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domingo, 3 de maio de 2026

O sorriso do Zé Carlos Estantio

Com o riso não se brinca
Tomem-se todas as precauções. O riso é altamente contagioso. Recomenda-se o uso de máscara.

Consultei o catálogo. Há dezanove tipos de sorriso, dizem os entendidos, mas apenas seis são considerados sinal de felicidade ou alegria e somente um é avaliado como genuíno ou verdadeiro - o famoso sorriso de Duchenne, conhecido como "sorriso com os olhos", embora também envolva a boca. Vêm depois, por exemplo, o sorriso social, o sorriso de satisfação, o sorriso sorrateiro ou talvez malicioso, o sorriso de desprezo, o sorriso falso, o sorriso forçado, o sorriso sedutor, o sorriso triste, o sorriso de medo, o sorriso de resignação, o sorriso coquete e o sorriso amarelo. Dois sorrisos amarelos correspondem, evidentemente, a um sorriso vermelho. Junto-lhes eu, de borla, e não tendes nada que agradecer, o sorriso Pepsodent, o sorriso da Mona Lisa e, dentro do género, o sorriso do Zé Carlos Estantio.
O nosso Zé Carlos Estantio. Em Fafe, perguntai por ele aos mais velhos, que vos contem, e descobrireis, prometo-vos, uma figura estimável e singular. Um cromo da vila antiga, um mouro de trabalho, sempre a alombar de um lado para o outro, envolto numa nuvem de farinha, uma jóia de moço, desde que não se metessem com ele, uma cara personalizada, inesquecível. Não era por acaso que o Estantio se chamava Estantio.
O adjectivo estantio é um regionalismo baixo-minhoto, portanto nosso, que quer dizer estacado, pasmado, assarapantado. E o Zé Carlos era isso permanentemente, ao natural, a cara chapada do sorriso Duchenne, o tal que envolve os olhos e a boca, quer dizer, o músculo zigomático maior e o músculo orbicular do olho, para que melhor nos entendamos.
Os especialistas assinalam que um sorriso genuíno, a sério, ou à séria, se o sorriso for em Lisboa, pode implicar a contracção de dezassete músculos faciais. Postulado não aplicável, evidentemente, ao Zé Carlos Estantio, que exibia o sorriso Duchenne em todo o seu esplendor, de manhã à noite, e suponho que também durante o sono, sem esforço nenhum, isto é, sem mexer uma palha, quanto mais um músculo. A cara do Estantio estava formatada de nascença, predeterminada num sorriso quiçá difícil de entender, mas honesto e eterno. Livre. Hoje em dia, aliás, o sorriso de Duchenne poderia chamar-se, mais propriamente, sorriso do Zé Carlos Estantio, o que seria uma honra para Fafe e para todos os fafenses, termos o nosso sorriso na cara das outras pessoas, inclusivamente estrangeiras e até americanas, para não irmos mais longe.
Para todos os efeitos, a cara do Estantio, com o seu sorriso estampado, indelével, irrevogável, podia, por outro lado, ser considerada uma cara de gozo, de desafio. Podia e era perigoso. Lembrais-vos, aqui atrasado, quando o Sr. Sérgio Conceição estava de treinador do FC Porto e foi castigado com 30 dias de suspensão e mais de dez mil euros de multa por causa do seu "sorriso jocoso". E da outra vez em que foi expulso de um jogo derivado ao seu "olhar fulminante"? Um sorriso deslocado ou mal interpretado, em quantas tragédias já descambou? Pois é: a sorte do Zé Carlos é que nunca foi treinador do FC Porto e era de Fafe, uma terra de mansos costumes e bastante respeito, pelo menos às vezes.
O Estantio partiu e foi um sorriso que se perdeu, uma estrela que se apagou no firmamento local. Fafe ficou mais pobre. E nem vou falar do Chico Cereja, porque isso já é outro assunto, mais profundo, fica para outra maré. Isto, às tantas, cheirará a conversa de velho, e será, mas eu digo que Fafe tinha mais piada antigamente, no tempo dos fafenses excelentíssimos, e o Zé Carlos, parecendo que não, fazia parte dessa extraordinária elite. Havia sorrisos.
Agora há risos, a verdade também tem de ser dita. Chovem comediantes no Teatro-Cinema, à ordem dos dois ou três por mês, e são sempre um sucesso. Porreiro, porque rir faz bem à saúde, faz bem ao fígado, faz bem à pele, faz bem ao coração, faz bem à pituitária, faz bem à próstata, faz bem à alma, faz bem na gravidez, enfim, rir é o melhor remédio. Ainda bem que Fafe ri.
No fafês de antanho havia, se não estou em erro, expressões idiomáticas, ou idiotismos, como também se diz, que pressagiavam os tempos artificialmente alegres que hoje vivemos. Usavam-se nos cumprimentos à distância, nas saudações para o outro lado da rua, ou passando de carro, ditas entredentes a acompanhar o sorriso hipócrita e o aceno de mão automático, como se fosse "bom dia!" ou "boa tarde!", "olá, viva, como é que está!?", algo do género. Lembro-me daquela, muito batida - E se te fosses rir prò caralho? Ou da outra, utilizada regularmente pelo meu tio Américo e igualmente assertiva - Vai-te rir pra quem te monta!
Era. Os antigos sabiam muito! E havia educação.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Riso.)

