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quinta-feira, 21 de maio de 2026

O meu banco explora-me

Serei o único?
Eu acho estranho. Quanto mais faço o serviço do banco, mais o banco me cobra pelo serviço que não faz. É só comigo?

O meu banco escreve-me um email e diz-me: "Junto enviamos o seu extrato em formato digital. Pode agora consultar de forma rápida, cómoda e ecológica os movimentos do mês passado." O meu banco mente-me com quantos dentes lá guarda. O formato digital não é a forma mais rápida de eu consultar o meu extracto - o papel é que era; o formato digital não é a forma mais cómoda de eu consultar o meu extracto - o papel é que era; e não acredito que o meu banco tenha um cêntimo sequer de preocupação ecológica.
E que se segue? Indiferente aos meus mais veementes protestos e sucessivos atestados de velhice e antiguidade, o meu banco deixou mesmo de gastar papel comigo e, três anos depois, sem dizer água vai, passou a cobrar-me 5,41 euros mensais de "comissão de manutenção". E agora, sei lá se por derradeira vingança, obriga-me a ser eu próprio a realizar todo o (pouco) trabalho que antes fazia por mim. Quer-se dizer: para além de me mentir, o meu banco também me explora. Eu não me parece bem, lá isso não. Mas vou-me queixar a quem? Ao Totta? O meu banco é o Millennium, valha-me Deus...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O terraplanista

Desenho Nestinho

A Terra tem diversos movimentos. Os mais famosos movimentos da Terra são o movimento de rotação, que é a Terra a andar egocentricamente à volta de si mesma - tipo Jorge Jesus ou André Ventura, sem ofensa para o primeiro - , e o movimento de translação, que é a Terra, agora modesta e submissa, hipnotizada, a andar à volta do Sol, qual aborboletinha avoando em torno dos afilamentos das alâmpadas, como diria o outro, o das imitações. Ora bem. O que me espanta é que tanto safanão não desequilibre a Terra nem a faça entornar os oceanos ou despencar por aí abaixo os desgraçados habitantes do hemisfério sul, que praticam o pino durante o ano inteiro. Quer-se dizer: não desequilibra mas incomoda. E por estas e por outras é que a Terra anda ligeiramente chateada nos pólos.

Posto isto. O desenho, feito de encomenda, é obra do Nestinho, Ernesto Brochado, um verdadeiro apaixonado por Fafe, ou fafense amador, provavelmente a figura mais conhecida e respeitada do mototurismo nacional, dirigente do Moto Clube do Porto e da Federação de Motociclismo de Portugal, alma mater e organizador crónico do extraordinário Lés-a-Lés e de dezenas de outras iniciativas do género e de menor dimensão. O Nestinho, que é cicloturista e ex-ciclista, que é atletista e maratonista bissexto, que é eminente motociclista, evidentemente mototurista, raramente motorista e às vezes motosserrista, que é maquetista, cartunista, desenhista, ecologista e portista, que aprendeu comigo a gostar de Fafe, e gosta muito, que é provavelmente uma das cinco melhores pessoas do mundo, e, tenho de dizer, eu nunca soube das outras quatro.

P.S. - Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Rotação da Terra. Agarrai-vos!

terça-feira, 22 de abril de 2025

Abana mas não cai

A Terra tem diversos movimentos. Os mais famosos movimentos da Terra são o movimento de rotação, que é a Terra a andar egocentricamente à volta de si mesma - tipo Jorge Jesus ou André Ventura, sem ofensa para o primeiro - , e o movimento de translação, que é a Terra, agora modesta e submissa, hipnotizada, a andar à volta do Sol, qual aborboletinha avoando em torno dos afilamentos das alâmpadas, como diria o outro, o das imitações. Ora bem. O que me espanta é que tanto safanão não desequilibre a Terra nem a faça entornar os oceanos ou despencar por aí abaixo os desgraçados habitantes do hemisfério sul que praticam o pino durante o ano inteiro. Quer-se dizer: não desequilibra mas incomoda. E por estas e por outras é que a Terra anda ligeiramente chateada nos pólos.

P.S. - Hoje é Dia da Terra ou Dia Mundial da Terra ou Dia do Planeta Terra ou Dia da Mãe Terra. É também Dia Nacional do Património Geológico.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Os carapins não bastam

Ele tinha uma pegada deveras ecológica. Fosse aonde fosse, ia sempre em pezinhos de lã. Foi apanhado apenas por não usar luvas.

