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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Berardo, o bom filho da mãe

A modéstia do caloteiro
Chamavam-lhe caloteiro e outros elogios bem merecidos. Ele dizia, fino como um alho: - Cumpro apenas o meu dever...

Olhemos para Joe Berardo, esse bom filho da mãe. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei isto de fonte segura: foi o próprio Berardo quem mo contou, uma vez há muito tempo. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos, teria ele então 18 anos. Dois contos, dez euros ao preço actual, uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já ia aqui atrasado em mais de 280 milhões de euros, realmente uma fortuna, mas de dívida. Joe Berardo devia ao banco público mais de 280 milhões de euros, que se soubesse até àquele então, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Uma batelada de massa de que eu nem faço ideia. E tudo começou com apenas dois contos, abençoados pela santa mãe, meu rico filho! Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú... à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos cheios de dinheiro - só assim é que eu me oriento -, ri-se olimpicamente e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, rio-me a prestações e sou um homem pobre. Isto é. Quem me dera ser filho do mãe... do Berardo, porque Caixa nós também já tínhamos em Fafe. No Largo, à beira da Sonap.

(Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Berardo, façam-lhe um monumento

Olhemos para Joe Berardo exactamente, esse monumento vivo ao empresariado nacional. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei isto de fonte segura: foi o próprio Berardo quem mo contou, há alguns anos. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já ia, aqui atrasado, em mais de 310 milhões de euros, realmente uma fortuna, mas de dívida. Joe Berardo devia ao banco público mais de 310 milhões de euros, que se soubesse até àquele então, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele nunca conseguiu ou nunca lhe apeteceu pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Uma batelada de massa de que eu nem faço ideia. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú... à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos cheios de dinheiro - só assim é que me oriento -, ri-se olimpicamente e é um homem rico. "Continua uma vida de luxo", dizem as notícias mais frescas. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição, vou de férias à Póvoa de Varzim um dia por ano e sou um homem pobre. Quem me dera ser empresário!

Hoje é Dia Nacional do Empresário. O empresário nacional, essa espécie. Gente de aparecer e meninos para o preciso. E são mais que as mães. É. Joe Berardo não está só. Porque, quem diz Berardo, diz Oliveira e Costa, Ricardo Salgado, João Rendeiro, Dias Loureiro, Duarte Lima, Miguel Relvas, Horta e Costa, Jardim Gonçalves, Luís Filipe Vieira, Pinto de Costa, José Sócrates, Armando Vara, Manuel Pinho e assim sucessivamente.

P.S. - Hoje é Dia Nacional do Empresário.

terça-feira, 29 de junho de 2021

Berardo e o golpe do baú... à Caixa

"Dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental", disse uma vez ao Diário de Notícias o psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental . O "c" em "fator" é da minha lavra. E compreendo, dentro do possível, o que o senhor professor doutor quer dizer.
No segundo semestre de 2018 passei por uma crise gravíssima. E nunca me tinha acontecido semelhante. De repente vi-me atolado em dívidas. Por falta de trocos, num dia fiquei a dever doze cêntimos na padaria e no dia seguinte fiquei a dever cinquenta cêntimos na peixaria. Ainda por cima devia também dois euros (um mais um) à latinha do Euromilhões no armário da cozinha, que é para o bacalhau do Natal. O meu nome na praça andava pelas ruas da amargura. Estava desgraçado e não sabia o que havia de fazer à minha vida.
Felizmente Deus é grande, tarda mas não falha, escreve direito por linhas tortas, está em toda a parte, tudo vê e tudo ouve, ouviu-me, olhou para mim, por mim, deu-me a mão, a mão do meu Senhor da Galileia, consegui recompor-me e tenho agora uma vida risonhamente desafogada. Só no passado fim-de-semana achei dinheiro três vezes: dois cêntimos na sexta-feira, dois cêntimos no sábado e um cêntimo no domingo. Evidentemente também me saiu o Euromilhões: quatro euros e noventa e oito. Vou dar um carro novo à minha mulher.

Joe Berardo também dá razão ao psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental, que diz que "dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental". Olhemos para Joe Berardo exactamente. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei disto porque ele próprio me contou. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já ia aqui atrasado em mais de 280 milhões de euros, realmente uma fortuna, mas de dívida. Joe Berardo devia ao banco público mais de 280 milhões de euros, que se soubesse até àquele então, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Uma batelada de massa de que eu nem faço ideia. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos cheios de dinheiro - só assim é que me oriento -, ri-se olimpicamente e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição e sou um homem pobre - decerto ando doudo! Bem pregava frei Tomás: calotai, meus irmãos, calotai a bom calotar, e sereis felizes para sempre...