sábado, 19 de julho de 2025

O trunfo Sérgio Conceição

Foto Hernâni Von Doellinger

Sérgio Conceição era o trunfo de Pinto da Costa para as eleições no FC Porto e foi noticiado como trunfo de Luís Filipe Vieira para as eleições no Benfica. Cotrim de Figueiredo, antigo presidente da Iniciativa Liberal, está a ponderar candidatar-se à Presidência da República. Será que já tem acordo com Sérgio Conceição?

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Sérgio Conceição, o novo Matusalém

Foto Hernâni Von Doellinger

Sérgio Conceição, treinador de futebol, chegou ao Milan e disse, a respeito de uma desimportância qualquer que lhe perguntaram: "Não tenho de mudar agora, tenho 50 anos, há 13 anos que faço este trabalho". O homem completo, o velho sábio. O Sr. Sérgio Conceição pensa que sabe tudo do mundo, mas sabe pouco da vida - ouso dizer eu, que, humildemente, tenho apenas 67 anos e faço este trabalho há apenas 43 anos e mudo todos os dias, várias vezes ao dia, e ainda não acertei, essa é que é a verdade. Conceição é uma criança, mas pensa que é Matusalém. Não é. Matusalém morreu aos 969 anos, inesperadamente, no ano mesmo do Dilúvio, e apenas porque decerto não saberia nadar.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

A vida bonita de Pepe

Foto Hernâni Von Doellinger

Aos 41 anos, acabadinho de deixar o futebol, no FC Porto e na Selecção Nacional, Pepe diz que, agora sim, está finalmente a desfrutar a vida, a vivê-la como nunca viveu, sobretudo com a família. Já andou de bicicleta na serra da Estrela, ontem entregou uma bolsa de estudo para investigação, paga do seu próprio bolso, e hoje, há instantes, arejou à beira-mar. Respondeu com um sorriso e uma palavra simpática a todos os cumprimentos, acedeu com alegria a pedidos de selfies, mãozadas e até abraços. "A vida é muito bonita", não se cansa de dizer Pepe. E um bocadinho de serrim com o pessoal de Sérgio Conceição também não faz mal nenhum...

sábado, 1 de junho de 2024

Às vezes o Sérgio Conceição

Foto Hernâni Von Doellinger

(O texto que se segue, escrevi-o e publiquei-o aqui no passado domingo, dia 26 de Maio, mais de duas horas antes do início do jogo da final da Taça de Portugal, entre Sporting e FC Porto. E, apostasse eu no Euromihões, acertei em tudo: na conquista da Taça, que mais uma vez agradeço ao Sérgio Conceição, e na merda que ele e os seus logo aprontaram, e que não havia necessidade.)

Sérgio Conceição, a quem, desde já, agradeço a Taça de Portugal de mais daqui a um bocado, continua a falar demais e a ser indelicado com André Villas-Boas, que faz de conta que é surdo e parvo e tem-no trazido nas palminhas. Esta bronquice do treinador, esta em particular, é extraordinariamente desnecessária. Parece que o Sérgio, que quer sair do FC Porto e não é de agora, tem medo que o André não o deixe ir embora, que pretenda ficar com ele a todo o custo, e então desata a ser inconveniente com o novo presidente do FC Porto e a repetir juramentos de eterna e inconsequente vassalagem a Jorge Nuno Pinto da Costa, a ver se o "libertam".
Tolice. O desconfiado Sérgio Conceição, que atira a tudo o que mexe, mexa-se ou não, não precisa de inventar casos para sair, pode ir à sua vida em paz, sem crises, com sentimento de missão cumprida e de alma limpa, como decerto deseja. André Villas-Boas não o quer, já tem treinador, outro, e se ainda não o disse publicamente foi só para proteger o FC Porto neste atribulado final de época.
Ao Sérgio, que só lhe ficava bem abster-se de debitar mais picardias tontas, mas não acredito, cabe-lhe, por ora, ganhar a Taça e mais nada. E muito obrigado por tudo! O resto depois é com mestre André. Se ainda houver depois, se ainda houver resto e se ainda houver pelo menos um bocadinho de FC Porto...

