quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Francisco Mangabeira

Suplício eterno

Não devo amá-la... e amo-a com loucura!
Quero esquecê-la... e trago-a na lembrança!
Ai! quem me livra deste mal sem cura
A que o destino trágico me lança?

Uma nuvem de tédio e amargura
Cobre-me a loira estrela da esperança...
Tudo cansa por fim na vida escura,
Só este amor infindo é que não cansa...

Se os olhos cerro, vejo-a nos meus sonhos;
Se à noite acordo, sinto que enlouqueço
De uma angústia nos vórtices medonhos...

E esta morte em que vivo jamais finda,
Pois quanto mais procuro ver se a esqueço
Sinto que a adoro muito mais ainda!

Francisco Mangabeira

(Francisco Mangabeira nasceu no dia 8 de Fevereiro de 1879. Morreu em 1904.)

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