sexta-feira, 6 de novembro de 2026

O dr. Castro e o dr. Vinagre

Pecando por defeito
Ele pecava muito por defeito. E que queriam? Que pecasse por virtude?...

O dr. Castro resolveu desancar no dr. Vinagre. Já lá vão quatro anos, numa espécie de artigo de opinião, no DN, a propósito dos dois rapazes de Famalicão que, por ordem dos pais, faltavam às aulas de Cidadania. O texto tinha por título singelo "O dr. Vinagre". O dr. Castro, José Duarte de Almeida Ribeiro e Castro, é ex-secretário de Estado, ex-líder do CDS e antigo vice-presidente do Benfica. O dr. Vinagre, António José Vinagre de Sousa, era magistrado do Ministério Público e tomava conta em tribunal daquele tão famoso caso, que ainda dá que falar.
O dr. Castro não foi manso. Chamou de tudo ao dr. Vinagre, apenas sugerindo ou pintando a manta com as letras todas. Argumentação é que nada. Sustentaçãozinha é que viste-la! Palavras e só palavras umas atrás das outras, palavras verrinosas, incisivas, destratantes, numa linguagem jurídico-tasqueira raiando a onzenice e muito mais própria para ser utilizada por mim, que não sou dr. nem sou nada e percebo tanto de direito quanto o dr. Castro percebe de futebol - isto é: zero.
Ainda assim, tenho de admitir que no meio daquela tralha toda o dr. Castro possa ter acertado sem querer numa coisinha acerca do dr. Vinagre. Uma coisinha somente, mas é de justiça que aqui se diga. O tiro de sorte poderá ter acontecido quando o dr. Castro acusa o dr. Vinagre de ser "um comediante". Isso. Um comediante.
Ora bem. Eu não conheço o dr. Vinagre, e confesso que tal me causa um certo desgosto, mas conheci satisfatoriamente o Vinagre. Lembro-me muito bem, lembrei-me hoje, por acaso com saudades, e é por isso que o trago agora aqui. Também o trouxe a Fafe, pelo menos uma vez, éramos moços, para ouvir a Banda de Revelhe no Jardim do Calvário e merendarmos uns petisquinhos preparados pela minha mãe, no Assento. Posso portanto testemunhar, e a verdade é só uma: o Vinagre era realmente um pândego. Um brincalhão. Um cómico. Enfim, um indivíduo dado à pilhéria e à representação. Chegámos a partilhar o palco, eu evidentemente como protagonista. E quer-se dizer: sem saber ler nem escrever, o dr. Castro, que às tantas é uma criatura triste, até parece que bateu no ponto, e contra isso nada...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Publicado aqui originalmente, versão curta, no dia 17 de Julho de 2022.)

Uma casa portuguesa, com certeza

Foto Hernâni Von Doellinger

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A César o que é de César, disse o César

Matrimónio e património
O matrimónio é a herança que a mãezinha dá ou deixa. Um bom matrimónio tem casas, carros, terrenos, jóias e muito dinheiro no banco. Se foi deixado pelo pai, então é património.
César e Florinda divorciaram-se. Sete meses de casados a dividir ao meio: um LCD, oito CD, vinte DVD, dois telemóveis, um cartão de crédito, um porta-chaves, duas canecas, um prato, duas colheres, um frigorífico avariado e uma Ford Transit em razoável estado de conservação. César levou tudo. Na Ford Transit. Disse: a César o que é de César, adeus o que é de adeus. E arrancou.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

As nudezes de Marisa Cruz

O terceiro homem
O terceiro homem foi Abel. Adão foi o primeiro, como o próprio nome indica; Caim, o segundo; e Abel, o terceiro. A seguir veio Sete, que, pela ordem natural das coisas, deveria ter sido Quatro, mas a Bíblia é como é e quanto a isso nada. Caim matou Abel, numa história negra muito bem contada pelo jornalista, espião e escritor inglês Graham Greene. O livro deu filme de Carol Reed, que meteu Orson Welles e ganhou Cannes, BAFTA e um Óscar da Academia. Óscar evidentemente acúrsio.