domingo, 26 de maio de 2024

Às vezes o Sérgio Conceição

Foto Hernâni Von Doellinger

Sérgio Conceição, a quem, desde já, agradeço a Taça de Portugal de mais daqui a um bocado, continua a falar demais e a ser indelicado com André Villas-Boas, que faz de conta que é surdo e parvo e tem-no trazido nas palminhas. Esta bronquice do treinador, esta em particular, é extraordinariamente desnecessária. Parece que o Sérgio, que quer sair do FC Porto e não é de agora, tem medo que o André não o deixe ir embora, que pretenda ficar com ele a todo o custo, e então desata a ser inconveniente com o novo presidente do FC Porto e a repetir juramentos de eterna e inconsequente vassalagem a Jorge Nuno Pinto da Costa, a ver se o "libertam". 
Tolice. O desconfiado Sérgio Conceição, que atira a tudo o que mexe, mexa-se ou não, não precisa de inventar casos para sair, pode ir à sua vida em paz, sem crises, com sentimento de missão cumprida e de alma limpa, como decerto deseja. André Villas-Boas não o quer, já tem treinador, outro, e se ainda não o disse publicamente foi só para proteger o FC Porto neste atribulado final de época.
Ao Sérgio, que só lhe ficava bem abster-se de debitar mais picardias tontas, mas não acredito, cabe-lhe, por ora, ganhar a Taça e mais nada. E muito obrigado por tudo! O resto depois é com mestre André. Se ainda houver depois, se ainda houver resto e se ainda houver pelo menos um bocadinho de FC Porto...

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Sérgio Conceição, perigoso cadastrado

Foto Hernâni Von Doellinger

Sérgio Conceição, treinador da principal equipa de futebol do FC Porto, foi castigado com 30 dias de suspensão e mais de dez mil euros de multa por causa do seu "sorriso jocoso". O Senhor Conceição, é preciso que se note, é, a este respeito, um perigoso cadastrado. Ainda aqui atrasado foi expulso de um jogo derivado ao seu "olhar fulminante". Está tudo nos relatórios, e o Conselho de Disciplina da FPF não podia fechar os olhos. Ademais, 30 dias e dez mil euros é o que manda a lei, está na tabela, que contempla a existência de 19 tipos de sorriso, mas apenas seis considerados como sinal de felicidade e somente um avaliado como genuíno ou verdadeiro - o famoso sorriso de Duchenne, utilizado sobretudo no campeonato francês.
A nível de moldura penal, o uso do sorriso jocoso no futebol, com ou sem licença de porte, é, com efeito, o mais penalizado pelo nosso conspícuo Conselho de Disciplina, seguindo-se, em moderado decrescendo de punição, o sorriso de desprezo, o sorriso malicioso, o sorriso falso, o sorriso forçado, o sorriso mais ou menos, o sorriso triste, o sorriso de medo e assim sucessivamente, para terminar no sorriso coquete, que certos árbitros também não apreciam, vá-se lá saber porquê. A legislação é omissa quanto ao sorriso Pepsodent e ao sorriso da Mona Lisa. Mas dois sorrisos amarelos dão vermelho.