P.S. - Publicado originalmente no dia 13 de Abril de 2019. É. Há dois anos. De acordo com as notícias, Joe Berardo foi hoje detido por suspeitas de fraude à Caixa Geral de Depósitos, ao Novo Banco e ao BCP. B
urla agravada, administração danosa, fraude fiscal e branqueamento de capitais são os crimes apontados. No total, estima a Polícia Judiciária, o empresário madeirense terá causado prejuízos de quase mil milhões de euros.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Berardo e o golpe do baú... à Caixa

"Dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental", disse uma vez ao Diário de Notícias o psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental . O "c" em "fator" é da minha lavra. E compreendo, dentro do possível, o que o senhor professor doutor quer dizer.
No segundo semestre de 2018 passei por uma crise gravíssima. E nunca me tinha acontecido semelhante. De repente vi-me atolado em dívidas. Num dia fiquei a dever doze cêntimos na padaria e no dia seguinte fiquei a dever cinquenta cêntimos na peixaria. Ainda por cima devia também dois euros (um mais um) à latinha do Euromilhões no armário da cozinha, que é para o bacalhau do Natal. O meu nome na praça andava pelas ruas da amargura. Estava desgraçado e não sabia o que havia de fazer à minha vida.
Felizmente Deus é grande, tarda mas não falha, escreve direito por linhas tortas, está em toda a parte, tudo vê e tudo ouve, ouviu-me, olhou para mim, por mim, deu-me a mão, a mão do meu Senhor da Galileia, consegui recompor-me e tenho agora uma vida risonhamente desafogada. Só no passado fim-de-semana achei dinheiro três vezes: dois cêntimos na sexta-feira, dois cêntimos no sábado e um cêntimo no domingo. Evidentemente também me saiu o Euromilhões: quatro euros e noventa e oito. Vou dar um carro novo à minha mulher.

Joe Berardo também dá razão ao psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental, que diz que "dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental". Olhemos para Joe Berardo exactamente. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei disto porque ele próprio me contou. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já ia aqui atrasado em mais de 280 milhões de euros, realmente uma fortuna, mas de dívida. Joe Berardo devia ao banco público mais de 280 milhões de euros, que se soubesse até àquele então, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Uma batelada de massa fortuna de que eu nem faço ideia. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos cheios de dinheiro - só assim é que me oriento -, ri-se olimpicamente e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição e sou um homem pobre - decerto ando doudo! Bem pregava frei Tomás: calotai, meus irmãos, calotai a bom calotar, e sereis felizes para sempre...


P.S. - Publicado originalmente no dia 13 de Abril de 2019. Na mitologia da Roma antiga, hoje, 11 de Junho, é Dia de Fortuna, deusa da prosperidade, de sortes e azares.

sábado, 10 de outubro de 2020

Joe Bernardo, eu e... a saúde mental

"Dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental", disse uma vez ao Diário de Notícias o psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental . O "c" em "fator" é da minha lavra. E compreendo, dentro do possível, o que o senhor professor doutor quer dizer.
No segundo semestre de 2018 passei por uma crise gravíssima. E nunca me tinha acontecido semelhante. De repente vi-me atolado em dívidas. Num dia fiquei a dever doze cêntimos na padaria e no dia seguinte fiquei a dever cinquenta cêntimos na peixaria. Ainda por cima devia também dois euros (um mais um) à latinha do Euromilhões no armário da cozinha, que é para o bacalhau do Natal. O meu nome na praça andava pelas ruas da amargura. Estava desgraçado e não sabia o que havia de fazer à minha vida.
Felizmente Deus é grande, tarda mas não falha, escreve direito por linhas tortas, está em toda a parte, tudo vê e tudo ouve, ouviu-me, olhou para mim, por mim, deu-me a mão, a mão do meu Senhor da Galileia, consegui recompor-me e tenho agora uma vida risonhamente desafogada. Só no passado fim-de-semana achei dinheiro três vezes: dois cêntimos na sexta-feira, dois cêntimos no sábado e um cêntimo no domingo. Evidentemente também me saiu o Euromilhões: quatro euros e noventa e oito. Vou dar um carro novo à minha mulher.

