sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Nem lhe teni, senhor árbitro!


Amor à camisola
Marcou golo. Golaço! Deslizou de joelhos pela relva, arrancou a bandeirola de canto, fez um coração com as mãos para a câmara de televisão mais próxima, bateu no peito como tarzan, apontou insistentemente para o emblema magnífico, abraçou-se à camisola suada, beijou-a com exagerada paixão, puxou-a mais para si, mais para cima, e... assoou-se-lhe copiosamente.

João Costeado, lembro-me tão bem dele. Bom moço, rapaz quase da minha idade. O grande Costeado, que jogou no meu Fafe na passagem da década de 1970 para a década de 1980 e que brilhou naquela extraordinária equipa de Nelo Barros que fez frente ao Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal e que era assim, tal como a anunciei aos altifalantes do estádio cheio como um ovo: Zé Maria, Costeado, Cândido, Castro e Manuel Fernandes; Albano, Sousa Pinto e Valença, Valdemar, Daniel I e Nogueira. Que luxo! Que máquina! Quem no-la dera naquele ano administrativo em que fomos cheirar a primeira divisão, com alguma trafulhice à mistura! Nem teríamos descido, digo eu...
Mas a tal meia-final da Taça, e já era a segunda em apenas três anos. Nós na segunda divisão, que era o nosso sítio, que ainda hoje devia ser o nosso lugar, e o Sporting que era o Sporting, e que se apresentou, pelo sim e pelo não, com bisarmas do calibre de Botelho, Inácio, Laranjeira, Baltasar, Manuel Fernandes ou Rui Jordão. Foi na época de 1978/79, no nosso campo, nós, futuristas e ingénuos, vestidos de "Espaço 1999", e roubaram-nos a glória da final no Jamor, ou pelo menos a hipótese de um segundo jogo em Alvalade, roubaram-nos, dizia, com um penálti produzido pelo árbitro e convertido por Jordão aos 94 minutos, isto é, já no prolongamento. A peregrina falta que deu origem ao castigo que teve tanto de máximo como de injusto foi assinalada, imaginai, ao nosso Costeado.
O João era uma riqueza de moço. E o Costeado, que depois até jogou quatro vezes pela Selecção, à pala do forrobodó de Saltillo, era um defesa direito velocista porém tecnicamente equilibrado, raçudo e amiúde sarrafeiro. Aliás, bastante sarrafeiro. Mas estava inocente naquele dia, diga-se em abono da verdade. A Bola, o insuspeito jornal do Benfica, fazia até notar que o árbitro "julgou mal o famigerado lance de Costeado, conferindo-lhe, primeiro, uma natureza e uma intencionalidade, depois, que a nosso ver não teve", e parece que estou a ouvir o Joaquim Rita, com vírgulas e tudo, e o texto era realmente dele.
Ora bem. Acontece que naquele tempo não havia VAR. O VAR daquele tempo eram o Carlos Manuel ou o André a andarem sempre à volta do árbitro a dizerem o que devia ou não devia ser marcado, e nunca falhava. À falta do Carlos Manuel e do André (e, já agora, do Bruno Fernandes, que é actualmente VAR em Inglaterra), o próprio Costeado deu conta do recado, colando-se ao juiz da partida, Santos Luís, agarrando-o respeitosamente pelo avental, pedindo-lhe, rogando-lhe, rezando-lhe, implorando-lhe, jurando-lhe, repetindo-lhe quase em lágrimas, estou em dizer que mesmo em lágrimas - Eu nem lhe teni, senhor árbitro! Nem lhe teni, senhor árbitro! Nem lhe teni!...

O árbitro, o senhor árbitro, não reverteu a decisão. O Sporting era o Sporting. Chamaram-lhe "o roubo do século". Conta A Bola que "Santos Luís saiu fardado de polícia". E Costeado, após a ladainha chorosa, rebaptizado logo ali pelo Valença, passou a chamar-se "Teni", sem apelo nem agravo. Sim, o João Costeado é o "Teni"!

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Publicado originalmente em Setembro de 2023 e replicado noutros locais, às vezes sem identificação da fonte ou autor. O texto é meu. A AD Fafe era de uma só cor: amarelo e preto. Agora, derivado talvez ao negócio, apresenta-se de azul. Parece-me estranho, mas eles é que sabem.)

Vivei e amai ao sol

Foto Hernâni Von Doellinger

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A ordem natural das coisas

Entre linhas
O casal Antunes apresentou-se como de costume: deslumbrante, no seu habitual 4-4-2 losango.