P.S. - Hoje é Dia do Dactiloscopista. No Brasil. Portanto será Dia do Datiloscopista.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

quinta-feira, 17 de junho de 2021

O meu banco mente-me

O meu banco escreve-me um email e diz-me: "Junto enviamos o seu extrato em formato digital. Pode agora consultar de forma rápida, cómoda e ecológica os movimentos do mês passado." O meu banco mente-me com quantos dentes lá guarda. O formato digital não é a forma mais rápida de eu consultar o meu extracto - o papel é que era; o formato digital não é a forma mais cómoda de eu consultar o meu extracto - o papel é que era; e não acredito que o meu banco tenha um cêntimo sequer de preocupação ecológica.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Terra Mãe, ecofestival em Fafe


Festival Terra Mãe, em Fornelos, Fafe, no fim-de-semana de 22 a 24 de Julho. Concertos, danças, oficinas, palestras, caminhadas e muito mais. "Três dias para mudar o mundo, três dias para mudar de vida" é o mote para um ecofestival que, de acordo com os seus organizadores, "pretende ser uma grande sala de exposição das artes tradicionais, ligado a grandes causas ambientais e com uma forte componente social". Mais informação, aqui e aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A verdade sobre as gaivotas

Foto Hernâni Von Doellinger

Gaivotas é comigo. Tenho até uma que faz questão de me vir cagar à varanda. Estou agora a escrever e estou a ouvi-las, a vê-las à minha frente, do lado de lá da janela. Eu e as gaivotas somos inseparáveis. Cúmplices. Somos um para as outras. Fui o primeiro a alertar para os perigos que corre o extraordinário gaivotal da Riguinha e Carcavelos, orgulho e emblema da Praia de Matosinhos. As gaivotas interessam-me. Cagam-me em cima, é certo, mas muito menos do que o Portas e o Passos Coelho, e eu não os conheço de lado nenhum e não me interessam para nada. Gaivotalmente falando, levo já mais de 25 anos de trabalho no terreno, eu e elas, contra a vontade da minha mulher, por causa da limpeza da varanda. Estou portanto em condições de afirmar, sem temer desmentidos, que sei de gaivotas como se fosse gaivoto. Houvesse um presidente da república das gaivotas e seria eu.
Ora bem. Outro especialista, mas este da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, disse hoje às notícias que as gaivotas andam a mudar-se do mar para a cidade. Pois andam. O caro colega afiança também que o "fenómeno" começou exactamente há dez anos, mas que, atenção, está a aumentar com "o calor elevado que se faz sentir neste momento".
Não sei se o "fenómeno" começou mesmo há dez anos - não os contei, não sei sequer se o "fenómeno" é fenómeno realmente, mas afirmar que a vaga de calor dos últimos dias puxou as gaivotas ainda mais para terra é ciência de atirar à sorte a ver se acerta. E não acertou. Ou então as gaivotas de Matosinhos são umas desalinhadas, só para chatear.
Explico. Hoje há um nevoeirinho manso ali na praia, uma brisazinha de norte passa aqui pela rua como quem não quer a coisa, e elas aí andam, as minhas gaivotas, nos telhados, na varanda, conversadeiras e cagonas, aproveitando a fresca como eu. Mas nos dias de brasa da última semana, não. Pelo contrário. A canícula devolveu-as ao mar e estragou a teoria de sofá do ilustre ecologista. Quem as quisesse ver, era na água, bandos imensos, uns cem metros para dentro da linha de rebentação. Porque não são parvas. É. Já escrevi e repito: as gaivotas têm merda na barriga, não na cabeça.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Salvemos o gaivotal da Praia de Matosinhos!

Foto Hernâni Von Doellinger

O estuário da ribeira da Riguinha e Carcavelos é a principal atracção turística da Praia de Matosinhos. E tem um valor ecológico incalculável. Mas não está legalmente protegido e essa omissão é um perigo. Vamos admitir que, por absurdo, algum maluco episodicamente com poder se lembrava de subterrar o curso de águas, introduzindo-o directamente no oceano: assim se destruiria um dos mais interessantes e bem frequentados gaivotais da costa portuguesa. Estão a ver o desastre?
Mais uma pergunta, já agora, e esta dirigida a quem manda, mas upa upa: para quando a criação da Reserva Natural do Gaivotal da Praia de Matosinhos? Era uma garantia, ficava o assunto resolvido.
A este santuário, estrategicamente localizado mesmo aos pés da famosa Anémona da Olá, as gaivotas acorrem aos milhares e ao cheiro. Porque a Riguinha cheira. O estuário da Riguinha e Carcavelos parece a desembocadura de um esgoto. A Riguinha tem tudo para ser um bom esgoto, mas é uma ribeira de papel passado. Quando chove, a ribeira alimenta-se das sarjetas das ruas e as gaivotas agradecem. As águas são gordurosas e amiúde recheadas, são ora pretas ora castanhas, sobretudo castanhas. E as gaivotas apreciam. E todo este património não se pode perder.
As gaivotas, que têm merda na barriga mas não na cabeça, não se acreditam que a Riguinha é uma ribeira. Acham que é um esgoto. E eu até as compreendo.

Foto Hernâni Von Doellinger