Joe Berardo também dá razão ao psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental, que diz que "dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental". Olhemos para Joe Berardo exactamente. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei disto porque ele próprio me contou. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já ia aqui atrasado em mais de 280 milhões de euros - mas de dívida. Joe Berardo devia ao banco público mais de 280 milhões de euros, que se soubesse até àquele então, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Realmente uma fortuna de que eu não faço ideia. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos cheios de dinheiro - só assim é que me oriento -, ri-se olimpicamente e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição e sou um homem pobre - decerto ando doudo! Bem pregava frei Tomás: calotai, meus irmãos, calotai a bom calotar, e sereis felizes para sempre...


P.S. - Hoje, 10 de Outubro, é Dia Mundial da Saúde Mental. Santinho!...

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Joe Bernardo, eu e a saúde mental

"Dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental", disse ao DN o psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental . O "c" em "fator" é da minha lavra. E compreendo, dentro do possível, o que o senhor professor doutor quer dizer.
No segundo semestre de 2018 passei por uma crise gravíssima. E nunca me tinha acontecido semelhante. De repente vi-me atolado em dívidas. Num dia fiquei a dever doze cêntimos na padaria e no dia seguinte fiquei a dever cinquenta cêntimos na peixaria. Ainda por cima devia também dois euros (um mais um) à latinha do Euromilhões no armário da cozinha, que é para o bacalhau do Natal. O meu nome na praça andava pelas ruas da amargura. Estava desgraçado e não sabia o que havia de fazer à minha vida.
Felizmente Deus é grande, tarda mas não falha, escreve direito por linhas tortas, está em toda a parte, tudo vê e tudo ouve, ouviu-me, olhou para mim, por mim, deu-me a mão, a mão do meu Senhor da Galileia, consegui recompor-me e tenho agora uma vida risonhamente desafogada. Só no passado fim-de-semana achei dinheiro três vezes: dois cêntimos na sexta-feira, dois cêntimos no sábado e um cêntimo no domingo. Evidentemente também me saiu o Euromilhões: quatro euros e noventa e oito. Vou dar um carro novo à minha mulher.

Joe Berardo também dá razão ao psiquiatra Miguel Xavier, director do Programa Nacional para a Saúde Mental, que diz que "dever dinheiro a alguém é um factor de risco para a saúde mental". Olhemos para Joe Berardo, exactamente. Berardo fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Sei disto porque ele me contou. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já vai em mais de 280 milhões de euros - mas de dívida. Joe Berardo deve ao banco público mais de 280 milhões de euros, que se saiba até ao momento, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Realmente uma fortuna. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País. Ele é o homem que conseguiu dar o golpe do baú à Caixa.
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos de dinheiro, ri-se como um tolo e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição e sou um homem pobre. Bem dizia frei Tomás: - Calotai, meus irmãos, calotai a bom calotar, e sereis felizes para sempre...


P.S. - Na Roma antiga hoje seria Dia de Fortuna, deusa da prosperidade, de sortes e azares.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Berardo e o golpe do baú (geral de depósitos)

No tempo em que havia 24horas, o original, mandaram-me escrever uma treta qualquer sobre e com os "ricos" da moda. Eram então dois, cromos por sinal: os meus inefáveis chefes de Lisboa queriam saber e que o País e mundo soubessem como é que Joe Berardo e Sousa Cintra, os tais, começaram as suas extraordinárias fortunas. Quer-se dizer: os meus inefáveis chefes de Lisboa não queriam saber absolutamente nada e faziam votos de que o País e o mundo se fodessem. Precisavam, em todo o caso, de meia dúzia de linhas de coisa nenhuma para meterem lá em cima o título bombástico que já tinham engatilhado e a seguir as fotografias da praxe. Chamarizes...
Isto foi pelos finais de 2007, se não me engano, e o que tinham de bom Sousa Cintra e Joe Berardo era que atendiam o telefone. Cintra contou-me que a avó lhe dava uns centavos quando ele era miúdo de seis ou sete anos, lá na algarvia Raposeira natal, e ele não gastava nem um tostão. E nem sabia bem para quê. Talvez para depois comprar um brinquedo, como via os outros meninos, mas nem isso. Cresceu, meteu-se no futebol e gastou a massa toda em cerveja e petróleo.
Berardo, esse, fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. Um casamento frutuoso, posto que de conveniência. O saldo de Berardo na Caixa já vai em 280 milhões de euros - mas de dívida. Joe Berardo deve ao banco público 280 milhões de euros, que se saiba até ao momento, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Realmente uma fortuna. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País...
Por outro lado, dou valor ao Berardo. Ele deve aqueles camiões, navios e aviões todos de dinheiro, ri-se e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém, ando zangado com a boa disposição e sou um homem pobre. Bem dizia frei Tomás: - Calotai, meus irmãos, calotai a bom calotar, e sereis felizes para sempre...

