Como todo o bom católico, ele tinha um grande complexo de culpa. Edifício principal, duas unidades de produção, quatro armazéns, uma garagem com oficina, refeitório e zona social, parque de estacionamento e parque florestal, abrangendo uma área total de 51 hectares. Era realmente um enorme complexo.
sábado, 3 de dezembro de 2022
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
O mordomo do Papa e os filhos da púrpura
Isto de o Papa ter mordomo e de o mordomo vestir o Papa e passear no papamóvel com o Papa e de tomar o pequeno-almoço com o Papa e de intrigalhar com o Papa e de o Papa intrigalhar com o mordomo, eles os dois no serrote, de xícara na mão e mindinho espetado, filhos da púrpura acima, filhos da púrpura abaixo, faz-me lembrar o nosso José Castelo Branco, Deus me perdoe. O "Conde" também tinha mordomo e também acabaram mal. Por amor da santa! A minha Igreja só me dá desgostos.
P.S. - Publicado originalmente no dia 3 de Outubro de 2012. O Papa era Bento XVI. Três dias depois, faz hoje exactamente dez anos, o mordomo Paolo Gabriele, julgado por "roubo agravado" de documentos confidenciais, foi condenado a 18 meses de prisão pelo Tribunal do Vaticano.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Deus perdoa. A idade não.
- Então hoje não vai o bifinho?
- Peixinho, se faz favor.
- Faz questão?
- De princípio.
- Sexta-feira..., Quaresma..., pois..., quer-se dizer que o amigo é católico...
- Praticamente.
- Praticante?
- Ex-praticante. Sabe como é: a idade não perdoa. Mas continuo ligado à modalidade.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Religiosamente
- Somos Testemunhas de Jeová - responderam as duas senhoras muito simpáticas e pacientes.
- Olha, ainda por cima jeovás! Rua, andor daqui para fora! - mandou Dona Amélia, sacando do toco de vassoura, mais rápida que a própria sombra. - Eu não acredito nessas lérias. Eu não acredito na religião católica, que é a verdadeira, e ia agora... Xô, xô, xô, já disse!
A minha religião é o trabalho.
O fim do Inferno é mau para o negócio
Evidentemente o Inferno não existe. O Papa Francisco tinha razão quando o disse, e se calhar ouviu-me ou leu-me antes, não sei quando nem onde. Mas a Igreja - que se apressou a desmentir o chefe, dizendo que ele não disse o que disse - não pode admitir semelhante franqueza: porque o Inferno é a bomba atómica do catolicismo. Sem Inferno, o que é que a Igreja em sotaina tem para ameaçar ou dissuadir os seus fiéis? "Olhai, amai-vos uns aos outros"? Seria de rir, se não fosse obsceno. Para além disso, o fim do Inferno é mau para o negócio.
Ben-u-ron, uma questão de fé
A minha sogra gosta muito do Ben-u-ron. Reclama "o meu Banuronzinho" por tudo e por nada, geralmente só para marcar posição de doente diplomada, inscrita na ordem e com as cotas em dia, questão de princípio, mas também para a insónia ou para a sonolência, para a garganta seca ou molhada, para o frio e para o calor, para as correntes de ar e para o mau-olhado, para a diarreia ou para a prisão de ventre, para os arrotos e para os espirros, para a flatulência ou para a surdez ou para a anosmia, para as unhas encravadas ou para os pêlos do nariz. A minha sogra só não quer Ben-u-ron para as dores de que se queixa como quem reza o terço em latim ou para a febre que nunca tem por mais que meta o termómetro. Para o resto - isto é, para aquilo que não diz respeito ao Ben-u-ron - a miraculosa pastilha é trigo limpo, farinha amparo. "Tenho muito fé no Banuron!", justifica a minha sogra. E eu, verdade seja dita, questões de fé não discuto.
P.S. - Este texto não teve o patrocínio da Bene Farmacêutica, Ld.ª. Infelizmente.
O preço da fé
No tempo em que a fé era de graça, copo e vela dez tostões.
Andam aos pares, como o Senhor mandou para a arca, aos pares e de Bíblia na mão, e vê-se logo que são boas pessoas. Missionam a bom missionar, de porta em porta, no meio da rua, sujeitam-se a malcriadezas em nome da fé que têm para dar e vender, e dou-lhes valor por isso. Um par interpelou-me um destes dias, ali em baixo, no passeio à beira-mar onde às vezes montam banca:
- Um minutinho, por favor, já pensou no que lhe acontecerá quando morrer? E porque morremos? Não quer saber a verdade acerca da morte?
