sexta-feira, 5 de maio de 2023

Era uma vez a Broadway

Foto Hernâni Von Doellinger

Corria o ano de 2016 e a Câmara de Matosinhos aproveitou as comemorações do 25 de Abril para inaugurar a sua Broadway, uma via de ligação dita pedonal entre a Praia de Matosinhos e as imediações da Circunvalação, decalcando o percurso do antigo canal ferroviário que apoiou a construção dos molhes do Porto de Leixões. E a autarquia, então presidida por Guilherme Pinto, chamou-lhe mesmo Broadway, a Broadway de Matosinhos, fez-se placa, subiu a toponímia, e eu, que moro exactamente aqui em Manhattan, mesmo ao lado da coisa, não percebi a americanice, e aliás achei-a uma transatlântica estupidez.
Não sei o que é se passou entretanto nem quando é que aconteceu, mas parece que a Câmara de Matosinhos, actualmente sob a presidência de Luísa Salgueiro, tomou sentido ao ridículo e mudou o nome à Broadway. Até pode ter sido há anos, mas eu só me apercebi ontem, e por isso aqui estou hoje a contar: a Broadway chama-se agora, com todas as tabuletas, Passeio da Praia. Isto aqui em Matosinhos! Em Nova Iorque, não sei se também.

Isto é, vinhos e petiscos

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 1 de maio de 2023

É preciso tê-los

Portugal tem o segundo maior carrilhão da Europa. Conta com 72 sinos, alguns dos quais pesam várias toneladas, e foi inaugurado no dia 1 de Maio de 2005 na Igreja dos Pastorinhos, em Alverca. Faz hoje anos. Para além disso, o de Alverca é o terceiro carrilhão construído em Portugal, depois dos famosos carrilhões instalados, no século XVIII, no Convento de Mafra e na Torre dos Clérigos, no Porto.
De carrilhões realmente até nem estamos mal servidos. E quem diz carrilhões, diz órgãos. Órgãos de tubos. Como, por exemplo, o avantajado órgão de tubos da portuense Igreja da Lapa, que é considerado "o maior órgão de tubos da Península Ibérica", e olé!, e o poderoso órgão de tubos da Basílica da Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, que é considerado "o maior órgão de tubos de Portugal". Há qualquer coisa aqui que não bate certo, é verdade, mas eu não sei o que é. Os medidores de instrumentos não se entendem e desconhecem a geografia, mas o livro da antiga 4.ª classe, contas simples de somar e uma fita métrica podiam resolver o assunto. Isto com os órgãos não é questão de opinião ou desempenho. O tamanho importa, mesmo!

Sino da paixão bate bão-bão-bão

Foto Hernâni Von Doellinger