P.S. - Publicado originalmente no dia 13 de Abril de 2019. O jornal 24horas nasceu em 1998 e morreu em 2010, um ano depois de os seus alegados responsáveis terem liquidado a Redacção do Porto, a sangue frio e pelas costas. Eram os primeiros dias de Maio quando nos despejaram no desemprego, e podem limpar as mãos à parede. Mas tinha piada o pasquim, que até chegou a ser bem feito, e é a bíblia do jornalismo que hoje se faz em Portugal.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Joe Berardo, na Caixa desde 1962

No tempo em que havia 24horas, o original, mandaram-me escrever uma treta qualquer sobre e com os "ricos" da moda. Eram então dois, cromos por sinal: os meus inefáveis chefes, de Lisboa, queriam saber e que o País e mundo soubessem como é que Joe Berardo e Sousa Cintra, os tais, começaram as suas extraordinárias fortunas. Quer-se dizer: os meus inefáveis chefes, de Lisboa, não queriam saber absolutamente nada e faziam votos de que o País e o mundo se fodessem. Precisavam, em todo o caso, de meia dúzia de linhas de coisa nenhuma para meterem lá em cima o título bombástico que já tinham engatilhado e a seguir as fotografias da praxe. Chamarizes...
Isto foi pelos finais de 2007, se não me engano, e o que tinham de bom Sousa Cintra e Joe Berardo era que atendiam o telefone. Cintra contou-me que a avó lhe dava uns centavos quando ele era miúdo de seis ou sete anos, lá na algarvia Raposeira natal, e ele não gastava nem um tostão. E nem sabia bem para quê. Talvez para depois comprar um brinquedo, como via os outros meninos, mas nem isso. Cresceu, meteu-se no futebol e gastou a massa toda em cerveja e petróleo.
Berardo, esse, fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros), teria ele então 18 anos. Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. O saldo de Berardo na Caixa já vai em 280 milhões de euros - mas de dívida. Joe Berardo deve ao banco público 280 milhões de euros, que se saiba até ao momento, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Realmente uma fortuna. E tudo começou com apenas dois contos. Parece ilusionismo, número de circo. É por isso que ele se ri tanto e faz pouco do País...

sábado, 13 de abril de 2019

Berardo depositou dois contos e deve mil milhões

No tempo em que havia 24horas, o original, mandaram-me escrever uma treta qualquer sobre e com os "ricos" da moda. Eram então dois, cromos por sinal: os meus inefáveis chefes, de Lisboa, queriam saber e que o País e mundo soubessem como é que Joe Berardo e Sousa Cintra, os tais, começaram as suas extraordinárias fortunas. Quer-se dizer: os meus inefáveis chefes, de Lisboa, não queriam saber absolutamente nada e faziam votos de que o País e o mundo se fodessem. Precisavam, em todo o caso, de meia dúzia de linhas de coisa nenhuma para meterem lá em cima o título bombástico que já tinham engatilhado e a seguir as fotografias da praxe. Chamarizes...
Isto foi pelos finais de 2007, se não me engano, e o que tinham de bom Sousa Cintra e Joe Berardo era que atendiam o telefone. Cintra contou-me que a avó lhe dava uns centavos quando ele era miúdo de seis ou sete anos, lá na algarvia Raposeira natal, e ele não gastava nem um tostão. E nem sabia bem para quê. Talvez para depois comprar um brinquedo, como via os outros meninos, mas nem isso. Cresceu, meteu-se no futebol e gastou a massa toda em cerveja e petróleo.
Berardo, esse, fez-se milionário sob o alto patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. A sua primeira poupança foi uma conta que a mãe lhe abriu na Caixa, em 1962, na Madeira, com dois mil escudos (dez euros). Uma semente. Uma conta que se manteve aberta e que nunca parou de crescer. O saldo de Berardo na Caixa já vai em 280 milhões de euros - mas de dívida. Joe Berardo deve ao banco público 280 milhões de euros, que se saiba até ao momento, na sequência de empréstimos manhosos que lhe deram de mão beijada e que ele agora não consegue ou não lhe apetece pagar. À banca portuguesa em geral, o comendador Berardo deve quase mil milhões de euros. Realmente uma fortuna. E tudo começou com apenas dois contos...

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Homem rico, homem pobre

Joe Berardo deve 280 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos e é um homem rico. Eu não devo um cêntimo a ninguém e sou um homem pobre. Bem dizia frei Tomás: - O calote, meus irmãos, é o caminho para a fortuna...