Eu, que achei a abordagem um bocado desajeitada e tétrica, desnecessariamente radical, resolvi dar-lhes uma ajuda, recentrando o assunto:
- Não é nada da morte que me querem falar, pois não? A morte até poderia ser um bom princípio, em termos de marketing, de aproximação tablóide à clientela, quero dizer, mas vocês querem é falar-me da vossa Igreja, querem converter-me à vossa Igreja, querem anunciar-me Deus, o único verdadeiro, Jeová, é ou não é?
Era.
- Então, em verdade vos digo, assim será feito - disse eu, com voz de sarça ardente ditando leis -, ouço-vos, vocês falam-me da vossa Igreja e de Jeová, mas só se também me derem tempo de antena para eu vos falar de uma mobília de sala de jantar muito jeitosa que tenho para vender.
- Mas para que queremos nós ouvi-lo falar acerca da mobília de sala de jantar, se temos uma praticamente nova, estamos tão bem servidos e não precisamos de mudar? - respondeu o par em coro e percebi logo que, para além de par, formava também casal.
A resposta era mesmo a que me calhava, portanto sentenciei:
- Pois, caríssimos irmãos, eu e Deus é a mesma coisa: já tenho um e estou muito contente com Ele. Vou agora trocar, porquê?
Moral da história: vendi-lhes duas mobílias de sala de jantar. E amém.
À capela
Cantava muito bem à capela. Pediram-lhe que cantasse à igreja. Disse que ainda não estava preparado...
O distraído
Quando deu fé, já era ateu.
Judas
Sejamos direitos: sem Judas não haveria salvação.
terça-feira, 6 de outubro de 2020
O mordomo do Papa e os filhos da púrpura
Já não bastava a indecência de o Papa ter mordomo. Agora saem-me em fascículos as histórias do mordomo, que está a ser julgado por ter posto ao léu as poucas-vergonhas da Igreja de púrpura. Algumas. O mordomo é o homem que tem por "funções vestir o Papa e viajar à sua frente no papamóvel". Coça-lhe as costas, chega-lhe os chinelos, conta-lhes as últimas, faz-lhe a cabeça, dá-lhe uns palpites e saca ao velho informações a bem dizer de confessionário, tudo exactamente como Jesus Cristo recomendou a São Pedro quando lhe entregou as chaves do Vaticano. Está na Bíblia.
Isto de o Papa ter mordomo e de o mordomo vestir o Papa e passear no papamóvel com o Papa e de tomar o pequeno-almoço com o Papa e de intrigalhar com o Papa e de o Papa intrigalhar com o mordomo, eles os dois no serrote, de xícara na mão e mindinho espetado, filhos da púrpura acima, filhos da púrpura abaixo, faz-me lembrar o nosso José Castelo Branco, Deus me perdoe. O "Conde" também tinha mordomo e também acabaram mal. A minha Igreja desgraça-se.
P.S. - Publicado originalmente no dia 3 de Outubro de 2012. O Papa era Bento XVI. Três dias depois, faz hoje oito anos, o mordomo Paolo Gabriele, julgado por "roubo agravado" de documentos confidenciais, foi condenado a 18 meses de prisão pelo Tribunal do Vaticano.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
O mordomo do Papa e os filhos da púrpura
Isto de o Papa ter mordomo e de o mordomo vestir o Papa e passear no papamóvel com o Papa e de tomar o pequeno-almoço com o Papa e de intrigalhar com o Papa e de o Papa intrigalhar com o mordomo, eles os dois no serrote, de xícara na mão e mindinho espetado, filhos da púrpura acima, filhos da púrpura abaixo, faz-me lembrar o nosso José Castelo Branco, Deus me perdoe. O "Conde" também tinha mordomo e também acabaram mal. A minha Igreja desgraça-se.
sábado, 7 de abril de 2012
Deus perdoa. A idade não.
- Peixinho, se faz favor...
- Faz questão?
- Questão de princípio.
- Quer-se dizer que o amigo é católico...
- Praticamente.
- Praticante?
- Ex-praticante. Sabe como é: a idade não perdoa. Mas continuo ligado à modalidade.