Consello acertado
- Bos días, siñor Xués,
eiquí veño a molestal-o
é ademais pedir consello.
- Fale, que vou escoitál-o.
- No romáxe de San Bráis,
ó fillo do Tarabelo
deronll-un tiro nun ollo,
que hai que faguer?
- Curalo.
Manuel Roel
(Manuel Roel nasceu no dia 4 de Janeiro de 1898. Morreu em 1968.)
sábado, 4 de janeiro de 2020
José Baña Pose 2
Nacín o día catro de xaneiro do ano mil oitocentos setenta e dous, unha noite de xiada dos demos. Ó outro día mataron os cochos. Houbo grandes loitas por causa miña. Promeiro veu unha muller da Penela pra miña nai, pro marchou da casa e casouse con quen lle chamaban o Mouro da Golada, e o que había de ser eu é hoxe Perfecto do Mouro. Logo veu un chamado Antón de Lopes pra ser meu pai, pro quería que lle fixesen o papel de todo pra casarse con miña nai, e miña nai non quixo. Si se fixera este casamento eu estaría morto hoxe, porque o promeiro fillo que tuvo ese home morreu.
Logo veu meu pai, o millor mozo desde Traba a Laxe, e desde Malpica á Barcala, casouse con miña nai, e aquí está o fillo máis vello, que son eu.
[...]
"Suspiros n'a Terriña", José Baña Pose
(José Baña Pose nasceu no dia 4 de Janeiro de 1872. Morreu em 1945.)
Logo veu meu pai, o millor mozo desde Traba a Laxe, e desde Malpica á Barcala, casouse con miña nai, e aquí está o fillo máis vello, que son eu.
[...]
"Suspiros n'a Terriña", José Baña Pose
(José Baña Pose nasceu no dia 4 de Janeiro de 1872. Morreu em 1945.)
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
À hora ou há ora?
À hora ou há ora? - perguntou o gramático, manhoso, como se os agás e os acentos, agudos ou graves, fossem visíveis nas conversas. - Há ora - respondeu o discípulo, mais convencido era impossível. - Há ora?!... - exaltou-se o gramático - Há ora?!?!... - ameaçou o gramático, entremeando os pontos de interrogação e de espantação, e insistindo perdigotamente nas velhas reticências. - Há ora, mestre - perseverou o discípulo, humilde porém seguro. - Há ora, mas e além disso...
Vasco Graça Moura 8
Amar-te corpo a corpo
Se é esta a doce lei que eu imagino
do amor que nos impõe o seu ditado,
amar-te corpo a corpo é o meu fado
E amarrar-me a ti o meu destino
sentir a própria alma em carne viva
respirar boca a boca e nesse jogo
atravessar-me em fogo no teu fogo
e alimentá-lo a beijos e saliva
se mais atino quando desatino
por meus jeitos de amor alvoroçado
é no alto mar revolto e desmaiado
que entre peripécias loucas me declino,
sendo cada carícia a mais lasciva
a inventar seus rumos afinal
na pura escuridão, na mais carnal,
que me cativa a mim e te cativa
entre as línguas, os sorvos, as gargantas,
doces gemidos, ternas resistências
e violências brandas, impaciências,
e tantas mais carícias, tantas, tantas
"A Puxar ao Sentimento", Vasco Graça Moura
(Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de Janeiro de 1942. Morreu em 2014.)
Se é esta a doce lei que eu imagino
do amor que nos impõe o seu ditado,
amar-te corpo a corpo é o meu fado
E amarrar-me a ti o meu destino
sentir a própria alma em carne viva
respirar boca a boca e nesse jogo
atravessar-me em fogo no teu fogo
e alimentá-lo a beijos e saliva
se mais atino quando desatino
por meus jeitos de amor alvoroçado
é no alto mar revolto e desmaiado
que entre peripécias loucas me declino,
sendo cada carícia a mais lasciva
a inventar seus rumos afinal
na pura escuridão, na mais carnal,
que me cativa a mim e te cativa
entre as línguas, os sorvos, as gargantas,
doces gemidos, ternas resistências
e violências brandas, impaciências,
e tantas mais carícias, tantas, tantas
"A Puxar ao Sentimento", Vasco Graça Moura
(Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de Janeiro de 1942. Morreu em 2014.)
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