Agora. Vamos supor o Estantio. Sim, o nosso Zé Carlos Estantio. Em Fafe, perguntem por ele aos mais velhos e descobrirão uma figura estimável e singular. Mas tinha uma cara. Admitamos que a cara do Estantio - e não era por acaso que o Estantio se chamava Estantio -, admitamos que a cara do Estantio, dizia eu, com todo o respeito, era considerada uma cara de riso. Ou de sorriso, vá lá. Estava fodido o Estantio, se fosse vivo e jogasse futebol em Portugal hoje em dia. Porque a cara do Estantio era sempre a mesma, e era daí que lhe vinha o nome. Não ganhava para multas e as suspensões seriam umas atrás das outras. Realmente, se o bom do Estantio, cansado de tanto alombar, resolvesse mudar de vida e enveredasse pela carreira de futebolista ou até de míster, às tantas teria também de emigrar para um país de amplas liberdades tipo Arábia Saudita, como fez o outro, porque o futebol na "Europa perdeu muita qualidade" e em Portugal o riso - ou o sorriso, vá lá - é violentamente reprimido.
No fafês antigo havia, se não estou em erro, expressões idiomáticas, ou idiotismos, como também se diz, que sabiamente pressagiavam os sisudos tempos que hoje infelizmente vivemos. Lembro-me daquela, muito batida - E se te fosses rir prò caralho? Ou da outra, não menos usada e igualmente assertiva - Vai-te rir pra quem te monta!
Era. Os antigos sabiam muito! E havia educação.

P.S. - Publicado originalmente no dia 28 de Julho de 2023, este foi o oitavo texto mais lido no Tarrenego! durante o ano passado.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Sérgio Conceição, perigoso cadastrado

Foto Hernâni Von Doellinger

Sérgio Conceição, treinador da principal equipa de futebol do FC Porto, foi castigado com 30 dias de suspensão e mais de dez mil euros de multa por causa do seu "sorriso jocoso". O Senhor Conceição, é preciso que se note, é, a este respeito, um perigoso cadastrado. Ainda aqui atrasado foi expulso de um jogo derivado ao seu "olhar fulminante". Está tudo nos relatórios, e o Conselho de Disciplina da FPF não podia fechar os olhos. Ademais, 30 dias e dez mil euros é o que manda a lei, está na tabela, que contempla a existência de 19 tipos de sorriso, mas apenas seis considerados como sinal de felicidade e somente um avaliado como genuíno ou verdadeiro - o famoso sorriso de Duchenne, utilizado sobretudo no campeonato francês.
A nível de moldura penal, o uso do sorriso jocoso no futebol, com ou sem licença de porte, é, com efeito, o mais penalizado pelo nosso conspícuo Conselho de Disciplina, seguindo-se, em moderado decrescendo de punição, o sorriso de desprezo, o sorriso malicioso, o sorriso falso, o sorriso forçado, o sorriso mais ou menos, o sorriso triste, o sorriso de medo e assim sucessivamente, para terminar no sorriso coquete, que certos árbitros também não apreciam, vá-se lá saber porquê. A legislação é omissa quanto ao sorriso Pepsodent e ao sorriso da Mona Lisa. Dois sorrisos amarelos dão vermelho.

quinta-feira, 20 de abril de 2023

O diplomata

Hoje é Dia do Diplomata. No Brasil. O diplomata é, por definição, um homem reservado e de fino trato, um indivíduo circunspecto, grave, cortês, cauteloso, prudente, ponderado, sensato, distinto, elegante, delicado, conciliador. "Ser diplomata é discordar sem ser discordante", sentenciou um dia Millôr Fernandes. E, a este propósito, vem-me à cabeça o nome do embaixador aposentado Seixas da Costa, antigo secretário de Estado em dois governos do socialista António Guterres, quase quatro décadas de altos serviços diplomáticos, em Oslo, em Luanda, em Londres, em Brasília e em Paris, representante permanente de Portugal junto das Nações Unidas, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, da Unesco e da União Latina. Francisco Seixas da Costa, oficial da Ordem do Infante D. Henrique, cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, grande-oficial da Ordem de Mérito, grã-cruz da Ordem Militar de Cristo e com mais uma carrada de condecorações do Reino Unido, Espanha, França, Bélgica, Polónia, Grécia, Roménia, Noruega e Brasil, Francisco Seixas da Costa, dizia eu, que, comentador encartado de mundo e de mundos, escrevendo no Twitter sobre o que realmente interessa à Humanidade, chamou "javardo" a Sérgio Conceição, treinador da equipa principal de futebol do FC Porto. "Javardo", isso. E foi levado a tribunal. E foi condenado. O diplomata.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Muito obrigado, Senhor Conceição!