Era uma vez Marisa Cruz, que entrou num filme e apareceu nua. Foi no ano de 2004. O filme, de António Cunha Teles, chamava-se "Kiss Me" e entravam lá também o bom Nicolau Breyner (1940-2016), Rui Unas, Marcantónio Del Carlo e até Clara Pinto Correia, entre outros e outras, certamente. Marisa Cruz estava então com o jogador de futebol João Pinto, com quem assinaria casamento em 2009 e do qual rescindiria em 2013. Tiveram tempo para dois filhos. João Pinto é hoje dirigente ou funcionário da Federação Portuguesa de Futebol, mas em 2004, época da estreia do filme, jogava no Boavista de boa memória. Eu não entrei no filme, casei com a minha mulher no século passado e ainda cá estamos, nunca joguei no Boavista nem sou assalariado da FPF. Em 2004 trabalhava no 24horas, Redacção do Porto, e as inteligências lisboetas do meu jornal mandaram-me telefonar ao Jaime Pacheco, que era o treinador dos boavisteiros, a perguntar-lhe se tinha visto o filme, o que é que achara do corpo nu da Marisa e se tinha comentado o assunto com o João Pinto, tipo "a tua mulher é boa como o milho". As inteligências lisboetas do meu jornal mandaram-me também telefonar aos colegas do João (lembro-me do Frechaut, do Diogo Valente e do Martelinho, por exemplo), a perguntar-lhes se tinham visto o filme, o que é que acharam do corpo nu da Marisa e se tinham comentado o assunto no balneário, tipo "por acaso esta noite sonhei com a tua mulher". As inteligências lisboetas do meu jornal mandaram-me ainda para a porta do cinema, no NorteShopping, se não estou em erro, a perguntar aos espectadores que saíam se tinham gostado de ver a Marisa nua, se, ao léu, ela era mesmo toda boa como parecia vestida, e se coisa e tal...
Às inteligências lisboetas do meu jornal, eu mandei-as à merda. E ao filme também. Nunca o vi e não gostei, não sei como é que era realmente a rapariga em pelote, desconheço-lhe as intimidades que afinal não são. Por outro lado, percebi aqui atrasado, vinte anos depois, que Marisa Cruz continua a querer mostrar, e mostra, nas suas redes e nas redes dos outros, e faz ela muito bem, suponho, está absolutamente no seu direito. Eu se lhe soubesse desta mania, às tantas, em 2004, em vez de guardar respeito, por assim dizer, talvez devesse ter-me dado ao trabalho e ao gozo. Mas não. Tenho a certeza de que fiz bem em não fazer nada...
Os jornalistas e similares que eram as inteligências lisboetas do meu falecido jornal estão hoje quase todos muito bem colocados nos periódicos de referência da capital e vão assiduamente às televisões comentar as últimas da política nacional, internacional, solar e intergaláctica. Levam-nos a sério, e eles próprios parece que também. Não sei se viram a Marisa Cruz nua e, se viram, o que é que acharam. Talvez lhes perguntem um destes dias.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Publicado aqui originalmente, versão curta, no dia 23 de Maio de 2019. Hoje é Dia Mundial do Cinema.)

Unhas de fome (propriamente ditas)

Foto Hernâni Von Doellinger

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Vidro temperado, q.b.

O vidro temperado é aproximadamente quatro vezes mais duro do que o vidro normal, tem maior resistência térmica e estilhaça-se em pequenos fragmentos quando é partido. Por outro lado, é uma das principais causas da hipertensão arterial. Recomenda-se, por isso, o meio-sal...

P.S. - Hoje é Dia Mundial dos Materiais.

O estresse

"O estresse provoca o câncer!", não se cansava de repetir o clarividente defensor do acordo ortográfico.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia de Consciencialização do Stress.)