O Paços de Ferreira de José Mota, o Rio Ave de Carlos Brito, o Vitória de Setúbal de Manuel Fernandes, o Nacional de Manuel Machado, o Aves do Professor Neca, o Boavista de Manuel José, a Académica de Vítor Manuel, o Varzim de Henrique Calisto, o Marítimo de Nelo Vingada, o Salgueiros de Filipovic, o Vitória de Guimarães de Jaime Pacheco, o Chaves de Raul Águas, o Belenenses de Marinho Peres, o Farense de Paco Fortes, o Portimonense de Vítor Oliveira, o Gil Vicente de Álvaro Magalhães, o Beira Mar de António Sousa, o Braga de Manuel Cajuda, o Felgueiras de Jorge Jesus, parece impossível, o Riopele e o Tirsense de Ferreirinha, o Infesta de Augusto Mata, o Fafe de Nelo Barros, e o FC Porto campeão. Assim eram as coisas e estava tudo certo, ninguém ia para o Brasil ou para as Arábias abanar a árvore das patacas, eu entendia-me com o futebol e era feliz. Era adepto. Agora? Agora o futebol está de pernas para o ar, chamam-lhe "o jogo" e tem polícia de choque, cordões de segurança, jaulas, petardos, periodizações tácticas e claques profissionais, bandidas e amiúde assassinas, os treinadores duram dois ou três jogos, ninguém é de ninguém, o meu Fafe anda pela terceira divisão e equipa de azul, o Sporting foi campeão, rebentaram com o FC Porto e eu também já não estou grande coisa...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. A AD Fafe era de uma só cor: amarelo e preto. Agora, derivado talvez ao negócio, apresenta-se de azul. Parece-me estranho, mas eles é que sabem.)

Era uma bola a pinchar


Epifania
Ele viu a Luz. Viu a Luz e disse: - O Dragão é mais bonito.

Ainda que não se pense muito nisso, há uma certa diferença entre a defesa mista e a sandes mista. A primeira, como toda a gente sabe, não leva queijo nem fiambre. Mas, ainda assim, pode ser comida. Basta às vezes uma pequena distracção, um lateral que ficou em casa, um central de perna cruzada, um fora-de-jogo mal alinhavado, um avançado matreiro e rápido como um raio que o parta.
O futebol moderno é feito de palavrões. Já não é futebol nem desporto, é indústria, chama-se jogo mas com conotação cibernético-filosófica, e é uma ciência praticamente. Tem unidades de treino, periodizações tácticas, trabalho específico, fundamentos. No meu tempo ia-se à bola, e os palavrões eram outros, palavrões a sério (ou à séria, se lido em Lisboa), palavrões do piorio mas sem ofensa. O futebol era paixão, entretimento. Sim, entretimento, que assim se diz.

Era uma bola a pinchar e onze contra onze numa luta brava em campo pelado, campo de batalha. Naquela altura eu acreditava no futebol. Era o jogo da bola, só isso, mais uma que outra coça aos desgraçados dos árbitros, para desopilar. Lembro-me dos jogadores com camisas de botões e das chuteiras remendadas e de travessas. Os pitões ainda não tinham sido inventados e as travessas eram de sola, pregadas com tachas, e as tachas entravam não raras vezes pelos pés dentro dos jogadores. O meu coração era amarelo e preto, Faaaaaafeee!..., todo branco em alternativa, com o azul e branco ainda guardado para segundas núpcias. Lembro-me dos jogadores que nasciam e morriam no clube da terra onde nasceram. Lembro-me de jogadores que verdadeiramente morreriam em campo pelo seu clube, sem eufemismos, era só dizerem-lhes que era preciso. Lembro-me de jogadores que corriam como se treinassem todos os dias e só treinavam durante o jogo. Lembro-me de jogadores que fugiam da tropa para jogar e depois iam presos. Lembro-me de jogadores que chegavam da guerra carregados de paludismo e queriam lá saber. Lembro-me de jogadores que choravam nas derrotas e embebedavam-se nas vitórias, porque era assim. O Fafe era a Associação. A Associação era Fafe. Lembro-me e gosto. Sou um bocado velho, o que se há-de fazer?
Os palavrões futebolísticos com nada dentro não nasceram agora, neste tempo insosso cheio de conferências de imprensa pré-maquetadas, reclames a champôs e espaços entre linhas. Os comentadores são palavradores, decerto ganham à sílaba, falam muito e não dizem nada, inventam vacuidades, falam também pelos cotovelos mas já ninguém distingue. O parlapiê vem de longe. Há mestres antes dos mestres e eu prefiro os de antigamente. E nem vou falar dos estimáveis Gabriel Alves e Rui Tovar. Mas do consagrado Alves dos Santos, que nos deu a "pertinácia" e o "arreganho", e viu um golo "exactamente igual ao golo anterior", quando a Eurovisão estreou as repetições (que era só uma, com um inesperado e mal amanhado R no canto superior direito do ecrã da televisão do Peludo) e ele não sabia. Ou do bom do Mário Wilson, então treinador do Boavista, quando perdeu nas Antas e queixou-se dos golos de "bola parada". José Maria Pedroto, então treinador do FC Porto, disse que não podia ser: bola parada não anda, logo não entra, explicou.

