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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Stultorum infinitus est numerus

Depois de gastar o seu latim, gastou também o seu grego e as luzinhas que sabia de aramaico. E nem assim...

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Latinidade.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Stultorum infinitus est numerus

Depois de gastar o seu latim, gastou também o seu grego. E nem assim...

P.S. - Hoje é Dia da Latinidade. Sobretudo no Brasil e nas américas Central e do Sul de uma forma geral. Não por acaso, a fundação de Roma por Rómulo terá ocorrido, segundo a tradição, no dia 21 de Abril de 753 a.C.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Berardo e o golpe do baú... à Caixa

"Dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental", disse uma vez ao Diário de Notícias o psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental . O "c" em "fator" é da minha lavra. E compreendo, dentro do possível, o que o senhor professor doutor quer dizer.
No segundo semestre de 2018 passei por uma crise gravíssima. E nunca me tinha acontecido semelhante. De repente vi-me atolado em dívidas. Num dia fiquei a dever doze cêntimos na padaria e no dia seguinte fiquei a dever cinquenta cêntimos na peixaria. Ainda por cima devia também dois euros (um mais um) à latinha do Euromilhões no armário da cozinha, que é para o bacalhau do Natal. O meu nome na praça andava pelas ruas da amargura. Estava desgraçado e não sabia o que havia de fazer à minha vida.
Felizmente Deus é grande, tarda mas não falha, escreve direito por linhas tortas, está em toda a parte, tudo vê e tudo ouve, ouviu-me, olhou para mim, por mim, deu-me a mão, a mão do meu Senhor da Galileia, consegui recompor-me e tenho agora uma vida risonhamente desafogada. Só no passado fim-de-semana achei dinheiro três vezes: dois cêntimos na sexta-feira, dois cêntimos no sábado e um cêntimo no domingo. Evidentemente também me saiu o Euromilhões: quatro euros e noventa e oito. Vou dar um carro novo à minha mulher.

Joe Berardo também dá razão ao psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental, que diz que "dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental". Olhemos para Joe Berardo exactamente. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei disto porque ele próprio me contou. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já ia aqui atrasado em mais de 280 milhões de euros, realmente uma fortuna, mas de dívida. Joe Berardo devia ao banco público mais de 280 milhões de euros, que se soubesse até àquele então, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Uma batelada de massa fortuna de que eu nem faço ideia. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos cheios de dinheiro - só assim é que me oriento -, ri-se olimpicamente e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição e sou um homem pobre - decerto ando doudo! Bem pregava frei Tomás: calotai, meus irmãos, calotai a bom calotar, e sereis felizes para sempre...


P.S. - Publicado originalmente no dia 13 de Abril de 2019. Na mitologia da Roma antiga, hoje, 11 de Junho, é Dia de Fortuna, deusa da prosperidade, de sortes e azares.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Dia de inspecção

Foto Hernâni Von Doellinger

Na antiga Roma era costume fazer no dia 14 de Novembro uma inspecção geral à cavalaria. No calendário romano este era o 18.º dia antes das calendas de Dezembro.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ele há lendas e lêndeas

                                                                                      Foto Hernâni Von Doellinger

Faço ideia: levar à cena a "recriação histórica" de uma lenda deve ser obra desenganada. Porque a lenda, até prova em contrário, conta um acontecimento que nunca aconteceu. Não existiu. E, no entanto, por ser "histórica", a "recriação" implica que ela seja contada rigorosamente tal qual não foi. Estão a ver a real impossibilidade da empreitada?
Pois bem. Durante três dias, a lenda de Caio Carpo foi pormenorizadamente representada no areal da Praia de Matosinhos. A lenda de Caio Carpo é do tempo dos romanos. E eu fiquei a saber que os romanos que por cá andaram eram muito gaiteiros e tamborileiros, tinham WC, electricidade e altifalantes. Foram eles também que inventaram as feiras medievais e ainda nem se suspeitava que ia haver Idade Média.
Aqui que ninguém nos ouve, a lenda de Caio Carpo é um bocado barulhenta, isso é. Mas justifica-se a fanfarrice: prevista e anulada pela Câmara em 2009, por causa da "crise económica", a "recriação histórica" agora erguida é o sinal luminoso de que, pelo menos em Matosinhos, as vacas gordas estão de volta a Portugal.
A esta hora, lá em baixo desfazem-se as tendas. Tenho pena. Na época do Império, Roma marcava no seu calendário 175 dias de jogos e festividades por ano. Pão e circo para o povo. Matosinhos também merecia mais.

Lendas, contava-as bem a minha avó de Basto. Eram lendas mansas, de embalar, metiam mouras encantadas, príncipes, penedos. Penedos de morar, lembro-me bem e eu queria um. Eram contadas à lareira, depois da ceia, com o vermelho do fogo a bailar-nos nas caras espectrais, eu de olhos arregalados e boca aberta, uma e outra vez, como se fosse sempre a primeira. Os efeitos especiais das lendas da minha avó Emília foram muitos anos mais tarde copiados pelo cinema americano. Até aquele  famoso jogo de sombras manipulado pela irrequieta chama da candeia, coisa extraordinária e assustadora - era das lendas da minha avó. E o vinhinho aquecido com uma maçã assada lá dentro também, mas isso parece que os filmes não aproveitaram.
Na manhã seguinte, pela fresca, íamos à lenha ao monte. Eu e e minha avó. E a bó mostrava-me o penedo, o exacto penedo da moura encantada, não havia dúvidas. Ainda por cima, as lendas da minha avó eram verdadeiras.

sábado, 9 de março de 2013

Deixem o Espírito Santo em paz

O conclave para a escolha do novo Papa começa na próxima terça-feira, dia 12 de Março. A Capela Sistina está a ser preparada a todo o vapor e duas salamandras. Lá dentro, fechados à chave, o lóbi italiano, o lóbi canadiano, o lóbi americano, o lóbi alemão, o lóbi austríaco, o lóbi francês, o lóbi brasileiro, o lóbi sul-americano, o lóbi africano, o lóbi africanista, o lóbi banqueiro, o lóbi dos velhos, o lóbi dos "novos", o lóbi "conservador", o lóbi "renovador", o lóbi do silêncio, o lóbi "garganta funda", o lóbi gay e outros insondáveis lóbis vão negociar o nome do sucessor de Bento XVI. A feira do costume. Depois não digam que a culpa foi do Espírito Santo.

domingo, 15 de abril de 2012

Banho de cultura, mas apenas molhando os pés

Foto ORLANDO VON DOELLINGER

- E essa semaninha em Roma?
- Fantástica! Um tremendo banho de cultura! Um mergulho na História! Sabes que a cultura para mim...
- E o velho Coliseu?
- Absolutamente sem condições, carente de uma remodelação profunda. Já estão a substituir o relvado.