Foto Hernâni Von Doellinger

Quase todos os dias, quando faz os seus discretos 10 km matinais para os lados de Matosinhos e do Porto de Leixões, Sérgio Conceição passa pelo zimbório do Senhor do Padrão ali à entrada do terminal de cruzeiros. Mas não passa apenas. Celebra a passagem. Não entra sequer no jardim, creio que para não dar nas vistas, mas, ao iniciar a subida da Rua do Godinho, o treinador do FC Porto deixa de correr, retira o gorro da cabeça e caminha vagarosamente com os seus botões durante dez, quinze metros, voltando depois à corrida e a cobrir-se logo que perde de vista aquele sortílego local de cultos. Ainda há bocado assim foi. Não sei se é fé, se é crendice, se é apego, se é superstição, se é respeito, como diz que é a minha mulher, ou se é tudo isto consubstanciado num sentimento único de gratidão. Não sei. Mas compreendo. O Senhor do Padrão fica-me à mão na minha caminhadazinha higiénica e confesso que, eu e Ele, também temos sempre assunto. Portanto compreendo. E aprecio. Quero dizer, identifico-me. Porque eu também sou sobretudo grato. Por exemplo: de cada vez que Sérgio Conceição se cruza de longe comigo, não me conhecendo de lado nenhum, apetece-se sempre dizer-se alto e bom som, do outro lado do Passeio Atlântico, em nome do meu desmesurado portismo e da minha família inteira, "Muito obrigado, Senhor Conceição!", e certa ocasião ganhei coragem e disse mesmo. A seguir a uma derrota que por acaso me dilacerou o coração, mas disse. Porque sei que Sérgio Conceição dá tudo. Amiúde, até demais. Porque Sérgio Conceição já me deu mais alegrias do que qualquer portista da boca para fora, como eu, merece. Porque, se sou regra geral feliz, devo-o muito a Sérgio Conceição. Portanto disse. É possível que daquela vez as minhas palavras possam ter sido, sei lá, deturpadas pelo barulho da rua e mal-entendidas como insulto ou boca foleira. Não. O que eu disse mesmo, o que eu quis dizer, foi e é: - Muito obrigado, Senhor Conceição!

P.S. - Eu sei que me repito. É da idade, mas não da minha. Acontece que o cidadão Sérgio Paulo Marceneiro Conceição nasceu no dia 15 de Novembro de 1974, e portanto faz hoje 48 anos. Quer-se dizer: para além de obrigado, também parabéns!

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

O "respeito" de Sérgio Conceição

Foto Hernâni Von Doellinger

Quase todos os dias, quando faz os seus discretos 10 km matinais para os lados de Matosinhos e do Porto de Leixões, Sérgio Conceição passa pelo zimbório do Senhor do Padrão ali à entrada do terminal de cruzeiros. Mas não passa apenas. Celebra a passagem. Não entra sequer no jardim, creio que para não dar nas vistas, mas, ao iniciar a subida da Rua do Godinho, o treinador do FC Porto deixa de correr, retira o gorro da cabeça e caminha vagarosamente com os seus botões durante dez, quinze metros, voltando depois à corrida e a cobrir-se logo que perde de vista aquele sortílego local de cultos. Ainda há bocado assim foi. Não sei se é fé, se é crendice, se é apego, se é superstição, se é respeito, como diz que é a minha mulher, ou se é tudo isto consubstanciado num sentimento único de gratidão. Não sei. Mas compreendo. O Senhor do Padrão fica-me à mão na minha caminhadazinha higiénica e confesso que, eu e Ele, também temos sempre assunto. Portanto compreendo. E aprecio. Quero dizer, identifico-me. Porque eu também sou sobretudo grato. Por exemplo: de cada vez que Sérgio Conceição se cruza de longe comigo, não me conhecendo de lado nenhum, apetece-se sempre dizer-se alto e bom som, do outro lado do Passeio Atlântico, em nome do meu desmesurado portismo e da minha família inteira, "Muito obrigado, Senhor Conceição!", e certa ocasião ganhei coragem e disse mesmo. A seguir a uma derrota que por acaso me dilacerou o coração, mas disse. Porque sei que Sérgio Conceição dá tudo. Porque Sérgio Conceição já me deu mais alegrias do que qualquer portista da boca para fora, como eu, merece. Porque, se sou regra geral feliz, devo-o muito a Sérgio Conceição. Portanto disse. É possível que daquela vez as minhas palavras possam ter sido, sei lá, deturpadas pelo barulho da rua e mal-entendidas como insulto ou boca foleira. Não. O que eu disse mesmo, o que eu quis dizer, foi e é: - Muito obrigado, Senhor Conceição!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Sérgio Conceição não pára

Foto Hernâni Von Doellinger

No dia seguinte a talvez ter salvo o emprego e no mesmo dia em que, não sei, terá dado folga ao plantel, como dizem os peritos, Sérgio Conceição, treinador da principal equipa de futebol do FC Porto, lá andava pelas nove da matina a puxar pelo cabedal, certamente preparando o próximo combate.

domingo, 31 de março de 2019

2019, ano louco no PS (ou: Está tudo bêbado!)

