sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Nilo Ramos

O choro da vela

Quando alguém morre, é logo acesa a vela...
E postada ali junto, a tudo alheia,
Comprida e erguida, feita sentinela
Aos pés do morto, triste bruxuleia.

Enquanto todos choram, também ela
Seu copioso pranto não sofreia;
E em lágrimas de cera se revela
Cheia de dor e de amargura cheia.

Ninguém mais chora, em breve. Ouve-se, lento,
Um murmúrio de rezas, um lamento
Que se evola de cada coração.

Só o choro da vela é que não finda:
Mesmo apagada já, ficam ainda
Gotas secas de pranto pelo chão.

Nilo Ramos

(Nilo Ramos de Araújo Pereira nasceu no dia 28 de Outubro de 1984. Morreu em 1935.)

Sem comentários:

Publicar um comentário