O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo porque me amam, tem o amor causa; se amo para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama para que o amem, é interesseiro. Quem ama não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.
"Sermões", Padre António Vieira
(António Vieira nasceu no dia 6 de Fevereiro de 1608. Morreu em 1697.)
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