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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Atire-se ao vinho, porra!

Não se iluda com estas chuvadas de molha-tolos! Com o calor e a seca que tivemos todo o ano, com Espanha a fechar rios e a desviar caudais, com as barragens quase no sarro, com os canos aos safanões e as torneiras cheias de tosse e catarro, é preciso, é imperioso, é de vida ou morte moderar o consumo da água. Por si, pelos seus, por todos nós, pelo futuro, por favor atire-se ao vinho. Ao vinho, porra!

P.S. - Por mais estranho que possa parecer, assinala-se hoje o Início do Ano Hidroelétrico.

sábado, 1 de outubro de 2022

Carregue no vinho, porra!

Apelo. Com isto do calor e da seca, com a Espanha a fechar rios, com as barragens quase no sarro, com os canos aos safanões e as torneiras cheias de tosse e catarro, é preciso, é imperioso, é de vida ou morte moderar o consumo da água. Por si, pelos seus, por todos nós, pelo futuro, por favor carregue no vinho, porra!

segunda-feira, 21 de março de 2022

Que mal é que as árvores fizeram às câmaras municipais?

Era uma localidade um bocadinho estranha, porém exuberantemente moderna e cosmopolita. Nas suas principais entradas, a autarquia colocara frondosas tabuletas que avisavam os forasteiros: "Se quiser sombra, traga a sua própria árvore".  

P.S. - Hoje, 21 de Março, é Dia Mundial da Árvore e Dia Internacional da Floresta.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O banheiro e a banheira

Havia o banheiro. Que era um senhor geralmente concessionário de um pedaço de praia camarária e que, pelo Verão, na chamada época balnear, alugava barracas e cadeiras, e disso fazia modo de vida para o ano inteiro. Havia o banheiro. Que era um senhor robusto de calças arregaçadas que se embrulhava numa vestimenta de oleado de cor mais ou menos berrante e levava ao banho de mar, a bem ou a mal, adultos enfermos e sem poder de locomoção ou crianças renitentes e ganintes, como no meu tempo de miúdo, na Colónia Balnear Doutor Oliveira Salazar, na Gala, Figueira da Foz, ou ainda hoje em dia no ritual do banho santo de São Bartolomeu do Mar, Esposende. Portanto havia o banheiro. E havia a banheira. A banheira era a mulher do banheiro.
Agora com esta seca toda, não sei...

Uma mão lava a outra

Uma mão lava a outra. E as duas lavam os pés. E lavam as pernas e os braços e os sovacos e a barriga e as costas e os tomates e ilhas adjacentes e o pescoço e as orelhas e a cara e o cabelo ou a careca. É. Uma mão lava a outra. Mas cuidado com a água...

Que seca!

Madalena chorava por tudo e por nada. Um desperdício, nos tempos que correm...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Celestino Alves

Seca

Meu Deus, grande martírio ameaça o Norte,
donde a razão do que sofremos nós?
Será que a seca, este inimigo forte,
é um castigo pavoroso e atroz?

Sei bem que o homem é um pecador completo,
mas, sei de Ti, que o todo Teu é santo,
Sofremos nós do Teu juízo reto,
porém os brutos, por que sofrem tanto?

No pátio o gado ou por qualquer recanto
sofre em lamento, no seu triste urrar,
e o fazendeiro, na sua dor de espanto,
vive a canseira do seu labutar.

Seguindo o sertanejo a mendigar,
procura auxílio de um alguém que passa,
e, longe a roça que deixou, na praça,
vaga o destino de mais se humilhar.

Bem pode a seca calcinar o Norte,
desabitar o meu sertão amado,
fundir a terra, destruir o gado,
há porém sempre no sertanejo um forte.

"O Nordeste e as Secas", Celestino Alves

(Celestino Alves nasceu no dia 6 de Abril de 1929. Morreu em 1991.)