E há eleições. No Governo de António Costa todos são primos e primas, depois que não se queixem do que lhes cair nos braços. Estava a brincar. Agora a sério (à séria, se lido em Lisboa): no Governo de António Costa é como na vida: uns são pais e outros são filhos, uns homens e outras mulheres, uns maridos e outras esposas, uns tios e outros sobrinhos, uns sobrinhos e outros tios, uns padrinhos e outros afilhados, mas no Governo de António Costa são-no uns dos outros. São compadres e comadres. Parentes. Diz que nestas extraordinárias condições rondarão já os quarenta, como os do Ali Babá. A mesa do conselho de ministros tem sempre um pinheiro com luzinhas, é a perene mesa da consoada: a reunião da família, de la famiglia, como muito dizem os italianos, que sabem italiano desde pequeninos e também estão muitos bem servidos a este propósito.
Para além disso. Para além disso há o eurodeputado socialista Manuel dos Santos, crónico aboletado da política e mete-nojo do PS, segundo o próprio primeiro-ministro. Dos Santos chamou cigana à presidente da Câmara de Matosinhos, a igualmente socialista Luísa Salgueiro, e, recentemente, dedicando-se a coisas sérias, chamou "complexado e aldrabão compulsivo" e "desprezível" a Sérgio Conceição, treinador da equipa principal de futebol do FC Porto.
Para além disso. Para além disso há o embaixador aposentado Seixas da Costa, antigo secretário de Estado em dois governos do socialista António Guterres. Francisco Seixas da Costa, oficial da Ordem do Infante D. Henrique, cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, grande-oficial da Ordem de Mérito, grã-cruz da Ordem Militar de Cristo e com mais certas e determinadas condecorações do Reino Unido, Espanha, França, Bélgica, Polónia, Grécia, Roménia, Noruega e Brasil, Francisco Seixas da Costa, dizia eu, escrevendo sobre o que realmente interessa ao País e ao mundo, chamou "javardo" a Sérgio Conceição, treinador da equipa principal de futebol do FC Porto. Mas "javardo" somente. Não "complexado e aldrabão compulsivo" e "desprezível", como o outro. Afinal estamos em presença de um diplomata, um diplomata manifestamente medalhado, é preciso que se note.
Eu não sei o que é que o Partido Socialista e as suas adjacências têm contra Sérgio Conceição, treinador da equipa principal de futebol do FC Porto. Mas conviria que Assunção Crista mandasse o CDS chamar o primeiro-ministro e secretário-geral do PS para que vá com carácter de urgência ao Parlamento esclarecer o problemático assunto em sede de comissão.
Por falar em sede: ao PS, às sóbrias cúpulas do PS se as houver, com o devido respeito, ouso sugerir que recomende, que recomendem, aos seus familiares, aos seus profissionais, às suas claques, aos seus associados, simpatizantes ou apenas conhecidos que se limitem a falar ou a escrever publicamente em jejum, e nunca por nunca depois da merenda ou, pior, à noite, madrugada dentro. Eu sei que o poder dá nisto, está tudo bêbado: mas há eleições.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ao cuidado do Sr. Sérgio Conceição

Foto Hernâni Von Doellinger

O Sr. Sérgio Conceição, treinador da equipa principal de futebol do FC Porto, terá dito hoje que o Sr. Jorge Jesus, treinador da equipa principal de futebol do Sporting CP, "às vezes pode ter dificuldade na língua portuguesa". E é verdade: o Sr. Jorge Jesus enrodilha-se com facilidade na língua portuguesa, mas inventou o futebol e tem muita graça. Até quando é imitado...
Já o Sr. Sérgio Conceição deveria saber que, no contexto em que o diz, não se diz "tem a haver", como repete até à exaustão cada vez que fala, mas: tem a ver. "Ter a haver" existe, está gramaticalmente correcto, mas é para outros usos...

P.S. - Evidentemente o Sr. Sérgio Conceição não lê o Tarrenego!, mas isso não tem nada a ver. Fico a haver uma...