Sou, portanto, antigo. Gosto de futebol, da bola. Dos noventa e tal minutos que se jogam em campo, porque para mim um jogo não dura uma semana. Gosto de futebol, mas não o frequento. Gosto de futebol, mas não do falatório. Quero lá saber de opiniões alheias. Eu tenho a minha e chega-me. E tenho memória, memórias, que é o que me remedeia hoje em dia.

Por obséquio: ponde os olhos na extraordinária fotografia que abre este apontamento. Retirei-a, à foto, do livro "Associação Desportiva de Fafe - 50 Anos de História", de Artur Ferreira Coimbra. É a nossa equipa da época 1965/66. Da esquerda para a direita, de pé: Toneca, Germano, Apolinário, Ricoca, Costa, Adelino, Manel Zebras e o massagista João Americano; de joelhos: Júlio Alves, Fernando Alves, Berto Dantas, Mário Machica, Adriano e Avelino Lopes. Só craques, quem mos dera outra vez. Conheci-os a todos e alguns deles fizeram-me até o impagável favor de serem meus amigos, apesar da evidente diferença de idades. E os nomes? Que categoria!
Fafe, diga-se em abono da verdade, deu ao mundo do futebol, para além dos exemplaríssimos supracitados, nomes tão formidáveis como Riga, Piré, Rates, Estafete, Mulato, Caganito, Trolas, Feira Velha, Esparrinhento, Pescoça, Ferradeira ou Mofo. Nomes que são uma primeirinha, do tempo em que o futebol era desporto e jogado por gente como nós e de nós. Uns antes, outros depois, estes e mais, foram e ainda são os meus ídolos. Os meus cromos. Os meus heróis.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. A AD Fafe era de uma só cor: amarelo e preto. Agora, derivado talvez ao negócio, apresenta-se de azul. Parece-me estranho, mas eles é que sabem.)

Só tenho quem me... prejudique

Hoje é Dia Mundial do Mosquito. Quer-se dizer: estou lixado!

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Mosquito.

Por isso temos braços longos para os adeuses

Foto Hernâni Von Doellinger

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Os grandes adeptos eram quatro

Mudam-se os tempos
As pessoas pagam fortunas para irem ao futebol, mas não vêem o jogo. Espreitam-no pelo ecrã do telemóvel, filmam, fotografam, viram as costas ao campo, telefonam-se, vão ao YouTube, lançam tochas, fazem "selfies", mandam sms umas às outras, cadeira ao lado, procuram as câmaras de televisão, acenam para casa, actualizam o Facebook com a emoção do momento. A bola, evidentemente, não interessa para nada.

