P.S. - Hoje é Dia Mundial da Criança.
Tarrenego!
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Hoje é para as crianças, mas só hoje!
Hoje é Dia Mundial da Criança. Mas, atenção, é só hoje! Até à meia-noite. Depois podemos voltar aos cães e aos gatos, e temos o ano inteiro.
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Pai que é pai
Português, desempregado, 45 anos de idade. Quando finalmente conseguiu um part-time como homem-sanduíche, chegou a casa à noite e deu-se de comer aos filhos.
P.S. - Hoje é Dia Mundial dos Pais ou Dia Global dos Pais. E é também Dia Mundial da Criança ou Dia da Criança.
domingo, 31 de maio de 2026
A arte dos esbichadores
Comida substantiva
Ele gostava de comida substantiva. E enchia-a de adjectivos.
Ora bem. Eu já andava esquecido destas habilidades antigas, da velha arte dos grandes esbichadores, com o Bô da Bomba logo à cabeça, quando outro dia vi, e nem queria acreditar, um jovenzinho de onze/doze anos exactamente nos mesmos preparos, à mesa do restaurante, aviando costelinha atrás de costelinha com soberana categoria, impávido e sereno, deliciado, delicado, devagar, indiferente, enquanto pôde, às mansas reprimendas da mãe, envergonhada sem razão, porque o menino estava a fazer tudo bem. As belas costelinhas na brasa comidas à mão, uma primeira vez, os ossos colocadas numa pilha muito organizada, autêntica obra de arte, engenharia pura, aqui na borda do prato, e depois uma segunda passagem, definitiva, osso a osso, o rapazinho sempre silencioso e composto, compenetrado, sem se sujar, atento a todos os pormenores, a todos os bocadinhos, até ao sumo dos ossos, mas tudo feito com uma elegância e um requinte que só vistos. Carago, de repente era o meu avô que estava ali, mas em pequeno e com classe! Se quereis que vos diga: quase me levantei do nosso canto para ir lá dar um abraço ao rapaz e talvez um sermão à mãe. Por acaso não fui, e foi o que fiz melhor.
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sábado, 30 de maio de 2026
Quando o telefone toca
Sem pé
Tinha um medo terrível de andar de avião. E se o aparelho caísse ao mar? Ele não sabia nadar...
O telefone toca, a gente atende num susto, e o que é que faz? A gente, quero dizer nós todos, fafenses e portugueses em geral. Posto isto - então o que é que a gente faz? A gente agarra-se ao telefone com as duas mãos numa aflição que Deus me livre, e pergunta para o outro lado, aos gritos e falta de ar: - Estou?! Estou??!! Estou???!!! A gente tem medo de não estar. Precisamos de confirmação. Ó insegurança! Ó angústia existencial! Ó compinchas caguinchas! Que é das armas e dos barões assinalados? Que é dos heróis do mar, nobre pobre, nação valente? Que é do com Fafe ninguém fanfe?...
E nisto estamos. Ou não estaremos?
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Nacional do Agente de Viagens.)
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Ora batatas
Para coser
Nas batatas para coser recomenda-se o uso de linha da marca Corrente, a famosa linha universal para costura da Coats & Clark. Sempre que possível, à cor.
Antigamente as batatas eram batatas, e isso chegava. Pelo menos em Fafe era assim. Batatas. Eram batatas para todo o serviço. Batatas unidas, iguais perante a lei, indiscriminadas, batatas universais. Vinham em imponentes sacos de 50 quilos, de camioneta, geralmente entregues à porta e depois arrastados para dentro. Actualmente as batatas são apartadas, rotuladas, segregadas, apontadas a dedo - nos minis, nos supers, nos hipers, nos macros e nos falsos pomares de esquina: embora não consigam acertar, chamam-lhes batatas para fritar, chamam-lhes batatas para cozer, chamam-lhes batatas para assar. E até faz jeito agora pelo Natal: olho para o saquinho maricandeiro, vejo "para cozer", e sei logo que são para fritar. Ou assar...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional da Batata.)
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