Ou o jogo da bisca. Ou o jogo Benfica-CUF de 22 de Março de 1959. Porque não?
Por exemplo, as Janeiras, os Reis, as novenas, o terço e a bênção do Santíssimo. A incomparável procissão da Senhora de Antime e o pagamento de promessas de joelhos em Fátima. Porque não? As marchas de Lisboa e as rusgas do Porto e o Pai das Orelheiras e o carnaval de Ovar e as arruadas das bandas de Revelhe e Golães e a bicha das sete cabeças e a chega de bois e as "Velhas" da Terceira e as adufeiras de Monsanto e a Justiça de Fafe e a Porca de Murça e as pedras parideiras de Arouca e os zés-pereiras e os cabeçudos e os gigantones. Ou a cantiga no duche, ou a lengalenga do avô, ou a arenga de bêbado, ou o apita-o-comboio, ou o atirei-o-pau-ao-gato, ou o areias-era-um-camelo. Ou o canto pimba, ou o canto neiro. Porque não?
Por exemplo, os ranchos folclóricos, os conjuntos típicos, a Maria Albertina e o António Mafra, os grupos excursionistas, os motoclubes e as motosserras, que são serras onde se anda de mota. Ou as bandas de música de um modo geral, filarmónicas e copofónicas, indispensáveis. Porque não? Ou os bandos de malfeitores, banqueiros ou governantes, os salgados e os doces, da alheira de Mirandela ao pastel de Belém. Porque não?
Por exemplo, o manguito do Bordalo. Ou o caralho das Caldas. Porque não?
Por exemplo, o assobio. O assobio com dedos ou com as mãos em concha. Porque não?
Somos um país para o Guinness. É património até dar com um pau. É património sem mãos a medir. Com assinalável pertinácia, Portugal mete os dedos à boca e, com vossa licença, vomita património imaterial da humanidade por todos os lados. Um destes dias, sem darmos fé, estamos todos condecorados. Da cabeça aos pés.
Etiquetas:
cultura,
fafês,
FAMA,
Guinness,
Infância,
jogos,
língua portuguesa,
Mistérios de Fafe,
Património Cultural Imaterial da Humanidade,
série Memórias de Fafe,
Unesco
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Entre a bonomia e a canalhice
Já chega?
Mandaram-no abaixo de Braga e ele foi. Quando entrou em Celeirós, ligou a perguntar se já chegava...
O chefe que era mais chefe do que eu e estava evidentemente em Lisboa, comunista medalhado e, foi-se a ver depois, cúmplice envergonhado numa monumental leva de despedimentos colectivos, acusou-me de "bonomia", enquanto, por outro lado, baixava a crista e metia o rabinho entre as pernas, pelo menos tanto quanto me deu para ver no teclado nojento do velho telefone de serviço. "Bonomia", eu? Fiquei piurso com o gajo! Só me faltava essa agora, "bonomia". Ou por outra. Fui ao dicionário procurar a palavra e afinal achei muito bem.
(Do meu blogue Mistérios de Fafe)
Etiquetas:
bonomia,
desemprego,
emprego,
jornais,
jornalismo,
jornalistas,
língua portuguesa,
Mistérios de Fafe,
palavras,
série 24horas,
série Diálogos fafenses,
trabalhadores,
trabalho
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
O pintor que pintou Ana
"O pintor que pintou Ana
também pintou Leanor,
pintou a cara da mãe
com tinta da mesma cor."
Há outras versões da velha lengalenga, adaptações e até desenvolvimentos, mas foi assim simples que a aprendi do meu avô da Bomba. E lembrei-me dela e dele hoje outra vez, mesmo à bocadinho, no passeio à beira-mar...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe)
também pintou Leanor,
pintou a cara da mãe
com tinta da mesma cor."
Há outras versões da velha lengalenga, adaptações e até desenvolvimentos, mas foi assim simples que a aprendi do meu avô da Bomba. E lembrei-me dela e dele hoje outra vez, mesmo à bocadinho, no passeio à beira-mar...
Etiquetas:
lengalengas,
língua portuguesa,
Mistérios de Fafe,
nomes,
pintores,
série Fafenses excelentíssimos,
série Memórias de Fafe,
série O meu avô da Bomba
A vida aprende-se de ouvido
Já dizia Salomão
Nem oito nem oitenta. Digamos, trinta e seis.
"Doze, rebaldoze, vinte e quatro com catorze, dezasseis mais vinte e um - faz um cento menos um." Esta ensinou-ma o meu avô da Bomba, sem mais tempero. Eu teria sete, oito anos e não sabia de Alves Redol e de "Gaibéus". O Bô decerto também não. Mas é assim. A vida aprende-se de ouvido.
Etiquetas:
Alves Redol,
Bíblia,
equidade,
Gaibéus,
lengalengas,
língua portuguesa,
Mistérios de Fafe,
números,
Salomão,
série Fafenses excelentíssimos,
série Memórias de Fafe,
série O meu avô da Bomba
Subscrever:
Mensagens (Atom)