No princípio, Deus criou os céus, a terra e a Associação Desportiva de Fafe. Era essa a minha fé e estava redondamente enganado. Quando eu era pequeno, pelos três ou quatro anos, e comecei a ir com o meu pai ao Campo da Granja, achava que estava a participar de uma coisa muito antiga, que vinha do tempo dos dinossauros ou pelo menos dos romanos. Nem me passava pela cabeça que, como vim a descobrir séculos mais tarde, eu e o meu clube somos praticamente da mesma idade, eu quase um ano mais velho, ainda por cima, e tive um desgosto muito grande.
Quer-se dizer: eu acompanhava os primeiros passos da AD Fafe, mas não sabia. Afinal a nossa "Associação" não vinha da fundação da nacionalidade, com o peito cheio de glórias e façanhas, conforme os meus ingénuos supores, mas acabara apenas de nascer, fruto da fusão celebrada em notário entre o Futebol Clube de Fafe e o Sporting Clube de Fafe, corria o ano de 1958, mas isso são pormenores.
Por aquela altura e na meia dúzia de anos a seguir, o que mais me interessava quando ia ao futebol não era tanto a habilidade dos nossos grandes jogadores, que eu por acaso até já catrapiscava, mas o desempenho dos nossos grandes adeptos. Eram quatro, como os quatro cavaleiros do Apocalipse, mas em manso. O Sr. Antunes Chapeleiro, o Sr. Abílio Batateiro, o Sr. Rocha "Mijão" e o Felinhos. Quatro figuras icónicas, como agora se diz, fafenses excelentíssimos, como eu costumo dizer. Funcionavam raramente em grupo e principalmente a solo, eram os donos daquilo tudo, antigos como matusaléns, sábios como salomões, sumos sacerdotes da coisa, tomaram muitos comentadores de hoje em dia.
Frequentavam jogos e treinos, chovesse ou fizesse sol, dia após dia, menos o Sr. Antunes, que era só jogos e acompanhava com muito carinho as camadas jovens, aos domingos de manhã. E era um perigo na bancada. Pequenino e doce, despachado, tirone da cabeça aos pés, gostava de dar a táctica, gritava ordens para dentro do campo, mas gritava baixinho, educadamente, mandava o rapaz chutar - "Chuta, menino!" - e, nem dava fé, chutava ele também, no ar, quase caindo de cangalhas e, na passada, enfiando biqueirada de chumbo grosso no rabo ou canelas do insensato que lhe calhasse à frente. Membro da alta burguesia fafense e ilustre comerciante da nossa praça, estabelecido nos respeitáveis ramos da chapelaria e sapataria, frente a frente, duas lojas famosas e chiques, muito bem frequentadas, na hoje chamada Rua General Humberto Delgado, o Sr. Antunes era talvez um caso à parte, tinha a sua própria gramática de grande adepto, isso é certo, geralmente contida, às vezes graciosa, mas uma paixão tremenda, avassaladora, transfiguradora, e eu, grande admirador, passava o jogo inteiro a olhar para ele.
O Felinhos, do Picotalho, mesmo ao lado do Estádio, quando o Fafe deixou a Granja por casa nova e neutra, era outro que tal no que diz respeito aos pontapés na atmosfera mandados de cá de fora, que, se fossem lá dentro, eram golos atrás de golos, disso ninguém lhe tirava a ideia. Um desperdício, infelizmente. O Felinhos tinha a estampa de um pau de virar tripas e opiniões do tamanho e temperamento dos canhões de Navarone. Nunca estava contente, nada lhe servia, criticava o torto e o direito, porque sim, porque não e porque talvez, sempre contra tudo e contra todos, locais ou forasteiros, resmungava numa vozinha aguçada, interminável, irritante, a desafiar soco, o que, por outro lado, só lhe abonava a coragem. Ou talvez o despropósito.
O Sr. Abílio, da Fábrica do Ferro, era um bem instalado negociante de batatas, em concorrência directa com o Sr. Chupiu, o qual, não fazendo parte dos quatro magníficos, tinha porém um tasco, afamado e manhoso, mesmo à porta de entrada do novo campo da bola. E quem diz entrada, diz saída, não havia como lhe fugir. O Sr. Abílio era, portanto, dono do seu próprio horário e destino, tal qual o Sr. Rocha, de Sá, que possuía uma potente moto Jawa, uma furgoneta para os domingos e um tractor, que era o seu ganha-pão. O Sr. Rocha, um homem grande, pesado, opinioso, cheio de certezas vernaculares, aliás como o Sr. Abílio, iguais em todos os itens, viu bem o furo, lavrava para fora, isto é, alugava-se à hora, a ele e ao seu tractor, para amanhar os campos dos lavradores aqui à roda. Foi exactamente naquela maré que tudo isto começou aqui na região: com décadas de atraso, a mecanização agrícola chegava enfim ao minifúndio minhoto. Para além disso, o Sr. Rocha fazia questão de exibir a sua simpatia pelo antigo regime e mandava-nos calar a todos, com cara de poucos amigos e um ameaçador "Chiiiiiu!!!" de dedo apontado, mal aparecia na televisão do café Peludo o genérico de abertura da "Conversa em família" de Marcelo Caetano, sua excelência o presidente do Conselho.
Eu dava-lhes muito valor, aos quatro grandes adeptos da AD Fafe, ao nosso quarteto fantástico. O Sr. Antunes Chapeleiro, o Sr. Abílio Batateiro, o Sr. Rocha "Mijão" e o Felinhos. Indesmentíveis poços de sabedoria, prodigiosos senadores do pontapé na bola. Eles sabiam tudo de futebol. Melhor dito, eles é que sabiam! O que já era conhecido e o que ainda havia de ser inventado. Em caso de derrota, que acontecia com arreliadora frequência, sabiam milhões de vezes mais do que a besta do treinador, especialmente o Sr. Rocha e o Sr. Abílio, que eram realmente duas sumidades, eles já tinham ditam, aliás, tinham-se fartado de dizer, "Eu é que disse!", "Mas eu disse primeiro!", pegavam-se não raro, discutiam um contra o outro com uma ciência que dava gosto ouvir, trocavam insultos com bigode, mandavam-se àquela parte, ignoravam-se de despeito, tudo por amor ao Fafe, só faltava mesmo andarem à pancada, e havia de ser bonito.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. A AD Fafe era de uma só cor: amarelo e preto. Agora, derivado talvez ao negócio, apresenta-se de azul. Parece-me estranho, mas eles é que sabem.)